sexta-feira, novembro 16, 2018

Jornalismo de CUalidade

Hoje de manhã, quando chego ao escritório, um grande reboliço entre vários colegas sobre a reportagem de ontem da TVI sobre o IRA. Bem não conhecia a entrevista, nem conhecia o IRA, mas fui investigar. No mínimo a entrevista é manipulada, e qualquer bom jornalista não devia fazer a montagem que foi feita, porque é sensacionalista e deturpada. Agora vejam a entrevista TVI, tirem as ilações e façam um julgamento com base nessa entrevista. Depois vejam o segundo vídeo e digam o que pensam da entrevista. Ainda não consegui investigar o IRA, mas pelos vistos quem fez a entrevista também não, o que posso dizer é que há pessoas a dizer mal, mas também há muita gente a dizer bem.


segunda-feira, novembro 12, 2018

Sirenia Lisboa

De volta ao RCA Club, apesar do pequeno espaço gosto imenso do ambiente cavernoso/armazém, acho um espaço e ambiente ideal para o género de música que vamos ouvir. A primeira banda a actuar foram os Paratra, não conhecia, nunca tinha ouvido nada deles e só soube na altura quem eram. Pela sonoridade calculei logo que eram indianos, o facto de não terem baixo mas sim uma sitar, denunciava-os, e dá-lhes uma sonoridade muito única. Apesar da música ser algo básica, não foi uma má apresentação, o guitarrista "cheio de pinta", estava ali a curtir à grande e a tentar puxar pelo pouco público que lá estava. Foi bom para conhecer, mas não irá ser uma banda que irei seguir.


A segunda banda foram os Triosphere, que já os tinha ouvido há cerca de ano e meio, quando foram a primeira banda a tocar na digressão dos Sonata Artica (foram agora a segunda banda, subiram de relevância). Gostei mais deste concerto, a nível de músicas acho que estão com um melhor reportório, e essencialmente mais consistente. Além disso foi um concerto maior, com mais músicas, melhor para mostrar o que valem. Agora a voz da cantora é que me continua a irritar, no final de cada frase vai lá acima aos agudos, de forma descontrolada, em vibrato e aos gritos, não fosse essa mania as músicas funcionariam muito melhor, até eu noto que ela se está a mandar para fora de pé.


Quanto aos Sirenia devo dizer que ia com as expectativas baixas para o concerto, gosto mais das músicas mais antigas e não tanto do novo album, e como grande parte do concerto seria composto pelo novo album, não estava muito entusiasmado, mas como nunca os tinha visto ao vivo decidi ir na mesma. Ainda bem que fui porque foi um óptimo concerto, mesmo as músicas que à partida não gostaria tanto, ao vivo, funcionaram muito melhor, e a apresentação da banda em palco foi sempre muito empática e calorosa com o público. Eu já sabia que eles não estavam a tocar a música nesta tour, mas gostaria de ouvir a "Sirens of the seven seas", para mim a melhor música deles, pode ser que no futuro ainda tenha a oportunidade de a ouvir ao vivo.

Sirenia Setlist RCA Club, Lisbon, Portugal 2018, Arcane Astral Aeons

segunda-feira, novembro 05, 2018

Maratona do Porto

Há atletas que têm malapata com algumas provas, no meu caso a minha malapata é com a maratona, sempre que estou a preparar uma maratona acontece qualquer coisa para me dar cabo do resultado, ou são lesões, ou condições climatéricas adversas, ou percursos desadequados, ou simplesmente um mau dia da minha parte. Desta vez fracturei o cotovelo 5 semanas antes da prova, resultado, 2 semanas sem treinar de braço ao peito, retomo os treinos e faço 3 treinos numa semana sempre com imensas dores de costas, mais uma semana parado a tentar sequer dormir com imensas dores nas costas, e finalmente mais 2 treinos na semana antes da prova. Ou seja, em 5 semanas fiz 5 treinos, em que o somatório de tempo e distância não chegava ao que iria fazer na maratona do Porto. Quando me inscrevi na prova o meu objectivo era bater o meu record pessoal de 3h50m29s que já vinha da maratona de Lisboa de 2015, e de preferência baixar de 3h30m. Com todas estas peripécias, e apesar de alguma pressão familiar para não ir por não estar recuperado, decidi ir e simplesmente aproveitar e desfrutar da prova, sem nenhum objectivo a nível de tempo. Tenho de agradecer à Joana Pico pelas sessões de osteopatia e à Ana pelas sessões de fisioterapia, foram as únicas coisas que me aliviaram as dores nas costas, numa altura que nem dormir conseguia com tantas dores, e sem isso provavelmente não tinha ido à prova.

