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terça-feira, junho 25, 2019

Tróia - Sagres - Dia 3

Depois de um dia duríssimo este seria o dia da consagração. O dia começou bem cedo, quase com o nascer do sol, era necessário resolver o problema dos 2 pneus furados do Hugo e sair cedo porque hoje não tínhamos margem para nos atrasarmos, havia um comboio à nossa espera em Lagos às 17h20m. Mas como tudo tem de ser difícil para ter alguma piada, passado 1 km de saírmos da Arrifana, o Hugo estava novamente com o pneu de trás m baixo. Desta vez foi culpa nossa, não verificámos devidamente o pneu, e este tinha uma farpa que voltou a furar a camara de ar. Problema resolvido e vamos lá a andar que não nos podemos descuidar com as horas.

 

A primeira parte da manhã até chegarmos à Carrapateira era maioritariamente estradões, às vezes com alguma pedra mas que possibilitava uma boa média. A única subida mais agressiva foi muito interessante, apesar de intensa era tecnicamente simples, o que possibilitou uma daquelas subidas onde nos preocupamos mais em ter força para vencer a inclinação e menos a preocupação de procurar as melhores trajectórias mais adequadas para ultrapassar os obstáculos. Desgraçado do Hugo estava mesmo em sofrimento, o dia anterior tinha-o deixado em más condições. A única coisa que lhe dava força é que cada vez estava mais próximo de Sagres, do objectivo. A imagem que mais facilmente me lembro é da cenoura à frente do burro para o fazer andar, a cenoura era Sagres e o burro o Hugo (não podia deixar de fazer a piada, podia ser cavalo, mas o burro tem mais piada).

Chegados à Carrapateira aproveitar um bocadinho a bela paisagem, contudo por pouco tempo, porque o Maria não deixava descansar muito, tínhamos de chegar o mais rapidamente possível a Sagres. A seguir pedalar um bocadinho à beira mar pela praia, dar essa experiência, esse prazer a quem nunca o tinha experienciado. Logo de seguida, "a subida" de toda esta viagem. Duríssima a todos os níveis, e só o campeão do Maria a conseguiu fazer toda a pedalar. Mais um estradão até apanhar o alcatrão, uma pequena subida até às eólicas, e uma descida a todo o gás até Vila do Bispo. De Vila do Bispo até Sagres foi a controlar o ritmo para o Hugo aguentar, apesar de estar um vento forte pelas costas, o que levantava outro alerta, na viagem de retorno de Sagres para Vila do Bispo tínhamos de ter em conta este vento. Chegámos ao forte de Sagres por volta das 11h15m, objectivo concluído com distinção.
Foco seguinte, encontrar rapidamente um sítio para almoçar para sair o mais cedo possível para Lagos. Lá conseguimos encontrar um sítio que começasse a servir ao 12h (como é possível mais uma vez os restaurantes abrirem tão tarde). O Maria queria sair às 13h para termos 3h a pedalar e mesmo assim termos 1h de margem para algum problema que pudéssemos ter. Nessa altura o Hugo disse que já não aguentava mais, que o objectivo estava cumprido que era chegar a Sagres, que iría arranjar alternativa para ir para Lagos, o que acabou por ser de táxi. Bem, achei na altura tudo exagerado, achei que o Hugo era capaz de aguentar até Lagos, o quão errado estava, e achei que 3 horas é imenso tempo para fazer os menos de 40 kms até Lagos, pois já tinha feito aquele caminho, e mais uma vez o quão errado estava.

Saímos de Sagres pouco passava das 13h e até Vila do Bispo eu e o Maria pedalámos à frente do Fábio, de modo a protegê-lo do vento frontal. Ao chegar a Vila do Bispo sentia-me super mal disposto, a feijoada de choco do almoço andou ali vai, não vai, para sair cá para fora. Felizmente foi passando apesar de em algumas alturas ainda sentir um desconforto, o pior tinha passado. Chegados a Vila do Bispo pensei que íamos seguir pela estrada nacional, mas o Maria tinha outra ideia, queria seguir a via algarviada de modo a evitar o trânsito da estrada nacional. Pois é, evitámos a estrada nacional, o que não evitámos foi uma montanha russa de subidas e descidas, muito desgastante e com pendentes duríssimas. Sim foi muito mais bonito, sim foi muito mais interessante conhecer aquela parte do Algarve, mas não estava nada a contar com aquilo e por isso digo que o Hugo fez muito bem em não ter ido connosco, e por isso veio a confirmar-se que as 3h que o Maria previa não estavam muito longe da realidade. Quando chegámos por volta das 16h a Lagos estava o Hugo na esplanada à nossa espera. Ainda deu tempo para descansarmos um bocadinho antes de apanhar comboio de volta a casa. Uma bela viagem, em boa companhia, por caminhos espetaculares, acabou e já estou com saudades.

