quinta-feira, junho 21, 2012

Dia 6: Oliveira de Azeméis - Porto

Este dia acabou por ser extremamente curto, com a vergonhosa distância de apenas 45 quilómetros (não sei onde ficaram os mais 10km que inicialmente estavam previstos). Mas comecemos pelo início, o dia começou com um pequeno almoço espetacular, por baixo da casa da Bruna há uma padaria/pastelaria, onde fui comprar pão e merendas acabadinhos de fazer ainda quentinhos.

Apesar de curto este dia viria-se a revelar o segundo dia mais duro até então logo a seguir ao 3º dia de viagem. Logo ao quilómetro 5 o Pre teve o seu furo da praxe, o curioso foi que conforme parámos desatou a chover uma daquelas chuvas tropicais que continuou durante toda a mudança da câmara de ar e parou exactamente na altura que voltámos a pedalar.

Muito sobe e desce até que chegámos a S. João da Madeira. Já tinha essa noção, mas confirmei que as pessoas de S. João da Madeira são extremamente devotas, era feriado e todas as igrejas da cidade estavam cheias até à porta o que fez com que fosse impossível conseguir qualquer carimbo. A saída de S. João da Madeira é dos locais mais mal assinalados da viagem, ou então seguimos o GPS e alguma seta escapou-nos e saímos do caminho durante uma pequena parte do percurso. Ainda passámos por Grijó que infelizmente com a confusão teve de ser uma passagem rápida para fugirmos à confusão do transito.


De seguida chegámos ao Perosinho onde demos com uma das partes mais belas de todo o percurso, uma antiga via romana, rodeada por muros, inserida num parque natural onde predominavam os fetos. Mas como tudo o que é bom existe sempre um senão e esse era a dureza do percurso, grandes subidas feitas naquelas lages grandes e escorregadias.


E de repente já estávamos em Gaia, muito mais cedo do que prevíamos, ainda tentámos ir à Câmara Municipal para carimbar as credenciais, mas como era feriado estávamos com pouca sorte. Passagem pela bela ponte D. Luís e chegada à emblemática Sé do Porto de onde partem a maioria dos peregrinos que faz o caminho português. Aqui conseguimos os 2 carimbos do dia, o da Sé e o da Câmara do Porto que é um dos mais bonitos. Passámos então pela torre dos Clérigos e fomos ter com o nosso anfitrião deste dia, mais uma fez iríamos fazer coutchsurfing. Enquanto esperámos por ele saímos a pé e fomos passear pela zona ribeirinha, tirar umas fotos e comprar umas recordações.


Como estávamos no Porto o nosso jantar não podia ser outro que não uma francezinha, fomos jantar a um dos locais onde se diz que se comem das melhores francezinhas ao Capa Negra II. Por fim demos uma volta de carro pelas margens do Douro e fomos para casa descansar para nos prepararmos para o esforço do dia seguinte.

quarta-feira, junho 20, 2012

BTT Quinta do Pinhão - Resultados

Para dizer a verdade não estava muito motivado para fazer este BTT, depois da mega jornada até Santiago de Compostela, isto não me estava a desafiar. Cheguei ao recinto da prova a horas, mas como tinha os dorsais de todos os meus amigos, tinha de esperar por eles. Nisto é dada a partida, bem tenho de deixar os dorsais em algum lado...lá os deixei no secretariado e arranquei já com 2-3 minutos de atraso de toda a gente.

Passado umas centenas de metros começo a apanhar os primeiros já apeados na areia, que era imensa durante todo o percurso. Passo o Nuno e começo a entrar no meu ritmo quando a corrente me salta fora. Mais uns segundos perdidos, o Nuno volta a passar-me e lá arranco eu quase em último outra vez.