Numa manhã fria e chuvosa, o tempo de espera para o início da prova foi difícil de se passar, no entanto para mim era o tempo ideal para correr, temperatura fria quanto baste e uma chuva que apesar de não parar era maioritariamente aquela chuvinha dita "molha parvos" ou estando no Porto "molha tolos". Comecei a ver as bandeiras dos pace makers com 3.00, 3.15, 3.30, 3.45, 4.00, 4.30, 4.45, e julguei que aquilo era o ritmo ao quilómetro, ou seja, 3m00s/km, e caraças isto é uma corrida só para homens de barba rija. Só depois quando a corrida começou é que me apercebi que o 3.00 significava acabar a prova em 3h00m. Quando estava a menos de 5 minutos para o arranque da prova, já alinhado para partir, no meio daquele ambiente, daquela música, daquela multidão, pensei para mim - "Sinto-me bem, o que tenho a perder? Vou correr como se a preparação tivesse sido a ideal, provavelmente vou rebentar com grande estilo e mais cedo do que nunca na maratona, mas até quando me sentir confortável vou correr para o meu objectivo".


Mais ou menos por volta dos 3,5 quilómetros de prova chego à bandeira do ritmo de 3h30m de prova, estava a sentir-me bem e passo directamente, era o meu ritmo confortável por isso segui. No retorno em Leixões por volta dos 8 quilómetros reparo que estou mais ou menos entre as bandeiras de 3h15m e de 3h30m, mais do que perfeito, mas a maratona é uma prova longa e enganadora, sabia que isto eram só indicadores e que podia bater contra a parede a qualquer instante. Além disso o percurso era muito mais duro do que pensava inicialmente, pensava que era maioritariamente plano como a maratona de Lisboa, mas não, apesar de não ter subidas duras todo o percurso era muito ondulado.

Quando concluí os 16 quilómetros, e numa altura que o vento de frente me começava a incomodar, sentia que estava a perder ritmo, um grupo de mais ou menos uma dezena de corredores chegou ao pé de mim. O ritmo era mesmo o ideal 4m50s/km, decidi seguir com eles e abrigar-me do vento.Fomos trocando algumas impressões e sensações, na altura lembro-me até de dizer que me sentia bem, mas que até às 3 horas de prova era o aquecimento, dali para a frente é que começava a maratona, que normalmente até aos 32-34 quilómetros o corpo não acusa muito dali para a frente é que se tem de saber lidar com o desgaste. Aos 20 quilómetros o primeiro abastecimento sólido, quanto a mim veio um bocado tarde, e com a preocupação de conseguir agarrar alimento perdi um bocado o contacto, ainda por cima aquelas ruas da Ribeira com pedras escorregadias não me davam muita segurança, por isso tive de me acalmar e recuperar calmamente e só na subida que dava acesso à ponde D. Luís é que consegui recolocar-me novamente. Pouco depois a passagem pelo pórtico da meia maratona, onde estava sensivelmente com 1h43m, ou seja, tinha 2 minutos de margem para acabar a segunda parte da prova o que é uma margem mínima.


Quando damos a volta do lado de Gaia por volta dos 24,5 quilómetros de prova, noto novamente o vento de frente, claramente o vento soprava de Este, e apesar do ritmo naquela altura já não ser confortável para mim, já nem conseguia falar, percebi que era importantíssimo continuar dentro do grupo abrigado, até darmos a volta já do lado do Porto em direcção a Oeste, e passar a ter o vento pelas costas. Por volta dos 26 quilómetros, depois de passarmos por baixo da ponte da Arrábida o grupo começa a perder elementos, eu com algum custo lá me fui aguentando na cauda do grupo. Até que por volta dos 30 quilómetros, durante um abastecimento perdi o contacto, o coração estava demasiado acelerado, e percebi que se me esforçasse mais para apanhar o grupo novamente iria pagar muito caro. Como estava quase a inverter o sentido em direcção a Oeste não me preocupei muito, mesmo assim estive 14 quilómetros com este grupo o que se revelaria fundamental. Uma coisa que faço constantemente quando corro são contas de cabeça, faltavam-me 12 quilómetros para o final, tinha mais ou menos 3 minutos de vantagem para o ritmo que queria no final, o que dava que teria de fazer mais ou menos 5m15s/km até ao final.


