quinta-feira, janeiro 15, 2026

Estafeta dos Reis

Já há muitos anos que queria fazer esta estafeta, mas todos os anos esbarrei no problema principal, conseguir arranjar mais 2 corredores para fazermos equipa. E este ano a história repetiu-se, desafiei 2 colegas de trabalho, mas só um conseguia ir. Depois desafiei o grupo com que fui fazer a Maratona de Atenas e eles já tinham uma equipa, e os restantes não conseguiam ir correr. Por isso era mais um ano que não conseguia ir participar na estafeta. Até que ao final da tarde, do dia antes da estafeta, liga-me o Sebastião a dizer que tinham tido uma desistência numa equipa se eu queria ir substituir esse corredor. E assim sem qualquer preparação previa lá fui no dia seguinte para a prova.

Quando lá cheguei falei com o Sebastião, a pensar que quem tinha falhado tinha sido alguém da equipa dele, quando ele me diz que era de outra equipa da qual eu não conhecia nenhum dos corredores. E é quando ele me diz que um dos corredores, o Romário, fazia os 10kms em menos de 35 minutos e o outro, o André, em menos de 33 minutos, mas estava muito constipado. "Ah bom, está constipado, portanto em vez de estar completamente lixado, estou só muito lixado." - foi o que me veio à cabeça, e a minha cara deve ter sido daquele emoji dos olhos esbugalhados 😧😬😶. Já estava a ver o filme, não queria ser um peso morto para a equipa, o meu melhor tempo aos 10kms foi 39 minutos, nos meus tempos áureos.

O primeiro corredor fazia 5kms, o segundo 2,5kms, o terceiro 2,5km e finalmente todos juntos fazíamos mais 2,5kms. A decisão óbvia é o mais forte faz o primeiro percurso, o mais fraco o segundo percurso, e o intermédio o último pois acaba por fazer 5kms seguidos. Por isso a ordem seria Romário, que estava em forma, aqui o desgraçado e depois o André que estava constipado.

Lá começou a corrida com 190 equipas, e o Romário dispara no pelotão da frente, até que a coisa começa a ficar organizada, com um atleta destacado na frente, um duo a seguir e depois mais um grupo de 4 atletas onde estava o Romário. O Romário iria fazer duas voltas ao percurso, então quando ele estava a meio da segunda volta dirijo-me para a partida e começo a ver os primeiros a chegar até que o speaker diz que o número da minha equipa está a aproximar-se. Não tenho a certeza, mas creio que o Romário entrega-me a transição em 6 lugar, olha a responsabilidade, estava ali no grupo da frente.

Começo a correr e sem poupar nada pois a corrida era curta e tinha uma equipa a depender de mim. Quando até estava a encurtar a distância para o atleta da frente, estava a correr a 3m15s/km, passa outro corredor por mim que me fez sentir como se eu estivesse parado, nem reação para o seguir, e logo a seguir mais um ao mesmo ritmo. O que era aquilo? Eu sou amador mas eles pareciam atletas olímpicos. 

Por volta de 1km de prova sou ultrapassado por outro atleta, este ainda consegui ir um pouco atrás dele, o que me ajudou a encurtar ainda mais o espaço para aquele corredor inicial. Depois da subida mais íngreme do percurso não consegui seguir mais com ele, por isso tive de conseguir gerir o ritmo por mim próprio, não podia abrandar mas depois ainda tinha de fazer outra volta, por isso tinha de ficar com algum 'combustível no tanque'. Mesmo assim fiquei contente com o meu tempo pessoal 9m57s, foi um belo ritmo para mim, mas claramente não era por mim que estávamos naquela boa posição, o Romário tinha feito 8m54s na primeira volta e 9m36s na segunda volta.

Aproveito aqueles minutos que me pareceram ser muito breves para recuperar o folgo, sabia que o André apesar de muito constipado era alguém com 33 minutos aos 10kms, por isso não iria demorar muito tempo. O André chegou na 7ª posição com o tempo de 9m51s, era altura de irmos todos juntos. Começamos os 3 a correr e passado 1 minuto eu já estava desconfortável atrás deles, como estávamos com outra equipa em vista e estávamos a aproximar-nos eles estavam a apertar o ritmo. Tive de lhes pedir para baixar um pouco o ritmo que eu não estava a aguentar, e um dos elementos da equipa da frente parecia estar a fraquejar, acelerávamos depois na subida que para mim era onde me sentia mais confortável.