O percurso era simples a nível de altimetria mas tinha imensa areia o que complicava imenso as coisas, felizmente já tenho alguma experiência em andar em pisos arenosos. Ao fim de 10km estou sozinho, um dos problemas desta prova é que tinha pouca gente então houve fases que não via ninguém atrás e ninguém a frente. Nesta altura reparei que graças à viagem a Santiago estava numa excelente forma e o facto foi que mantive um ritmo constante e elevado para mim durante toda a prova.

No final da primeira volta (16-17km) creio que já tinha ultrapassado mais de metade dos ciclistas e tive a sorte de apanhar um duo que estava a rolar a 25-30km/h e apanhei a boleia deles. Passámos imensa gente até que um deles quebrou e o amigo dele começou a acelerar, ainda tentei manter-me colado a ele mas ele realmente ia muito rápido e ganharia esta prova se quisesse ter feito todo o percurso aquela velocidade.


Ainda passei pelo Miguel e pelo Horta que estavam na 1ª volta ao circuito antes de entrar numa zona que era mato denso e que impossibilitava as ultrapassagens. No final ainda acabei em 13º da geral e 8º do meu escalão e poderia ter ganho mais 3 lugarzinhos se não tivesse partido atrasado, mas isso é o menos importante, diverti-me e pus à prova a minha forma depois da viagem de Santiago de Compostela. A tabela de resultados finais pode ser vista aqui.


terça-feira, junho 19, 2012

Dia 5: Curia - Oliveira de Azeméis

O dia começou fresco e pela primeira vez tivemos a aparição da nossa amiga chuva, apesar de durar muito pouco tempo. No dia anterior tínhamos andado a passear pelo jardim central e como gostámos tanto, começámos a nossa viagem por uma passagem pelo parque para tirar mais umas fotos e fazer mais uns vídeos.

Ao fim de 10km já o calor apertava pois a chuva foi de pouca dura, altura de tirar os casacos. Os quilómetros seguintes foram basicamente uma passagem por aldeolas e estradas muito pouco movimentadas. Até que chegámos a uma ponte que estava bloqueada com tijolos, o que pensámos - "Ah isto é para os carros não passarem." - passamos as bicicletas por cima do muro e espanto nosso quando estamos a meio da ponte reparamos que ela tinha colapsado!


 Lá fomos dar a volta para passarmos por cima da ponte principal, onde encontrei um peregrino belga que no meu mau francês lá percebi que ele estava a fazer o caminho no sentido inverso e nos deu indicações para retomar o caminho a seguir à ponte caída.

Este poderia ser apelidado de "dia dos carris", frequentemente tínhamos de passar passagens de nível e andar praticamente em cima de carris em linhas de comboio desactivas. 


Em Albergaria-A-Velha conseguimos o primeiro carimbo do dia na Santa Casa da Misericórdia. Aqui foi engraçado porque uma das senhoras virou-se para mim e disse algo como - "É pá mas vocês estão totalmente fora do caminho, não?" - A verdade é lhe pedi para olhar pela janela e reparar numa seta amarela que estava do lado de fora que indicava o caminho, ela nem sabia do significado da seta.

Parámos entretanto para um pic-nic num eucaliptal à saída de Albergaria-A-Velha, enquanto nós almoçávamos as melgas também estavam a ter um manjar com o nosso sangue, por isso deve ter sido o almoço mais rápido que tivemos.

No Pinheiro da Bemposta parámos na igreja para tentar mais um carimbo, quando pelo 2º dia seguinte dou com um velório, mas que raio de sorte...Acabámos por conseguir o carimbo no centro paroquial que era do outro lado da rua.

A chegada a Oliveira de Azeméis lembrou-me a chegada a Santarém uma subida que nunca mais acabava e com uma inclinação nada simpática para um final de dia. Passagem pela Câmara Municipal e mais um carimbo. Neste dia íamos fazer coutchsurfing, mas como a Bruna que era a nossa anfitriã ainda estava a trabalhar aconselhou-nos a visitar o jardim La Salette e em boa hora o fez pois foi dos sítios mais bonitos que visitámos durante a nossa viagem. Uma coisa que realmente me fez chatear comigo próprio e reconheci isso durante esta viagem, é haverem tantos sítios incríveis no nosso país e apesar de ter visitado já grande parte do país, não o visitei na verdadeira ascensão da palavra.