quinta-feira, junho 20, 2019

Tróia - Sagres - Dia 2

A etapa do segundo dia, apesar de não ser a maior a nível de distância, seria aquela que era mais complicada devido à altimetria, e não sabia eu, a nível de dificuldade do terreno. Começámos um bocadinho mais tarde do que eu queria, estivemos à espera que o café abrisse às 8h30m para comer o pequeno almoço. Se calhar sou eu que estou mal habituado, mas não me cabe na cabeça que um café abra tão tarde. Em conversa, nessa altura sugeri que nesse dia almoçassemos na Zambujeira do Mar que era mais ou menos a meio do percurso que nos levaria à Arrifana, ou se a coisa estivesse a correr mal, num restaurante que conhecia em Almograve.


A etapa começou de maneira agradável junto às arribas frente à Ilha do Pessegueiro, nem sempre era fácil transpôr os obstáculos e o terreno arenoso, mas a beleza da paisagem fazia esquecer o esforço. Sim os primeiros 5 kms foram feitos de um modo lento, mas o pior estava para vir, os segundos 5 kms todas as vezes que fiz o Tróia-Sagres fiz pela praia, à beira mar, porque apanhei sempre a maré vazia. Desta vez a maré estava cheia e tivémos de subir para as dunas, e passámos mal, quase 1h30m para fazer 5 míseros quilómetros, quase sempre a arrastar a bicicleta pela areia pois o terreno de ciclável não tinha nada. Uma das imagens fortes desta viagem foi o Hugo aos murros no guiadouro, a vociferar, totalmente frustrado e cansado. Esta seria a única coisa que teria mudado em todo o percurso, nesta zona ou se consegue ir pela praia com a maré vazia ou o melhor é ir até ao alcatrão e evitar as dunas.

Chegámos a Vila Nova de Mil Fontes por volta do meio dia e ainda nem tínhamos feito 20kms, antevia-se um dia muito complicado, mais ainda do que tinha prespectivado inicialmente. Sugeri que seguissemos caminho apesar de já ser meio dia porque se tudo corresse normalmente estaríamos em Almograve passado 1 hora e almoçávamos por lá. Assim foi, chegados a Almograve procurei o restaurante que conhecia, lembrava-me que era junto a uma rotunda, que tinha ideia que ficava no caminho, mas não encontrei. Então fomos comer ao Snack Bar Sol e Mar, que revelou-se uma excelente escolha, comida boa, sobremesa gigante e preço pequeno. Seguindo viagem, logo de seguida percebi porque não encontrei o restaurante. Na verdade não estavamos ainda em Almograve, estavamos na Longueira, e quando cheguei a Almograve percebi o meu erro.


Estavamos a chegar à parte do percurso que mais gosto, a ligação entre o Cabo Sardão e a Zambujeira do Mar. Quando chegámos à Zambujeira do Mar já eram 16h30m e ainda faltavam mais de 45 kms, devo confessar que estava a ficar um pouco apreensivo. Seguimos em direcção a Brejão, num percurso que nunca tinha feito e me tinha sido indicado pelo Borja. Nessa altura cruzámos-nos por um casar já com alguma idade que também viajava de bicicleta. Demorámos algum tempo a conseguir ultrapassá-los e só o fizemos durante uma descida, eu pensei - "Bolas, estão mesmo em forma, a dar aqui um baile aos putos!" - depois de uma subida um pouco ingreme fiquei à espera do pessoal e nisto lá vêm os velhotes outra vez, tinham ultrapassado o resto do grupo, quase que fiquei de boca aberta. Nisto quando passam por mim oiço um barulhino de um motor, olho para o quadro e vejo a bateria, pronto isso explicava muita coisa.

Quando chegamos a Brejão reparo que o Hugo está no limites das forças, com uma péssima cara e comecei a pensar que se calhar não íamos conseguir chegar à Arrifana. Mais de 35 kms para o fim e já eram 17h30m, se calhar devia mesmo ter levado luzes, algo que nunca pensei acontecer antes de começar esta viagem. O percurso que se seguiu ainda bem que era super simples e belo, o que deu para o Hugo recuperar. Começámos a seguir sempre pelos canais de água até chegarmos a Odeceixe.


