domingo, julho 12, 2020

Adeus avô Manel

Depois de há 22 anos ter perdido a minha tia, de há 4 anos ter dito adeus à minha avó, chegou a vez de me despedir do meu avô. Estas três pessoas foram da maior importância para mim, era com elas que eu passava as minhas férias, foram elas que muito me insinaram e muito moldaram a minha forma de ser. O meu avô Manel (o Paíca como era conhecido por todos) apesar da sua postura fria e insensível, era uma pessoa de enorme coração, sempre pronto a ajudar os outros sem nada esperar em retorno. 

Infelizmente, devido a este problema do COVID, não teve o funeral que merecia, gostava que muito mais gente lhe tivesse prestado a derradeira homenagem pois era bem merecida. Aos 93 anos já tinha visto partir, mulher, uma filha, irmão e grande parte dos seus amigos, viveu uma vida cheia e teve tempo de conhecer 3 bisnetos que eram dos poucos que o faziam sorrir, nunca foi uma pessoa que mostrasse os seus sentimentos. Mas uma das coisas que me deixa mais orgulho enquanto neto é virem ter comigo no funeral e dizerem: "Temos muito que agradecer ao teu avô, quando nós mais precisámos ele estava lá para nos ajudar. Apesar de já ter uma família e casa cheia, acolheu-nos na sua casa, e tudo o que construímos a partir daí devêmo-lo a ele.". Isto significa que ele foi importante para várias pessoas, que tornou o nosso mundinho um bocadinho melhor, que ajudou ao bem estar dos outros.

É assim que o vou recordar, um bom ser humano, que marcou pela positiva um sem-número de pessoas. Obrigado pelo teu legado avô Manel.

segunda-feira, maio 25, 2020

COVID-19 - Teste seriológico

A câmara de Cascais está a promover a realização de testes seriológicos aos seus municípios sem qualquer custo para os mesmos. Na sexta-feira passada fui fazer o teste e em menos de 12h tinha o resultado no meu email. Por enquanto não tive qualquer contacto com o vírus, o mesmo é dizer, que não desenvolvi nenhum tipo de anticorpos. Isto era espectável, aos primeiros sinais de alarmismo fiz o meu confinamento, mesmo ainda antes do estado de emergência. Com isto também significa que estou ainda na estaca zero, igual ao que me encontrava antes do confinamento, posso a vir a ser contaminado pelo vírus pois não tenho anticorpos contra ele, por isso é continuar a evitar contactos desnecessários. 

sexta-feira, maio 15, 2020

Ainda vamos sentir falta

Já são 2 meses de confinamento devido ao COVID, mas acho que no futuro ainda vamos sentir falta de algumas coisas. Esta semana durante uma das minhas corridas nocturnas, comecei a reparar a quantidade absurda de carros a circular, já não era possível correr no alcatrão como antigamente. Senão soubesse que ainda estávamos em estado de calamidade, só pelo que via nada me indicaria isso, bem pelo contrário, pensaria que era uma noite de fim-de-semana.

Como em tudo na vida há coisas boas e coisas más, e se sinto imensa falta da componente social (jantares com os amigos, estar com a família, ir beber um copo, provas de corrida e triatlo), acho que no futuro, quando me lembrar desta altura, vou sentir falta de algumas coisas, como o não ouvir do barulho dos motores dos carros, ter tempo para os cultivos caseiros, ter tempo para fazer refeições mais elaboradas e mais saudáveis e poder passar o dia todo com o meu filho. No entanto acho que esta situação veio mudar mentalidades e mudar rotinas futuras, por exemplo, creio que o trabalho a partir de casa se vai tornar mais normal e menos esporádico. Uma coisa é certa, nada será o mesmo, muita coisa irá mudar devido a este vírus.

sexta-feira, abril 17, 2020

Novas rotinas de treino

Este período de quarentena obrigou-me a repensar o meu plano de treino com vista ao Ironman de Cascais, que por enquanto ainda acho que há uma boa hipótese de se realizar. O ponto mais negativo até agora e o que me tem impactado mais, é a falta de treino de natação, podia ir treinar ao mar, mas teria de sair durante o dia, aumentando a probabilidade de me cruzar com outras pessoas. Por isso há mais de uma mês que não vou para dentro de água. Contudo também não estou muito preocupado, como já disse várias vezes a diferença no segmento de natação, estando no meu melhor ou estando destreinado será 10 minutos, por isso numa prova como o Ironman é algo quase desprezável. O Ironman é uma prova maioritariamente de ciclismo, na qual temos de sobreviver para conseguir fazer uma corrida consistente no último segmento.

