quinta-feira, abril 16, 2026

Troféu de Oeiras - Leceia

Esta é a etapa do troféu que menos gosto, o percurso não é nada de especial, nomeadamente a parte que subimos pela via rápida, mesmo ao lado dos carros, e depois a parte final é a descer e em plano o que não me favorece. Em cima disto tinha passado a semana constipado e ainda estava muito congestionado, por isso era tentar fazer o meu melhor sem grandes expectativas. O tempo estava frio, bom para correr mas desagradável antes da partida, e com um vento bastante forte que sabia que iria ser um desafio durante a prova.

Após o arranque apanhamos logo uma subida longa mas suave e ali até me estava a sentir bem, a conseguir progressivamente ir ultrapassando corredores, e a prova nem ia assim tão rápida, pois continuava com a cabeça da corrida à vista. No final da descida antes da via rápida reparei que o João Narra ia para ai a uns 20-30 metros à minha frente, e que seria uma boa referência naquela longa reta a subir que vinha a seguir. Mal entro na via rápida, o vento de frente era tão intenso que cansava mais que a própria subida. Deixe-me ia atrás de 2 corredores para poupar energias e quando um corredor passa tento seguir com ele, mas sempre atrás para me proteger do vento. Estratégia perfeita da minha parte, aproveitei a boleia e fomos a ultrapassar uma série de grupos, até que no final da via rápida apanho o João e ultrapasso-o.

Começamos a descer e não quis ir ao choque, vi que não conseguia acompanhar a minha boleia e deixei-o ir, tentando não perder muito terreno para conseguir recolar na próxima subida. Entretanto o João também passa por mim e também não consigo seguir, mas tinha esperança de recolar na subida.

Começámos a subir e mesmo esforçando-me não estava a conseguir recuperar tempo, além disso estava a sentir-me já muito cansado, e o facto de não estar a recuperar acho que mentalmente ainda me deixou mais cansado. Pior, uma meia dúzia de corredores passa por mim quase no final da subida, no terreno onde sou mais forte, e não consigo reagir minimamente. Voltamos a descer e as distâncias alargam-se, tanto para trás como para a frente, e fico ali na terra de ninguém, sem grandes hipóteses de apanhar alguém ou de ser apanhado.

Passamos perto da meta e faltava só aquela pequena volta, eu já conheço esta "pequena volta", estamos ali ao pé da meta e falta só um bocadinho, mas esse bocadinho ainda é 1 quilómetro, e custa muito. Volto a apanhar vento de frente e agora não tenho ninguém para me abrigar, ninguém do grupo da frente quebrou e o único objetivo que tinha naquela altura era nem dar qualquer veleidade a quem viesse atrás de pensar que me iria ultrapassar. Cortei a meta com 33m32s, repetindo o 8º lugar no meu escalão, da etapa anterior, e melhorando 5 minutos em relação a 2024, ficando só a 40 segundos do meu melhor tempo em 2023. Acabou por ser um resultado melhor do que esperava inicialmente e estou a aproximar-me do melhor que consigo fazer.

segunda-feira, abril 06, 2026

Troféu de Oeiras - Valejas

Esta é uma etapa especial para mim pois foi em Valejas a minha primeira participação no troféu de Oeiras, guardo sempre com carinho e nostalgia esta prova. Ao contrário do que é habitual, este ano Valejas não foi a primeira etapa depois do ano novo, devido às tempestades acabou por ser adiada, e este fato facilitou, pois esta prova costuma ter temperaturas muito baixas, aliás houve um ano que apanhei 2ºC. Com uma temperatura amena e depois de na semana anterior me ter sentido bem na prova de Leião, estava com um bom feeling para esta prova.

A partida a descer faz com que o início da prova seja extremamente fácil, a ideia era não me deixar enganar pelo início fácil pois a dureza está no final da prova. Até ao final das duas primeiras descidas, fui controlado, a um ritmo que me sentia confortável. Mal dei o retorno comecei a "caça ao pato", comecei a ultrapassar corredor a corredor sem sequer parar nos grupos que ia passado. No topo antes da meta estava bem e aproveitei a descida acentuada para recuperar o folego, mesmo sendo ultrapassado por alguns corredores durante a descida, sabia que depois do vale ainda estávamos a meio da prova e a dureza estava toda por vir. Dura e curta, a subida logo a seguir ao vale e a partir daí uma longa subida com pouca inclinação, ideal para fazer diferenças. Nesta fase ainda consegui ultrapassar e encurtar espaços para alguns corredores, mas já estava junto a corredores muito fortes, onde já é mais difícil fazer diferenças.

