quinta-feira, outubro 19, 2017

Adeus meu velho

A viagem até Vagos foi mesmo a última corrida do meu Opel Corsa, o meu velhinho deu as últimas, pelo menos nas minhas mãos. Com quase 20 anos e com 11 anos nas minhas mãos, o arranjo era tão caro que já não fazia sentido insistir em mantê-lo. Muitas viagens fez, muitas férias o utilizamos como burro de carga, até chegou a ir a Sevilha, sem dúvida que serviu o seu propósito.


A solução foi comprar um carro "novo". O conceito de novo é um bocado relativo, não queria gastar muito dinheiro por isso aproveitei uma boa oportunidade de negócio e comprei uma Passat 1 ano mais nova que o meu Corsa, em muito melhor estado. Ter uma carrinha até vai dar jeito para transportar coisas maiores, tipo a bicicleta, tipo compras do IKEA, tipo lenha para a lareira, etc. Que dure tantos anos nas minhas mãos como o meu velhinho é o que desejo.


terça-feira, setembro 05, 2017

Ironman 70.3 Cascais

Primeiro Half Ironman com a marca da Ironman realizado em Portugal, provavelmente o maior evento de triatlo alguma vez feito em Portugal. Quando me inscrevi há quase um ano atrás, era difícil prever a capacidade física com que chegaria a esta prova, de qualquer modo não queria faltar à primeira prova Ironman realizada em Portugal. Bem, dito isto, depois de ter feito o Ironman o ano passado nunca mais tinha feito 90km seguidos de bicicleta, tinha feito uma vez a meia maratona já em Fevereiro passado, já não nadava praticamente há um mês, uma semana antes da prova caí de bicicleta e fiquei com o ombro a doer-me, ainda tenho dificuldades a elevar o braço acima da cabeça, receita para o sofrimento sem dúvida. 

O dia começou bem cedo, às 5h30m levantei-me para colocar a bicicleta no parque de transições antes das 6h30m, como moro bastante perto da partida não tive de me levantar ainda mais cedo, mas a maior partes dos triatletas teve de madrugar bem mais cedo. Entrada na água por volta das 7h30m, pensei que me ia custar mais, mal fiz aquecimento porque a água estava fria, mas com a adrenalina da prova nem senti o frio da água, isso ou as dores no ombro esquerdo que foram uma constante ao longo de todo o percurso da natação. Gostei da saída da água por volta dos 600m de prova, apesar de ser mais um foco de desgaste e stress acho que para o público que está a ver é óptimo. Acho que até fiz um percurso direitinho, apontei bem às bóias, e mesmo assim fiz 2km em vez dos 1,9km oficiais. A saída da água foi talvez o maior erro da organização. Por acaso já tinha saído ali mas já não me lembrava como era, aquela rampa tem tantos limos agarrados ao cimento que é praticamente impossível manter-nos de pé, e senão fossem os voluntários da organização a ajudar-nos a sair da água acho que ainda hoje lá estava a patinar a tentar sair da água, devo lá ter estado mais de 1 minuto.

Na bicicleta tinha como objectivo fazer abaixo das 3h, ou seja, pelo menos fazer a 30km/h. Os primeiros quilómetros sabia que iam ser fáceis e a dureza ia começar a partir dos 50km de prova. Tentei ir confortável até começar as dificuldades, ia a uma velocidade de 32-33km/h, com imensa gente a passar por mim e eu com vontade de andar mais rápido, mas sabia que não me podia desgastar, tenho treinado muito pouco e ter uma quebra do final seria catastrófico. Também devido a andar a treinar pouco, por volta dos 40 quilómetros comecei a sentir algum desconforto com o selim, teria de aguentar mais um bocadinho porque quando chegasse às subidas já mudaria de posição. Quando estava a chegar a S. João do Estoril, já depois do retorno em Lisboa, passa por mim, muito lentamente um grupo de 5 triatletas que iam na conversa, nessa altura vejo a mota do árbitro no sentido contrário com ele a olhar para nós. Percebi logo que aquilo ia dar confusão, acelero logo para passar pelo grupo. Mesmo assim, passado menos de 1 minuto lá está a árbitro a mostrar-me o cartão azul, realmente o crime compensa, eu tento sempre ser super certinho e nunca andar na roda de ninguém, e critico quem o faz, e irrita-me ver os pelotões a passar por mim, e depois ainda sou penalizado. Se calhar a partir de agora vou ser mais esperto e aproveitar andar na roda, já que é para ser penalizado que seja com razão.

Quando começamos a subir em direcção a Alcabideche começo a ultrapassar imensas pessoas, não é que eu seja um bom trepador, mas não me tinha desgastado tanto, além disso as bicicletas de contra relógio com rodas fechadas e pedaleiras enormes são boas para o plano mas para subir a minha bicicleta é muito melhor. A passagem pelo autódromo do Estoril foi muito fixe, é um sobe e desce chato sim, mas compensou. A seguir à Lagoa Azul foi descer a toda a velocidade, conheço bem aquela estrada e foi encostar-me à esquerda e gritar para se desviarem cada vez passava por alguém. A subida para a Pedra Amarela era ver o pessoal apeado a subir com a bicicleta à mão, e a sorte de muita gente foi a subida acabar ali e não continuarmos a subida para depois para descer a Malveira, senão muita gente teria perdido ali minutos preciosos.

