quinta-feira, abril 23, 2026

Troféu de Oeiras - Queluz de Baixo

Isto agora são corridas do troféu de Oeiras todos os fins-de-semana, com o adiamento de duas provas durante as tempestades, agora não temos descanso nenhum fim-de-semana. No fim-de-semana passado foi a etapa de Queluz de Baixo, com a subida da fábrica da pólvora, talvez a subida mais agressiva de todo o troféu. Esta até é das provas que me adapto melhor, pois a dureza está concentrada no final o que me favorece.

Logo a seguir à partida há uma acentuada descida seguida de um falso plano, nesta altura controlei o ritmo, sabia que o início seria o aquecimento, e apesar de estar a ultrapassar no falso plano, nunca me coloquei numa situação de desconforto. Até aos 4 kms a prova é um passeio, praticamente sempre a descer, e muito, é uma questão de gerir e não entrar em loucuras, mas pouco depois de passar a fábrica da pólvora a história muda de figura.

Quando entramos ali numa zona de prédios o terreno inclina e quando fazemos aquela curva à esquerda parece que começamos a escalar uma parede. Nesta altura o trote é tão lento que se torna difícil de ultrapassar muitos corredores, só depois de passarmos a rotunda é que a subida diminui ligeiramente e dá para fazer algumas diferenças. Uns quantos metros a descer onde fiquei ali entre corredores, para depois voltar a ganhar lugares na subida de Valejas, e para voltar a ser novamente apanhado na acentuada descida seguinte.

Estava um bocado farto daquele vai vêm, tinha passado a corrida toda a passar e ser passado pelos mesmos corredores. Estava naquele momento num grupo de 4 corredores, com mais 1 para aí uma dezena de metros à minha frente. Nessa altura pensei estrategicamente, o final era a subir, eu já sou forte a finalizar então a subir teria toda a vantagem, além disso tinha ultrapassado aqueles 3 corredores que estavam comigo nas subidas anteriores, por isso deixei-me estar protegido na parte de trás e esperaria a subida para atacar.

No final da descida o João Narra encosta em nós e dá-me um toquezinho para perceber que ele estava ali, deixei-o passar para a minha frente e segui atrás dele até a curva à esquerda que dá acesso à reta da meta. Por essa altura aquele corredor que estava à nossa frente estava praticamente "caçado", para aí a 3-4 metros de mim. Mal começa a subida acelerei e logo percebi que ia apanhar facilmente quem estava à minha frente. Mas para minha surpresa vem de trás de mim outro corredor, daquele grupo original de 4, que me começa a ultrapassar, e eu conhecia-o, tinha-o batido em todas as subidas, assim como na subida final da prova de Valejas, e fiquei realmente surpreendido pelo vigor do ritmo e acima de tudo por não ter fraquejado minimamente. Daquele grupo de 6 corredores acabei em segundo com o tempo de 30m32s no 9º lugar do meu escalão. Apesar de não ter feito diferença aquele lugar que perdi, pois não era do meu escalão, fiquei um bocado chateado por ter sido batido daquela maneira. Talvez tenha sido um bocado convencido e julgado que se atacasse forte de início descartava e desmoralizava toda a gente e ninguém sequer tentaria ir atrás. Para a próxima tenho de ser mais cauteloso, esperto e humilde, esperar o ataque mais forte e só responder a esse ataque.



quinta-feira, abril 16, 2026

Troféu de Oeiras - Leceia

Esta é a etapa do troféu que menos gosto, o percurso não é nada de especial, nomeadamente a parte que subimos pela via rápida, mesmo ao lado dos carros, e depois a parte final é a descer e em plano o que não me favorece. Em cima disto tinha passado a semana constipado e ainda estava muito congestionado, por isso era tentar fazer o meu melhor sem grandes expectativas. O tempo estava frio, bom para correr mas desagradável antes da partida, e com um vento bastante forte que sabia que iria ser um desafio durante a prova.

Após o arranque apanhamos logo uma subida longa mas suave e ali até me estava a sentir bem, a conseguir progressivamente ir ultrapassando corredores, e a prova nem ia assim tão rápida, pois continuava com a cabeça da corrida à vista. No final da descida antes da via rápida reparei que o João Narra ia para ai a uns 20-30 metros à minha frente, e que seria uma boa referência naquela longa reta a subir que vinha a seguir. Mal entro na via rápida, o vento de frente era tão intenso que cansava mais que a própria subida. Deixe-me ia atrás de 2 corredores para poupar energias e quando um corredor passa tento seguir com ele, mas sempre atrás para me proteger do vento. Estratégia perfeita da minha parte, aproveitei a boleia e fomos a ultrapassar uma série de grupos, até que no final da via rápida apanho o João e ultrapasso-o.