Chegados à ponte de Odeceixe perguntei se queriam seguir pela estrada nacional que tinha um percurso mais curto, mas a inclinação era muito superior, ou seguir o trajecto inicial que era ir em direcção à praia de Odeceixe, cujo o percurso era mais longo mas a inclinação era substancialmente inferior. A decisão foi seguir em direcção à praia. Apesar da inclinação ser inferior ela estava lá e o Hugo sofreu para chegar lá acima. Confesso que nesta altura já não estava a desfrutar muito do dia, estava mais procupado com o Hugo e com o sacrifício que ele estava a fazer. Sei muito bem o que é estar no estado em que ele estava, e a força mental que é necessária para continuar a seguir em frente. São estas alturas em que estamos fisicamente mais debilitados que acabamos por perder a concentração, o que pode levar a erros e a quedas. De qualquer maneira eu conhecia a topologia do terreno até Aljezur e sabia que o pior já tinha passado e que a partir dali era sempre a descer.


Realmente até Aljezur foi seguir novamente os canais num percurso super simples, sem qualquer dificuldade e algumas descidas super divertidas, mas que não podiam ser encaradas com displicência porque tinham alguma perigosidade. Chegados a Aljezur somos presenteados com uma subida imponente até ao Castelo de Aljezur. Como íamos dormir à Arrifana ainda tínhamos de subir mais do que esperava, não conhecia essa parte do trajecto porque sempre tinha ficado a dormir em Aljezur e nunca tinha passado pela Arrifana. Para dificultar as coisas o Hugo estava com 2 furos lentos o que nos obrigava a ir parando para pôr algum ar nos pneus. Já era tarde e estavamos a menos de 10 kms da Arrifana, por isso não queríamos estar a perder tempo e energia a mudar os 2 pneus. Ainda sugeri ao Hugo que eu e o Maria o empurrássemos até ao final mas ele quase a rosnar rejeitou a ajuda. Chegámos à Pousada da Juventude da Arrifana já passava das 20h30m. Nota 20 para as pessoas da pousada, super simpáticas e ajudaram em tudo o que podiam, inclusivamente disponibilizaram a cozinha para nós na manhã seguinte, pois íamos sair antes da hora do pequeno almoço. 

O último desafio do dia foi encontrar um sítio para jantar, todos os restaurantes fechavam às 21h...21h...verdade? Ainda por cima numa altura do ano onde já há imensos turistas e pessoas de férias, não percebo, cafés a abrir às 8h30m, restaurantes a fechar às 21h, há pessoas que nem querem trabalhar para o próprio negócio. Eu e o Fábio, como já tínhamos tomado banho nem esperámos pelo Hugo e o Maria, e fomos à procura de um sítio para jantar. Depois de termos batido com o nariz na porta no restaurante Brisamar, por já ter a cozinha encerrada, fomos até Sea You Surf Café, e em boa hora o fizemos. Apesar de já ser quase 22h, que era a hora que a cozinha encerrava, disponibilizaram-se logo, arranjaram uma mesa e deixaram-nos à vontade. Ainda por cima a comida era bastante boa, e foi uma óptima maneira de terminar um dia complicadíssimo.

quarta-feira, junho 19, 2019

Tróia - Sagres - Dia 1

Já há alguns anos que não fazia a viagem de Tróia a Sagres em BTT, e nada o fazia prever que voltaria a fazer até há pouco tempo. Tudo começou quando estava a acampar em Porto Côvo com o Maria e o Fábio, e numa conversa comentei que o caminho de Tróia a Sagres passava ali. Ora o Fábio disse logo que gostaria de fazer, mas na altura não levei muito a sério, pensei que era um daqueles "gostava de fazer um dia". Bem, quando cheguei ao trabalho, no primeiro dia depois dessas férias já eles os dois estavam a fazer planos para a viagem, ao qual o Hugo também já se tinha juntado. 