Quando começámos a descer da Malveira para o Guincho ainda apanhei um susto, normalmente não vou na faixa da esquerda a descer porque iria em contra mão, mas na prova podia ir na esquerda, por isso não sabia da existência de uma raiz que fazia uma lomba no alcatrão, quando passo por cima dela a mais de 50km/h. Ainda dei um saltinho valente, aguentei o impacto porque não ia com as mãos nos extensores e lá segui caminho. A estrada do Guincho foi feita a uma boa velocidade, o vento estava forte e pelas costas. Antes da transição ainda parei na penalty box 5 minutos por causa do cartão azul e não fosse isso teria acabado o segmento de ciclismo praticamente com 3h que era o meu objectivo, bem, pelo menos deu para descansar um bocadinho o joelho esquerdo que já me vinha a doer desde a subida para a Pedra Amarela, e que depois só me voltou a doer já na última volta da corrida.


Na corrida comecei soltinho, sentia-me bem e ver a minha família e os meus amigos a apoiarem-me sem dúvida que era um reforço para me esforçar mais. O calor já era muito nesta altura o que começou a dificultar as coisas, e por volta do quilómetro 3 na subida do Estoril veio-me vómito à boca. Tive de acalmar um bocadinho o ritmo, não queria vomitar porque iria desidratar muito mais rápido. Nunca me tinha acontecido, aliás o meu estômago é tão bom que nem me costumo preocupar em experimentar barras e geis novos, esta foi a primeira vez e acho que foi devido às barras da gold nutrition que comi durante o ciclismo, não tinha gostado particularmente do sabor e sempre que me vinha refluxo à boca era o sabor desagradável das barras que sentia. Decidi manter as coisas simples, até ao fim só consumi bananas, coca-cola e água. No final da primeira volta vejo o meu filho, aquilo valeu mais que 10 barras energéticas, foi uma autentica injecção de energia. Além disso o resto da família e os amigos continuavam lá, a gritar, a puxar foi verdadeiramente importante a presença de todos.

Já quando faltavam menos de 6 quilómetros para o fim começa-me a doer mais o joelho esquerdo novamente, e se calhar devido a estar a proteger o joelho, o tornozelo direito também me começou a doer bastante. Até ao final foi um grande sacrifício, queria acabar o segmento abaixo das 2 horas para não ser tão desonroso. No final lá estava a minha família outra vez a gritar por mim, foi bom ver o portico do Ironman, nada que se compare à sensação que tive em Barcelona, mas aquele tapete vermelho com as bancadas dos dois lados é qualquer coisa de especial. O tempo final não foi nada de especial mas tendo em consideração a falta de preparação, não poderia ter pedido melhor.



quarta-feira, agosto 30, 2017

Barragem de Lindoso

Uma das coisas que mais marcou as minhas férias deste ano foi a visita à barragem de Lindoso ou como é mais correcto, barragem do Alto-Lindoso. Esta barragem é uma das maiores e mais importantes do país. Tive o prazer de conhecer um dos responsáveis pela barragem e ter uma visita guiada pelo próprio, super detalhada em que aprendi imensas coisas que não fazia ideia sobre uma barragem, e muito mais teria aproveitado se os meus conhecimentos de electrónica estivessem mais frescos. Uma coisa que não sei,
é como qualquer pessoa consegue uma visita à barragem, eu tive a sorte de ter um amigo que já tinha trabalhado na barragem e conhecia o responsável, e assim consegui a visita.

O que não fazia ideia é que a barragem é simplesmente um muro de betão, o verdadeiro coração, o centro de operações, está todo ainda distanciado da barragem. A barragem não armazena energia simplesmente produz, transforma e envia para a rede, algo que também não fazia ideia. O elevador com mais de 300 metros que demora apenas cerca de 90 segundos a fazer todo o percurso é dos elevadores mais rápidos do mundo. A barragem demorou 10 anos a ser construída, acabando a construção em 1992 e apesar de já ter 25 anos, ainda continua a ser uma maravilha da engenharia e em muitas coisas deixou-me de queixo caído. E quando eu pensava que pelo menos meia centena de pessoas era necessário para suportar toda a operação, espanto-me, são apenas necessárias 10 pessoas, e havendo turnos, posso concluir que deverão estar 4-5 pessoas no máximo de cada vez a suportar toda aquela operação que produz a maior parte da electricidade do país.

sexta-feira, agosto 18, 2017

Vagos Metal Fest 2017

Começando pelo início, e pelo menos agradável, a viagem até Vagos começou logo mal, acho que foi desta que o meu Opel Corsa deu o berro, ali a chegar a Santarém olho para o painel e a temperatura estava no máximo. Paro para arrefecer o motor debaixo daquele sol tórrido das 13 horas no Ribatejo, e passados 10 minutos tento retomar viagem até à próxima estação de serviço para ver o que se passava. Pois é, mas a idade não perdoa, e com os seus quase 20 anos não lhe apeteceu arrancar novamente. Chamar reboque, telefonar à minha irmã para me emprestar o carro dela, levar o carro para a oficina e arrancar novamente já eram 16h, hora que começavam os concertos. Cheguei a Vagos já por volta das 17h30m, só perdi 2 concertos e nenhuma das bandas que perdi tinha sido uma das que queria mesmo ver.

