sexta-feira, junho 19, 2026

Marginal à noite

Ao contrário do ano anterior onde estava lesionado, este ano encontrava-me bem e queria dar o meu melhor, gostava de fazer uma média inferior a 4min/km, mas sabia que seria muito difícil. Há duas grandes vantagens desta prova para fazer bons tempos, ser de noite o que a torna mais fresca e em segundo tem uma altimetria muito reduzida. Tinha o dorsal para a caixa dos sub-36min, por isso também não teria assim tanta gente à minha frente e quem lá estava correria também bem, por isso aquele primeiro quilómetro que é complicado pela estrada ser estreita para tanta gente, poderia não impactar assim tanto o resultado final.


A corrida começa, e com algum à vontade começo a ultrapassar vários corredores que estavam na caixa sub-32min mesmo à minha frente. Nos primeiros 300 metros ainda andei um pouco de um lado para o outro para ultrapassar, mas rapidamente a corrida tornou-se fluída. Via alguns corredores que já conhecia de outras corridas e sabia que normalmente são mais rápidos que eu, por isso estava numa boa posição. Primeiro quilómetro quase sempre a subir feito a 3m47s/km, segundo quilómetro já a descer feito a 3m43s/km, e estava a sentir-me em esforço, claro, mas não sufocado. Nessa altura senti que poderia conseguir fazer algo especial, talvez estivesse em dia sim. 

Quando cheguei ao retorno estava com 14m55s, ou seja, estava com média para acabar a prova abaixo dos 30 minutos o que seria totalmente absurdo. No entanto, nessa altura senti que seria muito difícil manter o ritmo até ao final, não estava ofegante, não me doíam as pernas, mas as forças começavam a faltar, durante o dia não me alimentei muito bem e pode ter sido esse um dos motivos. Bem, mas era dar o máximo até ao fim, aproveitar ao máximo algum corredor que passasse por mim para manter o ritmo um pouco mais alto, como aconteceu com o João Narra que me apanhou junto ao Marginalíssimo e fui com ele 300-400 metros. Estava na altura de serrar os dentes e sofrer, perdi um bocadinho o ritmo na subida de Paços d'Arcos, mas não muito. Naquele pequeno falso plano no topo antes de começar a descer foi o que mais me custou queria logo subir o ritmo para menos que 4min/km mas estava difícil, só quando comecei a descer é que sim consegui impor um ritmo interessante. Já dentro das barreiras a 100-150 metros da meta vem um corredor atrás de mim a um ritmo altíssimo, percebi que tinha de ter uma daquelas minhas retas finais para não ser ultrapassado, e mal ele encosta a mim, ainda consegui subir o ritmo para um sprint final a quase 3min/km e não ser ultrapassado. Tempo final de 30m48s, o meu melhor tempo de sempre nesta prova batendo o meu melhor tempo que tinha 12 anos. Quem sabe um dia destes não consigo novamente fazer os 10kms abaixo dos 40min...



sexta-feira, junho 12, 2026

Troféu de Oeiras - Jamor

Última etapa da temporada, e talvez a mais fácil delas todas, a nível de altimetria, apesar de ser a única que é em trail. A prova é curta e intensa, quase sempre feita a fundo, e como habitual, sobre um calor intenso. Os 2 primeiros quilómetros quase sempre a descer foram feitos acima do que estava à espera, não senti que estivesse a forçar mas foram feitos a uma ótima velocidade. Depois a parte a subir, e este ano a seguir aquela curta mas inclinadíssima rampa continuávamos a subir por mais uns metros, uma pequena alteração que dificultava a recuperação do ritmo.

Quando acabou a primeira volta a minha vontade era de ficar por ali, sentia-me cansado e o ritmo da segunda volta veio a provar isso, não consegui aproximar-me do ritmo da primeira volta. Depois da subida ainda fui ultrapassado por alguns corredores, no entanto consegui manter a distância e recolar perto da reta final. Naquele final ainda consegui impor a minha velocidade terminal e ultrapassar 3 corredores, se tivesse arrancado um pouco mais cedo ainda ultrapassaria mais um, ficou-me a faltar 10-20 metros para conseguir mais uma ultrapassagem, mas nem eram do meu escalão, por isso não fez diferença.

O resultado final foi somente um 15º lugar no meu escalão, no entanto o tempo final foi bastante bom, não consigo comparar com os anos anteriores, pois o percurso deste ano era maior, no entanto, com um percurso maior e mais difícil a média de velocidade foi praticamente a mesma. Este ano consegui voltar a ter bons desempenhos no troféu de Oeiras e como fecho de temporada tenho de estar contente, consegui diversos TOP10, mas acima de tudo, voltei a ter um bom ritmo e consistência. Que venha a próxima temporada.



quarta-feira, junho 03, 2026

Troféu de Oeiras - Outurela

Esta é a etapa em que jogo em casa, pois é organizada pelo meu clube, apesar de ser uma das etapas que mais me desfavorece pois acaba a descer o que não privilegia as minhas caraterísticas. Ainda por cima este ano a prova foi a um sábado e na 6ª feira tinha feito um treino duro, por isso estava um pouco cansado para a prova.