Durante os 4 quilómetros seguintes achei que estava em controlo do que se passava, inclusivamente consegui ultrapassar 3 elementos do grupo onde inicialmente estava integrado. Mas tinha chegado a hora do sofrimento, estava com dificuldades em mater o ritmo, só pensava que não podia desperdiçar a oportunidade de fazer 3h30m estando já tão perto do final. Tranquilizei um bocado quando o relógio marcou 39 quilómetros e eu tinha 3h12m de prova, ou seja, para 3,2 quilómetros que me faltavam tinha de fazer um ritmo de mais ou menos 5m40s/km, totalmente controlável. Mas um sentimento de insegurança tomou-me quando o relógio marcou 40kms, mas a placa dos 40kms da organização estava ainda algo distante, seria a placa que estava mal colocada ou o relógio que estava com erro? Decidi acelerar o máximo que pudesse para não ser apanhado desprevenido. Já depois de ter entrado no último quilómetro, sou apanhado pelo pace maker com 3h30m de prova, ele a falar com outro atleta disse que faltavam 5 minutos para as 3h30m, olho para o meu relógio e a mim faltava-me praticamente 6 minutos, fiquei descansadinho da vida, nem preocupei em segui-lo, deixei-o ganhar 40-50 metros quando começámos a entrar nos insufláveis da meta, tinha 3h28m e segundo o meu relógio faltavam 200 metros para o final. Mas os insufláveis nunca mais acabavam, o último que via era branco, que era diferente dos outros assumi que era ali o final, quando lá chego tinha 3h29m50s e apercebo-me que ainda tenho de cortar à esquerda e ainda faltavam praí 100 metros,  desatei a sprintar, mas cortei a meta com 3h30m10s. Alguma frustração por não baixar oficialmente das 3h30m, mas não deixou de ser um tempo muito melhor do que alguma vez imaginei depois de toda a falta de preparação, e finalmente consegui um record já respeitável na maratona.

Agora infelizmente nem tudo foi bom, aliás atrevo-me a dizer que o que se passou a seguir a cortar a meta foi péssimo e imperdoável. Ao me deslocar para a recolha do meu saco deparo-me com filas intermináveis, onde estive mais de 30 minutos ao frio e à chuva, algo totalmente inaceitável e que devia deixar extremamente envergonhado qualquer organizador. Quando chego perto da mesa para a recolha dos sacos depara-me com um cenário onde todos os sacos estavam amontoados, tudo ao molho e fé em Deus, à chuva, e onde quem entregava os sacos pareciam baratas tontas a tentar encontrar cada saco no meio de centenas de sacos, uma falta de profissionalismo e um amadorismo a todos os níveis.

Antes de me entregarem o meu saco ainda, tive de deixar passar um senhor que por se estar a sentir mal, foi-se embora sem sequer recolher o saco dele, isto é o respeito que os organizadores tiveram para com os atletas que encheram a prova, depois de um esforço de correrem mais de 42kms. E no final a cereja no topo do bolo, recebo o meu saco, com a minha roupa que esperava estivesse seca para me trocar e estava toda ensopada porque o saco estava à chuva. Com isto tudo cheguei a um dos hotéis da organização, já eram quase 14h30m, e tinha de fazer o checkout até às 15h, escusado será dizer que mal deu para tomar banho. Para não falar na má imagem pela qual fizeram passar o nosso país, com imensos participantes estrangeiros a reclamarem, e tal como nós, a dizerem que nunca tinham passado por nada idêntico, nas diversas maratonas que já tinham feito por esse Mundo fora. Por isto tudo não voltarei a participar na maratona do Porto e desaconselho outros atletas a participarem.

quarta-feira, outubro 24, 2018

Mais um para o clã

E já por cá anda (bem andar é um verbo muito forte neste momento), o mais novo elemento da família, o meu sobrinho João. Mais um pilinhas para a colecção, 3 netos para os meus pais, 3 meninos. Não estava com muita vontade de sair cá para fora, estava quentinho no forno, mas aparentemente até é um bebé bastante tranquilo.