Eles lá reduziram, pouco, e eu quase a morrer atrás deles, se me metessem a mão na boca eu explodia, se apanhasse uma pedra mais saliente eu ia tropeçar. E eles a falarem à minha frente como se estivessem a passear. A equipa da frente distanciou-se um pouco e mesmo com a subida não encurtámos o espaço, totalmente culpa minha, tenho a certeza que se fossem só eles os dois que os conseguiam ir apanhar.

Acabámos na 7ª posição da geral, com um tempo na última volta de 10m06s e um total de 47m24s, mantendo a mesma posição com que começámos a última volta. O melhor veio depois, soubemos que tínhamos ganho o nosso escalão, o escalão dos velhos, todas as equipas à nossa frente eram miúdos. Este pódio teve um sabor agridoce, obviamente que adorei voltar a subir ao pódio, mas sendo honesto comigo próprio este pódio deveu-se aos meus colegas de equipa, se todos tivessem o meu nível era provável que conseguíssemos o 3º lugar do pódio, mas nunca o primeiro. Obrigado Romário e André.



quarta-feira, janeiro 14, 2026

São Silvestre Amadora

Mais um final de ano a correr a São Silvestre da Amadora, a bela tradição mantem-se para meu gosto. Agora além da companhia do Pre e da Cláudia, a minha mulher passou a ser companhia habitual, mesmo no ano que estava grávida de 7 meses ela juntou-se à minha tradição de final de ano. 


Indo para a corrida este ano acreditava que conseguiria fazer algo entre 42-43min, apesar de não estar no meu topo, já me começo a aproximar e a conseguir estar mais consistente. Este ano juntei-me com o Sebastião na partida, ele está a correr muito bem e por isso queria aproveitar a 'boleia' dele na prova. Sabia que enquanto houvessem subidas eu estava bem, porque é onde me sinto melhor, por isso o meu objetivo era conseguir ir com ele até ao final da subida dos comandos.

A prova começa e eu deixo o Sebastião ir à frente, este ano estava mais confusão do que o habitual, fui seguindo o ritmo dele e por volta dos 700 metros de prova passei para a frente, era a subir e era melhor ser eu a impor o ritmo. Até ao final da subida aos 2,3kms até me distanciei sem querer, mas o Sebastião rapidamente se juntou a mim na descida e trouxe com ele o João Navarro. Estava na altura de sofre um pouco para o conseguir acompanhar na descida. A custo lá fui junto deles e no falso plano que vai dar à passagem por cima da linha do comboio ainda voltei a puxar. O ritmo estava bom apesar de sentir que estava a forçar um pouco acima do que devia, no entanto provas de 10kms são mesmo para sofrer, por isso era continuar ao ritmo do Sebastião.

Na curta mas íngreme descida depois da linha do comboio o Sebastião afastou-se uns metros mas ainda o consegui ir buscar no plano. Aos 5kms de prova ainda estávamos juntos, com um tempo de 21m18s, mas nos 500 metros seguintes naquela ligeira descida perdi uns 20 metros para ele. Na subida dos comandos voltei a conseguir apanhá-lo e passei-o. Logo a seguir ao final da subida ele encostou a mim e deu-me umas palavras de força, no entanto eu estava no meu limite, e disse-lhe para seguir que dali até ao final ainda ia perder 1 minuto para ele.