Depois de nos encontrarmos com a Bruna decidimos que íamos jantar fora, para não termos o trabalho de cozinhar em casa e limpar as coisas e assim teríamos mais tempo para estarmos descontraídos. Fomos jantar uma pizzas feitas a lenha no restaurante Feitoria dos Sentidos, um lugar extremamente agradável. Voltamos a casa e o Pre como estava bastante cansado foi-se logo deitar, eu ainda fiquei na conversa durante mais um bocado. Fiquei surpreendido com a Bruna pois ela conhecia mais coisas do nosso país (ela é brasileira), que a maior parte das pessoas e até sabia imensa coisa sobre o caminho de Santiago.

segunda-feira, junho 18, 2012

Dia 4: Rabaçal - Curia

Depois de um dia anterior duríssimo só desejava que este dia fosse simples, e por sorte na minha opinião foi o dia mais soft de toda a viagem a Santiago. Comecei o dia com algumas dores nas pernas ainda não bem recuperado do esforço do dia anterior, foi a primeira vez que tive esta sensação em todas as voltas de bicicleta que dei com mais de 1 dia. Felizmente os primeiros 6-8km foram planos num single track muito estreito onde circulávamos a baixa velocidade, o que deu para habituar as pernas ao esforço, e as subidas que foram aparecendo tinham pouca inclinação ou eram bastante curtas.


Mais uma vez neste dia fartamos de ignorar o track do GPS, seguindo as setas amarelas o mais possível pois o caminho continuava extremamente bem assinalado. Chegámos a Coimbra bastante cedo por volta das 10h30m. Aqui aconteceu-me pela primeira vez na viagem uma situação insólita, entrei numa igreja a ver se carimbava os certificados e estava a haver um velório...sair de mansinho a ver se ninguém dava por mim. Passámos então pela Confraria Rainha Isabel onde conseguimos o primeiro carimbo do dia. Chegada então aos jardins de Coimbra...boas novas (private para o Pedro).


O caminho de saída de Coimbra e durante alguns quilómetros é do menos interessante que apanhámos durante toda a viagem, quase sempre na estrada nacional e sem nada de interessante para ver. A chegada deveria ser à Mealhada, mas como não arranjámos dormida na Mealhada fizemos um pequeno desvio do caminho e fomos dormir a Curia, e em boa hora o fizemos porque o seu parque central merece ser visitado.

À chegada a Curia perguntámos onde era a pensão Lourenço, um miúdo de bicicleta ofereceu-se para nos ir lá levar. Passado uma grande subida e algum tempo a pedalar vimos a placa a indicar o nome da povoação seguinte. Interpelei o miúdo a perguntar se ainda faltava muito, ao qual ele respondeu que já estávamos perto de São Lourenço (São Lourenço é uma povoação perto de Curia). São Lourenço...nós queremos é a pensão Lourenço, bem lá voltámos para trás e até encontrámos a pensão com alguma facilidade.


Depois de um banho rejuvenescedor fomos passear para o jardim e apesar da água não estar muito limpa o restante jardim é lindíssimo. Como estávamos na zona da Mealhada o nosso jantar não poderia ser outro que não leitão. Simpaticamente a senhora da pensão ofereceu-nos boleia até um restaurante que ela recomendava, visto que ela se tinha de deslocar naquela direcção. Depois de um belo jantar estávamos prontos a caminhar de volta para a pensão (sensivelmente 2km) quando por sorte a senhora retornava à pensão e mais uma vez tivemos boleia de volta.

sexta-feira, junho 15, 2012

Dia 3: Tomar - Rabaçal

Antes do dia começar não tinha a noção que este seria dos dias mais duros que iríamos enfrentar em toda a viagem. O dia começou logo com imensas subidas e imensos caminhos estreitos no meio do mato o que dificultava a locomoção, que muitas vezes tinha de ser feita pela mão.

