segunda-feira, abril 27, 2015

Fase 2 do projecto Sky Store está no ar

Foi há 11 meses que comecei a trabalhar no projecto Sky Store. Quando entrei no projecto já este tinha iniciado o desenvolvimento da 2ª fase e apesar da adaptação não ter sido tão rápida como gostaria, olhando agora para trás tenho de compreender que a dimensão do projecto torna difícil uma adaptação mais rápida.

Estamos a falar de um projecto de múltiplas equipas, em diversos fusos horários, com requisitos que nos obrigam a pensar tudo ao detalhe pois temos de servir milhões de utilizadores, nada pode ser deixado ao acaso. Foi a primeira vez, em já 10 anos que levo de trabalho nesta área, que senti que a qualidade final era o mais importante, que não havia cá prazos loucos impossíveis a cumprir, que não havia necessidade de fazer noitadas e fins-de-semana, porque tudo é planeado com rigor e com tempo para fazer as coisas bem.

Apesar de todas as equipas seguirem a mesma metodologia de desenvolvimento, com pequenas nuances entre elas, vou falar um bocadinho mais em concreto da minha equipa, a equipa do Core. A equipa do Core, e traduzindo é a equipa responsável pela parte mais nuclear da aplicação, somos a equipa com menos visibilidade para o utilizador final e ao mesmo tempo somos a equipa mais crítica porque somos o início de tudo e se nós falhamos vamos comprometer o trabalho de todas as outras equipas. O nosso foco principal é desempenho, segurança e estrutura da aplicação, estamos ainda algo longe dos frontends com os utilizadores finais.

As equipas utilização Scrum como metodologia de desenvolvimento, dailys, retrospectives, demos, planeamentos, desenvolvimento iterativo, etc. Isto facilita muito a integração de uma pessoa nova, a comunicação constante, o envolvimento com tudo o que se está a passar, ajuda imenso a começar a perceber rapidamente as várias características do projecto. Foi a primeira vez que trabalhei efectivamente com uma metodologia ágil de desenvolvimento e se tinha alguns pontos de interrogação iniciais porque na teoria parecia-me que as premissas era algo fortes, depois com o decorrer dos tempos percebi que realmente funcionava porque as regras acabam por ser mais flexíveis e adaptadas ao perfil da equipa.

Por falar em equipa, apesar de algumas alterações na estrutura ao longo destes 11 meses a equipa é composta por 1 scrum master, responsável por ser a cola entre os elementos da equipa e entre a nossa equipa e as restantes, 2 testers que essencialmente garantem a qualidade de tudo o que é feito e 6 developers que desenvolvem o código. Nada disto é estanque, nada disto é muito rígido, todos nós podemos desempenhar ou ajudar no papel de outra pessoa, há liberdade e flexibilidade para que isso aconteça, o que é óptimo na perspectiva que o conhecimento está disseminado pelos diversos elementos da equipa não tornando ninguém indispensável, e mesmo estando alguém de férias ou não podendo vir trabalhar por um outro motivo o trabalho dessa pessoa pode ser feito por outro elemento. Claro que isto só é possível não pela metodologia mas pela qualidade dos elementos da equipa que devo dizer são excepcionais. Já tive alguns colegas de trabalho que acho que são muito bons mas foi a primeira vez que numa equipa tão grande consigo dizer que o poder de decisão, a autonomia e a qualidade do resultado final de todos os elementos da equipa é elevadíssima.

Ao início foi mesmo intimidativo, o receio de errar, de não estar ao nível das expectativas, de não conseguir acompanhar esta equipa, costumo dizer que deixei de ser o tubarão do lago para ser um peixinho no oceano, foi mesmo a sensação que tive nos primeiros tempos. Mas todos eles me ajudaram imenso, sempre disponíveis, sempre a ajudar com agrado, por isso acabei por me conseguir adaptar, sentido-me hoje como mais um elemento válida desta equipa.