Serrar os dentes e sofrer até ao final, tentei ir num grupo na fase em que começou a longa descida, que nos leva quase até à meta e consegui quase até ao final da descida ir no grupo de modo a conseguir um ritmo mais elevado. Cortei a meta com 42m24s, com uma segunda parte de prova mais rápida que a primeira, o que é normal pois é menos dura. Perdi para o Sebastião o minuto que lhe tinha dito, mas consegui fazer um tempo dentro daquilo que pretendia, por isso tenho de lhe agradecer a ajuda que me deu.


quarta-feira, dezembro 31, 2025

Retrospectiva 2025

Mais um ano a acabar, muito intenso, e mais um a começar que espero igualmente intenso. Projetos importantes estão em andamento por isso espero um 2026 cheio de novidades. Estou a precisar acalmar, já vou fazer 44 anos e está na hora de começar a estabilizar e deixar-me de andar sempre à procura de algo que me dê mais dores de cabeça dos que as que já tenho. Ora aqui vai os pontos anos deste 2025:

E agora acabar o ano com o continuar da tradição, daqui a umas horas lá estarei a fazer a São Silvestre da Amadora. Até para o ano...

terça-feira, dezembro 16, 2025

Troféu de Oeiras - Cruz Quebrada

Talvez a prova mais fácil do troféu de Oeiras, apesar de não ter conseguido treinar durante a semana estava com otimista para a prova. O início é a parte mais fácil, ligeiramente a descer e plano, muita gente no primeiro quilómetro a impedir um ritmo maior, no entanto estava bem confortável. Na parte plana da marginal consegui ultrapassar alguns corredores e quando entrei na subida do Jamor estava bem, continuei a ultrapassar e o ritmo não tinha descido muito. 

Dar a volta ao parque de estacionamento em plano e a descer, tudo tranquilo, mas quando começo a subir outra vez senti-me sem forças. Aquela ligeira subida deixo-me quase a andar, estávamos com 5km de prova e ainda faltava 1/3 da prova e eu estava sem combustível no tanque. O quilómetro seguinte ainda consegui disfarçar e tentar recuperar porque era maioritariamente a descer, mas a partir dali foi sofrer. Por volta dos 6,5kms passam 2-3 corredores por mim e eu não consegui seguir e fiquei ali no meio de grupos numa posição desconfortável, o foco foi manter a distância para o grupo da frente para ter alguma referência. Descida que dá acesso à reta da meta e ainda acelerei o ritmo, percebi que não vinha ninguém atrás de mim, mas se houvesse alguma quebra à frente tentava aproveitar. Não foi o caso e não consegui ultrapassar mais ninguém, acabei a prova praticamente com o mesmo tempo do ano passado com uma grande diferença, até os 5kms os meus parciais foram sempre melhores, para perder todo o tempo de vantagem nos últimos 2,5kms. Faltou-me um pouco de ritmo e consistência na parte final, mas foi uma boa prova, 23º lugar em 65 corredores.



quinta-feira, dezembro 11, 2025

Grande Prémio de Natal

Nunca tinha feito esta corrida, no entanto o percurso parecia-me idêntico à corrida da Liberdade, por isso teria um percurso relativamente fácil que acabava a descer. O meu objetivo para esta corrida não era pessoal, era ajudar a Liliana a acabar os 10kms abaixo de 1h. Os 2 primeiros quilómetros foram bastante rápidos, bem acima dos 6min/km necessário para fazer a corrida em menos de 1h. Ainda disse à Liliana para não "esticar" muito, mas ela disse que se sentia bem, que estava tranquila. Como era a descer deixei ir aquele ritmo, sempre ganhávamos alguma margem de tempo para as subidas.

E a primeira subida surgiu logo aos 3kms, e era a pior da prova, não muito longa mas dura, e a Liliana começa a andar. Incentivei-a a não parar mas ela andou quase toda a subida, o que levou a que ao final dos 3kms já só tivéssemos 30 segundos de margem, grande parte estava perdida naquela subida.