Começamos a descer e não quis ir ao choque, vi que não conseguia acompanhar a minha boleia e deixei-o ir, tentando não perder muito terreno para conseguir recolar na próxima subida. Entretanto o João também passa por mim e também não consigo seguir, mas tinha esperança de recolar na subida.

Começámos a subir e mesmo esforçando-me não estava a conseguir recuperar tempo, além disso estava a sentir-me já muito cansado, e o facto de não estar a recuperar acho que mentalmente ainda me deixou mais cansado. Pior, uma meia dúzia de corredores passa por mim quase no final da subida, no terreno onde sou mais forte, e não consigo reagir minimamente. Voltamos a descer e as distâncias alargam-se, tanto para trás como para a frente, e fico ali na terra de ninguém, sem grandes hipóteses de apanhar alguém ou de ser apanhado.

Passamos perto da meta e faltava só aquela pequena volta, eu já conheço esta "pequena volta", estamos ali ao pé da meta e falta só um bocadinho, mas esse bocadinho ainda é 1 quilómetro, e custa muito. Volto a apanhar vento de frente e agora não tenho ninguém para me abrigar, ninguém do grupo da frente quebrou e o único objetivo que tinha naquela altura era nem dar qualquer veleidade a quem viesse atrás de pensar que me iria ultrapassar. Cortei a meta com 33m32s, repetindo o 8º lugar no meu escalão, da etapa anterior, e melhorando 5 minutos em relação a 2024, ficando só a 40 segundos do meu melhor tempo em 2023. Acabou por ser um resultado melhor do que esperava inicialmente e estou a aproximar-me do melhor que consigo fazer.

segunda-feira, abril 06, 2026

Troféu de Oeiras - Valejas

Esta é uma etapa especial para mim pois foi em Valejas a minha primeira participação no troféu de Oeiras, guardo sempre com carinho e nostalgia esta prova. Ao contrário do que é habitual, este ano Valejas não foi a primeira etapa depois do ano novo, devido às tempestades acabou por ser adiada, e este fato facilitou, pois esta prova costuma ter temperaturas muito baixas, aliás houve um ano que apanhei 2ºC. Com uma temperatura amena e depois de na semana anterior me ter sentido bem na prova de Leião, estava com um bom feeling para esta prova.

A partida a descer faz com que o início da prova seja extremamente fácil, a ideia era não me deixar enganar pelo início fácil pois a dureza está no final da prova. Até ao final das duas primeiras descidas, fui controlado, a um ritmo que me sentia confortável. Mal dei o retorno comecei a "caça ao pato", comecei a ultrapassar corredor a corredor sem sequer parar nos grupos que ia passado. No topo antes da meta estava bem e aproveitei a descida acentuada para recuperar o folego, mesmo sendo ultrapassado por alguns corredores durante a descida, sabia que depois do vale ainda estávamos a meio da prova e a dureza estava toda por vir. Dura e curta, a subida logo a seguir ao vale e a partir daí uma longa subida com pouca inclinação, ideal para fazer diferenças. Nesta fase ainda consegui ultrapassar e encurtar espaços para alguns corredores, mas já estava junto a corredores muito fortes, onde já é mais difícil fazer diferenças.

Na curta descida antes de chegar à ponte sobre a ribeira de Carenque voltei a deixar escapar um grupo de 3 corredores e julgava que um deles era do meu escalão, por isso não os queria deixar ir embora. Voltamos a iniciar a subida e estava a encurtar espaço mas muito ligeiramente, e tinha a sensação que era por estarem a quebrar e não por eu estar mais rápido. Quando faltava mais ou menos 1 quilómetro encostou a mim um miúdo do Núcleo de Oeiras, como não era do meu escalão pedi a colaboração para conseguirmos apanhar quem estava à nossa frente, e lá fomos até que quando chegámos à curta subida antes da meta estávamos praticamente encostados. Aí começámos os 2 a puxar bem a sério, ultrapassei logo quem eu pensava ser do meu escalão (mas não era), e deixei o miúdo continuar que eu já tinha apanhado quem queria. Até ao final foi só controlar pois já não precisava de ir apanhar ninguém e não queria voltar a ser ultrapassado. Acabei num ótimo 8º lugar no meu escalão, a minha melhor classificação desta temporada, com pouco mais de 31 minutos e a segunda melhor média desta etapa.