Na curta descida antes de chegar à ponte sobre a ribeira de Carenque voltei a deixar escapar um grupo de 3 corredores e julgava que um deles era do meu escalão, por isso não os queria deixar ir embora. Voltamos a iniciar a subida e estava a encurtar espaço mas muito ligeiramente, e tinha a sensação que era por estarem a quebrar e não por eu estar mais rápido. Quando faltava mais ou menos 1 quilómetro encostou a mim um miúdo do Núcleo de Oeiras, como não era do meu escalão pedi a colaboração para conseguirmos apanhar quem estava à nossa frente, e lá fomos até que quando chegámos à curta subida antes da meta estávamos praticamente encostados. Aí começámos os 2 a puxar bem a sério, ultrapassei logo quem eu pensava ser do meu escalão (mas não era), e deixei o miúdo continuar que eu já tinha apanhado quem queria. Até ao final foi só controlar pois já não precisava de ir apanhar ninguém e não queria voltar a ser ultrapassado. Acabei num ótimo 8º lugar no meu escalão, a minha melhor classificação desta temporada, com pouco mais de 31 minutos e a segunda melhor média desta etapa.


quinta-feira, março 26, 2026

Troféu de Oeiras - Leião

Foi uma semana complicada antes da prova, na 2ª feira torci o tornozelo e só consegui voltar a treinar com o tornozelo ligado na 6ª feira. Apesar de ter o tornozelo ligado sentia algumas dores se fizesse movimentos com mais amplitude, por isso estava algo receoso, especialmente a descer que é a altura onde se faz mais carga no tornozelo. Lá fiz um aquecimento cuidadoso, especialmente porque a prova atrasou e tive de fazer novo aquecimento para garantir que o tornozelo não começava a prova a frio.


Comecei a prova e as dores não as sentia o que foi um bom sinal. Comecei a correr a um ritmo que considerava confortável e para meu espanto primeiro quilómetro que tinha uma ligeira subida foi feito a pouco mais de 4min/km, e o segundo quilómetro que apanhava uma ligeira subida seguido de uma descida rápida fiz a menos de 4min/km. Estava espantado comigo, pois o ritmo alto não se refletia na minha percepção de esforço, estava a sentir-me bem e a ultrapassar outros corredores.

A principal subida da corrida era ao terceiro quilómetro e como é normal o ritmo diminuiu, no entanto quando cheguei ao topo, e este foi o sinal que eu estava bem, rapidamente consegui elevar o ritmo, e estava ofegante sim, mas não estava prestes a explodir se me metessem a mão na boca. Até ao 5º quilómetro fui algo a vontade a tentar recuperar para o grupo que ia a minha frente, mas como era maioritariamente a descer para mim é difícil recuperar, mesmo assim desci melhor do que o meu normal. Entre os 5,5kms e os 6kms há uma subida duríssima que aproveitei para passar aquele grupo, mas não consegui nenhuma vantagem, e quando voltámos a entrar no plano voltei a ficar para trás. Aquele último quilómetro fiquei ali na terra de ninguém, os da frente estavam longe e não se aproximava ninguém, foi uma luta comigo mesmo para manter um ritmo bom numa altura que já me sentia em esforço. Acabei com uma média de 4m11s/km que de longe foi a minha melhor marca deste percurso, quase menos 1 minuto que o ano passado e 5 minutos que há 2 anos, gostava de ter ponto de comparação nos anos em que eu estava mais forte, mas não deixa de ser um ótimo indicador.

segunda-feira, março 02, 2026

Troféu de Oeiras - Ribeira da Lage

Esta etapa do troféu de Oeiras traz-me boas recordações, pois foi a etapa em que consegui a minha melhor classificação há já 6 anos atrás. Este ano o percurso mudou consideravelmente, sendo igual só o início e o final. Apesar dos dados me dizerem que este percurso tem uma altimetria maior, numa distância inclusivamente um pouco mais pequena que a anterior, tive a sensação que o percurso era mais fácil, porque inicialmente é sempre a subir para depois na segunda parte da prova ser praticamente sempre a descer.