terça-feira, outubro 09, 2018

E mais uma vez de braço ao peito

Por vezes levo com uma lembrança que os anos vão passando e já não tenho 20 anos. Ora uma queda quase insignificante e um braço fracturado, no rádio junto ao cotovelo. Ainda pensei nem ir ao hospital que devia ser uma distensãozinha, mas acabei por ir, e acabei por levar com a marreta da realidade que me diz - "Temos de imobilizar o braço que tem uma fractura". Uma semana e meia depois e já sem o gesso dou-me por contente, aparentemente a fractura está a consolidar bem, obrigado corpo por voltares a consolidar bem uma fractura e por novamente evitares uma pequena cirurgia. Agora, fisioterapia e recuperar rapidamente que daqui a menos de um mês há uma maratona para fazer, praticamente sem treino, vai ser tão bonito...


segunda-feira, outubro 01, 2018

De volta ao mergulho

Há mais de 3 anos que não mergulhava, por uma série de motivos, mas devido a isso estava um pouco apreensivo com o estado do equipamento. Por isso quando surgiu a oportunidade de acompanhar baptismos de mergulho, onde a profundidade máxima seria os 5 metros achei a oportunidade ideal para testar o equipamento e voltar a relembrar todas as técnicas e regras de mergulho. E apesar de ser um mergulho muito básico não deixou e ser um bom mergulho com boa visibilidade e em que se conseguiu ver bastante vida. Não quero voltar a estar tanto tempo sem mergulhar.


segunda-feira, agosto 20, 2018

Feira Medieval - Santa Maria da Feira

Já não é o primeiro ano que fui à feira medieval, mas acho que este foi o ano que mais gostei, essencialmente porque consegui ver muito mais espectáculos do que das outras vezes. As reconstituições históricas, pirotecnia e concertos são de se aproveitar, e antes de ir devemos ter uma noção do calendário para aquele dia de forma a aproveitar ao máximo as actuações.

Em relação ao resto é praticamente igual de ano apara ano, a colocação das barraquinhas, das comidas, das bebidas, das lembranças, todos os anos que fui estavam dispostas praticamente da mesma maneira.


terça-feira, agosto 14, 2018

Vagos 2018

Já há uns bons meses que não ia ver um concerto, mas esta é a altura do ano que há Vagos, a Meca do metal em Portugal, e este ano voltei lá por duas bandas, que curiosamente tinha visto há menos de 2 anos. Quando soube que Kamelot e Sonata Artica iam a Vagos desejei logo que tocassem pelo menos em 2 dias seguidos para conseguir ver as 2, e quando saiu o alinhamento final e eram as 2 no mesmo dia então era mesmo imperdível. As restantes bandas que tocaram durante o dia não foram muito do meu agrado, por isso com o passar dos concertos só queria mesmo que chegássemos aos concertos que queria.

Os primeiros a entrar em palco foram os Sonata Artica, numa setlist um pouco mais baladeira do que é habitual neste tipo de festivais mas não deixou de ser um concerto muito bom, curto, mas bom. Que acabou em beleza com o Full Moon e o Life. A interacção do vocalista com o público foi sempre bastante próxima, algo que me agrada bastante, das coisas que gosto mais de ver em concertos é uma boa química entre banda e público. Neste caso é bem notório que o vocalista sobrepõe-se à própria banda em si, isto acontece com alguma frequência em diversas bandas, e no caso dos Sonata Artica acho extremamente vincado, sendo daqueles casos que se o vocalista deixasse a banda, esta muito provavelmente deixaria de existir.



Sonata Arctica Setlist Vagos Metal Fest 2018 2018, The Ninth Hour World Tour
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Avançando para os Kamelot estava com bastante expectativas para este concerto, visto que o concerto que tinha visto deles tinha tido um péssimo ajuste de som e quase não se conseguia ouvir a voz do vocalista. Primeira boa surpresa foi a presença da Lauren Hart, a vocalista dos Once Human, e que participou no último album dos Kamelot. Normalmente quando há este tipo de participações, nos espectáculos ao vivo, a voz dessas participações é gravada não é cantada ao vivo. Para além disso os Kamelot têm imensas músicas que tiveram participações de vozes femininas, e ter uma vocalista ao vivo que dê a voz a todas essas músicas é uma mais valia para quem está a ver o concerto. Depois uma setlist perfeita, as melhores músicas dos 2 últimos álbuns e todas aquelas músicas icónicas que tornaram os Kamelot grandes. Uma maravilha de concerto, boas músicas, bom som, boa interacção com o público, não poderia pedir muito mais.



