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terça-feira, fevereiro 10, 2015

Transplante de bonsai

Um dos momentos mais críticos no que toca a cuidar de um bonsai é o transplante. 

Porquê fazer o transplante? 
Porque temos uma pequena árvore, que apesar de pequena tem grandes necessidades nutricionais como qualquer árvore, e ao contrário de uma árvore na natureza, tem uma área confinada para as raízes do tamanho do seu vaso. É necessário renovar o solo, assim como limpar as raízes menos interessantes para o crescimento da árvore.

Quando e de quanto em quanto tempo deve ser feito o transplante?
Para uma árvore saudável o transplante no mínimo deverá ter um intervalo de 2 anos, podendo mesmo chegar a 5 se for uma árvore mais adulta num vaso maior. A regra normalmente que sigo é ao final dos 2 anos se as raízes não estiverem estranguladas no vaso e se o solo se apresentar ainda com boas características de drenagem então deixo estar e espero mais um ano. A altura do ano é esta em que estamos, final do inverno, início da primavera. Mas para ser mais exacto devemos ir observando a árvore se estamos a pensar em transplantá-la, e quando o processo de brotação começar a dar o mínimo sinal de estar a começar então essa é a altura ideal, em árvores de folha caduca isto é ainda mais visível. É importante ser nesta altura para se aproveitar ainda algum adormecimento da árvore, porque quando a árvore é transplantada fica mais frágil e depois de já estar com a folhagem completa já teve um grande desgaste, logo não a podemos sujeitar a ter um novo desgaste para se recompor do transplante. A minha sugestão, que vale o que vale, quando o transplante não é feito na altura certa é preferível aguardar mais um ano para o transplante.

Que vaso e que terra/solo devo utilizar?
A maior parte das pessoas quando pensa em transplantar um bonsai pensa num vaso maior, e normalmente esta é uma ideia errada, a maior parte das vezes não se troca o vaso. De uma forma grosseira, a altura do vaso deve ser da altura da base do tronco, mas claro que existem casos que não respeitam esta regra especialmente devido a alguns estilos, nomeadamente o estilo cascata. Quanto ao solo depende do tipo de árvore e das suas necessidades de água, se estiver a falar por exemplo de uma Taxodium (sobre a qual já escrevi anteriormente) o terreno tem de ser menos poroso se estivermos a falar de uma Serissa (que vou utilizar neste post mais à frente para demonstrar o transplante) claramente tem de ser um terreno mais poroso. Em caso de dúvida utilizar um terreno mais poroso, a desvantagem é ter de regar mais vezes se estivermos errados, se utilizarmos um solo menos poroso numa árvore que não goste tanto de água corremos o risco de apodrecer as raízes.

Fazer o transplante
A estrela deste transplante será a minha Serissa, curiosamente nunca falei aqui sobre ela e é a árvore que está à mais tempo comigo sendo este já o 2º transplante que lhe faço.


O primeiro passo é retirar o bonsai do vaso como se retira uma qualquer flor do vaso. Se estiver muito preso costumo passar uma faca junto o bordo do vaso para desprender a terra do vaso.


Agora vem a parte que normalmente é mais chata, remoção da terra das raízes. É bom tentar tirar toda a terra, mas se por algum motivo existir alguma zona mais complicada, mais vale deixar um pouco de terra antiga do que partir raízes boas. A técnica que para mim funciona melhor é usar um jacto de água na terra. Uso um arame para esgravatar a terra e depois com o jacto de água normalmente a terra solta toda.


De seguida é a parte tecnicamente mais complicada, depois das raízes estarem limpas da terra deve-se remover entre 1/4 a 1/3 das raízes. Como escolher as raízes? Como se vê na imagem anterior as raízes onde a água estão a bater são claras, estas raízes estão saudáveis, em primeiro lugar devemos procurar raízes escuras e quebradiças o que significa que estão em apodrecimento e não estão lá a fazer nada. Contudo num bonsai saudável não é natural ter raízes apodrecidas por isso a ideia é retirar parte das raízes saudáveis.