Ao dizer que o percurso me pareceu mais simples, isso não reflete as minhas sensações ou prestação durante a prova. Nas noites anteriores senti dificuldades respiratórias, e logo durante o aquecimento senti-me ofegante e com o coração demasiado acelerado, percebi de imediato que iria ser uma prova para sofrer. Quando terminou a primeira parte da subida que é a parte mais dura, e que coincide com o percurso dos anos anteriores, com pouco mais de 1 quilómetro, percebi que comecei a andar para trás. A inclinação diminuiu, mas o meu ritmo não aumentou, até pelo contrário, e comecei a ser ultrapassado por inúmeros corredores.

Os dois quilómetros seguintes, os quais tinham uma ligeira inclinação, foram um sofrimento, custava-me imenso a respirar e não conseguia manter um ritmo forte. Chegado a meio da prova queria conseguir correr mais, mas o meu corpo não conseguia, apesar de já estar a descer, sentia-me cansado e tinha medo de cair pois não sentia leveza na passada, era tudo feito em esforço. Acabei no 16º lugar do meu escalão, sendo o primeiro da equipa, o que relativamente até é um bom resultado, mas olhando para a média foi somente de 4m24s/km. 

terça-feira, fevereiro 24, 2026

Epica & Amaranthe

Acho que este foi o primeiro concerto que fui em que não tinha claramente um cabeça de cartaz, ao invés disso tinha 2 grandes bandas que por si só poderiam vir em digressão como cabeças de cartaz. Antes das bandas entrou em cena a Charlotte Wessels, ex-vocalista dos Delain, uma banda que nunca vi mas gostava muito de ter visto. A Charlotte tem uma voz incrível, apesar de pessoalmente gostar mais da composição das músicas dos Delain, comparando com as músicas dela a solo. Foi um bom aquecimento para o que aí vinha e tenho curiosidade em seguir a carreira a solo da Charlotte, porque boa voz ela tem.


Charlotte Wessels Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Arcane Dimensions 2026

Os Amaranthe eram a novidade para mim e o principal motivo pelo qual não queria falhar este concerto, nunca os tinha visto ao vivo e estava muito curioso para ver a atuação. Ótima dinâmica entre os três vocalistas, conseguindo mesclar diversos estilos musicais dentro da mesma canção de modo a adaptar o timbre e estilo de cada vocalista. Mas quando pensava que a voz que fazia a cola, ou que serviria de base, seria a voz da Elize Ryd, fui surpreendido com a voz do Nils Molin. O que para mim foi estranho pois já tinha visto o Nils como vocalista dos Dynazty, e sabia que ele tinha uma grande voz, mas ser a voz que claramente se destaca das três vozes da banda, deixou-me algo surpreendido


Como fã dos Amaranthe adorei o concerto, as músicas mais marcantes da banda como a Amaranthine e a The Nexus, e ainda uma novidade com a nova música Chaos Theory, apresentada pela primeira vez nesta digressão. Espero que não voltem a estar tantos anos sem vir a Portugal, pois será uma banda que voltarei a ver todas as vezes que cá voltarem.

Amaranthe Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Arcane Dimensions 2026

E para acabar em grande a noite os Epica. Vou ser sincero, é possível que se os Amaranthe não estivessem no concerto, que eu não tivesse ido, gosto muito dos Epica, mas já os tinha visto três vezes, a primeira em 2012, depois em 2014 e a última à menos de 4 anos em 2022, por isso achei que já não me iriam surpreender. E acho que é a única banda que vi ao vivo 4 vezes, mas dos 4 concertos este foi sem dúvida o melhor, e começo a concordar com quem diz que neste momento eles são os reis do symphonic metal, ultrapassando bandas como os Nightwish e os Within Temptation, que na sua génese são bandas marcantes e percursoras deste sub género musical.

A Simone Simons está como o vinho do Porto, cada vez melhor com os anos, voz, presença em palco, comunicação com o público, tudo a melhorar. E até os guturais do Mark Jansen que nunca gostei, parece que estão mais contidos e mais harmoniosos com a música ao invés de rugidos desgarrados. Tenho de destacar a balada da banda a Tides of Time, onde a Simone mostra toda a potência e capacidade da sua fantástica voz. Além desta música ainda temos o super clássico Cry For The Moon, uma música sempre marcante em qualquer concerto dos Epica. Se antes do concerto não estava particularmente excitado por os voltar a ver, confesso que quando voltarem estarei com vontade de os ver por uma quinta vez.