Até aos 5kms estávamos dentro do tempo, mas a média estava a ser pior dos 6min/km, eu estava a ver toda a margem a ir embora, assim como a energia da Liliana, que não estava a conseguir manter o ritmo. Por volta dos 7kms passa a bandeira dos 6min/km por nós, esforcei-me para que a Liliana não largasse o grupo mas numa das subidas dos túneis ficou irremediavelmente para trás, percebi que a partir dali já não era possível, no entanto, tentei motiva-la ao máximo de modo a perdermos o mínimo possível. Chegámos ao final com o tempo de 1h1m55s, ainda não foi desta, mas eu sei que com treino ela consegue.


quarta-feira, dezembro 10, 2025

Troféu de Oeiras - Milha de Queijas

Primeira prova do troféu de Oeiras é a milha de Queijas e este ano era no dia a seguir à meia maratona dos Descobrimentos. Escusado será dizer que estava moído do dia anterior, mas como era uma milha não havia grande coisa a gerir, era tentar dar o máximo com as dores e bolhas que tinha ganho no dia anterior. Pareceu-me que saí bem, no entanto fui logo passado por um colega de equipa que nem consegui seguir, não queria forçar porque sabia que depois do retorno era ligeiramente a subir e não podia ficar sem combustível. Ainda antes do retorno ultrapassei o meu colega de equipa, mantendo sempre um ritmo constante. Após o retorno foi sofrer um pouco para não quebrar até ao final. Acabei com 5m50s, melhor 6 segundos que o ano passado e ainda por cima a distância este ano era ligeiramente superior. Mesmo desgastado do dia anterior consegui melhor que o ano passado, nada mau.

terça-feira, dezembro 02, 2025

Meia Maratona dos Descobrimentos

Esta era uma prova que me estava entalada, depois dos excelentes tempos nos distantes anos de 2013 e 2015, há dois anos atrás quando fiz a minha última meia maratona o tempo foi miserável e com muitas dificuldades para acabar, tendo inclusivamente andado. Este ano com treino queria vingar-me dessa prova.

Na sexta-feira anterior à prova tive o jantar de empresa e numa conversa descobri que um colega iria também fazer a prova e tinha o mesmo objetivo que eu, terminar abaixo 1h35, ou seja, fazer uma média inferior a 4m30s/km. Combinámos então fazermos a prova juntos para nos entre ajudarmos. A ideia dele seria fazer os 3 primeiros quilómetros a 4m30s e depois baixar para 4m25s. Para mim estava bom, já há 2 anos não fazia uma meia maratona e ser conservador não me pareceu má ideia. Logo no arranque tive de resfriar o meu ímpeto, senão fosse o Danilo a marcar o ritmo eu tinha logo ali pisado o acelerador e não sei que impacto negativo teria mais à frente. A partir dos 3 quilómetros então acelerei um pouco e fui tentando controlar sentia-me bastante bem, mas não queria ter nenhuma quebra.

E assim fomos nós, aquele ritmo certinho. Aos 10kms, pouco depois do Cais do Sodré, estávamos com 44m23s, a margem não era muita, no entanto tínhamos mais de 30 segundos de margem, era só manter o ritmo. Estava a sentir-me mesmo bem, apesar de ter tido um ligeiro episódio de asma nos dias anteriores, a respiração estava controlada, o ritmo cardíaco controlado e sem dores musculares. Estava com aquela sensação que corria facilmente 30kms aquele ritmo, esperava que nenhuma quebra acontecesse entretanto. Fui sempre falando com o Danilo para ir sabendo as sensações dele porque estava a notar algum desconforto na fala ofegante. 

Por essa altura sentia-se um pouco de vento de frente e eu avisei-o para se abrigar atrás de outro corredor e poupar energias. Quase a chegar ao retorno aos 12kms, ele perde uns metros para mim, desacelerei um pouco para ele recolar, mas percebi que ele estava a esticar o elástico e podia partir a qualquer momento. Falei com ele mais um pouco para o motivar e ver se ele seguia comigo, enquanto a minha fala continuava confortável, ele já pouco conseguia falar. O vento estava pelas costas e o ritmo tinha aumentado ligeiramente só por esse facto, o esforço continuava a ser o mesmo.

Já depois de termos passado o Terreiro do Paço, e já quase com 15kms de prova ele disse-me para seguir que tinha de abrandar que já não aguentava mais. Nem disse nada para o forçar a seguir-me porque já estava à espera que acontecesse, e para ele era melhor meter o ritmo dele para não perder muito mais tempo até ao final.