Ora no curto espaço de um mês o Fábio e o Hugo esforçaram-se para se prepararem fisicamente para esta viagem, com a grande ajuda do Maria, inclusivamente o Hugo comprou uma bicicleta para conseguir fazer a viagem. Quanto a mim, estive quase todo o mês no "estaleiro" com uma infecção pulmunar que não me deixava fazer nada, pois qualquer mínino esforço me deixava ofegante. A minha tarefa acabou por ser definir o percurso visto ser o único do grupo que já tinha feito a viagem em BTT. Como das vezes anteriores ainda tinha feito grandes trajectos em alcatrão, especialmente no primeiro dia, queria algumas alternativas para "fugir" ao alcatrão. Para conseguir alguma ajuda falei com o Borja, o nosso colega galego que também tem muita experiência em viagens em BTT, e que me deu alguma dicas onde podia passar. Ora o percurso final acabou por ser um misto de sítios onde eu já tinha passado, onde ele já tinha passado, e algumas ligações que não conhecia de todo nem tinha a certeza se eram ultrapassáveis.


O dia da viagem chegou num instante, e não podia ter começado melhor. Estacionámos os carros na estação de comboio do Pinhal Novo e íamos de comboio até Setúbal para apanhar o primeiro ferry da manhã. Quando está a chegar o comboio o Maria diz - "Esqueci-me do telemóvel no carro, vou lá buscá-lo e vou a pedalar até Setúbal". Eu inicialmente até tinha a ideia de fazer isso, mas com mais tempo de margem, não tão em cima da hora do ferry. Nós os 3 fomos de comboio e depois calmamente até ao ferry e esperamos pelo Maria. Lá chegou ele 5 minutos antes do ferry, lavado em suor, mais ofegante que em qualquer outra altura durante toda a viagem.

O tempo estava impecável, sol, com pouco calor e um ligeiro ventinho pelas costas. Na Comporta entrámos pelos arrozais, um trajecto que nunca tinha feito e que é muito porreiro. Garças, cegonhas, uma beleza e tranquilidade natural foi tudo o que encontrei nesta zona. Nisto toca o telefone do Maria, era da creche do puto dele e era necessário ir buscar o miúdo. Como é óbvio, era impossível ele ir buscar o miúdo, então lá teve a fazer inúmeros telefonemas para resolver a situação. Saímos dos arrozais, entramos no Carvalhal e já quando estamos à saída do Carvalhal, numa rotunda, oiço um chiar atrás de mim, olho por cima do ombro, e vejo o Hugo a estatelar-se e o Maria a passar por cima da bicicleta dele. Felizmente foi só um susto e um pneu rebentado. Retomamos a marcha e passado 1 quilómetro novamente o pneu em baixo. Vimos onde era o furo, e desconfiámos que a fita ressequida da jante podia estar a furar a camara de ar. Improvisámos uma fita por cima dessa e aparentemente resolvemos o problema.


Como íamos pelo alcatrão estavamos a tentar voltar a um trilho. Na zona da Galé ainda tentámos apanhar outro caminho, mas era uma zona de areia demasiado fofa e alta então desistimos da ideia. Só a seguir a Melides é que conseguimos voltar a sair do alcatrão. Mais uma zona de arrozais, seguida pela parte mais complicada do dia, muita areia que tornava a deslocação extremamente complicada. Chegados a Vila Nova de Santo André era hora de almoço. O sítio escolhido para almoçar foi a Pizzaria Vera Itália, o local que escolho sempre nesta viagem para o primeiro dia, pizzas em forno de lenha, nunca desiludiu. A seguir ao almoço procurámos uma loja de bicicletas, precisávamos de camaras de ar e o Fábio tinha um prato empenado, a seguir a Vila Nova de Santo André dificilmente encontraríamos uma loja de bicicletas. Fomos ao Stand Coelho, onde fomos muito bem atendidos e simpaticamente resolveram o problema do prato empenado do Fábio de modo a retomarmos viagem o mais rapidamente possível.

Apesar de já serem 16h30m quando saímos de Vila Nova de Santo André estávamos tranquilos, já só faltavam cerca de 30 quilómetros e não tínhamos uma hora obrigatória de chegada. Apanhámos logo um pequeno trajecto em areia, mas foi curtinho e o último do dia. Até ao final do dia passámos por diversas herdades até chegar à Barragem de Morgavel. Dalí até Porto Covô foi uns instantinho. O Fábio e o Hugo estavam de parabéns, pela primeira vez tinham feito mais de 100 kms em um dia, aliás o máximo do Hugo era 40 kms. Para compensar o bom almoço, ao jantar levámos um barrete, fomos jantar ao Hortela da Ribeira, preços caros e qualidade insuficiente, bastava ir ver à internet informações sobre o restaurante que facilmente percebíamos a pouca qualidade que tinha. Hora de descansar que o dia seguinte seria o mais complicado da viagem.

sábado, janeiro 26, 2013

Troia-Lagos 2013

Acho que este ano foi o derradeiro desafio no trajecto Tróia-Lagos e não creio que o volte a fazer, 3 vezes já chegou. Digo que este ano foi o derradeiro desafio pelo facto de ter sido feito só em 1 dia ao contrário dos anos anteriores que foi feito em 3 dias, e para dificultar ainda foi feito a solo.