Existem 2 tipos de raízes, as de absorção que servem para retirar os nutrientes e água do solo, são as raízes finas com um género de micro vilosidades, e as raízes de sustentação, mais grossas e que servem para agarrar a árvore ao solo. Neste caso vamos querer remover as raízes de sustentação, além de não contribuírem para o crescimento do bonsai são as que ocupam mais espaço dentro do vaso. Mas atenção à regra de 1/3, numa árvore que já tratemos há algum tempo ou que o antigo dono tenha tido cuidado nos transplantes prévios, não é normal encontrar muitas raízes de sustentação pois elas vão sendo removidas ao longo dos transplantes anteriores. Contudo bonsais importados é normal retirarmos a terra e depararmos-nos com 3-4 raízes de sustentação, nestes casos aconselho a remover 1-2 raízes no máximo para não debilitar muito o bonsai, e deixar as restantes para remover num futuro transplante.


Agora é altura de voltar a colocar o bonsai no vaso e fixa-lo visto que lhe tirámos as raízes de sustentação e essencialmente o desprendemos do solo. Primeiro agarramos em 2 arames e entrelaçamos  os 2 no ser meio, ficando com um género de dois Y como se vê na imagem anterior.


Coloca-se agora um quadrados de rede de escoamento em cada buraco do vaso e fazem-se passar duas pontas do arame por cada buraco, ficando a parte do arame que está entrelaçado entre os dois buracos, na parte de baixo do vaso.


A partir de  agora não há grande ciência, é colocar uma ligeira camada de solo no fundo vaso e espalhar por cima um pouco de estimulante radicular. No meu caso eu utilizei o Rhiza Bonsai, mas poderá ser outro com o mesmo princípio. No caso do Rhiza Bonsai, no mercado português ou se compra directamente na Luso Bonsai ou poderá ser adquirido num qualquer Leroy Merlin.

Coloca-se agora o bonsai no vaso e está na altura de o  prender com os arames. A técnica consiste em pegar nas duas pontas do lado esquerdo por exemplo, e passá-las para o lado direito do bonsai, entrelaçando-as uma à outra junto do tronco do bonsai, repetir o mesmo processo com as pontas do lado oposto. O bonsai deverá ficar suficientemente preso que se consiga agarrando no bonsai de modo que o vaso não caia apesar de só se agarra no bonsai, e ao mesmo tempo não deverá estar demasiado apertado de modo a não ferir o tronco com o aperto dos arames.


Como se removeu cerca de 1/3 das raízes está na altura de remover 1/3 da folhagem. Isto é necessário essencialmente nas árvores de folha não caduca, e é necessário porque visto que temos menos raízes para absorver nutrientes e a árvore está debilitada, logo também tem de ter menos folhas a exigirem esses nutrientes e a forçarem a planta a um desgaste maior. Facilmente se nota a diferença da folhagem da primeira imagem que coloquei para esta última imagem.

Finalmente cobrir com solo, nunca o calcando, somente dando pequenas sacudidelas para ele cair pelo meio das raízes, pode-se ir regando para ajudar o solo a entranhar-se pelo meio das raízes. Agora e durante um mês deve-se dar especial atenção a este bonsai, não apanhar vento, não apanhar sol em demasia e não regar com produtos que possam queimar as raízes que estão frágeis por terem sido cortadas. Pessoalmente a única coisa que costumo acrescentar à água nas regas é Bio Bonsai.

quinta-feira, agosto 14, 2014

Bonsai Pinus Halepensis

Cada vez sou mais fã de bonsais de exterior, não sei bem porquê, talvez por me parecerem mais naturais, mais próximos da realidade, mas pode ser por outro motivo qualquer que ainda não desvendei. Quanto ao Pinus Halepensis foi paixão à primeira vista, já estou sem espaço para ter mais bonsais mais tinha de arranjar ainda um espacinho para este.


Já há algum tempo que queria um pinheiro, mas normalmente os preços são proibitivos, por isso tem sido algo que tenho adiado, quando vi este pinheiro a um preço bem aceitável não houve grandes dúvidas que o ia levar comigo.