Ia ver os 2 primeiros dias do festival, o primeiro na companhia do meu colega Arthur, o segundo sozinho mas acabei por encontrar uns amigos por lá, como foi o caso do Marco que já não via há alguns anos e foi porreiro rever. No 3º dia gostava de ter visto Hammerfall, mas acho que eles voltarão cá, por isso terei oportunidade no futuro de os ver, e também não me apetecia passar mais um dia a ver concertos sozinho só para ver uma banda.

O primeiro concerto dos que queria ver era o que tinha mais expectativas, os Rhapsody, provavelmente na sua última tour (o nome da tour é farewell tour) não podia perder a oportunidade de ainda ver uma das bandas que mais me ensinou a gostar de metal.  Foi sem dúvida um concerto nostálgico, com músicas que oiço desde os tempos que comecei a gostar deste género musical. O vocalista num óptimo português sempre com uma comunicação muito amável com o público, deu  um toque extra a um concerto que só por si valeu o bilhete deste dia. Houve uma dada altura que me cheguei a interrogar se era um playback que estava a cantar, mas não, simplesmente o vocalista mudou o registo vocal nessa música, e que grande voz que ele tem parecia o seu compatriota Pavarotti.


De seguida Arch Enemy. Não era uma banda que eu tivesse especial expectativa, nem que goste particularmente do subgénero mas foi um bom concerto. Se há sexyness numa mulher a cantar guturais a Alissa White-Gluz representa-o. Muito melhor do que estava à espera e a música com que abriram o concerto, a The World is Yours do novo album, foi um dos momentos mais interessantes do concerto. Além disso também gostei da actuação do guitarrista Jeff Loomis, pareceu-me bastante bom tecnicamente e com uma boa presença em palco.


Para acabar o primeiro dia, o concerto que mais me desiludiu dentro dos que mais esperava. Não é que tenha sido mau, mas a apresentação dos Therion não foi nada de especial, talvez pela setlist não ser do meu agrado, talvez por já estar demasiado cansado para apreciar o concerto, não sei, mas teria ficado desiludido se tivesse ido para os ver.

No segundo dia fui surpreendido por uma banda portuguesa que não conhecia, os Hills Have Eyes. Não gosto muito daquele american headbang misturado com guturais, mas até funcionam muito bem no final, ao ponto de ter visto o concerto todo com bastante atenção e depois de andar pelo youtube à procura de músicas para conseguir perceber melhor o estilo deles. A mensagem do vocalista foi muito inteligente e concordo profundamente, quem gosta de metal não deve criticar ou assobiar subgéneros que não gosta, se não gosta não ouve mas não precisa de deitar abaixo. Por falar em mensagens não me posso esquecer da última frase do vocalista da banda que tocou antes: "We are Brutality Will Prevail...peace", épico.

A única banda que já tinha visto ao vivo deste festival era os Korpiklaani. Apesar de não perceber pevas do que dizem porque cantam em finlandês, o concerto é sempre uma animação, toda a gente aos saltinhos, a balançar-se de um lado para o outro, a dançar como se trata-se de folclore português, mais uma vez um concerto super divertido. Momento alto da actuação mais uma vez a música Vodka, tal como a primeira vez que os vi. Devo confessar que sou um fã daquele acordeão e especialmente do violino, dão uma sonoridade ímpar.


De seguida ainda tocaram os Soulfly, confesso que não sabia nada desta banda apesar de serem os cabeça de cartaz do dia e haver conversas por todo o lado sobre a grande expectativa de os ver. Mal começaram a tocar percebi porque nunca tinham passado no meu radar, lá está quem não gosta de um subgénero não precisa de dizer mal, por isso decidi afastar-me da confusão e do barulho e fui-me deitar para o relvado, e tentar aliviar a dor de costas que já tinha a algum tempo e me estava a matar. Vi o concerto pelos ecrans e foi o suficiente. Aguentar este concerto foi duro, Vagos tem uma particularidade climática, de dia só se consegue estar à sombra temperaturas a rondar os 40º, assim que cai a noite temperaturas de 10º, esta espectacular amplitude de temperatura é extremamente desagradável quando os concertos começam às 16h e acabam lá para as 3h.

A espera valeu a pena, não estava assim muito confiante no concerto de Powerwolf porque não tinha gostado muito dos concertos que tinha visto no youtube, mas ainda bem que me enganei. A banda que mais gostava deste festival deu para mim o melhor concerto do festival. Sempre muito comunicativos com o público, tocaram as melhores músicas, deram show, foi mesmo muito bom. Gostei bastante do teclas, geralmente são dos músicos que se dá menos por eles, mas neste caso era tão ou mais importante que o vocalista no que toca a interacção e animação com o público. Uma nota final, foi a primeira vez que não vi encores, percebo que seja importante manter o horário dos concertos, mas nem as bandas principais fazerem encores, é um bocado redutor, ainda para mais quando em alguns casos até houve bastante tempo para desmontar e montar o palco para a banda seguinte. Fim dos concertos, 2h30m da manhã era horas de voltar a casa, umas centenas de quilómetros a conduzir depois de muito cansaço não foi pêra fácil.


segunda-feira, julho 24, 2017

O Tour mais monótono que vi

Equilíbrio não é sinónimo de competitividade, este Tour foi o mais chato, aborrecido e previsível que alguma vez vi (e vejo o Tour desde a última vitória do Indurain), numa altura que as outras 2 grandes voltas têm ganho destaque nos últimos anos, foi uma má propaganda para La Grand Boucle.