Claro que estamos a falar de uma distância inferior e um percurso mais simples, desta vez a decisão foi fazer o percurso o mais curto e seguro possível, ou seja, só alcatrão sem BTT, e o mais directo possível o que pelas minhas contas reduziria em cerca de 50km a distância que fiz nos anos anteriores.

Para piorar a minha situação acertei num dos piores dias do ano, cheguei a Setúbal para apanhar o Ferry ainda não eram 7 da manhã, chovia e fazia um vento terrível, o Ferry inclusivamente atrasou a sua partida e receei ficar em terra pois as condições estavam péssimas para fazer a travessia, e havia o risco do Ferry ter de ser cancelado.

Quando cheguei a Tróia continuava a chover como senão houvesse amanhã, mas tive alguma sorte quanto ao vento que soprava essencialmente de noroeste, batendo-me quase sempre pelo meu lado direito e por trás o que não atrapalhava o andamento. O facto de pela primeira vez fazer uma viagem deste tamanho a solo, dependendo só de mim para qualquer problema mecânico e especialmente não podendo cair, pelo menos de uma forma que me deixasse incapacitado, colocava outra premissa é que não podia correr riscos nas descidas, curvas mais complicadas e mais uma vez nada de BTT.

Os primeiros 100km foram sempre feitos à chuva, paragens curtas para me alimentar mas rápidas o suficiente para não começar a ter frio. Por volta dos 125km senti-me bastante desgastado, fui obrigado a fazer uma paragem um bocadinho mais demorada de 20 minutos num café para retemperar forças. A parte da tarde que coincidiu com os últimos 90km a nível de chuva foi mais intermitente e o vento também começou a diminuir mais de velocidade.

Sabia que ia ter 2 subidas algo chatas, na zona na Zambujeira do Mar e à saída de Odeceixe, quando cheguei ao final da subida de Odeceixe, pensei que o pior já tinha passado e faltavam só 35km para o fim agora era um instantinho até ao final. Como me enganei...a seguir a Aljezur, na única parte do percurso que eu não conhecia apareceu-me uma subida que parecia nunca mais acabar, e depois de 170km eu só rogava pragas a tudo e perguntava quem tinha mudado a serra da Estrela de sítio. No fim da subida uma descida que nunca mais acabava, para se ter a noção do que subi depois desci quase durante 4 minutos a uma média superior a 50km/h.

Ao fim de 10 horas lá cheguei a Lagos...cansado...suado...sujo...molhado...meio morto...mas com orgulho em mim mesmo por ter ultrapassado mais um desafio.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Tróia - Sagres - Lagos

Ora aqui fica o vídeo que resumiu a minha viagem para o Algarve de bicicleta, juntamente com o Pedro e o Nuno. Ainda deixo aqui o relato da viagem pelo Pedro.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

A repetição do Tróia-Lagos

Depois de no último ano ter feito o Tróia-Lagos em 4 dias desta vez voltei a fazer o mesmo percurso mas com a necessidade de reduzir para 3 dias. Desta vez mudei os meus companheiros de viagem, foram os já habituais amigos destas aventuras o Pedro e o Nuno


Em relação à última viagem o que posso dizer é que apesar de terem sido muito idênticas em termos de percurso, não há amor como o primeiro. Por outro lado a experiência também é importante e o facto de já saber o que me esperava dava-me algumas vantagens e tranquilidade; locais mais difíceis, erros de trajecto, sítios onde comer e onde dormir, tudo isto eram coisas que conseguia antecipar.


Em relação aos meus parceiros portaram-se como campeões, aguentaram a sua primeira grande viagem com quilometragens diárias a rondar os 80km, em terrenos difíceis e com algum desnível especialmente no 2º dia quando fomos de Porto-Covo até Aljezur, para mim este foi o dia mais complicado. O Nuno fartou-se de sofrer nos últimos 2 dias mas como lhe disse mais vale quebrar do que vergar, e ele conseguiu aguentar tudo apesar de ter ficado KO.