Epica Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Arcane Dimensions 2026

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Tarja & Marko Hietala

Ver  um concerto de Tarja é ouvir a melhor voz feminina do metal, e duvido que muitas pessoas contradigam esta afirmação. Passando rapidamente pelas bandas de suporte, e rapidamente porque foram das piores bandas de suporte que já vi, a primeira foram os Serpentyne que não aqueceram nem arrefeceram, e a segunda foram os horrivelmente aborrecidos Rok Ali. Estes eram tão maus que olhava para todos os lados e as pessoas estavam agarradas aos telemóveis sem qualquer interesse no concerto.

Quando eu julgava que o concerto ia ser junto da Tarja e do Marko, apercebi-me que primeiro iria tocar o Marko e depois a Tarja, mas como é óbvio tinha a esperança que se juntassem para um dueto em diversas músicas, especialmente em músicas do Nightwish. Bem então vamos ter dois concertos em vez de um, fico a ganhar, depois da desilusão das bandas de suporte. Normalmente antes dos concertos vejo o alinhamento, mas este era o primeiro concerto da digressão, logo não tinha nehuma referência como seria o concerto.

Começa o concerto do Marko, com músicas dele a solo. Se a composição não tem o nível dos Nightwish, pelo menos da altura em que ele lá estava, a voz dele enche o ouvido, aquela voz característica com intensidade. A Tarja lá fez a aparição dela na penúltima música, no entanto, pessoalmente, as músicas que mais gostei de ouvir foi a de abertura Frankenstein's Wife e a música de encerramento a Stones, esta última leva-me para o universo do Diablo 2 que muito joguei. Creio que ainda lhe falta algum reportório para conseguir um concerto sólido, com mais músicas que fiquem no ouvido, porque sejamos sinceros, músicas cantadas em finlandês não lhe irão trazer notabilidade no futuro ou encher recintos para o ouvir.

Marko Hietala Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal 2026, Living the Dream Together

Passando para Tarja, que já tem uma carreira a solo muito mais solidificada, o que é normal tem mais 15 anos de carreira a solo que o Marko, sendo que esta já é a 3ª vez que a vejo ao vivo. A primeira parte do concerto a Tarja presenteou-nos com uma atuação irrepreensível, com a sua voz soprano simplesmente divinal. No entanto a melhor parte estava guardada para a segunda metade do concerto quando o Marko se junta à Tarja e começam a cantar um medley de músicas dos Nightwish em versão acústica.

E de seguida continuam juntos em algumas das músicas mais icónicas de Nightwish, no entanto dando-lhe uma roupagem diferente. Para mim, como grande fã de Nightwish, foi como ver e ouvir Nightwish na sua melhor fase, pois nunca tive a sorte de ver Nightwish com a Tarja como vocalista. Que momento fabuloso especialmente com o Wishmaster e no Wish I had an Angel, revisitar a história em músicas que não só marcam uma banda mas um género musical. Na minha opinião, e de muita gente, ficou a faltar a fantástica interpretação que estes dois cantores fazem da música Phantom of the Opera, pode ser que  ainda consiga ver e ouvir noutra oportunidade.

Tarja Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Living the Dream - Together Tour 2026

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Guilherme Duarte - Matrioska

Já há muitos anos que sigo o trabalho do Guilherme Duarte, desde os tempos em que ele começou a escrever o blog Por Falar Noutra Coisa. Inclusivamente já tive o prazer de falar com ele após uma atuação, que deu numa festa de natal quando estava na Sky. Como gosto muito de stand up comedy, decidi ter uma saída a dois com a Liliana e leva-la a ver o espetáculo, pois normalmente não é o género de eventos que ela vai. E das coisas mais deliciosas que acabou por acontecer foi vê-la a rir à gargalhada, ela que nem é muito expansiva. Quanto ao espetáculo em si adorei e recomendo, só não gostei lá de uma parte, mas lá está acho que o limite do humor está em cada um de nós, o humorista deve ser livre de fazer todas as piadas que quiser, eu como espetador posso não gostar/identificar-me com determinada piada. De assinalar a extraordinária memória do Guilherme, aquele texto final do espetáculo, debitar aquele texto todo, aquela velocidade, durante uns 15 minutos é obra. 

