domingo, junho 28, 2015

Kart Palmela

Ontem foi dia de team building na Sky com a ida até kartodromo de Palmela. Não me vou alongar muito nos comentários pois deixei no vídeo os meus pensamentos durante a prova. Foi 1 horinha bem passada e espero que este tipo de eventos se possa repetir. A parte mais chata foi ter estado até às 4 da manhã a editar o vídeo, e não foi dos melhores vídeos que já editei.


sexta-feira, junho 26, 2015

Review Garmin Forerunner 920XT

Já há três anos que faço triatlo e começava a sentir falta de algo que, primeiro me ajudasse a analisar o meu desempenho durante e depois das provas, segundo que me ajudasse a planear e a perceber em que ponto estava o meu treino.

Até agora tinha usado como auxílio o Garmin etrex 30, que é um excelente dispositivo mas cujo objectivo não é bem o do triatlo, é óptimo para viajar de bicicleta, programar voltas, orientação, etc, mas que não é nada porreiro no que toca a análise de dados. Para não falar que andar com aquele trambolho na mão durante uma prova não é nada prático, até era conhecido pelos meus amigos como o gajo que andava nas provas com um mega GPS na mão.

Depois de analisar alguns modelos percebi que a diferença de preços entre eles era mínima para um conjunto de características, ou seja, o valor estava directamente relacionado com funcionalidades e não com marcas. Devido a isso acabei por escolher um Garmin, já conhecia a marca e sei que em questão de fiabilidade é brutal, e além disso muitos dos meus colegas de equipa têm diversos modelos da Garmin e todos estão contente, logo a minha escolha foi um Garmin Forerunner 920XT.


Prós:
  • Duração da bateria, mesmo usando GPS para os treinos diários basta carregar 1 vez por semana durante cerca de 3h;
  • Grande quantidade de apps que nos possibilitam uma enorme personalização do dispositivo, desde visores de relógio, múltiplos ecrãs por cada desporto com diversas disposições, configurar o multi-desporto com diversos desportos pela ordem que quisermos;
  • Companheiro virtual / corrermos contra nós próprio para segmentos que já fizemos;
  • Programação de treinos com intervalos de tempos e/ou  intervalos de distâncias;
  • Estatísticas realmente importantes, especialmente conjugadas com a banda peitoral que está longe de tornar o relógio num simples frequencímetro;
  • O site da Garmin que está bem organizado com imensa informação sobre os treinos e estatística relevante;
  • Precisão do GPS mesmo em provas de mar, em que o GPS está depois de  água
  • Na piscina funciona bastante bem, não funcionando com GPS mas sim com o acelerómetro (creio eu), detectando bem o número de braçadas, metros e até o estilo em que se está a nadar.
Contras:
  • Continua a irritar-me o facto de não conseguir aceder aos ficheiros GPX no computador através do sistema de ficheiros, é sempre obrigatório descarregar para o site da Garmin e só depois obter os GPX;
  • Experimentei a APP com um tablet e um telemóvel Samsung com cerca de 1 ano (sistema android) e nenhum deles suporta a ligação ao Garmin Forerunner 920XT atravé de bluetooth;
  • Pouca exactidão do sistema activity tracking. 

segunda-feira, junho 22, 2015

Triatlo de Oeiras 2015

Ainda bem que aquelas temperaturas loucas do dia anterior baixaram radicalmente, estava com algum receio daqueles quase 40ºC que estavam às 11h30m do dia anterior, hora da prova. Um dos momentos importantes da prova aconteceu ainda antes dela começar. As mulheres arrancavam 5 minutos antes dos homens, e quando analisava a trajectória que estavam a fazer dentro de água reparei que quando chegavam à primeira bóia eram empurradas pela maré para a direita e que estavam com alguma dificuldade em voltar à trajectória correcta para contornar a bóia. 