Como me estava a sentir bastante bem acelerei só um pouco, menos 5 segundos ao quilómetro, ainda faltavam 6kms para terminar e a ideia era fazer 3 quilómetros aquele ritmo e depois nos últimos 3 quilómetros dependendo no que ainda tivesse acelerava mais. Três quilómetros a 4m20s e estava na altura de queimar tudo até ao fim. Estava por baixo da ponte 25 de Abril e quase já cheirava a meta, meto um ritmo mais forte ali nos 4m10s-4m15s/km e era dar tudo até ao final. Nessa altura passa o Joel por mim e aproveito a boleia e vou com ele. No entanto ele estava a fazer a 4m/km, e eu não estava confortável por isso passado uns 500 metros tive de o deixar ir e tentar recuperar para o ritmo que estava anteriormente. Até ao final foi tentar dar o meu máximo, sabia que claramente iria acabar abaixo de 1h35m, mas queria fazer o melhor possível. No final o tempo oficial de chip foi 1h33m01s, bem abaixo do meu objetivo e como me senti tão bem acredito que se tivesse arriscado um pouco mais no início podia ter-me aproximado de 1h30m. Fica para a próxima...



quarta-feira, novembro 19, 2025

Helloween + Beast In Black - Campo Pequeno

Primeira vez a assistir um concerto no Campo Pequeno, e passou a ser o meu sítio preferido para ver concertos, em ambos os concertos de Beast In Black primeiro, e Helloween depois, o som estava impecável, sem distorções, simplesmente perfeito. Inclusivamente, ao filmar com o telemóvel normalmente o som fica irreconhecível, neste caso percebe-se perfeitamente a música.

Os primeiros a entrar foram os Beast In Black, que eram a banda suporte. Quando os vi há 2 anos atrás achei que ao vivo ainda lhes faltava ali qualquer coisa, o som era diferente do som gravado, apesar de ter gostado não achei que tivesse sido uma apresentação que fosse de encontro ao que se ouve nos álbuns. Desta vez um belo concerto, som perfeito, apresentação perfeita, boa interação com o público, obrigado Helloween por terem trazido uma banda de suporte tão boa que eu iria ver o concerto só por eles. Gostei tanto do concerto que me virei para o Daniel (que veio de Barcelona para ver o concerto) e disse-lhe - os Helloween vão ter dificuldade em fazer melhor que eles, meteram a barra lá em cima! - voltem rápido que voltarei a ver e continuarei a seguir a sua carreira de perto.


Beast in Black Setlist Sagres Campo Pequeno, Lisbon, Portugal, Europe 2025

Bem que posso dizer da atuação dos Helloween? Que monstros! Não só fizeram melhor como deram dos melhores espetáculos que já vi. Já há 7 anos atrás quando os vi pela primeira vez tinha sido um concerto enorme e fenomenal, desta vez conseguiram-se superar. Muitas músicas do novo álbum e as clássicas fizeram uma bela mistura neste concerto. O concerto foi quase como assistir a um filme com banda sonora, dada a qualidade das imagens que passava no écran por trás da banda e que se integrava com cada música que era tocada.

Não teve muita pirotecnia, mas não senti a falta, dado todo o restante envolvimento, o concerto teve sempre motivos que o tornavam atraente. E uma coisa que me agradou muito, os elementos da banda apesar da idade, de estarem a comemorar os 40 anos de banda nesta digressão, parece que se divertem mais do que nunca a fazer o que estão a fazer. Não estão ali só pelo dinheiro, estão ali porque se divertem e porque gostam do que estão a fazer, e isso transparece e faz com que ainda tenhamos mais respeito pela carreira que construíram. Que voltem rápido é o que desejo.


Helloween Setlist Sagres Campo Pequeno, Lisbon, Portugal 2025, 40 Years Anniversary



sexta-feira, novembro 14, 2025

Viagem a São Miguel

Depois do relato das partes atribuladas da viagem, vamos lá então à parte que interessa, a parte que correu bem. A única vez que tinha ido a São Miguel tinha sido há 15 anos atrás, por isso muita coisa mudou e apesar de ter memórias dos sítios quando passava por lá, a maior parte das coisas foi um redescobrir. E quando chegámos chovia torrencialmente mas tivemos sorte, acabámos por apanhar só chuva à chegada na quinta feira e depois no domingo, no dia em que viríamos embora, por isso o tempo até acabou por colaborar conosco.