E o resultado deste trabalho foi para o ar no dia 15 deste mês, a 2ª fase deste projecto foi lançada para os utilizadores do Reino Unido e da República da Irlanda, e foi a passagem a produção mais tranquila que alguma vez tive ainda para mais dada a dimensão do projecto, e isto só foi possível pela qualidade do trabalho final que por sua vez foi possível pelo bom planeamento e prazos realistas de desenvolvimento. Este projecto podia ser um case study para 99% dos projectos desenvolvidos em Portugal, como fazer as coisas bem feitas em prazos realistas traz muito menos dores de cabeça a nível de suporte e a nível da satisfação do cliente final. Neste momento já estamos numa fase avançada do desenvolvimento da fase 3 que trará algumas novidades interessantes à plataforma, mas quanto a isso ainda não posso falar, só espero que o resultado final a nível de qualidade se mantenha.

segunda-feira, abril 20, 2015

Meia maratona da areia 2015

A meia maratona da areia foi a última prova de treino antes do Half Ironman de Lisboa, mais uma vez estou numa altura em que estou a dar alguma intensidade de treino por isso não esperava um grande resultado. Esta é uma prova que gosto de fazer, há muito espaço para correr sem acotovelanços, a paisagem é relaxante e em alguns casos até nos faz abstrair do sofrimento, e depois apesar de ser no areal é uma prova bastante rápida em que o areal não faz assim tanta mossa como se julga inicialmente.

Arranquei forte e fiquei integrado num grupo de 10 atletas que seguiam logo a seguir ao pequeno grupo dos primeiros. Ao fim de 2 quilómetros íamos a um ritmo de 4min/km, estava a correr solto e bem mas decidi não continuar naquela loucura, no ano passado paguei bem caro um ritmo idêntico no início e depois fui a arrastar-me nos últimos 5 quilómetros. Fui progressivamente desacelerando até encontrar o meu ritmo de conforto. Cada vez que alguém passava por mim tentava seguir na cola a ver se o meu corpo de sentia à vontade com o ritmo. Até que por volta dos 7km chegou ao pé de mim a 1ª mulher e curiosamente o ritmo era mesmo aquele que eu procurava.

Fomos seguindo juntos a um ritmo que não era totalmente confortável mas era o ritmo certo para seguir, ao darmos a volta para começarmos o retorno íamos com cerca de 46 minutos, se o o ritmo se mantivesse acabaríamos a rondar a 1h32m o que não era nada mau para quem ia fazer um treino. Por volta dos 12km a rapariga vira-se para mim e diz-me - "Não é preciso estar a acompanhar-me, faça a sua corrida" - eu respondi que o ritmo era bom e que não lhe estava a fazer nenhum favor por estar a acompanhá-la, e a pensar para mim - "Vê lá é se não te lembras de dar nenhum esticão senão fico aqui apeado!".

Chegou uma altura em que começámos a ultrapassar outros atletas que estavam em quebra o que soube mesmo bem para o moral. Enquanto isso também começava o efeito miragem, que já tinha presenciado no ano anterior, como aquilo é o areal em linha recta começamos a ver a meta a alguns quilómetros de distância e apesar de parecer que é já ali ainda falta muito. Senão estamos mentalizados para isso o efeito pode ser terrível, como me aconteceu o ano passado que desmoralizei totalmente. 

À entrada do último quilómetro vem um atleta em recuperação que encosta a nós, respira atrás de nós por uns 10 segundos e arranca, nessa altura deixei-me estar com a minha companheira de corrida, foi a única altura que teria feito diferente se fosse um homem o meu companheiro de corrida. Nos últimos 400 metros vem mais um atleta totalmente em esforço e passa por nós e mais uma vez penso - "Vá lá aproveitem hoje que é o meu dia da boa vontade!" -  caso contrário e da maneira que me estava a sentir bem, a minha ponta final era rápida o suficiente para não me deixar ultrapassar por aqueles dois atletas.


Apesar de ter perdido aqueles lugares se calhar teria perdido muito mais tempo senão tivesse aquela excelente companhia durante a prova, por isso achei justo acompanhar a primeira mulher até à meta deixando-a cortar fita da chegada mesmo à minha frente. O resultado final foi de 1h33m06s acabando no 36º lugar em cerca de 200 atletas...nada mau para um treino. Aparentemente para o ano esta prova vai ter a distância maratona também, provavelmente será uma prova que vou inserir no meu calendário, veremos...

Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h33m06s
  • Tempo médio por quilometro: 4m25s/km
  • Velocidade média: 13,6km/h

sexta-feira, abril 17, 2015

Quem pode acabar um Ironman

Depois de ver o vídeo seguinte não tenho qualquer dúvida que qualquer pessoa consegue acabar um Ironman, gordo, velho, mulher, deficiente, não há nenhuma desculpa que me consigam arranjar para uma pessoa que consiga andar independentemente não consiga fazer um Ironman. Para algumas pessoas pode ser mais difícil, pode requerer uma preparação mais cuidada, pode significar um risco maior em termos físicos, mas a força de vontade é que manda. Quem sabe para o ano não seja eu a ter a alegria de cortar pela primeira vez a meta de um Ironman...

segunda-feira, abril 13, 2015

Passar o nome de uma coluna ou tabela como parâmetro num prepared statement

Vou começar por dizer que o que o título diz é parvo, sim é parvo, não porque não dá jeito ou porque a ideia é parva, mas simplesmente porque não é possível fazer. Se quiser fazer algo como o que está em seguida é para esquecer não é possível fazer:

SELECT @column FROM @table

Agora há uma forma mais ou menos elegante de resolver este problema. O que queremos ao termos prepared statements é evitar sql injection, esse é o verdadeiro problema. Então a solução passa por validar se a tabela e a coluna existem na nossa base de dados, e assim até validamos se a query é válida.
       private void AssertValidTableAndColumnName(SqlConnection connection, 
                    SqlCommand cmd, string table, string column)
       {
           cmd.CommandText = "SELECT COUNT(*) FROM SYS.TABLES WHERE NAME = @table";
           SqlParameter tab = new SqlParameter("table", SqlDbType.NVarChar, 500);
           tab.Value = table;
           cmd.Parameters.Add(tab);

           cmd.Prepare();
           int count = (int)(cmd.ExecuteScalar());

           if (count == 0)
           {
               throw new ArgumentException("Invalid table name", table);
           }
           
           cmd.CommandText = @"SELECT COUNT(*) FROM INFORMATION_SCHEMA.COLUMNS
                                WHERE  TABLE_NAME = @table
                                AND COLUMN_NAME = @column";
           SqlParameter col = new SqlParameter("column", SqlDbType.NVarChar, 500);
           col.Value = column;
           cmd.Parameters.Add(col);

           cmd.Prepare();
           count = (int)(cmd.ExecuteScalar());

           if (count == 0)
           {
               throw new ArgumentException("Invalid column name", column);
           }
       }

Temos assim a garantia que tanto a tabela como a coluna existem, se não existirem a aplicação enviará uma excepção. No meu caso quis mesmo que a aplicação terminasse, mas podemos não ser tão radicais e simplesmente retornar um booleano indicando o sucesso. Basta agora fazer uma query normal sem haver a preocupação que haja sql injection.

[...]
AssertValidTableAndColumnName(connection, cmd, table, column);
cmd.CommandText = string.Format("SELECT id,{1} FROM {0}", table, column);
[...]

segunda-feira, março 30, 2015

Duatlo Amadora

Após ter levado uma grande tareia na meia maratona de Lisboa no fim-de-semana anterior, decidi que esta semana tinha de dar menos carga de treino para aferir da minha verdadeira capacidade nesta altura da época, e durante a semana apenas fiz 3 treinos de natação, por isso cheguei fresquinho que nem uma alface a esta prova. Estava algum vento e era algo que me preocupava no segmento de bicicleta, contudo devo dizer que durante a prova raramente senti o seu efeito. Mas comecemos pelo início, o primeiro segmento de corrida. Saí bem logo com os da frente e passado 1km ainda estava com o grupo, olhei para o relógio e marcava 3m30s, apesar de me sentir bem claramente era um ritmo superior ao meu, decidi desacelerar um pouco e ir a um ritmo que sabia que não me iria deixar marcas para o segmento de bicicleta.


Cheguei ao parque de transição com 17m30s na 12ª posição, tinha-me sentido mesmo bem na corrida e só não andei mais depressa porque não quis. Ia começar o meu martírio, a bicicleta. Os treinos que tenho feito de qualquer modo começam a dar resultado, sofri muito menos que é normal, mesmo na parede curta mas agressiva por onde passávamos 4 vezes. Atrás de mim a não a mais de 500 metros estava o Tiago Neto, sabia que mais tarde ou mais cedo iria ser apanhado por ele, o que acabou por acontecer na tal parede na 2ª vez que lá passei.


