Isto agora são corridas do troféu de Oeiras todos os fins-de-semana, com o adiamento de duas provas durante as tempestades, agora não temos descanso nenhum fim-de-semana. No fim-de-semana passado foi a etapa de Queluz de Baixo, com a subida da fábrica da pólvora, talvez a subida mais agressiva de todo o troféu. Esta até é das provas que me adapto melhor, pois a dureza está concentrada no final o que me favorece.
Logo a seguir à partida há uma acentuada descida seguida de um falso plano, nesta altura controlei o ritmo, sabia que o início seria o aquecimento, e apesar de estar a ultrapassar no falso plano, nunca me coloquei numa situação de desconforto. Até aos 4 kms a prova é um passeio, praticamente sempre a descer, e muito, é uma questão de gerir e não entrar em loucuras, mas pouco depois de passar a fábrica da pólvora a história muda de figura.
Quando entramos ali numa zona de prédios o terreno inclina e quando fazemos aquela curva à esquerda parece que começamos a escalar uma parede. Nesta altura o trote é tão lento que se torna difícil de ultrapassar muitos corredores, só depois de passarmos a rotunda é que a subida diminui ligeiramente e dá para fazer algumas diferenças. Uns quantos metros a descer onde fiquei ali entre corredores, para depois voltar a ganhar lugares na subida de Valejas, e para voltar a ser novamente apanhado na acentuada descida seguinte.
Estava um bocado farto daquele vai vêm, tinha passado a corrida toda a passar e ser passado pelos mesmos corredores. Estava naquele momento num grupo de 4 corredores, com mais 1 para aí uma dezena de metros à minha frente. Nessa altura pensei estrategicamente, o final era a subir, eu já sou forte a finalizar então a subir teria toda a vantagem, além disso tinha ultrapassado aqueles 3 corredores que estavam comigo nas subidas anteriores, por isso deixei-me estar protegido na parte de trás e esperaria a subida para atacar.
No final da descida o João Narra encosta em nós e dá-me um toquezinho para perceber que ele estava ali, deixei-o passar para a minha frente e segui atrás dele até a curva à esquerda que dá acesso à reta da meta. Por essa altura aquele corredor que estava à nossa frente estava praticamente "caçado", para aí a 3-4 metros de mim. Mal começa a subida acelerei e logo percebi que ia apanhar facilmente quem estava à minha frente. Mas para minha surpresa vem de trás de mim outro corredor, daquele grupo original de 4, que me começa a ultrapassar, e eu conhecia-o, tinha-o batido em todas as subidas, assim como na subida final da prova de Valejas, e fiquei realmente surpreendido pelo vigor do ritmo e acima de tudo por não ter fraquejado minimamente. Daquele grupo de 6 corredores acabei em segundo com o tempo de 30m32s no 9º lugar do meu escalão. Apesar de não ter feito diferença aquele lugar que perdi, pois não era do meu escalão, fiquei um bocado chateado por ter sido batido daquela maneira. Talvez tenha sido um bocado convencido e julgado que se atacasse forte de início descartava e desmoralizava toda a gente e ninguém sequer tentaria ir atrás. Para a próxima tenho de ser mais cauteloso, esperto e humilde, esperar o ataque mais forte e só responder a esse ataque.