terça-feira, fevereiro 03, 2026

O que damos por adquirido

Hoje vinha de pôr a minha filha na creche e vi um miúdo, devia de ser mais ou menos da idade do meu filho ou mesmo mais novo, a caminhar no passeio, a chover torrencialmente e ele sem chapéu de chuva, só com um casaco e uma mochilona às costas. Lembrei-me que de manhã me tinha chateado com o meu filho por um capricho e teimosia dele, olhando para aquele miúdo, que claramente tem um percurso de vida mais duro que o meu filho, vejo que o meu filho não dá valor, assim como muitos de nós, aquilo que dá por adquirido. Ele não dá valor a eu acordar cedo para o ir pôr à escola de carro, para voltar a casa, ir pôr a irmã à creche e ainda começar a trabalhar antes das 9h. Simplesmente dá por adquirido que tem de ter essa facilidade do ir pôr à escola de carro, assim como dá como adquirido muitas facilidades que o ensino agora promove e acha que os professores o têm de ensinar e facilitar a ter boas notas em vez de se preocupar e esforçar por aprender, basicamente inverte o ônus da responsabilidade.

Até certo ponto aquele miúdo relembrou-me de onde venho, na primária ia a pé para a escola e a partir daí até terminar a universidade andei sempre de transportes públicos, fizesse chuva ou fizesse sol. E a minha mãe estava em casa e tinha muito mais disponibilidade que nós agora temos para os filhos pois não trabalhava, e mesmo assim eu andava sempre de transportes, pois eram gratuitos e de carro gastava-se dinheiro em gasolina. Mas essa dureza, ou inexistência de facilitismos, ajuda a moldar a personalidade e creio que dificilmente, o meu filho terá o mesmo capacidade que eu tinha, pois não passou pelas dificuldades, não será tão capaz, tão desenrascado, mas isso é culpa nossa como pais, que até certo ponto não deixamos que eles fortaleçam as suas asas para voarem por eles próprios.

No outro dia o Francisco falou-me de um menino lá da escola, que tinha permissão para sair sozinho da escola e que depois ia para casa de autocarro, e ele falou daquele menino como se ele fosse quase um alien, quando na minha altura isso era o normal e os aliens eram os poucos cujos pais os iam pôr e buscar à escola de carro. Muita coisa mudou em 35-40 anos e como tudo há vantagens e desvantagens, não sei é se neste caso as vantagens serão menores que as desvantagens, acho que isso só se saberá quando esta geração chegar à idade adulta.

quinta-feira, janeiro 29, 2026

20 anos de blog

Este ano é muito especial, pois assinalou-se os 20 anos desde que criei este blog no dia 27 de Janeiro. E como é um aniversário especial decidi fazer uma retrospectiva pelo que de mais importante se passou ao longo destes anos, claro que houveram anos mais interessantes que outros, por isso vou tentar fazer um pequeno resumo dos eventos mais importantes na minha vida nos últimos 20 anos, ora aqui vamos nós:

2006

2007

2008

  • Compra do meu apartamento de Cascais
  • Viagem a Frankfurt
2009

2011
2012
2014
2015
2016
2017
2018
2019
  • Viagem a Atenas para a maratona
2020
2021
2022
2023
2024
2025

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Estafeta dos Reis

Já há muitos anos que queria fazer esta estafeta, mas todos os anos esbarrei no problema principal, conseguir arranjar mais 2 corredores para fazermos equipa. E este ano a história repetiu-se, desafiei 2 colegas de trabalho, mas só um conseguia ir. Depois desafiei o grupo com que fui fazer a Maratona de Atenas e eles já tinham uma equipa, e os restantes não conseguiam ir correr. Por isso era mais um ano que não conseguia ir participar na estafeta. Até que ao final da tarde, do dia antes da estafeta, liga-me o Sebastião a dizer que tinham tido uma desistência numa equipa se eu queria ir substituir esse corredor. E assim sem qualquer preparação previa lá fui no dia seguinte para a prova.