Até ao final da bicicleta devo ter perdido outros 500 metros para o Neto, o que parece mau mas não foi nada pois o Neto é um ciclista muito mais forte do que eu. Quanto ao Pre arrancou na bicicleta um pouco atrás do Neto e a cada volta reparava que ele perdia muito pouco tempo para mim, acredito que se ele melhorar a técnica de descida, que é essencialmente onde perde tempo, faça um segmento de ciclismo igual ao meu. Ainda em relação ao Pre tenho de lhe tirar o chapéu, tem melhorado imenso na corrida o que faz com que a diferença entre nós seja cada vez menor. Acabei a bicicleta aproximadamente com 38m40s na 22ª posição, só perdi 10 lugares o que para mim é muito bom.

Comecei a corrida ainda algo distante dos atletas que iam à minha, tentei impor um ritmo forte visto só era pouco mais de 2kms, sem pensar no imediato em apanha alguém, tentando fazer o melhor que conseguisse. Quem estava à minha frente também estava a andar bem, era um atleta com um lenço na cabeça e facilmente identificável, tentei ir-me aproximando gradualmente sem me estoirar. Quando faltava 1km para o fim consegui colar e nessa altura ultrapassámos um outro atleta. Ao faltar aproximadamente 600 metros para o fim colámos noutro atleta, nessa altura o corredor de lenço na cabeça acelera o ritmo e diz algo como - "Agora é assim até ao final!" - tendo eu uma ponta final rápida, tinha de aguentar aquele esticão e no final fazer o que normalmente faço.

(Foto cortesia de Unspotdesign | Fotografia Digital)

O que vale é que aquela frase foi só intimidatória, pólvora seca...a aceleração foi curta e precipitada, só mantendo o ritmo deixei os dois para trás e o atleta do lenço acabaria curiosamente atrás do outro do grupo. A 100 metros do final vi que ainda estava um atleta à minha frente agarrado ao abdómen praticamente a arrastar-se, erro crasso, enviou-me um sinal de fraqueza e eu feito tubarão a sentir sangue na água não ia deixar de atacar. Ele de tão cansado que estava nem deu por mim a aproximar-me, já dentro do tapete da meta olha para trás ao sentir a minha presença mas era tarde demais para ele, eu vinha embalado e com a moral em alta por isso não ia perdoar.


No final acabei no que para mim é um brilhante 18º lugar, fiquei contente com o resultado e as sensações ao longo da prova. Uma palavra ainda para o meu colega de equipa o Henrique Coelho que acabou no 8º lugar sendo o 3º do seu escalão.


segunda-feira, março 23, 2015

Meia maratona de Lisboa

Depois de ontem ter descarregado a minha fúria em relação à organização da prova hoje vou falar da prova em si. Esta meia maratona de Lisboa não estava nos meus planos iniciais por isso acabei por chegar à prova com alguma carga de treino, mais do que se recomendaria se quisesse fazer um bom tempo de prova. De qualquer modo a minha ideia era começar a correr a uma velocidade que me desse para bater o meu record e no final logo se veria.

Como no primeiro quilómetro perdi imenso tempo graças à confusão até chegar à avenida de Ceuta apertei um pouco o passo de modo a recuperar o tempo perdido. Consegui recuperar o tempo e aos 7kms (1/3 da prova) estava com 29 minutos, ou seja dava para um tempo final pouco acima de 1h27m. Aos 10kms estava com 42 minutos, ou seja ainda estava 30 segundos abaixo do tempo mas tinha perdido metade da minha margem em 3kms.

Se a temperatura estava boa até aí, mais ou menos por volta dessa altura as nuvens começaram a desaparecer e comecei a sentir algum desconforto com o calor, tanto ao nível do tronco como nos próprios pés, os meus ténis novos são bastante quentes e estava a começar a ficar com bolhas. Aos 14kms (2/3 da prova) já estava ligeiramente acima de 1 hora de prova, nessa altura percebi claramente que já não estava com pernas para aumentar o ritmo, que o cansaço acumulado dos treinos tinha deixado as suas marcas.