Comecemos pela escolha do percurso, um percurso pouco exigente com imensas chegadas para sprinters que nada mudam a classificação final da camisola amarela. Já nem falo nas poucas chegadas em alto, porque vejo que em algumas situações se conseguem fazer algumas diferenças em descida, por isso não me choca ter várias etapas que acabam em descida. Mas falo na falta dos grandes muros como o Mont Ventoux ou o incontornável Alpe d'Huez, volta a França sem Alpe d'Huez para mim, começa logo com nota negativa. E a comprovar a falta de dificuldades deste ano o número reduzido de ciclistas que não terminaram, só 31 ciclistas não conseguiram terminar, e a maioria devido a quedas e não por terem chegado fora de controlo ou terem desistido pelas dificuldades.


Outro ponto que me fez bastante comichão foi a falta de contra relógios, apenas um prólogo e um mini contra relógio, pouco maior que um prólogo de 22,5km. Pelo menos um contra relógio de equipa ou um contra relógio maior para contra relogistas. E agora é a minha teoria da conspiração, dado que desde de 1985 que não ganha um francês não dava jeito ter pouco contra relógio que penaliza imenso os 2 franceses que à partida poderiam lutar pela camisola amarela, o Romain Bardet e o Thibaut Pinot e são péssimos contra relogistas?

Agora vamos a incidências da corrida que a tornaram mais pobre e menos interessante. Logo à 4ªetapa, o que para mim é o ciclista mais completo da actualidade, foi expulso da corrida, e diga-se que bem expulso, de uma assentada tanto o Peter Sagan que foi expulso como o Mark Cavendish devido a queda saíram da corrida. Mas a 9ª etapa foi aquela que talvez tenha contribuído mais para o desfecho do resto do Tour. Nesta etapa devido a queda, o Richie Porte é obrigado a abandonar, e se nunca achei que fosse corredor para rivalizar com Froome numa prova de 3 semanas, este ano tinha claramente elevado a fasquia e estava numa forma que era o único que achava que podia contrariar o favoritismo do Froome. Além disso o Richie Porte é um óptimo contra relogista, ou seja, o Froome não poderia ter feito a gestão de corrida que fez, pois a ideia do Froome foi sempre chegar todas as etapas com os restantes, não se preocupando em atacar para ganhar tempo, pois sabia que no último contra relógio facilmente ganharia tempo a toda a gente, com o Porte em prova teria de se preocupar em ganhar-lhe algum tempo antes do contra relógio final.

A verdade é que Froome ganhou o seu 4º Tour sem ter ganho nenhuma etapa, aliás o melhor que conseguiu foi 3º lugar em etapa, não é que seja inédito um vencedor final não ganhar uma etapa, mas é pouco comum e sintomático do calculismo e pouca coragem para atacar. Ao 2º dia de descanso e depois de já haver 2 semanas de prova a diferença entre o 1º e o 10º da classificação geral era de pouco mais de 6 minutos, houve anos em que a diferença entre o 1º e o 2º era maior, e porquê? Porque toda a gente atacava, tentava pelo menos, e alguns saíam queimados no processo, mas havia espectáculo. Em relação aos 2 restantes elementos que completaram o pódio final, Rigoberto Uran, nunca tentou ganhar o Tour, tentou sempre ser o melhor dos restantes, só queria seguir com o Froome, e o Romain Bardet parecia o único com capacidade de descartar o Froome nas subida mas faltou-lhe coragem de atacar, e só atacou no final para ganhar etapas ou quando o Froome teve problemas mecânicos, quase perdia o pódio final e teria sido merecido por não ter aproveitado as oportunidades que teve de atacar e dar espectáculo. Só uma nota fora dos que ficaram no pódio, o Nairo Quintana esteve mesmo presente neste Tour ou aquilo era um sócia dele?

Mas nem tudo foi mau, vamos a menções honrosas. Alberto Contador, arredado muito cedo da luta pela classificação geral não baixou os braços, atacou, atacou, atacou, tentou ganhar, deu espectáculo, melhor momento do Tour deste ano na etapa 13 quando desfez a corrida, levou gente importante com ele e pôs todos os que lutavam pela classificação geral em alerta. Warren Barguil, venceu a camisola de rei da montanha e fartou-se de trabalhar para isso, atacou como poucos e no final foi considerado o mais combativo da volta a França, para mim foi o Contador, mas aceito esta nomeação, já se sabe que esta classificação quando está equilibrada entre um francês e outro qualquer, cai sempre para o lado do francês. Fábio Aru, atacou na primeira semana enquanto teve pernas depois eclipsou-se. Daniel Martin, também foi dos poucos a tentar agitar as coisas, teve alguns azares, como ter ficado afectado na queda do Richie Porte e ter ficado cortado noutra etapa devido a uma queda no pelotão, não fosse isso talvez até pudesse ter ficado no pódio. E por fim, e não lhe estou a fazer nenhum favor por ser português, mas o Tiago Machado apesar do pouco reconhecimento que tem este tipo de trabalho, fartou-se de puxar pelo pelotão durante vários dias e durante imensos quilómetros, um trabalho dificílimo e duríssimo, que infelizmente para ele no final não teve nenhum retorno, pois o seu sprinter nunca esteve sequer perto de conseguir corresponder.