A nível de características esta é uma árvore de origem mediterrânea, por isso muito adaptada ao nosso clima, apesar de não gostar muito dos dias mais frios. Deve apanhar sol directo quanto baste, e bastante luminosidade. Como a grande maioria dos bonsais só deve ser regado quando o solo já está quase seco.


segunda-feira, abril 07, 2014

Bonsai Caragana

Ainda tinha um espacinho no meu parapeito da janela e quando vi a caragana achei que era o bonsai ideal para ocupar aquele espacinho. Como já tinha escrito antigamente adoro bonsais de exterior, acabam por ser mais 'naturais', têm um ciclo de vida mais idêntico a uma árvore. Por exemplo esta é a altura do ano que mais gosto, começam a aparecer as primeiras folhas depois de um período de dormência, está na altura de voltarem a ser árvores verdejantes.
A caragana também pode ser um bonsai de interior, contudo idealmente prefere o exterior. Apesar de ser algo incomum como bonsai, as suas folhas pequenas, fácil moldagem e belas flores amarelas dão-lhe um toque especial, tornando um bonsai bastante interessante. O bonsai que adquiri tem apenas 7 anos por isso vou ter muito tempo para o moldar ao meu gosto, acho que tem uma boa base para começar e isso é o mais importante.
Original da Sibéria e algumas regiões mais frias da China, é uma característica que torna a caragana bastante resistente, aguentando facilmente o Inverno português. Apesar de ser originária de um clima bastante frio também tolera bem o calor, e como a maioria dos bonsais, não gosta de solos muito molhados, devendo neste caso ainda ressaltar mais a velha máxima que um bonsai só se rega quando estiver o solo seco.

segunda-feira, maio 20, 2013

Bonsai Taxodium

Já há algum tempo que andava atrás de um bonsai do estilo floresta, apesar de neste caso não ter uma espécie específica que gostava de ter. Depois de ter adquirido o Acer Deshojo, como primeira experiência com bonsais de exterior, e a experiência até estar a ser positiva, gostava de um novo bonsai de exterior pois acho que são bonsais mais interessantes.

Este fim-de-semana acabei por adquirir a minha floresta, da espécie Taxodium. Esta espécie é oriunda do México e Estados Unidos, e ao que parece ao contrário dos outros bonsais gosta de ter a terra húmida devido a ser uma espécie originalmente de zonas pantanosas, logo tem uma grande necessidade de água. As raízes encontram-se protegidas por uma camada oleosa, o que dá uma protecção extra contra fungos e apodrecimento radicular.

Já encontrei algumas contradições quanto à exposição solar há pessoas que dizem que é uma árvore que adora sol, enquanto outras dizem que sol directo pode queimar as folhas com alguma facilidade. Uma coisa parece ser certa, é uma árvore que gosta de muita luz e de calor, nestes pontos existe alguma unanimidade. Outra coisa que parece ser comum nos comentários é que a Taxodium é uma árvore bastante resistente, algo que não me espanta pois a parte mais sensível das árvores são as raízes, logo o facto da Taxodium ter raízes bastante resistentes indicaria que a própria planta era resistente.


quinta-feira, abril 12, 2012

Bonsai - Operculicarya

A Operculicarya para mim é das espécies que se adapta melhor a ser um bonsai, entre-folhas bastante curto, folhas pequenas e folhagem intensa.


É um bonsai que se adapta bem ao interior e exterior mostrando bastante vitalidade durante todo o ano se tiver no interior, no caso do exterior como é uma árvore de folha caduca pode perder as folhas no Outono.


Estas fotos foram tiradas 1 mês depois do transplante e de uma poda substancial e como se pode reparar já tem os ramos bastante compostos. Em relação a aramagem é uma árvore facilmente moldável pois os ramos novos são maleáveis mas não quebradiços, o que possibilita dar-mos a forma que nos interessa e no processo de lenhificação mantêm a forma dada.


É uma árvore que apenas tem um senão, tem alguma sensibilidade radicular, por isso deve-se deixar secar bem o solo entre regas e aplicar um composto à base de fosforo e potássio de modo a prevenir o apodrecimento das raízes. Como última curiosidade é uma árvore que quando podada liberta um agradável aroma cítrico.

quinta-feira, março 22, 2012

Bonsai - Sageretia

A minha sageretia é o bonsai mais juvenil que tenho, tem apenas 6 anos e este ano foi o primeiro ano que lhe fiz um transplante. O transplante já foi a cerca de um mês e aparentemente tudo corre bem pois já começa a dar sinais de crescimento, apesar de ser um bonsai que cresce pouco apesar de ganhar folhagem com alguma facilidade.