Quanto ao segmento de corrida e de bicicleta até tenho aumentado o meu tempo de treino, e no somatório da semana tenho mais horas de treino do que na minha rotina normal. Então o que mudou? Quanto ao segmento de corrida estou a correr à noite, depois das 22h. Sinto imensa falta de treinar ao sol, mas já me habituei ao frio nocturno, e já consegui ultrapassar aquela inércia mental de ter de correr depois de jantar. Há dias que me custa mais, mas no geral até já consigo que os treinos sejam produtivos. O meu maior impedimento nesta altura são as séries, o único local plano que tinha era o paredão de Cascais e agora está fechado, por isso as séries são feitas com alguma altimetria (sobra-me a ciclovia do Guincho e sempre com vento), e mesmo que seja pequena a influencia nos resultados, torna mais difícil perceber os dados obtidos após o treino.

O segmento de ciclismo tem sido feito nos rolos, e o que detesto os rolos, quem me conhece sabe que prefiro ir pedalar à chuva do que ficar confinado a fazer rolos. Os treinos têm sido bastante intensos, mas raramente ultrapassam as 2h de treino, e isso é um handicap para quem precisa de fazer 180km no Ironman, preciso de ter treinos de 4-6 horas, preciso de treinos grandes só a rolar. E como nunca gostei de fazer treinos de rolos também não tenho muita experiência a estratificar treinos, tento planear algumas séries de intensidade e de inclinação, mas tenho a noção das minhas limitações. Por enquanto é este o plano, melhores dias aguardam-se.

quinta-feira, março 26, 2020

COVID-19, a quarentena

Faz hoje uma semana que tive o meu último dia de vida normal, andar de metro, almoçar com os amigos, treinar ao ar livre, simplesmente andar no meio das outras pessoas. Mas como já tinha dito anteriormente, isto é só o início. 

Por enquanto tenho arranjado algumas estratégias que me têm ajudado a passar os dias, e que tornam esta quarentena, ou melhor, este isolamento social, mais fácil de ultrapassar, e posso dizer que até agora nem está a ser um bicho de sete cabeças, simplesmente faz um comichãozinho:
  • Tenho conseguido manter uma rotina de trabalho diário que ao longo do dia é praticamente como se tivesse no escritório, falar com os colegas por vídeo chamada e como digo, ver as suas caras feias, ajuda a manter uma maior proximidade;
  • Manter os treinos de corrida, e o que isto me faz bem, saio de casa 22h-23h, e praticamente não vejo ninguém, e mesmo as pessoas que vejo, tal como eu, querem manter uma distância o maior possível;
  • Voltei a usar o suporte da bicicleta, detesto treinar confinado, e tenho treinado na bicicleta enquanto vejo uma série ou um filme para que o treino não seja monótono, acho que já disse que detesto treinar sem ser ao ar livre;
  • No fim de semana dei uma volta de carro pela Serra de Sintra e só fiz paragem quando não havia ninguém por perto;
  • Ao final da tarde tenho-me entretido com algumas coisas que já devia ter feito, mas por falta de tempo ou preguiça não estavam feitas, arrumar a arrecadação, manutenção das bicicletas, pequenas obras no quintal, cortar lenha, etc;
  • Aproveitei para fazer uma coisa que já queria fazer há muito tempo, ler com alguma regularidade e rotina;
  • Falar com a família diariamente por video chamada;
  • E depois coisas mais banais, como jogar na consola, só para dizer uns palavrões ali sozinho na sala, já que não há jogos de futebol para eu dizer esses palavrões.
Sei que provavelmente ainda falta um mês desta rotina, e depois o reatar irá ser progressivo,mas tou positivo...