Até para o ano Vagos!

segunda-feira, julho 09, 2018

Triatlo Longo de Caminha 2018

Caminha foi o primeiro triatlo longo que fiz, e na altura apesar de ter doído imenso fiquei sempre com vontade de voltar pela beleza da prova. Este ano infelizmente o segmento de bicicleta não foi na belíssima Serra D'Arga, mas por outro lado tornou o percurso muito mais fácil, mas já irei a essa parte. O pré prova não foi lá muito bom, no dia anterior fomos jantar rodízio de pizza durante o jogo de Portugal, 2 horas a comer portanto. Escusado será dizer que a meio da noite todas aquelas pizzas não me caíram bem e passei grande parte do tempo agarrado à sanita. Depois de mal ter comido o pequeno almoço lá fomos para a prova. A manhã estava mesmo convidativa, quase sempre a chover e algumas vezes com alguma intensidade, só me perguntava o que estava ali a fazer e que estava sem vontade nenhuma de competir.


Lá fomos nós até o meio do Rio Minho, onde somos largados para os quase 2000 metros do segmento de natação. Os tempos deste segmento não podem ser comparados a nenhum outro segmento de natação, o percurso é feito a favor da corrente o que torna este segmento super rápido e tranquilo. O único ponto onde temos de ter mais cuidado é a chegada ao caís, pois o Rio Coura desagua no Rio Minho o que cria corrente lateral e se não formos o mais junto à margem possível antes da união, facilmente somos arrastados e temos de nadar contra a corrente para chegar ao caís. Fiz 28m20s de tempo de natação, com disse, só mesmo a favor da corrente é possível fazer este tempo canhão.

Seguindo para o segmento de ciclismo, como já tinha dito este ano não tivemos de enfrentar a duríssima Serra D'Arga, o percurso foi muito mais fácil, apesar de não tão fácil como esperava, tem um ondulado chato. O meu objectivo era fazer média de 30km/h, ou seja completar o segmento de ciclismo abaixo das 3h. O percurso consistia em 4 voltas a um circuito e logo na primeira volta reparei que o vento soprava de sul para norte, o que criava discrepâncias grandes na velocidade em que se fazia cada parte do trajecto, por isso teria de analisar a média volta a volta. A chuva continuou a ser uma constante, mas como o percurso era pouco técnico e só de atingia alguma velocidade em pequenas descidas que tínhamos naquele percurso ondulado, os grandes perigos eram só mesmo as rotundas. Ao fim da primeira hora estava com 30,5km/h de média, e quando estava a meio do percurso, com duas voltas completas estava com 1h28m de prova, por isso estava dentro do tempo que desejava.

Na terceira volta tive de parar para a aliviar a bexiga, quase quando estava a chegar à parte mais sul do percurso, e aproveitei para respirar 1 minuto. O vento estava a ficar mais forte o que tornava o segmento que ia para sul cada vez mais difícil. Quando estava quase no fim da 3ª volta passam os primeiros por mim, aquilo pareciam locomotivas, que diferença de andamento. Aos 60kms estava com 1h58m30s, apesar de ter perdido um tempinho com a paragem, ainda estava acima de 30km/h. O problema foram os 10kms finais, depois do esforço do último troço que me levava até a ponta mais a sul do percurso, comecei a sentir que estava a perder gás, e nos últimos 10kms já não consegui manter a média. De qualquer forma o tempo final do ciclismo foi de 3h02m48s, o que me abria boas perspectivas de bater o meu record pessoal no triatlo longo, só precisava de fazer uma corrida abaixo de 1h40m, que é algo que não sendo super fácil depois da tareia que já levava, era perfeitamente alcançável.