Nessa altura passou um grupo de corredores do Atibá tentei segurar a corda deles de modo a não morrer até ao final. Lá fui aguentando protegido do vento atrás deles só focado em conseguir seguir aquele ritmo. No último quilometro tentei sair do grupo com um pequeno esticão, mas estava mesmo sem forças, saí mas não me consegui distanciar mais de 5 segundos. Acabei a prova algo amassado ainda distante do meu objectivo, mas nesta altura da época foi o melhor que consegui fazer.


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h32m45s
  • Tempo médio por quilómetros: 4m23s /km
  • Velocidade média: 13,65 km/h

domingo, março 22, 2015

Como não organizar uma prova

Vou já avisando que este é um post de 'mau fígado', vou disparar chumbo em todas as direcções por isso se não tiverem para aturar um rabugento podem já parar de ler. Hoje participei na prova Meia Maratona de Lisboa e quando digo prova é mesmo PROVA, não é FESTA, só é festa para a organização que está a fazer dinheiro, os participantes devem encarar como uma prova. Se calhar enganados pela organização, há alguns participantes que vão para a festa, tirar fotografias, fazer vídeo, falar do que vão fazer para o jantar, falar da nova telenovela da TVI, etc. Eu quando vou para uma festa realmente vou para me divertir e conversar, quando vou para uma prova vou para sofrer, vou para dizer 'Porque é que o filho do meu pai se mete nisto?', 'Onde estava eu com a cabeça quando decidi vir fazer a prova?', 'Com tanto sítio agradável para estar que faço aqui?', etc.

E como as pessoas se deixam levar pela organização e vão para a festa, a própria organização tem obrigação de melhorar a experiência da corrida para todos os participantes. Se os participantes que vão para a festa em vez de começarem a andar no final deixando quem quer participar na prova correr à vontade, gostam de se meter no meio da confusão, então a organização tem de tomar medidas, senão a experiência é má para todos, quem quer correr não consegue, quem quem ir passear anda constantemente a levar encontrões de quem vem de trás a correr.

Pronto já sei que vão dizer, 'Chegasses mais cedo à partida!', por acaso até cheguei e por acaso isto é uma prova, não é a fila para uma repartição da segurança social. Ainda podem dizer, 'Se queres sair lá da frente fizesses uma inscrição VIP!', mas agora dinheiro é indicativo que se corre mais? Sim isto é uma maneira da organização ganhar mais dinheiro.

O que acaba por acontecer é o mesmo que se me pusessem na partida dos elites, só estaria lá a estorvar os outros, a organização ainda não se lembrou de cobrar uma entrada especial para fazer a partida com os de elite, mas seria a mesma coisa que as entradas VIP. Aquela partida vez-me lembrar as partidas dos triatlos, aqueles primeiros metros dentro de água são só cacetadas, mas eu estou mentalizado para isso, não refilo nem ninguém refila, quem não quer levar cacetada deixa o pelotão sair para a água, aguarda uns segundos e depois entram dentro de água.

E para não dizerem que estou só a criticar e que criticar é fácil, arranjar soluções é que é difícil aqui ficam 2 sugestões.

1) Partidas escalonadas como acontecem já em muitas provas, em que os participantes comprovam o seu tempo de entrada e depois são alinhados na partida dos mais rápidos para os mais lentos, super simples, porque correr a meia maratona para 1h15m é diferente de correr para 1h30m que é diferente de correr para 2h que é muito diferente de correr para 2h30m, e há participantes para todos estes leques de tempos e muito mais.

2) A partida da meia maratona não pode ser ao mesmo tempo que a partida da mini maratona, não há espaço para tanta gente. E mais uma vez aponto aqui as baterias à organização, bem sei que fechar a ponte deve ser caro e tê-la fechada durante mais tempo diminuiria a margem de lucro da organização. Idealmente nem deveria ser no mesmo dia ou então teria 2h de diferença entre partidas, se calhar 90% das pessoas na mini maratona vão andar não vão correr, por isso comparando com os corredores da meia maratona são simplesmente obstáculos no seu caminho.