sexta-feira, julho 21, 2017

Triatlo de Oeiras 2017

Este é daqueles triatlos que tento não faltar, estou a jogar em casa, onde treino imensas vezes, conheço o percurso, conheço as manhas e geralmente é uma prova que me corre bem. Não sei quem teve a brilhante ideia, mas tenho de lhe tirar o chapéu, este ano mudaram a ordem das provas sendo que a prova aberta foi depois da prova principal, ou seja às 9h e pouco estava a começar a minha prova, o que significa fazer a prova toda com uma óptima temperatura e por volta das 11h já estar em casa, em vez de perder uma manhã toda como era habitual.


Depois de ter feito o aquecimento da natação e ter nadado até à primeira bóia apercebi-me do que costuma acontecer, uma fortíssima corrente quase a chegar à bóia, sabia que teria de apontar bastante mais para a esquerda e esperar que a corrente me levasse até à bóia, em vez de andar a nadar contra a corrente. As mulheres saíram primeiro e toda a gente da areia se começa a aperceber do que já sabia, então começa tudo a ir para a esquerda para começar o mais à esquerda possível. Mesmo assim a natação não foi muito confusa, ao contrário do que estava à espera, pela imensa quantidade de triatletas inscritos. Consegui fazer uma natação mais ao menos tranquila e saí bem, só demorei mais 20 segundos que no ano passado, quando estava mega treinado para o Ironman, a diferença foi que este ano a minha trajectória foi melhor e fiz menos 100 metros que o ano passado.

Durante a transição apercebi-me estavam ali 2-3 colegas de equipa que iríamos sair mais ou menos ao mesmo tempo, comecei logo a incentivar para que saíssemos todos juntos e formássemos um grupo para ser mais fácil o ciclismo. Mal começa o ciclismo vem um atleta muita grande e passa por mim, aproveito-me para colar a ele para me abrigar e começar a ganhar ritmo. Na primeira subida logo a seguir à praia de Oeiras, ele pela sua fisionomia é normal que começasse a vacilar, e é nessa altura que começam a chegar os meus colegas e mais uma data de ciclistas, formámos um óptimo grupo de 25-30 ciclistas que rodávamos sempre a rondar os 40km/h.

Nesta altura é fácil rodar no meio do grupo, apesar de ser super stressante por causa dos toques e quedas. Nestas alturas, pela minha experiência, tento sempre estar bem colocado nos 5-6 primeiros, evito passar pela frente porque sei que sou um mau ciclista, e se for para a frente o que me acontece é mais tarde ou mais cedo deixo de conseguir acompanhar o grupo, mas tento sempre ir concentrado e bem colocado para evitar especialmente quedas, mas também algum corte que se faça devido a algum esticão.

Na subida para o Alto da Boa Viagem oiço atrás de mim uma mudança a ser posta a martelo e depois uma bicicleta a ir ao chão. No meio da confusão nem consegui olhar para trás porque podia também tocar em alguém e cair, mas esperei que não fosse ninguém da minha equipa. Depois fiquei a saber por um colega meu, que ficou lá a ajudar, que quem caiu tocou no passeio depois da corrente ter saltado fora. Já depois do retorno apanhei o grupo do Clélio, o meu grupo estava a andar bem e fomos absorvendo outros elementos de grupos que estavam à nossa frente. Na descida do Alto da Boa Viagem mais uma queda, desta vez na cabeça do grupo, a minha sorte foi que como tinha descaído um bocado no grupo e estava a recuperar posições rolando do lado esquerdo da estrada, consegui evitar com alguma facilidade a bicicleta caída. Consegui acabar o segmento de ciclismo ainda não demasiado amassado, fiz só mais 1m30s que no ano passado, por isso para mim foi óptimo.

Na corrida comecei ali a correr a rondar os 4min/km, o que depois de tudo não era mau. O Clélio estava uns 10-15 metros à minha frente e ia tentar apanhá-lo. Até ao retorno fui-me aproximando gradualmente dele, mas quando começamos a descer e quando eu já conseguia cheirar o suor dele, ele parece que ganha nova vida e aumenta imenso o ritmo, eu olhava para o meu relógio e continuava ao mesmo ritmo, tinha sido ele a aumentar. Depois disto devo dizer que comecei a controlar mais o sacrifício que estava a fazer, ninguém atrás de mim se aproximava e eu também só tinha um triatleta à minha frente mais ao menos ao mesmo ritmo que eu. Mais uma vez aproveitei a minha boa ponta final para nos últimos 200 metros ganhar mais um lugarzinho. Aqui é que vi a diferença de forma para o ano anterior, em 5kms fiz mais 2m30s, e este ano não fiz propriamente um mau tempo, bem pelo contrário, o ano passado é que estava numa forma soberba. Acabei no lugar 140 entre 414 triatletas

domingo, junho 18, 2017

Triatlo de Peniche 2017

Bem sei que já foi há uma semana, mas apesar dos feriados desta semana foi uma semana atribulada e não tive tempo para escrever sobre o assunto. O triatlo de Peniche é uma das provas que não costumo falhar, e este ano mais uma vez,o dia de Portugal foi passado em Peniche. Num dia muito quente ainda bem que a prova começou só às 16 horas. 