O percurso de atletismo apesar de ser plano, tem piso irregular e muito diferente, alcatrão, passadiço, areia, empedrado, o que é uma dificuldade adicional. Comecei a um bom ritmo de 4m30s/km, mas depois de 3kms reduzi ali para 5min/km, sentia-me mais confortável, e já tinha ganho alguma margem para conseguir 1h40m de tempo final se mantivesse o ritmo. Na zona do retorno havia um segmento de empedrado, quando vejo toda a gente a sair da estrada e a correr no passeio que era mais regular, olha que boa ideia pensei eu e fui também para o passeio para não massacrar tanto os pés. Nisto há um árbitro que me manda parar, devo dizer que já ando pelos cabelos com os árbitros do triatlo, por isso o meu nível de tolerância com eles está mesmo no mínimo, assim como o respeito que tenho por eles, porque na sua maioria não o merecem. Então a conversa foi basicamente isto:

-"Não sabes que não podes ir pelo passeio, sai lá aí de cima e para aqui!" - E nisto o triatleta que ia atrás de mim salta do passeio para a estrada e passa por nós.
- "Ok está bem não sabia" - E preparava-me para seguir caminho
- "Onde vais? Já te dei autorização para seguir? Onde viste a última indicação do percurso?"
- "Foi lá atrás, havia uma seta a dizer para cortar à esquerda. Não dizia nada que tínhamos de ir fora do passeio." - E continuavam a passar outros triatletas pelo passeio.
- "Então volta lá atrás até essa seta e faz todo o percurso pela estrada." - Bem nesta altura é que perdi o último pingo de paciência, não tinha feito nada que me tivesse dado vantagem sobre os outros triatletas, todos o estavam a fazer, não tinha cortado caminho, simplesmente estava a ir por um sítio que era mais confortável ao pisar. Estava farto daquele parvalhão, prepotente, que deve de ser um recalcado que não dá ordens a ninguém na vida, e vai para ali descarregar as suas frustrações do dia a dia.
- "Deve de ser verdade! Vai tu lá atrás!" - E viro costas e começo a correr quando oiço.
- "Olha que eu tenho o teu número e vou desclassificar-te." - Nisto eu viro-me para trás e ainda respondo.
- "Faz o que quiseres...ah e já agora... desclassifica também aqueles que vêm ali atrás." - E apontei lá para o fundo, para outro grupo que vinha no passeio. Vamos lá ver, aquelas ameaças de desclassificação até podem assustar a maioria, mas eu sou um atleta do meio da tabela para trás, não luto por pódios, e neste caso até tinha 5 colegas meus à minha frente por isso nem para a classificação por equipas contaria, a minha luta é contra mim e contra o relógio, o que me interessa é o meu tempo final, não é se acabo no lugar 150 em 200 ou se sou desclassificado.

Quando estava a acabar a primeira volta passo por dois colegas meus a Diana (que foi a 3ª classificada feminina) e o Paulo. Nessa altura, a meio do percurso, estava com menos de 50 minutos de corrida, por isso o meu objectivo de bater o meu record estava intacto. No entanto nessa altura começou a doer-me mais o joelho esquerdo, algo que já me vinha a incomodar ligeiramente desde o fim do ciclismo, e quando acaba o quilómetro 13 tive de diminuir um pouco a velocidade. Quando vou a passar pelo pinhal vem o tal árbitro a andar em sentido contrário, ainda pensei eu perguntar-lhe se já me tinha desclassificado, como provocação, mas achei que lhe estaria a dar mais importância do que ele merecia. Dali até ao fim foi gerir, não queria massacrar muito o joelho para não me lesionar, mas queria acabar. Ainda fui ultrapassado por 3-4 corredores, o que não é nada habitual no final de um triatlo, mas acabei. O tempo final foi de 5h21m32s, ainda fiquei algo longe do meu record, mas talvez um dia destes o consiga bater. E ainda acabei por contar para a classificação da equipa, não fui desclassificado, e o Mário que tinha sido o primeiro da equipa foi desclassificado ainda não sabemos porquê, mas pronto deve ter sido mais uma picuinhice da arbitragem.

quarta-feira, junho 20, 2018

Lisboa - Fátima

Há algum tempo que queria fazer o tradicional caminho do peregrino que parte de Lisboa e vai até Fátima. Depois da data típica do peregrino, e de vários amigos meus terem ido fazer o caminho de bicicleta, comentei no trabalho que gostava de experimentar fazer o caminho, visto já ter percorrido imensos sítios de bicicleta, e um caminho tão tradicional como o de Fátima nunca ter feito. Foi aí que entrou o João Maria, não era tarde nem era cedo, marcámos logo provisoriamente a data de 16 de Junho para ir fazer a nossa voltinha de bicicleta e convidámos vários amigos que se quisessem juntar a nós para um dia de ciclo-turismo até Fátima. Acabámos por juntar um grupo de 5 ciclistas, nós os 2, o Romão que eu não conhecia e era amigo do Maria, o Faneca com quem já tinha feito alguns passeios destes e o Gonçalo, o filho do Faneca.