Este ainda por cima foi o dia mais quente de toda a nossa viagem, chegando a atingir os 40ºC. Outra coisa que costumo ser cuidadoso é com a hidratação e alimentação, mas neste dia talvez devido ao calor não estava com muita vontade de comer e senti que no final da manhã paguei a falta de alimentação pois estava a sentir-me "vazio" de forças e quando recorri às barras de cereais já era tarde e só depois do almoço senti as forças a voltar.

À chegada a Alvaiázere passámos pela junta de freguesia para o primeiro carimbo do dia e de seguida procuramos um sítio onde pudéssemos comprar comida e esconder-nos do sol e calor intenso. Esta parte do trajecto foi para mim a 2ª parte mais complicada de todo o caminho até Santiago, mas as dificuldades não tinham acabado por aqui. A seguir ao almoço foi quase 1 hora sempre a subir, a sorte é que era em alcatrão, mas mesmo assim eram rampas bastante difíceis. Neste dia começámos a sentir alguma confiança na sinalização do caminho (as setas amarelas) e ignorámos frequentemente o trilho que tínhamos no GPS para seguir o caminho o mais fielmente possível, o que nem sempre nos levava a caminho mais fáceis, mas creio que eram mais directos.

A seguir a esta subida o resto do percurso tornou-se bastante mais fácil onde existiam mais descidas que subidas. Em Ansião conseguimos mais 2 carimbos na biblioteca e na câmara municipal, o da câmara municipal é um dos mais bonitos de toda a viagem. 

Como no dia anterior tínhamos ficado sem câmaras de ar suplentes neste dia andávamos com medo que algum furo deitasse por terra a nossa viagem, ainda por cima andávamos em terreno propício a furos. Lá conseguimos descobrir um sítio em Alvorge onde fomos "roubados" em 8€ por 2 câmaras de ar (normalmente 2 câmaras de ar custam 3€), mas não queríamos pôr a viagem em risco.

Finalmente chegámos ao Rabaçal, onde estava à espera de encontrar uma pousada que parecia simpática pela internet, mas à chegada estavam já outros peregrinos à porta à espera que aparecesse alguém para lhes abrir a pousada...mas que raios!!! Passados 30 minutos lá apareceu uma senhora que nos abriu a porta e perguntei como era o pequeno almoço do dia seguinte, porque tinha feito a reserva com pequeno almoço. Pequeno almoço...qual pequeno almoço, só faziam pequeno almoço para grupos grandes...mais uma vez mas que raios, não querem que eu gaste o meu dinheiro aqui!

Deixámos as coisas no quarto que era enorme e com uma condições impecáveis e perguntámos onde podíamos jantar. A resposta foi que só um restaurante servia jantares, e que por acaso aquele era o dia de folga...mas que raios! Lá fui a um mini-mini-mercado à frente da pousada tentar comprar alguma coisa para o jantar, e depois ainda tive de ir ao café que ainda estava aberto para comprar pão, queijo e fiambre...e gaba-se a terra de ser a terra do queijo...nem sítio para o comprar. Depois de um dia mega duro só mesmo isto para me deixar com um sorriso nos lábios.

Enquanto fui às compras o Pedro reparou que nas traseiras da pousada estava uma laranjeira, mas que as laranjas estavam todas altas e que à falta de melhor comida as laranjas eram uma excelente alternativa. Então quando cheguei ainda me armei em macaco e subi à laranjeira para um pequeno "roubo", se não as apanhasse também acabariam podres no chão.

quinta-feira, junho 14, 2012

Dia 2: Santarém - Tomar

Como tinha constatado no final do dia anterior que estava com um furo lento a primeira coisa que fiz foi mudar a câmara de ar por uma suplente que tinha levado. Como ainda não tinha comido nada fui ao café por debaixo da pensão e aí passou-se uma daquelas cenas à saloon do velho oeste, tudo a beber cerveja, vinho e afins logo pela manhã e chego eu e peço um copo de leite. A mulher um bocado incrédula ainda perguntou - "Leite?!?! Mas só um copo de leite simples?".