O segmento de natação foi bastante atribulado até à primeira bóia, apesar de a partida ser larga e a primeira bóia estar distante, o que são condições ideais para diminuir a confusão, até 50-100 metros após a primeira bóia senti que estava sempre mais preocupado em não levar cacetada do que em nadar tecnicamente correcto. O restante segmento até foi mais ou menos tranquilo, não é que tenha feito uma natação soberba, mas cumpri perfeitamente. Quando cheguei ao parque de transições estavam lá diversos elementos da minha equipa, consegui ser rápido e inclusivamente sair primeiro que eles.

No início do ciclismo formou-se um grupo a 10 metros de mim, bem tentei agarrar-me mas não consegui, não estou com treino suficiente e o segmento de ciclismo é o primeiro a ressentir-se. Mas nem tudo foi mau, o Nuno Felício que eu tinha ultrapassado na transição chegou ao pé de mim, e começámos um trabalho de equipa que durou as 2 primeiras voltas. Quando começou a terceira volta um grupo de 5 elementos chegou ao pé de nós, em que dois deles também eram da nossa equipa. Aquilo acelerou e consegui resistir na parte mais dura agarrado aos meus colegas. Mas quando faltavam cerca de 3 quilómetros para o fim do segmento, um dos meus colegas foi para a frente do grupo e começou a puxar, eu estava já bastante cansado, com a pulsação lá em cima e não consegui aguentar. O que me chateia é que foi um colega de equipa o causador da minha quebra, mas sabia que faltava pouco para o final, e que senão perdesse mais de 20-30 segundos talvez recuperasse na transição e depois conseguisse tentar seguir com o Felício na corrida, pois ele é um óptimo corredor.


Quando cheguei ao parque ainda lá estavam todos, apreço-me com uma mão a pousar a bicicleta e com a outra a soltar a fivela do capacete, começo-me a calçar quando vem um árbitro ter comigo - "Estás penalizado não podes seguir." - e nisto vejo o Felício a começar a sair - Pergunto porquê incrédulo - "Porque desapertas-te o capacete antes de pousar a bicicleta o que dá uma penalização de 10 segundos, é só aguentares mais um bocadinho e assim não tens de parar depois na box de penalização."  - Verdade?!?!? Deve ter recorrido a slow motion para confirmar que a mão que largou a bicicleta o fez uns milésimos de segundo depois da mão que desapertou o capacete. Que preciosismo ainda para mais quando estamos a falar de alguém que fica do meio da tabela para trás e não está ali a discutir nada, e ainda me diz aquilo como se me tivesse a fazer um favor de não me mandar parar na box.

Saí do parque em brasa, tinha sido forçado a descansar e estava irritado com a situação. Vi o Felício a mais de 100 metros de mim, ele é um corredor melhor do que eu, tinha perdido a boleia e perdido a esperança de o alcançar, ia tentar fazer o melhor possível. Fui passando vários corredores quando vem um corredor de trás a correr um pouco mais que eu, era a boleia que precisava. Fomos ali a correr a rondar os 4min/km e quando dou por isso, já depois do primeiro retorno estávamos a alcançar o Felício. Dei-lhe uma pancadinha para lhe fazer sinal para ele seguir connosco. Ele não conseguiu aumentar o ritmo na altura, mas quando acabo a primeira volta e fiquei sem a minha boleia porque o atleta que estava a fazer de lebre para mim já ia na segunda volta, apercebo-me que o Felício estava só a 40-50 metros de mim. A segunda volta não foi tão rápida mas mesmo assim foi a um ritmo bastante durinho, e o melhor estava guardado para o fim. 


Quando estava praí a 300 metros da meta, naquela pequena inclinação final, vejo um dos meus colegas de equipa que estava no grupo da bicicleta apenas a uns metros à frente. A estratégia seria aproximar-me discretamente dele para nos 50 metros finais dar a estocada que costumo dar e no sprint final passar para a frente. Mas nisto oiço alguém de fora a gritar - "Força Felício!" - bolas, ele tinha recuperado e estava em cima de mim a tentar aplicar a mesma estratégia que eu. Bem, o sprint tinha de começar mais cedo do que gosto, e não gosto de ser eu a rebocar o sprint, mas desta vez tinha de ser. Passo pelo meu outro colega de equipa com o Felício e ele também não se ficou, 3 gajos da mesma equipa ali a correr desalmadamente como se tivéssemos começado ali a prova. Quando estou a 5-10 metros da meta olho por cima do ombro e vejo que estão mesmo colados a mim, estupidamente porque provavelmente não precisaria, alarguei as últimas passada e inclinei-me para a frente, entrei em desequilíbrio, e instintivamente sabia que ia cair mas que o tinha de fazer já depois da meta. E caí, fiquei com a linha de meta na zona dos joelhos e vejo os dois já do chão a passarem por mim, riu-me porque tinha chegado à frente. Quando o Felício me vem ajudar a levantar e levanto o joelho para me começar a levantar oiço um "pi-pi", bolas o chip estava no tornozelo e só nessa altura deu que tinha cortado a meta, esforço inglório, porque como era óbvio ninguém ia validar se os resultados dados pelo chip estavam correctos quando estamos a falar do meio tabela para trás. E nisto ainda vem outro árbitro que quando pensei que vinha perguntar se estava tudo bem o que diz é algo como - "Têm de sair rapidamente daí porque estão mesmo a seguir à meta e podem estorvar quem está a chegar." - nem tinha forças para o mandar pastar senão teria-o feito, eu não estava no chão porque queria. Ah, e depois para acabar em beleza o capítulo "Árbitros idiotas", o mesmo árbitro que me penalizou com os 10 segundos estava à entrada do parque quando íamos retirar as bicicletas, e como ainda deve viver na época da velha senhora, estava a obrigar todos nós a vestir a parte de cima do equipamento porque como nem estava calor nenhum, os regulamentos não permitem entrar no parque em tronco nu. Claro que todos nós vestíamos a parte de cima e passado 5 metros estávamos a tirar. Parecia aquela regra do futebol que diz que os jogadores têm de ter a camisa dentro dos calções, mas mal entram em campo depois de uma substituição tiram a camisola para fora.