Foi uma viagem fabulosa sem dúvida que também serviu para testar o efeito dos alforges, visto que vão ser necessários na próxima grande aventura que será ir a Santiago de Compostela saído de Lisboa. Tudo correu bem, não houveram quedas tirando uma queda minha parado por os pedais não desencaixarem dos sapatos, e a nível de avarias também nada de significativo tirando um elástico que se enrolou no meu carreto da roda. Vamos à próxima a grande velocidade!

quinta-feira, agosto 04, 2011

Tróia-Lagos de bicicleta (4/4)

4ª Etapa - Vila do Bispo-Lagos - "A consagração"

Bem esta etapa mal se pode chamar de etapa visto o curto caminho que foi feito, por isso para mim foi como a última etapa de uma grande volta, a consagração. O dia começou na espreguiçadeira frente à piscina, visto que um dos meus amigos roncava como a trovoada do dia anterior, fui deitar-me na espreguiçadeira a ler um livro.

Seguimos descontraidamente até Lagos na amena cavaqueira para apanharmos o comboio que nos traria de volta a Lisboa. Uma das coisas boas nas nossas linhas ferroviárias é que tirando os Alfas e os Intercidades, as bicicletas podem viajar nos comboios havendo inclusive sítio onde as colocar.

Apanhámos o comboio em Lagos às 12:51, indo até Tunes, em Tunes apanhámos o Inter-regional que nos trouxe até Setúbal, de Setúbal apanhámos o comboio da Fertagus até Lisboa, onde chegámos ao final da tarde.

Grande aventura, uma das melhores experiências que tive na vida, algo sem dúvida a repetir. O meu muito obrigado aos meus amigos de viagem por me acompanharem nesta viagem inesquecível.


Gastos do dia:
Transportes:20,6€
Comida: 5,5€
Total: 26,1€

Tempo a pedalar: 1h29m55s
Distância percorrida aproximada: 24,5km

Gastos Totais:
Transportes:28,65€
Comida: 100€
Alojamento: 70€
Total: 198,65€

Tempo total a pedalar: 16h15m35s
Distância total percorrida aproximada: 257,5km


←Link para a 3ª Etapa

Tróia-Lagos de bicicleta (3/4)

3ª Etapa - Praia de Odeceixe-Vila do Bispo - "Banho e mais banho"

Acordo e quando vou à janela penso - "Aqueles gajos da meteorologia estão sempre a enganar-se, mas desta vez não se enganaram está mesmo de chuva!!!". Lá fomos comer o pequeno almoço e fazer um bocadinho de tempo a ver se melhorava. Quando saímos de Odeceixe já o dia parecia que estava a abrir e talvez tivéssemos sorte...não podia estar mais enganado.

Um pouco de trilhos, uma descida alucinante e estávamos em Aljezur, o tempo estava mesmo a ficar com má cara mas decidimos seguir. Logo à saída de Aljezur o céu desata a cair, chuva, trovões, relâmpagos. Um bocado contrariado acabei por alinhar com os meus amigos de viagem e parámos lá debaixo de umas árvores que mal nos abrigavam. Pessoalmente preferia ter seguido pois estava a ficar molhado na mesma e estava a ficar com frio porque estava parado. Lição do dia: É preferível levar um impermeável em vez de uma sweatshirt uma vez que ocupam mais ou menos o mesmo espaço e caso chova o impermeável dá mais jeito.

Apanhámos uma aberta passados praí 30 minutos e lá voltámos a andar, sol de pouca dura, passados 2-3 quilómetros voltámos a parar, mas agora numa paragem de autocarro, um abrigo decente.

Quando parou de chover conseguimos finalmente seguir caminho sem contratempos até à Carrapateira. Ainda parámos pelo caminho para nos empanturrar com umas amoras que estavam mesmo com um aspecto a pedir para serem comidas. Mais uma descida alucinante, e um pouco técnica devido às curvas apertadas e estávamos na Carrapateira.

Na Carrapateira comemos a melhor refeição de toda a viagem no restaurante Sítio do Rio. Não esquecendo entretanto que tive a minha queda do dia, mais uma vez esqueci-me dos pedais de encaixe e pimba quando ia a parar parei mas foi no chão. Uns perceves como petisco para a entrada, uma massada de peixe fenomenal e para acabar bem umas sobremesas mesmo à maneira.