Iniciamos então o nosso 2º dia de viagem cheios de moral e boa disposição. Mas passados 10 minutos estava novamente com o pneu em baixo então apercebi-me que tinha levado uma câmara de ar que tinha para reparar ao invés de uma nova. Diz o Pedro com o peito inchado - "Não te preocupes que eu trouxe 3 suplentes". Começo a por uma das câmaras de ar dele e aquilo não entra na jante da roda...aquele banana tinha comprado 2 câmaras de ar 24' em vez de 26'.  Pus então a única câmara de ar de 26', o que significava que de 4 câmaras de ar suplentes que tínhamos no início da viagem agora eram 0.

A viagem seguiu então sem mais demoras por entre campos de milho, até que chegámos à Azinhaga, terra de Saramago. Aqui conseguimos um carimbo na igreja local e diga-se que apanhámos a única pessoa antipática de toda a viagem, uma senhora que não estava com muita vontade de nos carimbar as credenciais e como nessa altura ainda tínhamos poucos carimbos aturámos a mau fígado da senhora. Sabendo o que sei agora teria ignorado a senhora e desejado um bom dia e até nunca mais.


Entretanto passámos pela bela vila da Golegã onde se respirava por todo lado clima equestre e saímos então em direcção ao Entroncamento para uma paragem um pouco mais prolongada para o que seria o nosso almoço e na altura devo dizer que achei que não necessitávamos daquela paragem pois mais 20km e estaríamos em Tomar o nosso destino final do dia.

À saída da Atalaia saímos da estrada e entrámos num eucaliptal, um cheiro fabuloso mas mal sabia o que me aguardava. Pela primeira vez na viagem fomos obrigados a apear e a subir uma colina à mão e mesmo assim era extremamente difícil e penoso com o calor que estava.


Esta parte do dia foi muito dura digna de uma manhã de BTT e não estava nada nos meus planos. Mas ao mesmo tempo aconteceu uma coisa que me confirmou que tinha o parceiro certo de viagem, no fim de uma subida dura virei-me para o Pedro e disse-lhe - "Tive mesmo para parar, senão fosses tu a fazer pressão mesmo atrás de mim tinha parado." - E ele responde - "Senão tivesses tu a puxar eu teria parado.".

À chegada a Tomar fomos até à igreja S. João Baptista para mais um carimbo. Como estávamos em Tomar claro que teríamos de ir ao Convento de Cristo. Aí o sr. da recepção foi impecável, o carimbo só existia na saída do convento, então ele passou-nos um bilhete a custo 0 como se fossemos jornalistas, o que nos possibilitou visitar o convento à borla e ainda conseguir o carimbo no final.

Este foi o primeiro de quatro dia que fizemos couchsurfing e devo dizer que o nosso anfitrião foi um espetáculo.  O João é dono da loja de aluguer de bicicletas NaBike e aconselho a quem for a Tomar e quiser passear de bicicleta que se dirija a ele pois é uma pessoa 5 estrelas. O dia acabou com o João a partilhar connosco e com outros amigos dele algumas das suas histórias das suas viagens, algo enriquecedor conhecer alguma das suas experiências de vida.


quarta-feira, junho 13, 2012

Dia 1: Lisboa - Santarém

O dia começou cedo para mim, apanhei o comboio de Cascais para Lisboa onde tinha combinado encontrar-me no Terreiro do Paço com o Pedro. Por volta das 8h30m saímos do Terreiro do Paço iniciando a nossa aventura até Santiago de Compostela.

Partimos em direcção à Sé de Lisboa, passámos pela confusão da feira da ladra e entre ruas e vielas num pequeno sobe e desce na cidade das 7 colinas lá fomos dar ao Parque das Nações.