E agora a cereja no topo do bolo, depois de acabar a prova e cortar a meta havia tanta gente não sei bem saída de onde, quais toupeiras a saltarem de buracos no chão, que sair da zona dos gradeamentos levou quase tanto tempo como a correr a meia maratona (sim estou a exagerar, mas depois de tanta confusão estava com menos paciência que no trânsito em hora de ponta, com orçamentista a parar porque há um acidente no sentido contrário).

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Locais onde já trabalhei

Hoje apeteceu-me fazer um pequeno exercício de memória, tentar recordar-me de todos os locais por onde já trabalhei. Vamos lá ver, para o mês que vem faz 10 anos que comecei a trabalhar, ao longo destes 10 anos passei por 5 empresas diferentes. Dentro de cada empresa trabalhei em diversos locais, o que pelas minhas contas, e se não me esqueci de nenhum, perfaz um total de 18 locais. 

Alguns locais foram só durante um mês, outros mais de um ano, muitas pessoas conheci, muitos amigos fiz e alguns deles em sítios que até trabalhei pouco tempo, e à outros ainda que me acompanharam em diversos locais. Se me esqueci de algum sítio peço que alguém que tenha trabalhado lá comigo me recorde e dos sítios que estão marcados se quiserem assinalem que trabalharam lá comigo. 


Ao olhar para o mapa até dá para me interrogar, como aceitei ir trabalhar para a Urbanos? Ir para a outra margem já me parece algo estranho, mas ir para S. Julião do Tojal que é exactamente na ponta oposta de onde moro...

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

20km Cascais 2015

Como é tradição não há 20km de Cascais sem chuva, e mais um ano, mais uma partida à chuva. Este ano tinha como objectivo fazer menos de 1h25m, já a pensar no outro objectivo que é fazer a meia maratona em menos de 1h30m.

Logo ao princípio do 2º km apanhei o Clélio, o ritmo estava bom e fomos juntos a puxar um pelo outro mais ao menos até ao primeiro abastecimento ao quilómetro 5. Nessa altura estava com 21m39s, precisava de fazer a passagem aos 21m15s por isso já estava algo atrasado, está bem que a parte mais difícil a nível de altimetria já estava passada mas ainda faltava apanhar o vento  de frente no Guincho.

Como é um sítio que costumo treinar e já fiz esta prova várias vezes, sabia que até darmos a volta no Guincho o vento seria praticamente sempre frontal, a estratégia é sempre a mesma, ir atrás de alguém o mais alto possível para não dar o peito ao vento. Aos 10km estava com 43m02s o que significava que ainda estava mais longe uns segundos do meu objectivo, devia estar a passar a 42m30s, se aos 5 quilómetros estava 24s atrasado agora estava 32s.

Já depois da viragem por volta dos 12kms vem o Tiago Neto que vinha a fazer uma corrida de trás para a frente, disse que ao início não tinha ido ao choque mas que tinha estado sempre a 10s-15s de distância de mim. Foi uma altura óptima, até à subida para a Casa da Guia fomos os 2 juntos a um ritmo certinho e sabia que senão perdesse a corda até poderia conseguir chegar abaixo de 1h25m. Na subida para a Casa da Guia tive mesmo de ir ao limite, as minhas pernas estavam a doer por todo o lado mas sabia que era a última dificuldade. Consegui aguentar ao lado do Neto, mas durante o abastecimento frente à Casa da Guia comecei a pagar a factura, deixei o Neto distanciar-se 3-4 metros que nunca mais consegui recuperar. Ainda fiz um forcing no 19º quilómetro mas estava demasiado desgastado e acabei por cortar a meta mesmo no limite das minhas capacidades.


Cortei a meta com 1h25m39s, falhei por pouco o meu objectivo e como calculava se tivesse conseguido ir com o Neto tinha chegado dentro do tempo pois ele fez 1h24m59s, mesmo o tempo que queria fazer. De qualquer modo fiquei contente fiz uma coisa que muito raramente faço, e em provas de mais de 10km foi a primeira vez que fiz, que foi fazer a 2ª metade da corrida mais rápida que a primeira, significa que estou a conseguir manter o ritmo mesmo aumentando a distância das provas.