terça-feira, maio 30, 2017

Final do Jamor

Já há alguns anos que gostava de ir ver uma final da Taça de Portugal, no mítico estádio do Jamor, este ano finalmente consegui conciliar o Benfica na final, e mais difícil, arranjar bilhete para o jogo. Fui de transportes para evitar a confusão e mal saio do comboio começa a chover, uma chuvinha passageira pensei eu, as finais do Jamor são conhecidas pelo calor tórrido e não por chuva, nao me lembro de nenhuma final com chuva. Fui andando para o estádio, sempre com uma chuva chatinha e a começar a preparar-me psicologicamente para o que aí vinha, apanhar chuva durante as 2 horas seguintes. Pelo caminho paragem obrigatória pelas roulotes para a bela da bifaninha e da imperial.

A entrada no estádio foi mas melhores coisas do jogo, uma moldura humana esplêndida, a metade do lado esquerdo pintada de branco com os adeptos do Guimarães, a parte direita pintada de vermelho com os adeptos do Benfica. Com alguma confusão lá encontrei o meu lugar, no meio de lama, sujidade e água, não é que me importasse, mas os lugares estavam tão sujos que ninguém se sentou, vimos o jogo todo em pé. E aquela cerimónia de abertura...que grande seca, aquilo não teve nada de especial, nada a ver com futebol, ainda por cima estado à chuva queríamos é que o jogo começasse.


O estádio é bonito sim, tem mística sim, mas para ver futebol não vale nada, péssimo mesmo, a bola na baliza contrária e não se via nada. Além disso estou mal acostumado ao estádio do Glorioso, confortável, mesmo que chova tem as bancadas cobertas, ali foi levar com chuva durante toda a partida. Ainda por cima fiquei junto com as claques, as claques são importantes para fazer barulho, cantar e puxar pela equipa, mas eu não quero estar no meio de um território de guerrilha. Com tochas a voar por cima da cabeça, com petardos a rebentar a meia dúzia de metros e a ficar com os ouvidos a zumbir, e a cereja no topo do bolo, ao intervalo como estava a chover e o pessoal devia estar com frio, decidiram andar à batatada nas escadas, com uma dezena de animais, todos adeptos do Benfica, a exibir a sua masculinidade (e as suas frustrações) com pontapés murros e ameaças de morte.



Fim da primeira parte, com o resultado ainda em 0-0 num jogo muito pouco interessante, com chuva constante e a aumentar de intensidade durante o intervalo, o que se ouvia era que ninguém queria que o jogo chegasse a prolongamento, que o Benfica resolvesse aquilo rápido porque ninguém queria estar mais 30-40 minutos à chuva. Começa a 2ª parte, pára de chover, e o Benfica resolve o jogo com 2 golos quase de seguida. A perspectiva de jogo é tão má neste estádio que no primeiro golo, quando o Jimenez faz a recarga deu-me a sensação que a bola ir passar super por cima da baliza, viro-me para o lado e disparo um vernáculo, quando de repente tudo começa a saltar e a gritar, olho incrédulo e a bola estava lá dentro da baliza.

A chuva retoma e logo nessa altura o Benfica faz uma bela jogada que acaba com remate do Jonas à trave, estava visto, o Benfica só marcava golos enquanto não chovia. Até ao final grande festa na bancada, apesar do Guimarães ainda ter marcado um golo o Benfica esteve sempre mais perto de marcar o 3-1 que o Guimarães empatar o jogo. Adepto do Benfica é assim, tem de sofrer até ao apito final. Acabou o jogo e nem esperámos pela entrega da taça, molhados e com a chuva a não dar tréguas, só houve tempo para uma paragem rápida para mais uma bifana e passo acelerado até à estação. Chegámos à estação e pára de chover, obrigado S. Pedro por teres feito chover durante todo o tempo que estive no Jamor, exceptuando os 10 minutos iniciais da 2ª parte o que deu para o Benfica ganhar o jogo.

segunda-feira, maio 29, 2017

10km Corrida da Areia

Em primeiro lugar tenho de dar os parabéns aos organizadores desta prova, em homenagem à Analice, a prova passou-se a chamar Corrida da Areia - Analice Silva, mais do que merecido. Em relação à prova, este ano tenho andado a treinar menos e continuo algo limitado do joelho, por isso decidi fazer a prova dos 10km em vez da meia maratona. Sendo assim, o meu objectivo apesar de saber que era difícil, era conseguir fazer um TOP 10, algo que já não acontecia há muitos anos.