Acabada a refeição já tinha voltado a chover, quentinhos e de barriga cheia não apetecia mesmo nada voltar a pedalar à chuva. Esperámos um bocado e lá melhorou, além disso o que vinha a seguir fez-me rapidamente esquecer o mau tempo, juntamente com o trilho do Cabo Sardão este foi a melhor parte de toda a viagem. A fotografia panorâmica que está aqui fala por si, simplesmente belíssimo.

Ainda voltámos a parar porque a chuva voltou em força e como tínhamos um sítio abrigado aproveitámos para parar. De seguida fomos dar à praia a qual tinha uma escarpa onde tivemos de fazer o caminho mais difícil de toda a viagem, ao ponto de termos de percorrer primeiro o caminho a pé para verificar se era possível passar com a bicicleta às costas.

Um pouco mais de trilhos, uma picadela de abelha na cabeça de um dos meus amigos e voltámos ao alcatrão, cansados porque o trilho tinha sido algo agreste. Então tomámos uma decisão, como tínhamos parado muito tempo devido à chuva e estava a ficar tarde, irmos até Vila do Bispo, arranjar um sítio para dormir (ao contrário do que estava planeado inicialmente de ir dormir a Lagos), deixar as coisas e ir sem peso até Sagres. E assim fizemos, conseguimos um quarto triplo no Hotel Mira Sagres, que curiosamente acabou por ser a noite mais barata das 3...e foi num hotel.

Fomos então até Sagres, fazer a vontade a mim pois era o único que não conhecia Sagres. Estivemos ao pé do forte e de seguida fomos sentar-nos numa esplanada de praia, e quem diria, depois do dia que esteve, aquele final de tarde estava perfeito, céu limpo, nem se sentia o vento e um calorzinho bem agradável.

Voltamos para Vila do Bispo e fomos jantar à Tasca do Careca mesmo frente ao hotel. Este restaurante entra na minha categoria dos restaurantes BBB (Bom, Bastante e Barato), recomendo vivamente.

Gastos do dia:
Comida: 34€
Alojamento: 20€
Total: 54€

Tempo a pedalar: 4h26m25s
Distância percorrida aproximada: 78km

←Link para a 2ª Etapa

quarta-feira, agosto 03, 2011

Tróia-Lagos de bicicleta (2/4)

2ª Etapa - Porto Covo-Praia de Odeceixe - "Trilhos, pó e areia"

No início do 2º dia a minha maior preocupação eram as dores no rabo devido às muitas horas sentado em cima do selim (aliás esta era a minha maior preocupação quando pensei em entrar nesta viagem), e se as primeiras sensações davam razão à minha preocupação estranhamente ao longo do dia não piorou.


A primeira parte do percurso foi das mais divertidas e únicas da viagem, aproveitando a maré baixa conseguimos fazer alguns quilómetros a pedalar junto à água, o que para quem tinha pneus de estrada é uma tarefa hercúlea pois as rodas estão constantemente a enterrar na areia.

De seguida foram praticamente só trilhos até Vila Nova de Mil Fontes, e mais uma queda, desta vez porque me esqueci que estava com pedais de encaixe quando ia a parar não consegui por os pés no chão rapidamente. Numa parte deste percurso tivemos de andar com as bicicletas à mão devido à quantidade de areia solta que havia que nos impossibilitava de andar montados, e devo dizer, uma das coisas que mais me irrita quando ando de bicicleta é andar a empurrar a bicicleta.

A seguir a Vila Nova de Mil Fontes foi um misto entre alcatrão e trilhos e aqui a lição do dia foi: O GPS com trilhos para bicicleta valeu ouro nesta situação em que não conhecíamos os caminhos e tínhamos de decidir por que trilho seguir, e um GPS convencional não tem informação sobre estradas que não sejam para carros.

O almoço foi em Almograve num restaurante chamado "Sabores e Mar", aconselho vivamente as saladas, muito boas. Ao contrário do dia anterior que tínhamos feito muitos quilómetros até ao almoço, neste dia da parte da tarde tínhamos de fazer mais quilómetros. Ainda estávamos longe de Aljezur que era o nosso objectivo para o segundo dia.