Este já é o 5º ano que faço esta prova e fazendo aqui uma pequena viagem pelas provas dos anos anteriores constato uma coisa, de ano para ano tenho conseguido melhorar os meus desempenhos, pensar que em 5 anos numa prova de 20km melhorei 15 minutos é algo que me deixa bastante contente.

2011 - 1h40m32s
2012 - 1h36m31s
2013 - 1h32m14s
2014 - 1h27m51s (prova de 21kms em que na passagem aos 20kms ia com este tempo)
2015 - 1h25m39s

De ano para ano tem sido mais difícil retirar tempo, vamos lá ver se para o próximo ano consigo baixar de 1h25m, acho possível mas começo a chegar a um ponto que cada segundo a menos me custa um imenso sacrifício.


Dados da minha prova:

  • Tempo final: 1h25m39s
  • Tempo médio por quilómetros: 4m17s/km
  • Velocidade média: 14,01km/h

terça-feira, fevereiro 10, 2015

Transplante de bonsai

Um dos momentos mais críticos no que toca a cuidar de um bonsai é o transplante. 

Porquê fazer o transplante? 
Porque temos uma pequena árvore, que apesar de pequena tem grandes necessidades nutricionais como qualquer árvore, e ao contrário de uma árvore na natureza, tem uma área confinada para as raízes do tamanho do seu vaso. É necessário renovar o solo, assim como limpar as raízes menos interessantes para o crescimento da árvore.

Quando e de quanto em quanto tempo deve ser feito o transplante?
Para uma árvore saudável o transplante no mínimo deverá ter um intervalo de 2 anos, podendo mesmo chegar a 5 se for uma árvore mais adulta num vaso maior. A regra normalmente que sigo é ao final dos 2 anos se as raízes não estiverem estranguladas no vaso e se o solo se apresentar ainda com boas características de drenagem então deixo estar e espero mais um ano. A altura do ano é esta em que estamos, final do inverno, início da primavera. Mas para ser mais exacto devemos ir observando a árvore se estamos a pensar em transplantá-la, e quando o processo de brotação começar a dar o mínimo sinal de estar a começar então essa é a altura ideal, em árvores de folha caduca isto é ainda mais visível. É importante ser nesta altura para se aproveitar ainda algum adormecimento da árvore, porque quando a árvore é transplantada fica mais frágil e depois de já estar com a folhagem completa já teve um grande desgaste, logo não a podemos sujeitar a ter um novo desgaste para se recompor do transplante. A minha sugestão, que vale o que vale, quando o transplante não é feito na altura certa é preferível aguardar mais um ano para o transplante.

Que vaso e que terra/solo devo utilizar?
A maior parte das pessoas quando pensa em transplantar um bonsai pensa num vaso maior, e normalmente esta é uma ideia errada, a maior parte das vezes não se troca o vaso. De uma forma grosseira, a altura do vaso deve ser da altura da base do tronco, mas claro que existem casos que não respeitam esta regra especialmente devido a alguns estilos, nomeadamente o estilo cascata. Quanto ao solo depende do tipo de árvore e das suas necessidades de água, se estiver a falar por exemplo de uma Taxodium (sobre a qual já escrevi anteriormente) o terreno tem de ser menos poroso se estivermos a falar de uma Serissa (que vou utilizar neste post mais à frente para demonstrar o transplante) claramente tem de ser um terreno mais poroso. Em caso de dúvida utilizar um terreno mais poroso, a desvantagem é ter de regar mais vezes se estivermos errados, se utilizarmos um solo menos poroso numa árvore que não goste tanto de água corremos o risco de apodrecer as raízes.

Fazer o transplante
A estrela deste transplante será a minha Serissa, curiosamente nunca falei aqui sobre ela e é a árvore que está à mais tempo comigo sendo este já o 2º transplante que lhe faço.


O primeiro passo é retirar o bonsai do vaso como se retira uma qualquer flor do vaso. Se estiver muito preso costumo passar uma faca junto o bordo do vaso para desprender a terra do vaso.