quarta-feira, março 18, 2020

COVID-19, como vejo a situação

Era impossível não falar sobre o assunto, é a primeira vez que todos estamos a passar por algo idêntico, por isso vou deixara algumas notas soltas sobre a minha visão sobre este novo Mundo:
  • Portugal foi dos últimos países onde se registaram casos de infectados, devemos (ou deveríamos, não sei se ainda vamos a tempo) de tirar partido disso;
  • O número de infectados diariamente será sempre uma função exponential, agora resta saber a sua inclinação/escala e quando chegaremos a um ponto de inversão, e isso depende maioritariamente dos nossos comportamentos como sociedade;
  • O estado de emergência já devia ter sido decretado à muito na minha opinião, o primeiro caso em Portugal foi detectado dia 2 de Março, e basta olhar para o que tem acontecido noutros países para perceber o que iria acontecer no nosso país. As escolas fecharam só quase 2 semanas depois e foi só aí que as primeiras medidas foram tomadas. Mas até compreendo a inércia inicial, até mesmo com amigos meus tive grandes discussões e era dos poucos a defender isto inicialmente;
  • A Europa pela sua arrogância como um todo, julgou que era uma doença que não iria chegar com a força que chegou, que era uma doença que iria afectar mais os países menos desenvolvidos, e agora está a pagar essa factura. Aliás a factura da Europa vai ser muito superior à da China por exemplo, que foi onde o vírus foi detectado e para o qual não podiam estar preparados, a Europa pela sua população envelhecida e por não se ter preparado vai ter mais mortos que a China;
  • O Reino Unido, como de costume quis ser diferente, mais uma vez na História julgou-se melhor ou mais esperto do que os outros, quis tomar medidas exactamente contrárias aos restantes, deixa infectar que é o que é preciso, diziam eles, afinal acabaram por perceber que ser diferentes desta vez só lhes ia trazer maus resultados;
  • Em Portugal, aliás como no resto da maioria dos países (vou excluir daqui um bom exemplo, a Coreia do Sul), os números estão a ser escondidos, neste momento estamos quase com 650 casos confirmados, mas acredito que os números são no mínimo 100 vezes superiores, e isso só representaria cerca de 0,6% da população portuguesa. Os números estão a ser escondidos porque não se estão a testar todos os casos suspeitos, bem longe disso, e além disso já se sabe que há uma grande quantidade de pessoas que está afectada pelo vírus mas que são assintomáticos, por isso não é detectado mas são agentes de propagação. Acredito que a percentagem de infectados estará no final muito perto dos 60%-70% falado pela Angela Merkel;
  • Se sabemos que a percentagem de infectados vai ser enorme, o objectivo terá de ser mitigar o seu efeito, se adoecermos todos ao mesmo tempo não haverá como dar resposta a todas as necessidades, a única forma será ter comportamentos que promovam uma infecção mais tardia, para conseguirmos espaçar o número de infectados pelo tempo;
  • Sim, isto é uma crise que se vai prolongar por meses, na China levou 3 meses só para controlar a propagação, e a seguir a esta crise virá uma crise económica gravíssima, os efeitos nefastos deste vírus não ficarão circunscritos ao seu controlo;
  • Por fim uma palavra de agradecimento para os profissionais de saúde, que arriscam a sua saúde e a dos seus familiares para cuidar de quem necessita, o meu obrigado.
Onde chegaram os números? É essa a questão que se segue...

terça-feira, março 17, 2020

Visita a Castelo de Vide

Mesmo no limite do Alto Alentejo está Castelo de Vide, pode-se pensar que já é Beira Baixa, mas tem características que não enganam. Está bem longe de ser uma planície seca, aliás o seu castelo está num topo de maneira a guardar a vila dos invasores. Mas é claramente Alentejo, pelo sotaque das pessoas, pela gastronomia, pela arquitectura das casas e outros tantos pequenos detalhes. As suas ruas estreitíssimas são um desafio para passar com os carros, com as carroças devia ser fácil, mas as paredes todas roçadas provam claramente que os carros não passam facilmente. Gostei de passear pelas ruas, junto ao castelo, de ver a bela vista do alto. Infelizmente é uma vila que poderia estar melhor conservada, sei que provavelmente os recursos não são muitos, que a quantidade de residentes permanentes é reduzida, mas é uma pena pelo potencial que tem para o turismo.





segunda-feira, março 09, 2020

Formação Certified Scrum Master

Já tinha estado em algumas formações de Scrum Master, e já trabalho com metodologias ágeis há mais ou menos 6 anos, por isso achei que estava mais do que na hora de tirar o certificado. As certificações não acontecem todos os dias, e inclusivamente já tinha estado inscrito numa que foi cancelada à última da hora, por isso quando o Thiago me falou que ia acontecer esta certificação em Lisboa, pus-me logo a organizar as coisas de modo a conseguir estar na formação. 