A primeira parte da nossa jornada foi acessível, já conhecia o caminho porque é coincidente com o de Santiago de Compostela, apesar de algumas pequenas alterações devido a melhoramentos nos trilhos, novos passadiços, etc, e foi bastante divertido recordar a passagem por aquele caminho. Chegada a Valada e a primeira paragem para a bifana. Nessa altura estava a começar a sentir dores nas costas o que me preocupou, ainda estávamos a meio do caminho e a parte mais complicada ainda estava para vir. Até Santarém até se geriu bem o desconforto, depois daquela paragem de 1 hora em Valada as costas estavam mais aliviadas. Em Santarém a paragem já foi um bocadinho mais rápida e seguimos caminho para enfrentar a parte mais dura do caminho.

Um pouco mais à frente parámos à entrada de um estradão onde está um senhor com um barracão dedicado aos peregrinos, ainda estivemos lá algum tempo à conversa e a tirar umas fotos. A partir daqui foi a doer, tive de apear a primeira vez numa subida íngreme onde me fugiu a roda da frente por ir numa mudança leve, e depois devido à inclinação não consegui voltar a montar até um ponto em que a subida aliviava um bocadinho. A próxima paragem foi no Arneiro das Milhariças, estavam lá as festinhas da terra e estivemos outra vez mais de 1 hora a comer e a beber. As minhas costas estavam cada vez pior, já começava a não ter posição em cima da bicicleta, e o grupo tinha de diminuir a velocidade para eu os conseguir acompanhar, e segundo eles ainda faltavam subidas bem duras.


Até os Olhos de Água houve mais uma subida complicada mas que consegui passar. Aí fizemos uma paragem rápida para o café e preparar para entrar na Serra d'Aire, agora sim ia doer. A primeira subida consegui fazer com alguma dificuldade sem ter de apear, muito dura mesmo ainda por cima já com mais de 110 kms nas pernas. Na subida a seguir a Monsanto tive de apear, aí por falta de força, foi a primeira vez que me comecei a sentir realmente cansado, além das dores de costas estava a começar a sentir alguma fadiga, apesar de ter comido bem e hidratado bem ao longo do dia, com aquele imenso calor e esforço acumulado as pernas estavam a começar a não querer responder.

A meio da subida antes de Minde, já em alcatrão tive de pedir ao grupo para parar, há muito tempo que não me sentia assim, senti-me totalmente esgotado, sem forças e a precisar de um saco de soro directamente na veia. A coisa não estava mesmo nada fácil, já me doía tudo, o corpo não queria responder e só pedia para que as subidas parassem, não ia desistir de maneira nenhuma apesar de todo o meu corpo dizer para eu parar. Ao fim de 5-10 minutos deitado no chão de pernas para o ar lá arrancamos novamente e devagar. Como a subida era em alcatrão, calmamente lá chegámos ao topo e consegui recuperar o ritmo cardíaco, respirar normalmente e concentrar-me para a descida que aí vinha. A descida foi das partes mais divertidas do percurso, larguei-me estrada abaixo e cheguei aos 70km/h, finalmente estava a voltar a divertir-me.

Em Minde nova paragem um bocadinho mais demorada, beber um batido de morango que soube como se tivesse sido o melhor do mundo e um pão com chouriço. A subida que faltava estava a preocupar-me, estavam a dizer que era bastante difícil e eu não estava em grande condição física. Contudo só tive de apear uma vez em toda a subida e foi numa zona algo técnica e inclinada que noutras condições até passava, mas antes que caísse preferi seguir um bocadinho a pé. O fim da subida parecia não acabar, as eólicas que assinalavam o fim da subida pareciam estar mesmo ali mas nunca mais lá chegava. A seguir à subida era simples até Fátima, voltámos a aumentar a média para mais de 20km/h e foi bastante rápido até Fátima. A chegada ao cair da noite foi espectacular, fui poucas vezes a Fátima, mas sem dúvida que esta foi a melhor, o cair do sol atrás da catedral deu uma paisagem belíssima. Sofri como há muito não sofria, mas voltava a fazê-lo, obrigado aos meus excepcionais companheiros de viagem pela paciência que tiveram comigo, foi uma viagem memorável.