Como apanhámos uma aberta nessa tarde que chegámos, e não sabíamos como iria estar o tempo o resto dos dias, fomos até ao miradouro da Lagoa das Sete Cidades. Uma vista fantástica sobre a lagoa, o lado azul e o lado verde bem distintos. Descida até à lagoa e um passeio numa das margens da lagoa azul, num sítio lindíssimo sem turistas.


De seguida por entre caminhos de vacas, literalmente pois muitas vezes tivemos de esperar que as vacas saíssem do meio da estrada para nós passarmos, fomos até Rabo de Peixe. Decidimos fazer uma caminhada pelas ruas até ao porto cá em baixo. Vimos muitos locais onde a série de Rabo de Peixe é gravada, mas acima de tudo foi um choque de realidade. Os efeitos das drogas é facilmente visível nas ruas, nas pessoas, nas famílias, não pensei que a realidade fosse tão dura e tão notória como é. Lembro-me de ter usado uma expressão enquanto falava com a Liliana - Quem nasce aqui está praticamente condenado, deve ser quase impossível sair desta realidade


Como o dia tinha sido muito cansativo fomos jantar cedo à Associação Agrícola de São Miguel, que pelo nome quase parece um tasco, mas aproxima-se mais a um restaurante estrela Michelin, comida deliciosa, quantidades generosa e preço acima da média. 

No dia seguinte fui "à caça" da fábrica das queijadas de Vila Franca do Campo, tinha de mostrar à Liliana uma das maravilhas da ilha. Seguimos dali para a Lagoa das Furnas. Como nós gostamos muito de caminhadas decidimos aproveitar o bom tempo a e bela natureza para fazermos uma caminhada à volta da Lagoa, demorou algum tempo, mas valeu muito a pena.


Furnas vistas seguir para Poça da Dona Beija. Está tudo tão "arranjadinho", tudo muito mais turístico do que quando fui há 15 anos atrás. É verdade que está mais bonito, mas perdeu o aspecto mais selvagem, o aspecto mais natural, já não é possível ir para a ribeira, só podemos estar nos tanques de água quente. A Clara estava deleitada com a água quente, temos fotos lindíssimas dela com um sorriso de orelha a orelha. Depois disso fomos passear pela parte Este da ilha, muita curva e contra curva, caminhos onde se tinha de andar devagar, no entanto também estávamos em passeio por isso nada que nos preocupasse. Parámos no Miradouro do Pico dos Bodes, uma vista deslumbrante para o mar, vale a pena o desvio. Andámos um bom bocado às voltas para descobrir como chegar ao começo do trilho do Sanguinho, e quando lá chegámos já era um bocado tarde, pelos nossos cálculos iríamos acabar o trilho já de noite, então a Liliana, e visto estarmos com a Clara, não se sentiu confortável para irmos fazer a caminhada. No entanto, um dia que volte a São Miguel será uma das minhas prioridades. Seguimos para Nordeste e fizemos todo o Norte para depois voltar a Ponta Delgada e recarregar as baterias.


Sábado, era o último dia completo que tínhamos, por isso seria mais um dia a sair cedo do hotel e visitar o máximo de coisas possíveis. Primeira paragem na Caldeira Velha, mas como não tínhamos reserva não conseguimos entrar, aproveitámos e fizemos reserva para o dia seguinte no primeiro turno, de modo a termos tempo de voltar ao hotel e fazer o checkout. Viagem curta até às plantações de chá da Gorreana onde visitámos a fábrica e fizemos uma pequena caminhada nas plantações de chá. Seguir para o Parque Terra Nostra. Para mim o sítio mais bonito em São Miguel, está bem que as águas termais não se comparam aos outros lados, parece água com lama quente, tem aspeto sujo, contudo o parque é lindíssimo, simplesmente adorei o passeio que fizemos pelo parque.