No parque das nações fomos interpelados pela primeira vez na viagem por um grupo de ciclistas que curiosamente também ia para Santarém e nos perguntou se estávamos a fazer o caminho para Santiago, eles próprios já tinham feito o caminho. As malas na bicicleta e as conchas de vieira com a cruz vermelha assim nos denunciava.

De seguida apanhámos o single track do Trancão que já tínhamos feito diversas vezes mas que está cada vez em condições piores para conseguir circular com alguma fluidez. Em Alverca tivemos pela primeira vez de por as bicicletas às costas, e que pesadas que estavam, para atravessar a linha do comboio pela ponte superior. De Alhandra a Vila Franca de Xira passámos pelo belo passeio ribeirinho que também já conhecíamos de outras viagens e que é bastante mais agradável que ir na estrada nacional.


A seguir a passarmos a linha de comboio da Azambuja parámos para almoçar num pequeno parque de pic-nic e aproveitei para encher o meu pneu de trás que estava bastante em baixo, nessa altura já desconfiava que provavelmente estaria com um furo lento. Logo a seguir a arrancarmos começou a cair uns chuviscos o que soube mesmo bem visto que estava imenso calor.

Rumámos por entre campos de cultivo numa paisagem bastante bonita até chegarmos junto ao rio Tejo. Esta zona não conhecia de todo mas gostei bastante, pequenas aldeia, protegidas por diques artificiais das cheias do rio, barcos enormes que pensei que não subissem tanto o rio e alguns cavalos de trabalho rural e recreação o que era indicativo da cultura desta zona do país.


Por esta altura já tínhamos feito mais de 70km, este dia seria o mais longo da viagem apesar de ser quase sempre a direito, contudo o rabo já se queixava de tanto tempo em cima do selim. Entrámos num estradão de terra batida que nos iria levar à cidade de Santarém, parecia que nunca mais terminava, Santarém à vista num monte à nossa frente durante imenso tempo e apesar de estarmos a pedalar bem parecia que nunca mais nos aproximávamos.

À chegada a Santarém e depois de quase 90km tínhamos a dificuldade do dia, a subida do vale até à cidade de Santarém, a subida não é assim tão difícil mas depois de tantos quilómetros não foi nada agradável. Em Santarém parámos na Igreja dos Milagres que fica escondida lá no meio das ruelas para carimbar o certificado de Compostela.
Graças à minha irmã já tínhamos uma reserva para a pensão Inácio junto à estação de comboio e onde conseguimos mais um carimbo no certificado. Aqui constatei que estava mesmo com um furo lento pois o pneu estava novamente em baixo e outro contratempo era a mala do alforge que se estava a descoser e que ainda nessa noite teria de a coser senão ia acabar com as malas na mão.

Para acabar o dia subimos até Santarém já a pé e fomos comer um rodizio de pizzas e ver a selecção nacional. De barriguinha cheia voltámos à pensão para o descanso merecido e preparar a etapa do dia seguinte.

quarta-feira, maio 30, 2012

Material a levar numa viagem de bicicleta

Faltam apenas alguns dias para partir para Santiago de Compostela, e como prometi vou deixar aqui a lista de material que vou levar. Esta lista tem algumas condicionantes que têm de ser ajustadas dependendo da pessoa, tempo de viagem , questões climatéricas, etc.