Uma das partes que gostei mais na viagem foi o trilho entre o Cabo Sardão e o Porto das Barcas, simplesmente divinal, sempre junto à falésia numa vista magnífica, mais uma vez era algo que nunca veria numa viagem de carro.

A viagem seguiu com a passagem pela Zambujeira do Mar onde já se notavam os preparativos para o festival. Entrávamos agora numa das partes mais acidentadas do percurso a nível de altímetria, com a serra que divide o Alentejo do Algarve.

Como já estava a ficar tarde, e já tínhamos ultrapassado parte da serra e já não estávamos longe do destino final que era Lagos, decidimos ir passar a noite à Praia de Odeceixe, e diga-se de passagem que foi a melhor decisão que tivemos, pois como vim a verificar no dia seguinte não achei piada nenhuma a Aljezur ao contrário da Praia de Odeceixe que considero um bom sítio para se passar férias.

Tivemos sorte e conseguimos arranjar 2 quartos por cima do restaurante Dorita, que era o único sítio ali que alugava quartos, caso contrário teríamos de voltar uns quilómetros para trás para Odeceixe. Apesar de já serem 18 horas ainda consegui dar um mergulho e uma corrida pela praia antes do jantar no Dorita. Esta foi a pior refeição que fizemos em toda a viagem e curiosamente a mais cara, por isso não recomendo o restaurante.

Gastos do dia:
Comida: 31€
Alojamento: 23,5€
Total: 54,5€

Tempo a pedalar: 5h40m35s
Distância percorrida aproximada: 72km


Tróia-Lagos de bicicleta (1/4)

1ª Etapa - Tróia-Porto Covo - "Comer alcatrão"

A ideia desta viagem seria fazer Tróia-Lagos de bicicleta no espaço de 3 dias. O dia começou com um sprint até ao ferry em Setúbal visto já estarmos atrasados, mas lá conseguimos apanhar o ferry das 7:55.

A verdadeira aventura começou à chegada a Tróia por volta das 8:30, aí começámos efectivamente a comer alcatrão, este foi o único dia que só fizemos alcatrão e onde as médias de velocidade foram mais elevadas. Descontraidamente percorremos aquela planície cheia de belas paisagens que nunca tinha conseguido efectivamente apreciar quando percorri aquele caminho de carro.

Passado mais ou menos 1 hora de caminho a 1ª paragem para o pequeno almoço, e logo de seguida a 1ª queda, distraí-me e meti a roda da frente na valeta, apanhei um monte de areia e lá fui eu ao chão.

Seguimos caminho a bom ritmo e quando se aproximava o meio dia, e visto estarmos perto de Santo André, sugeri irmos almoçar a uma pizzaria em Santo André que tinha ido lá há uns anos atrás. A Pizzaria Vera Itália para mim tem das melhores pizzas que já comi, são feitas em forno a lenha o que as torna super saborosas. Infelizmente a pizzaria deixou de ter uns mega gelados que tinha antigamente, tivemos que nos contentar com as sobremesas tradicionais.

O caminho que se seguiu para mim foi o menos interessante de toda a viagem, apanhámos uma via rápida com duas faixas e muito movimento, a sorte foi uma das faixas estar em obras, então tivemos uma faixa dedicada para nós até Sines.

À chegada a São Torpes a 2ª queda do dia, entrámos num parque de estacionamento em terra batida e areia, numa zona onde a areia era mais funda lá perdi o controlo da bicicleta e fui outra vez ao chão. Lição do dia: os pneus de estrada de 1,5cm de espessura e poucos sulcos, apesar de se adaptarem à terra batida, no que toca a areia têm um péssimo comportamento.

O caminho que se seguiu até Porto Covo apesar de ser bastante bonito sempre à beira mar, acabou por se revelar um pouco stressante pois a estrada era estreita, sem bermas e aquela hora havia imensos carros de pessoas que iam para a praia. Por volta das 15:30 chegámos a Porto Covo e com alguma dificuldade lá conseguimos arranjar um apartamento para dormir e onde podíamos guardar as bicicletas.


Como ainda era bastante cedo ainda conseguimos aproveitar o resto da tarde para descansarmos na praia e dar um mergulho. Ao jantar fomos comer uma feijoada de búzio num dos restaurantes da praça central de Porto Covo.

Gastos do dia:
Transportes: 8.05€
Alojamento: 26.5€
Comida: 29.5€
Total: 64.05€

Tempo a pedalar: 4h38m40s
Distância percorrida aproximada: 83km