Saída do parque e ainda tínhamos tempo para tentar fazer um trilho, ao que a Liliana sugeriu irmos até à Lagoa do Congro. Chegados ao parque onde estacionávamos o carro tentei procurar na internet o trilho visto não haver indicações nenhumas. Ainda nos metemos lá por um sítio cheio de lama que quase que deixava lá os meus tênis, mas voltámos para trás pois não era transitável. Outros grupos à procura do trilho como nós, tudo meio perdido. Até que vimos um grupo a vir de um sítio onde dizia passagem interdita, esse grupo disse-nos que o trilho era por ali, que o trilho principal estava fechado em manutenção mas dava para contornar e chegar lá abaixo na mesma. Pelo meio de muita lama e pedras lá conseguimos dar com o caminho e valeu bem a pena, apesar de difícil pelas condições a caminhada é bonita e leva-nos a uma lagoa praticamente selvagem.




Estoirados de mais um dia sem parar, estava na hora de voltar ao hotel. Essa noite decidimos ir jantar fora e pedimos uma sugestão no hotel, onde nos marcaram mesa para o restaurante São Pedro, comida muito boa recomendo vivamente. No último dia, domingo foi tomar o pequeno almoço rápido e ir para a Caldeira Velha para conseguir aproveitar o pouco tempo que tínhamos. Por falar em tempo, mas noutro tempo, nessa manhã chovia a potes, quando chegámos à Caldeira foi tentar trocar de roupa rápido para mantermos as nossas roupas secas e ir para as banheiras de água quente. A experiencia de estar na água quente e a chover imenso foi muito gira, a Clara estava a achar imensa piada. Quando foi para ir embora, outra guerra para voltar a vestir sem ficarmos todos molhados, voltar rapidamente ao hotel e arrumar as coisas para sairmos. Por fim como ainda nos restava algum tempo antes de ir para o avião fomos visitar as plantações de ananases, primeiro fomos às de Santo António e depois fomos às Augusto Arruda. Foi interessante perceber a história das plantações e como é feito a plantação do ananás, e perceber os incríveis 2 anos necessários para um ananás estar pronto a ser colhido.


Mais uma viagem curta em tempo, mas muito enriquecedora e divertida. Infelizmente a Clara quando for grande não se vai lembrar das coisas, mas ela tem aproveitado muito estas viagens curtas conosco, tem visto e aproveitado muitas experiências diferentes. 




sexta-feira, novembro 07, 2025

Viagem atribulada

A ideia era aproveitar um fim de semana prolongado, sair a uma 4ª feira à noite e voltar no domingo à noite, destino, Edimburgo, um dos destinos que tinha muita curiosidade em conhecer. Uma das coisas que nem costumamos fazer é planear o que fazer no destino, e desta vez até isso fizemos, tínhamos uma lista de sítios a visitar e tempo que demorávamos a fazê-lo. Voo por volta das 20h30m, chegar ao aeroporto por volta das 18h, mais do que tempo para passar o controlo, ainda para mais só com malas de cabine. E ali estávamos nós à espera para entrar no avião, eu, a Liliana e a Clara, mas como tínhamos bilhetes de staff teríamos de ficar para o fim. Problema, o avião estava em overbooking...quando chegamos para entrar o avião estava cheio e qual foi a solução, podem ir mas nos jump seat, a Clara não pode ir ou então só vai um de vocês. Vá lá, tentem outra vez, agora com uma solução realista. Ainda tentei propor que se algum outro passageiro não se importasse de trocar com um de nós para a Clara poder ir sentada ao colo de um de nós, ou no extremo se outro passageiro pudesse levar a Clara ao colo na descolagem e na aterragem de modo a irmos todos, mas nada nos foi permitido.

Tentámos logo arranjar outra solução como algum voo com escala que nos possibilitasse chegar durante o dia seguinte, mas tudo estava já overbooking por isso essa não seria a solução. Ainda remarquei o voo para o dia seguinte mas a partir de Faro, no entanto quando chegamos a casa começamos a fazer contas, e se o comboio não se atrasasse tínhamos só 1h30m para apanhar o avião, e o mais provável era atrasar o comboio. 