Agora vem a parte que normalmente é mais chata, remoção da terra das raízes. É bom tentar tirar toda a terra, mas se por algum motivo existir alguma zona mais complicada, mais vale deixar um pouco de terra antiga do que partir raízes boas. A técnica que para mim funciona melhor é usar um jacto de água na terra. Uso um arame para esgravatar a terra e depois com o jacto de água normalmente a terra solta toda.


De seguida é a parte tecnicamente mais complicada, depois das raízes estarem limpas da terra deve-se remover entre 1/4 a 1/3 das raízes. Como escolher as raízes? Como se vê na imagem anterior as raízes onde a água estão a bater são claras, estas raízes estão saudáveis, em primeiro lugar devemos procurar raízes escuras e quebradiças o que significa que estão em apodrecimento e não estão lá a fazer nada. Contudo num bonsai saudável não é natural ter raízes apodrecidas por isso a ideia é retirar parte das raízes saudáveis.

Existem 2 tipos de raízes, as de absorção que servem para retirar os nutrientes e água do solo, são as raízes finas com um género de micro vilosidades, e as raízes de sustentação, mais grossas e que servem para agarrar a árvore ao solo. Neste caso vamos querer remover as raízes de sustentação, além de não contribuírem para o crescimento do bonsai são as que ocupam mais espaço dentro do vaso. Mas atenção à regra de 1/3, numa árvore que já tratemos há algum tempo ou que o antigo dono tenha tido cuidado nos transplantes prévios, não é normal encontrar muitas raízes de sustentação pois elas vão sendo removidas ao longo dos transplantes anteriores. Contudo bonsais importados é normal retirarmos a terra e depararmos-nos com 3-4 raízes de sustentação, nestes casos aconselho a remover 1-2 raízes no máximo para não debilitar muito o bonsai, e deixar as restantes para remover num futuro transplante.


Agora é altura de voltar a colocar o bonsai no vaso e fixa-lo visto que lhe tirámos as raízes de sustentação e essencialmente o desprendemos do solo. Primeiro agarramos em 2 arames e entrelaçamos  os 2 no ser meio, ficando com um género de dois Y como se vê na imagem anterior.


Coloca-se agora um quadrados de rede de escoamento em cada buraco do vaso e fazem-se passar duas pontas do arame por cada buraco, ficando a parte do arame que está entrelaçado entre os dois buracos, na parte de baixo do vaso.


A partir de  agora não há grande ciência, é colocar uma ligeira camada de solo no fundo vaso e espalhar por cima um pouco de estimulante radicular. No meu caso eu utilizei o Rhiza Bonsai, mas poderá ser outro com o mesmo princípio. No caso do Rhiza Bonsai, no mercado português ou se compra directamente na Luso Bonsai ou poderá ser adquirido num qualquer Leroy Merlin.

Coloca-se agora o bonsai no vaso e está na altura de o  prender com os arames. A técnica consiste em pegar nas duas pontas do lado esquerdo por exemplo, e passá-las para o lado direito do bonsai, entrelaçando-as uma à outra junto do tronco do bonsai, repetir o mesmo processo com as pontas do lado oposto. O bonsai deverá ficar suficientemente preso que se consiga agarrando no bonsai de modo que o vaso não caia apesar de só se agarra no bonsai, e ao mesmo tempo não deverá estar demasiado apertado de modo a não ferir o tronco com o aperto dos arames.


Como se removeu cerca de 1/3 das raízes está na altura de remover 1/3 da folhagem. Isto é necessário essencialmente nas árvores de folha não caduca, e é necessário porque visto que temos menos raízes para absorver nutrientes e a árvore está debilitada, logo também tem de ter menos folhas a exigirem esses nutrientes e a forçarem a planta a um desgaste maior. Facilmente se nota a diferença da folhagem da primeira imagem que coloquei para esta última imagem.

Finalmente cobrir com solo, nunca o calcando, somente dando pequenas sacudidelas para ele cair pelo meio das raízes, pode-se ir regando para ajudar o solo a entranhar-se pelo meio das raízes. Agora e durante um mês deve-se dar especial atenção a este bonsai, não apanhar vento, não apanhar sol em demasia e não regar com produtos que possam queimar as raízes que estão frágeis por terem sido cortadas. Pessoalmente a única coisa que costumo acrescentar à água nas regas é Bio Bonsai.