Tendo em consideração que a viagem demorará 10 dias e que não se prevê grande chuva o material que vou levar é o seguinte:
  • 10 mudas de roupa interior
  • 4 t-shirts técnicas + 4 t-shirts normais
  • 1 calções de ciclismo + 2 calções de praia
  • Sweatshirt 
  • Fato de treino
  • Casaco de ciclismo
  • 1 sapatos de ciclismo + 1 ténis + 1 chinelos de praia
  • Toalha
  • Pijama
  • Saco cama
  • Luvas de ciclismo
  • Artigos de higiene (gel de banho, desodorizante, escova de dentes e pasta de dentes, gilette)
  • Kit de 1º socorros (compressas, água oxigenada, betadine, fita adesiva, tesoura, pensos rápidos)
  • Sacos de plástico
  • Tampões para os ouvidos
  • Ferramentas da bicicleta ( chaves várias, alicate, desmonta correntes, câmara de ar, bomba de ar, braçadeiras de plástico)
  • 2 Cadeados
  • Arranha (rede elástica)
  • Cantil
  • Barras e geles energéticos
  • Capacete
  • Luzes da bicicleta + lanterna
  • Óculos escuros
  • Óculos para ver ao longe + lentes de contacto + liquido das lentes
  • GPS
  • Máquina fotográfica
  • Telemóvel
  • Pilhas
  • Carregador de pilhas reversivo para USB + carregadores para os aparelhos electrónicos
  • Carteira com documentos básicos e algumas moedas
  • Credencial de Santiago de Compostela
  • Concha de Santiago de Compostela
  • Caderno de apontamentos
Podem ver também o material que o meu companheiro de viagem vai levar.

segunda-feira, maio 28, 2012

Rock in Rio dia 2

O segundo dia do Rock in Rio 2012 prometia com um cartaz de peso no Palco Mundo. O alinhamento consistia em Limp Bizkit, Offspring, Linkin Park e Smashing Pumpkings. Tirando Smashing Pumpkings as outras bandas têm músicas que marcaram alturas diferentes da minha vida.

Como entrei relativamente cedo no recinto e não me apetecia andar às voltas e nas filas fui directo para o Palco Mundo e sentei-me à espera dos concertos, estava a cerca de 10 metros do palco. Começa o concerto dos Limp Bizkit e o raio dos putos começam logo aos empurrões, cotoveladas, pontapés, etc. Como diz o ditado - "Na selva sê um selvagem." - (não é bem assim mas aplica-se), fui abrindo caminho a cacetada de tudo o que me aparecia à frente até chegar a uma zona de segurança junto à lateral.


Já na lateral comecei a ver os feridos a chegarem em braços, mas o mais importante, já conseguia ver o concerto calmamente, tirar as minhas fotos, fazer os meus vídeos e curtir o som. Infelizmente os Limp Bizkit pararam no tempo e as músicas continuam a ser as mesmas de há 10 anos atrás, na altura que ia para a faculdade a ouvir o Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water. Bom concerto, muito animado e boa interacção com o público. Fica aqui o vídeo completo do concerto.


De seguida aí vinham os pais do punk, os Offspring. Muitos yee yee, muitos oohoohh, num conjunto de acordes muito básicos mas sempre cativantes e motivantes. Os anos passaram e fisicamente é bem visível nos elementos da banda, mas a música continua na mesma boa. O senão deste concerto foi o som, estava péssimo, a voz do vocalista estava totalmente abafada pelos instrumentos.


Os pontos altos do concerto sem dúvida que foram as músicas do Americana, grande álbum um dos mais marcantes do meu tempo no secundário quando ainda não havia MP3 e as cópias piratas em CD abundavam. Um concerto sempre abrir, com poucas pausas e pouco diálogo bem a moda do punk. Fica aqui o vídeo integral do concerto.


Aí vinha o prato forte da noite os Linkin Park. Quem foi para ver Linkin Park não deu o seu dinheiro por mal gasto, um som magnífico e uma grande promoção para o new metal. O Parque da Bela Vista repleto, creio que com lotação esgotada uma moldura humana impressionante.


Achei foi o concerto algo pequeno, cerca de 1h30m sem direito a encore sequer. Mas sem dúvida que estes meninos são uns animais de palco, uma óptima interacção, descendo inclusivamente do palco e indo cantar para junto do público durante largos minutos. Nota-se que as pessoas gostam mais dos primeiros álbuns da banda, eu reconheço que o som deles mudou claramente mas também gosto das músicas mais novas. Fica também aqui o vídeo integral do concerto.