A formação foi leccionada pelo Rafael Sabbagh da empresa Knowledge21. O Rafael já inclusivamente pertenceu ao board da Scrum Alliance, por isso é alguém que comprovadamente tem imensa experiência e conhecimento na área. A formação foi muito boa, uma coisa que me surpreendeu foi a diversidade de pessoas que integrava a turma, desde pessoas ligadas à área financeira, automóveis, marketing, até ao típico e tradicional pessoal de IT, que é o meu caso. Não posso dizer que tenha aprendido assim muito com a formação, deu para limar umas arestas, deu para discutir detalhes, mas tudo o que era nuclear já tinha ouvido em outras formações, para além de trabalhar todos os dias com scrum. Acho que a inexperiência da maior parte da turma também levou a que o Rafael não entrasse tão em detalhe em alguns assuntos e tivesse que se focar em ensinar as bases.

Quanto ao exame todas as pessoas com quem falei e já tinham feito o exame diziam que era facílimo, por isso estava meio que confiante em passar sem grandes sobressaltos. Devo dizer que sinto que fui enganado! Está bem, fui à campeão, recebi o link para fazer o exame e vamos lá embora fazer isso, sem preparar nenhum material de suporte ou ler os manuais teóricos antes. Este foi o primeiro erro, o segundo erro e mais grave, foi ter escolhido fazer o exame em português e não em inglês. O exame não é em português, é em brasileiro, cheio de erros ortográficos, frases mal construídas (parece que foram postas no google translate), e algumas palavras, por serem em brasileiro tive de ir procurar a definição ao dicionário. Tenho de admitir houve perguntas, várias, que nem conseguia perceber ou a pergunta ou as respostas...pesadelo. Respondi às 50 perguntas em 30 minutos, tinha mais 30 minutos para rever tudo. Decidi primeiro marcar as que tinha a certeza que estavam certas, eram só 33, precisava de acertar 37. Comecei a ver as que não sabia mas tinha poucas dúvidas, fui pesquisar um pouco e cheguei a 38 que tinha a certeza que estavam correctas. Um pouco mais descansado, faltavam praí 10 minutos para acabar o tempo fui rever só aquelas que tinha dúvidas, e percebia o que era perguntado e as respostas. O tempo acabou entretanto e aparece no monitor que tinha passado, alivio total, estava feito.


Além desta formação ainda aproveitei para fazer outra formação, esta sem certificação, mas porque achei que o conteúdo era muito interessante, a formação em Métricas Ágeis. Adorei esta formação, esta sim posso dizer que aprendi uma montanha de coisas novas que consigo aplicar no meu dia a dia. Como melhorar a eficiência e a eficácia, erros comuns, dados concretos para comprovar que realmente um projecto está a evoluir positivamente ou não. Não esperava tanto da formação e felizmente fui surpreendido pela positiva, é bom quando temos as expectativas moderadas e depois obtemos algo mais do que o que estamos à espera.

terça-feira, fevereiro 25, 2020

Troféu de Oeiras - Ribeira da Lage

No domingo aproveitei novamente para fazer um treino mais a sério em mais uma etapa do Troféu de Oeiras, desta vez na Ribeira da Lage. O objectivo era o mesmo das provas anteriores, fazer um treino intenso de qualidade, e ao mesmo tempo tentar acabar no TOP 10 do meu escalão para ajudar a equipa a pontuar. Não conhecia o percurso, mas toda a gente dizia que era dos mais fáceis das etapas do Troféu de Oeiras, mas o que tenho a dizer pelo que vi até agora, é que não há percursos fáceis, todas as etapas até agora foram duras. Voltei a arrancar na frente da corrida e logo na subida inicial não consegui seguir com o primeiro grupo mas consegui ir logo no grupo perseguidor. Aquele tipo de subidas de média dificuldade favorecem-me, e consegui ir naquele ritmo com algum conforto. Na altura em que apanhamos a subida mais agressiva, junto ao cemitério, o grupo partiu todo e eu fiquei sozinho entre grupos.