A corrida começou logo muito rápida, ali com médias a rondar os 3:40-4:00/km, isto na areia o que provocava um super desgaste. Rapidamente formou-se um grupo de 3 corredores mais à frente, outro isolado atrás desses e depois ia eu em 5º lugar. Aquele ritmo para mim durou pouco, já estava com o coração na boca, com vento de frente e na areia, não podia continuar naquele ritmo. Nisto passa por mim um corredor, vindo não sei de onde, a um ritmo estupidamente superior, passa por mim, passa pelo outro corredor que ia à minha frente e vai colar-se ao grupo de 3 que estava isolado lá a frente. Neste momento ia em 6º lugar, o que estava dentro do meu objectivo. 

Passado 1-2km chegam mais 2 corredores ao pé de mim, serrei os dentes e senti que tinha de ir com eles, estava a perder ritmo e ia sozinho com vento de frente, tinha de me abrigar e conseguir manter um ritmo constante. Com estes 2 corredores cheguei ao atleta que estava à nossa frente isolado, correr sozinho é sempre uma desvantagem, é sempre um desgaste extra, tanto é assim que passámos directo por ele, sem que ele conseguisse sequer seguir-nos. Foi nessa altura que um dos corredores que ia comigo acelerou o ritmo e deixou-me a mim e ao outro corredor para trás, nesta altura a situação de corrida era um grupo de 4 na frente, mais 1 intermédio, e depois ia eu e outro corredor num grupo.

Até à viragem foi um sofrimento para mim, apesar do ritmo não parecer muito alto 4:40/km, o vento de frente estava a matar-me, o meu coração não saia lá de cima. A situação de corrida foi-se mantendo assim, aliás a tendência era os da frente afastarem-se e os de trás cada vez a ficarem mais longe também. Depois da viragem, já com vento pelas costas, a coisa ficou mais fácil, o ritmo aumentou para 4:15-4:20/km mas sentia-me mais confortável, nesta altura ainda trocámos uma palavras. E assim fomos, sempre com ele a rebocar-me, eu só queria aguentar ali. Quando faltava 1 quilómetro para o fim já se via a meta, aliás, a meta já se via desde muito antes, é uma das características desta prova, como é em linha recta a meta parece que já está ali, mas ainda falta imenso para lá chegar. Ele acelerou e eu com a língua de fora lá segui com ele. Como me tinha rebocado a prova toda,  não estávamos a lutar pelo pódio e tinha o TOP 10 garantido, já tinha na minha mente que não o ia ultrapassar, seria um bocado ingrato da minha parte. De qualquer forma mesmo se quisesse não sei se conseguiria, o aumentar de ritmo neste último quilómetro tinha-me deixado no meu limite, tinha de ter sido muito frio e aguentar até os últimos 20-30 metros e aí aproveitar o pico final que costumo ter. No final um óptimo 7º lugar, o ritmo parece não ser muito elevado com 4m26s/km, mas o meu coração disse o contrário, andei em Z5 praticamente toda a corrida, muito sofrido e com sentimento de dever cumprido.



quarta-feira, maio 24, 2017

Travessia Bessone Bastos 2017

Esta travessia já começa a ser uma das provas no meu calendário anual, é ao pé de casa, é um momento de rever amigos, é uma prova rápida por ser a favor da corrente e ainda tem o brinde para quem acaba de uma sweatshirt de gorro, tudo isto por um valor de inscrição de 5€.


Este ano a temperatura do mar estava bastante agradável e sem a ondulação que muitas vezes se sente, além disso o tempo de Verão não poderia estar mais convidativo. Como sei que esta prova tem corrente tento sempre ir o mais para longe da margem possível, para aproveitar a corrente, tendo só cuidado para não falhar as bóias. Até à segunda bóia estive sempre na companhia do Amílcar, um dos muitos colegas de equipa que tive nesta prova.

À passagem da 2ª bóia fiquei um bocado preso atrás de outros nadadores e perdi o rasto ao Amílcar. Mais ou menos nesta altura também fiquei sem GPS, por isso perdi um bocado a noção de quanto me ia faltado para o final. Além disso também não consigo analisar agora se tomei uma boa opção a nível de trajectória, sei que me afastei da costa, foi propositado, agora não consigo analisar se compensou ou se me afastei demais ao ponto de fazer uma distância muito maior que mesmo indo mais rápido faria-me perder tempo no final. Já na recta final, dentro da marina de Oeiras, ultrapassei o Amílcar no photo finish, aproveitei a minha boa ponta final para já dentro da marina ultrapassar vários nadadores. Ao cortar a meta estava tão cansado que me esqueci de parar o relógio, apesar de ter olhado e ter 38 minutos e qualquer coisa, o tempo oficial de prova foi 39 minutos, mas eles só marcavam os tempos depois de termos cortado a meta e era tudo a olhómetro.