Este é o único que bonsai que tenho com o estilo Hokidachi (traduzido para português alguns chamam estilo vassouro outros estilo bola). Apesar de não ser um estilo que me agrade muito, como me foi oferecido não pude reclamar muito. Gostava de o transformar num Chokkan (estilo recto piramidal), mas a sageretia não é uma espécie fácil de moldar algo quebradiça, por isso perdi um bocado essa ideia, eventualmente quando for mais velha posso tentar essa transformação mas por enquanto vai-se manter como está.


À ainda a dizer que este também é um bonsai algo resistente ao clima português, gosta de calor, não gosta de vento e de geadas, mas como é um bonsai de interior raramente é exposto a essas condições. É algo exigente no que toca à água, sendo que no Verão rego-o todos os dias. Apesar se estar com pouca folhagem nas fotos isso deve-se ao facto de ter sido transplantado, porque normalmente a folhagem e tão densa que não se vê o interior do bonsai.


terça-feira, março 13, 2012

Bonsai - Ulmeiro

Um dos meus hobbies que tenho explorado pouco no blog são os bonsais, por isso vou aproveitar para ir fazendo alguns posts falando dos meus bonsais. Começo pelo mais antigo, o meu Ulmeiro.


O Ulmeiro foi-me oferecido fez este natal 1 ano e é um bonsai de 1999. Como já tinha tido um bonsai Ulmeiro anteriormente e ele tinha morrido desta vez fiz um curso para aprender e conseguir tratar melhor dos meus bonsais.


À cerca de 1 ano fiz o meu primeiro transplante e a cobaia foi este bonsai, cometi alguns erros de principiante, que só leu na internet como fazer o transplante, mas passado 1 mês do transplante já ele estava cheio de força a crescer por todo o lado. Aliás o Ulmeiro deve ser dos bonsais mais resistentes e de crescimento mais acelerado o que o torna ideal como primeiro bonsai, pois aguenta bem alguns dos nossos erros de principiantes. Ainda acabei por fazer alguma moldagem a uns ramos novos que agora apresentam um resultado muito interessante.

No Outono acabou por perder todas as folhas ficando "carequinha". Este é um bonsai tanto de interior como exterior e no meu caso eu tenho-o ao pé de uma janela que abro frequentemente, apesar de ser um bonsai de folha caduca quando está só no interior não costuma ficar totalmente sem folhas. Como acabo por lhe dar os 2 ambientes como forma de o tornar mais resistente acabou por perder as folhas. No entanto em janeiro começou a rebentar cheio de força e está agora com um aspecto fenomenal.


segunda-feira, março 14, 2011

Curso de iniciação de bonsai

No natal foi-me oferecido um bonsai, como já tinha tido um antes e a coisa não correu bem, desta vez decidi aplicar-me um pouco mais e tentar aprofundar o meu conhecimento. Sendo assim no fim-de-semana passada fui até à Luso-Bonsai para fazer o curso de iniciação ao bonsai.

No curso abordam-se vário temas que para um novato são de extrema importância: causas típicas de morte, adubos, vitaminas, tipos de terra, tipos de doenças, poda, transplante, etc. Foi mesmo muito bom, um dia bem passado em que aprendi muita coisa mesmo que espero que me ajude a manter os meus bonsais vivos e sãos, sim bonsais porque aproveitem para adquirir mais 2.

Ponto auge do curso, quando estávamos a treinar a poda e já tínhamos podado uns bonsais pequeninos fomos até à estufa para escolher uns maiorzinhos, e eu viro-me na brincadeira para um dos maiores bonsais que lá estava que era de 1940 - "É pá este é que era, está mesmo a precisar!" - E o instrutor vira-se e diz - "Esse não pode ser...a gente não pode com o vaso...mas se trouxeres para aqui as tuas ferramentas podes podar esse". E lá fiquei eu responsável por podar aquela árvore que é quase da idade dos meus avós, deu luta mas o resultado fico porreiro.