Esta não foi uma fase fácil, estava a tentar manter a distância para os perseguidores e não deixar fugir quem ia a minha frente. Já perto dos 5,5 quilómetros de prova, quando passávamos pela ponte por cima da autoestrada, percebi que o meu esforço não me ia levar a lado nenhum, estava a ficar demasiado cansado e com dificuldade a manter o ritmo. Decidi aguardar uns segundos para ser apanhado pelo grupo que vinha atrás de mim, naquela altura já só eram 2 corredores, e então conseguir seguir com eles. Assim fiz, porque aumentei a velocidade e mais confortavelmente na cola deles. Quando apanhámos a descida que nos ia levar quase até à meta houve um esticão, e aí já não consegui seguir, apesar do ritmo bem elevado a rondar os 3m30s/km que estava a impor. Perdi aqueles dois corredores mas aproximei-me de outro que ia a minha frente e na rampa final, num último esforço ainda o consegui ultrapassar. Acabei no 30º lugar da geral e no 4º lugar do meu escalão, um óptimo resultado e um óptimo treino.

domingo, fevereiro 23, 2020

Visions of Atlantis - Lisboa

Após ter visto os Visions of Atlantis no último Vagos, não poderia perder a hipótese de os voltar a ver, mas vamos começar pelo início. Entro no RCA, 10 minutos antes do início dos concertos, e qual é o meu espanto quando uma banda já está a tocar. Começo logo a refilar para mim mesmo porque já é a segunda vez que me acontecia chegar antes da hora aos concertos, e o espetáculo começar antes da hora programada. Para minha surpresa não estavam a tocar os Morlas Memoria, mas sim os nacionais Glasya que têm uma sonoridade muito idêntica aos Morlas Memoria, porreiro, era uma banda que já queria ver há algum tempo por isso se eles eram os substitutos por mim tinham sido uma boa escolha. O espetáculo foi curtíssimo, mas deu para avivar ainda mais a minha curiosidade, por isso ainda vou ouvir com mais atenção o reportório dos Glasya.

Banda seguinte, os Morlas Memoria, afinal não tinham sido substituídos, os Glasya é que tinham tocado inicialmente como extras, como bónus, por isso já não podia refilar do horário. Os Morlas Memoria, eram a banda da noite pela qual tinha as expectativas mais baixas, contudo excederam as expectativas. Foi um belo concerto, a vocalista muito competente, musicalmente agradável, gostei, é uma banda que ainda precisa de amadurecer mas cumpriram bem a sua função.


Chaos Magic eram a banda que se seguia. Após alguns ano de experiência, de ouvir muita música e alguns concertos, começo a conseguir perspectivar o que posso esperar de uma banda. Quando ouvi esta banda antes do concerto pareceu-me que a vocalista tinha muitas 'ajudas' de estúdio, o que se torna impossível de esconder numa actuação ao vivo. Não é que ela seja desafinada, mas tem uma voz pequena, com pouca amplitude e com pouca potência. Têm algumas músicas interessantes, o guitarrista tem uma boa presença em palco e como voz de suporte também é competente. Não será uma banda que irei seguir com muita atenção, mas se voltarem a passar no meu radar pelo menos já conhecerei algo. A seu favor devo dizer que foram uma banda muito acessível para o público, depois da actuação juntaram-se ao público, fartaram-se de tirar fotografias e de interagir com quem se aproximava deles.


Estava na hora da actuação principal da noite, os Visions of Atlantis. Expectativas altas, e nada defraudadas uma actuação fantástica, brilhante. Desde a poderosa e bela voz da Clémentine, ao virtuosismo do Thomas na bateria, ou à energética e magnetizante presença em palco do Michele, foi uma actuação memorável. É uma pena que o RCA estivesse tão vazio, certamente a rondar as 100 pessoas, porque por um preço tão baixo, e um espetáculo tão bom, era merecido um RCA a abarrotar. Esta sem dúvida continuará a ser das bandas que mais me agrada, e se puder voltar a vê-los ao vivo não perderei a oportunidade.


Visions of Atlantis Setlist RCA Club, Lisbon, Portugal, Wanderers Tour 2020