E para terminar a noite Smashing Pumpkings. Este concerto já não segui com tanta atenção como os anteriores, já estava mais longe do palco. Contudo devo dizer que para os fãs deve ter sido muito bom pois o som mantém-se igual apesar dos tempos conturbados pelos quais a banda passou.


Deixo aqui o vídeo completo do concerto.


A análise final é que foi um óptimo fim de tarde, contudo devo começar a concordar com o meu amigo Carlos Marques, é muito mais interessante ver concertos mais intimistas, em espaços como os coliseus, em que as bandas acabam por se relacionarem mais com o público e o próprio som é muito melhor. Este tipo de conceito de ter concertos para um granel de pessoas que nunca mais acaba, com bandas muito mainstream acaba por tornar a música e o ambiente menos apelativo.

terça-feira, maio 15, 2012

Desafio El Bigodon

E à 3ª foi de vez, depois de já termos tentado fazer o percurso para duros entre Lisboa-Olhalvo por duas vezes (aqui e aqui) e por duas vezes termos falhado por motivos distintos desta vez é que foi. A acrescentar ao desafio em si, o Pre fez-nos outro desafio, irmos de bigode para a viagem e daí se ter transformado no desafio El Bigodon.



No sábado partimos os 5 Malfeitores da Passarinha, que participaram no Survival, por volta das 8:30. O dia estava bom, a moral estava em alta e começámos a um ritmo bom sendo que a maioria das paragens era feita para olhar para o GPS para verificar se estávamos no caminho certo. A meio da manhã começou a fazer um calor imenso, o sol abriu e cheguei a registar 37ºC. Eu que aguento geralmente com muito pouca água, por volta das 13h já tinha despejado o meu cantil. Lá acabamos por achar uma fonte para reabastecer e um café onde parámos para beber uma Coca-Cola e comer um bolo. Haviam de ver a cara das pessoas quando viram os saloios de bigode a entrar pelo café!

Por esta altura já tínhamos feito cerca de 40km e a parte mais dura do percurso estava ultrapassada, mas ainda nos esperavam algumas subidas. O calor cada vez apertava mais e a cada fonte que passávamos era uma paragem para quase tomarmos banho. Mesmo assim o Pre e o Tiago Neto ainda ficaram com um escaldãozinho.

À chegada ao Sobral de Monte Agraço a descida do dia onde dei 67km/h, devia ser assim o percurso todo. A pouco mais de 10km do fim apanhámos o que já esperávamos que fosse uma parte divertida, um trilho que já sabíamos que devia estar carregado de lama, andar devagar, carregar com quilos de lama nas rodas e ainda tive de por os pés no chão onde fiquei com uma protecção de lama sobre os sapatos.

Mesmo no final a menos de 1km a única avaria, o Neto partiu a corrente, mas o Jorge e a sua ferramenta de unir elos deram conta do recado.



No dia seguinte a volta para Lisboa. Desta vez só eu, o Tiago Neto e o Pre fizemos o caminho de volta, o objectivo era estar em casa à hora de almoço e como o caminho feito neste dia era praticamente plano decidimos tentar rolar o mais rápido possível. Apesar do Tiago Neto ter um ritmo superior ao nosso íamos passando todos pela frente à moda de um bom contra relógio de equipa.

Na 1º hora fizemos 25km o que foi excelente. Pouco depois fizemos uma paragem pequena de 10 minutos para comer qualquer coisa e voltámos à carga. No final fizemos 60km em menos de 3 horas e poderia ter sido menos, perdemos algum tempo na navegação e a atravessar pontes sobre as estações da linha do comboio, onde tínhamos de desmontar para subir e descer as escadas.


No final contabilizámos mais ou menos 137km, 11 horas a pedalar, 2400m de subidas acumuladas, acho que estamos preparados para a nossa aventura até Santiago de Compostela.