Foi aí que a Liliana teve outra ideia, temos estes 4 dias que íamos aproveitar, para Edimburgo não vai dar que tal tentarmos os Açores, São Miguel, isto por volta das 22h. Ver se à disponibilidade de voo, preço do hotel, aluguer de carro...tudo acabava por ficar mais barato inclusive que ir para Edimburgo. Marcar tudo à pressa pois o voo era às 6h e rezar para que desta vez tudo corresse bem. Poucas horas de sono e lá voltamos ao aeroporto. Estamos a passar o controlo e desta vez decidiram embirrar com o meu desodorizante, que tinha passado sem problema umas horas antes, sim a embalagem era de 150ml superior a 100ml permitidos, mas estava praticamente vazia. Este detalhe pode parecer irrelevante, mas mais à frente vai fazer sentido. 

Bem desta vez o voo foi limpinho, tinham muitos lugares vazios e até deu para irmos um ao lado do outro. Mas esta viagem estava condenada a ter contratempos e estava para continuar. Chegamos a São Miguel e chovia torrencialmente, íamos para Edimburgo sem chuva e agora em São Miguel chovia copiosamente. Dirigimo-nos para a rent a car, creio que por volta das 8h30m, muito cansados aquela hora da manhã e ainda para mais com a Clara que não parava. Nessa altura pediram-nos uma caução de 2800€!!! Só um dos nossos cartões de crédito possibilitava esse valor que era da Liliana. Apesar do saldo ser inferior pagámos de modo a ter saldo, voltamos ao balcão. A reserva estava em meu nome  e o cartão no nome da Liliana, não era possível...grrrrrrr...estavam mesmo a querer irritar-me. Além disso como a reserva tinha sido feito à pressa tinha-me enganado nas horas, só podia levantar o carro às 11h30m e pior que isso, no dia que viríamos embora queria entregar o carro só às 17h porque o avião era às 20h e a entrega estava para as 11h30m. Pedi para estender por umas horas e por essa extensão pediram-me o dobro do dinheiro que iría pagar pelos 4 dias de aluguer. Estava tão danado com o complicar de tudo que me borrifei para eles e marquei um aluguer com outra empresa, que acabei por pagar ainda menos do que iria pagar ali.

Lá nos foram buscar ao aeroporto e recolhemos o carro sem qualquer problema. Aproveitámos estar perto de um centro comercial e fomos comprar desodorizantes para mim e para a Liliana. Como só andávamos com a mochila da Clara, colocámos os desodorizantes na mochila para ser mais fácil. O resto do dia aproveitámos para passear e até correu bastante bem, voltando ainda cedo para o hotel pois estávamos muito cansados e precisávamos por as horas de sono em dia para aproveitar o resto da estadia.

No dia seguinte acordamos e eu tinha deixado a mochila da Clara no carro, então fui até ao carro buscar os desodorizantes. Abro a bagageira do carro e a mochila da Clara esta toda aberta com as coisas espalhadas no porta bagagem. Liguei à Liliana a perguntar se tinha sido ela a fazer aquele lindo serviço, ao que ela me respondeu que não. Começo à procura dos desodorizantes e não estavam lá, provavelmente tinha deixado o carro aberto durante a noite, com o cansaço não o devo ter fechado, e tinham assaltado o carro. Felizmente as carteiras, chaves, documentos tudo tinha ido conosco, o que me lembrei logo foi como voltaria se ficasse sem cartão do cidadão. Ao princípio nem fiquei nada chateado, 2 desodorizantes e 2 frascos pequenos de creme da Clara, estávamos a falar de 10€, não era nada significativo. Mas depois a Liliana lembrou-se do meu casaco que eu tinha deixado no porta bagagens, bolas, além de ter sido a prenda que ela me tinha dado no natal, o valor monetário do casaco e provavelmente ainda me ia fazer falta durante a estadia. O resto da estadia até correu bem, mas todas estas coisas foram demasiado atribuladas e provocaram um nervosismo totalmente desnecessário a umas férias que por definição é um período de relaxamento.