O início correu bem, consegui impor um bom ritmo na subida de Barronhos e durante a descida consegui seguir com um grupo o que ajudou a manter o ritmo. Quando comecei a grande subida da prova por volta dos 3 kms de prova sentia-me em esforço, como não podia deixar de ser, mas não me sentia sem forças. A subida tem cerca de 1,5 kms e logo no início juntei-me com um corredor que costuma fazer mais ou menos o meu tempo em todas as provas e aproveitámos a ajuda mútua para irmos ganhando uns lugares ao longo da subida.

O problema foi quando cheguei ao topo, aí senti-me sem forças, e disse-lhe para continuar sem mim. Enquanto o terreno foi plano ou ligeiramente a subir consegui esconder a minha incapacidade, mas quando começamos a descer para a meta são 2 kms que deveriam ser feitos a alto ritmo, e aí eu não consegui aumentar o meu ritmo. Durante a descida fui passado por 6 corredores e mesmo à entrada da reta final a descer sou apanhado por um grupo de 5 corredores, e eu pensava que estava rápido, e normalmente sou rápido a terminar, mas ali fui ultrapassado por todos sem apelo nem agrado, sem pernas, sem força, tive de me contentar em ser ultrapassado e ter cuidado para não cair de cansaço.

No final tive de me contentar com o 12º lugar do meu escalão, perdi 2 lugares naquele sprint final, e um tempo final de 31m15s, o que para todos os efeitos foi bem melhor que nos 2 últimos anos.


segunda-feira, junho 01, 2026

Corrida 40 anos Xistarca

Como era uma corrida ao pé de casa, ainda por cima gratuita, aproveitámos para fazer um pouco de exercício, eu, a Liliana e o Francisco. Não podia inscrever o Francisco na corrida, pela sua idade, mas conseguia inscrevê-lo na caminhada que saía à mesma altura, por isso ele poderia fazer a corrida ainda que não tivesse inscrito nela. E eu sabia que ele se ia sair bem, por isso não tinha qualquer problema.

Apesar de ter saído a um bom ritmo tentando ir no grupo da cabeça da corrida, rapidamente senti que estava com as pernas muito pesadas, não estava com uma passada solta, sem sofrimento. O meu objetivo era fazer menos de 20 minutos de forma a fazer a um ritmo abaixo dos 4min/km, algo que à uns anos atrás conseguia fazer e era esse o meu desafio para esta prova. Os primeiros 800 metros eram a subir e tentei não perder muito tempo para os da frente visto ser o meu terreno mais forte. Quando comecei a descer, não me sentia nada confortável. Estavam 2 corredores à minha frente para aí a 10 metros e com algum esforço lá consegui colar neles. Nessa altura ia "colando" atrás do que atacava, mas mantinha-me sempre em segundo, garantindo não ser eu a fazer o esforço de rebocar o grupo.

Quando chegámos aos 2 quilómetros começamos a fazer a subida mais longa da prova e um dos corredores ficou para trás. Toda aquela subida fiz atrás do outro corredor, e pouco a pouco fomos ultrapassando diversos corredores, o ritmo era difícil de seguir mas era a altura de sofrer. No final da subida com 3 quilómetros de prova, não consegui seguir com ele e deixei-o avançar ligeiramente, até que ele se juntou a outro corredor já um pouco mais velho. Durante algum tempo forcei para recolar o que acabou por acontecer, mas mal a descida acentuou voltei a perder o contato com os dois e fiquei ali sozinho, em terra de ninguém a gerir o meu esforço.

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Por essa altura estava com 4,5kms de prova e a minha principal preocupação era não ser apanhado por quem vinha atrás de mim, já começava a ouvir o bater dos passos atrás de mim. Para aí 10 metros para o dueto à minha frente, e 10 metros para quem vinha atrás de mim que nem consegui perceber quantos eram. Acelerei o máximo que podia na descida para não ser apanhado e quando entro na curva antes da meta, quando faltava 100 metros para o final, sem perceber bem como tinha acontecido estava mesmo a chegar ao dueto da frente. O senhor mais velho fraquejou e passei por ele seguindo com o corredor com quem tinha feito grande parte da corrida. Nessa altura senti que ainda o podia passar, mas que ao mesmo tempo não seria justo ultrapassá-lo naquela altura porque "parasitei" atrás dele grande parte da corrida. Se fosse para lutar pelo pódio, se fosse no troféu de Oeiras que cada lugar conta pontos, teria feito um último esforço e provavelmente ainda o teria passado, mas não sendo esse o caso achei justo não o ultrapassar. Acabei com o tempo oficial de 20m59s, desiludido por ter ficado bem longe do meu objetivo. 

No entanto depois de ver os dados apercebi-me que a distância era bem superior a 5kms e que no final a minha média até tinha sido de 3m58s/km. E a cereja no topo do bolo, o meu 14º lugar na geral tinha-me dado o 1º lugar no meu escalão, tinha ganho o meu escalão...numa das poucas provas que tinha feito que não tinha prémio ou pódio por escalão...não se pode ter tudo mas ficou o mais importante o orgulho em mim mesmo.


Quanto ao Francisco e à Liliana, muito orgulhoso deles, o Francisco se estivesse na corrida acabaria com um tempo aproximado de 26 minutos no 98º lugar e a Liliana terminou com 32m40s no lugar 249, entre 390 participantes.