Quando lá cheguei falei com o Sebastião, a pensar que quem tinha falhado tinha sido alguém da equipa dele, quando ele me diz que era de outra equipa da qual eu não conhecia nenhum dos corredores. E é quando ele me diz que um dos corredores, o Romário, fazia os 10kms em menos de 35 minutos e o outro, o André, em menos de 33 minutos, mas estava muito constipado. "Ah bom, está constipado, portanto em vez de estar completamente lixado, estou só muito lixado." - foi o que me veio à cabeça, e a minha cara deve ter sido daquele emoji dos olhos esbugalhados 😧😬😶. Já estava a ver o filme, não queria ser um peso morto para a equipa, o meu melhor tempo aos 10kms foi 39 minutos, nos meus tempos áureos.

O primeiro corredor fazia 5kms, o segundo 2,5kms, o terceiro 2,5km e finalmente todos juntos fazíamos mais 2,5kms. A decisão óbvia é o mais forte faz o primeiro percurso, o mais fraco o segundo percurso, e o intermédio o último pois acaba por fazer 5kms seguidos. Por isso a ordem seria Romário, que estava em forma, aqui o desgraçado e depois o André que estava constipado.

Lá começou a corrida com 190 equipas, e o Romário dispara no pelotão da frente, até que a coisa começa a ficar organizada, com um atleta destacado na frente, um duo a seguir e depois mais um grupo de 4 atletas onde estava o Romário. O Romário iria fazer duas voltas ao percurso, então quando ele estava a meio da segunda volta dirijo-me para a partida e começo a ver os primeiros a chegar até que o speaker diz que o número da minha equipa está a aproximar-se. Não tenho a certeza, mas creio que o Romário entrega-me a transição em 6 lugar, olha a responsabilidade, estava ali no grupo da frente.

Começo a correr e sem poupar nada pois a corrida era curta e tinha uma equipa a depender de mim. Quando até estava a encurtar a distância para o atleta da frente, estava a correr a 3m15s/km, passa outro corredor por mim que me fez sentir como se eu estivesse parado, nem reação para o seguir, e logo a seguir mais um ao mesmo ritmo. O que era aquilo? Eu sou amador mas eles pareciam atletas olímpicos. 

Por volta de 1km de prova sou ultrapassado por outro atleta, este ainda consegui ir um pouco atrás dele, o que me ajudou a encurtar ainda mais o espaço para aquele corredor inicial. Depois da subida mais íngreme do percurso não consegui seguir mais com ele, por isso tive de conseguir gerir o ritmo por mim próprio, não podia abrandar mas depois ainda tinha de fazer outra volta, por isso tinha de ficar com algum 'combustível no tanque'. Mesmo assim fiquei contente com o meu tempo pessoal 9m57s, foi um belo ritmo para mim, mas claramente não era por mim que estávamos naquela boa posição, o Romário tinha feito 8m54s na primeira volta e 9m36s na segunda volta.

Aproveito aqueles minutos que me pareceram ser muito breves para recuperar o folgo, sabia que o André apesar de muito constipado era alguém com 33 minutos aos 10kms, por isso não iria demorar muito tempo. O André chegou na 7ª posição com o tempo de 9m51s, era altura de irmos todos juntos. Começamos os 3 a correr e passado 1 minuto eu já estava desconfortável atrás deles, como estávamos com outra equipa em vista e estávamos a aproximar-nos eles estavam a apertar o ritmo. Tive de lhes pedir para baixar um pouco o ritmo que eu não estava a aguentar, e um dos elementos da equipa da frente parecia estar a fraquejar, acelerávamos depois na subida que para mim era onde me sentia mais confortável.

Eles lá reduziram, pouco, e eu quase a morrer atrás deles, se me metessem a mão na boca eu explodia, se apanhasse uma pedra mais saliente eu ia tropeçar. E eles a falarem à minha frente como se estivessem a passear. A equipa da frente distanciou-se um pouco e mesmo com a subida não encurtámos o espaço, totalmente culpa minha, tenho a certeza que se fossem só eles os dois que os conseguiam ir apanhar.

Acabámos na 7ª posição da geral, com um tempo na última volta de 10m06s e um total de 47m24s, mantendo a mesma posição com que começámos a última volta. O melhor veio depois, soubemos que tínhamos ganho o nosso escalão, o escalão dos velhos, todas as equipas à nossa frente eram miúdos. Este pódio teve um sabor agridoce, obviamente que adorei voltar a subir ao pódio, mas sendo honesto comigo próprio este pódio deveu-se aos meus colegas de equipa, se todos tivessem o meu nível era provável que conseguíssemos o 3º lugar do pódio, mas nunca o primeiro. Obrigado Romário e André.