Logo que arranquei tentei posicionar-me o mais à esquerda possível, aproveitei a corrente que até puxava para fora naquela altura e desalinhei propositadamente com a bóia, o que foi bom porque consegui rapidamente evitar aquele emaranhado de corpos provocado por um pelotão com cerca de 400 elementos. À minha direita ia um grande pelotão e eu mais meia dúzia de gatos pingados a fazermos uma trajectória que parecia ridícula. Quando chego aí a 100 metros da bóia vejo aquela massa de corpos a tentar aproximar-se de mim vinda da direita, e mesmo eu que vinha numa trajectória bem fora com a força da corrente quase que falhava a bóia, foi mega confusão. Nessa altura reparo no Ricardo Costa de cabeça de fora a olhar para todo o lado (como é possível ter encontrado alguém no meio daquela confusão) parei e perguntei-lhe o que se passava. Ele com o cansaço de ter estado a lutar contra a corrente estava desorientado, não encontrava a bóia apesar de estar pertíssimo dela. Tive 30s-60s com ele, a agarrar-lhe o braço e a tentar ajudá-lo a ir na direcção correcta até que passámos a bóia. 

Nessa altura fiquei algo chateado com a arbitragem, mas percebo agora a decisão que tiveram, eles deram ordem para as pessoas seguirem mesmo não passando a primeira bóia...sim fiquei prejudicado, mas a integridade dos atletas acima de tudo e com aquela corrente os mais fracos no segmento da natação iam ficar ali o resto do dia a lutar com a corrente até ficarem a boiar de cansaço. Escusado será dizer que com isto entre as duas bóia apanhei com o pelotão todo, inclusivamente com nadadores melhores que eu que se tinha atrasado, foi pior que na saída, não via nada, cacetadas por todo o lado. Bem, foi o segmento de natação mais atribulado que já tive, apesar da minha boa decisão inicial, fiz quase 850 metros (mais 100 metros que a distância oficial) em pouco mais de 14 minutos.

Transição sem grandes problemas e desta vez tinha ideia de me rebentar no ciclismo, devido à minha entorse sabia que não ia conseguir andar ao máximo na corrida, por isso era gastar os cartuchos todos no ciclismo. A ida até Algés para mim foi feita a um ritmo louco, 40-45km/h, o João Santos ainda me tentou ajudar nessa fase a seguir no grupo onde ele ia, mas eu estava totalmente sufocado, descaí, fiquei entre grupos e esperei o próximo que vinha num ritmo mais condizente com o meu.

Na viragem de Algés ainda passei pela frente do grupo durante 1-2kms, e tentei ajudar, acabei por pagar na subida do Alto da Boa Viagem, rebentei e fiquei para traz com mais 3-4 atletas. Fomos trabalhando entre nós, mas não viríamos mais a apanhar aquele grupo. No fim da subida de Paço de Arcos o Sérgio apanha-me, com sacrifício consigo seguir na roda dele. Acabei o ciclismo com uma média de 35,2km/h, é verdade que perdi bastante tempo para alguns dos meus colegas, mas para quem queria fazer 33-35km/h de média foi melhor que o esperado.

Chego ao parque de transições e apesar de ter uma referencia em que sítio estava no parque não encontrava o meu cesto, com o cansaço estava desorientado e apesar do cesto estar mesmo à minha frente não o encontrava...bem foram mais uns 30 segundos perdidos estupidamente.

Na corrida estava com algum receio, tinha treinado na 3ª feira passada ao fim de mais de 1 mês sem correr e tinha tido dores no tornozelo lesionado. A dor estava lá mas menos agressiva, e mesmo não fazendo uma corrida brilhante consegui fazer uma média inferior a 4m30s/km, para quem está meio perneta, sem treinar, e com o cansaço acumulado da prova, nada mau, ainda consegui recuperar algumas posições e acabar com um resultado melhor que no ano anterior, ficando no final com 1h12m04s, a meio da tabela classificativa e a meio dos meus colegas de equipa.

segunda-feira, junho 08, 2015

Swim challenge

Há 3 semanas atrás lesionei-me com uma daquelas entorse bastante agressivas, tornozelo e joelho, e devido a isso tive de falhar o triatlo de Caminha, o que me deixou bastante irritado comigo mesmo. Desde que me lesionei só tenho feito natação, vou tentar introduzir a bicicleta esta semana e ver como me sinto e a corrida ainda estou bastante coxo para começar, vamos lá ver quando retomo.

Como só estou a fazer natação não consigo competir, a não ser em provas de natação por isso este fim de semana foi bom para matar o bichinho da competição e participar no swim challenge de Cascais. A equipa estava lá toda em peso, amigos de outros clubes é sempre uma boa altura para conviver antes e depois da prova, cheguei à praia por volta das 10h e vim por volta das 13h, ou seja, a prova durou cerca de 30 minutos o resto foi convívio...parece-me bem.

Quanto à prova em si, iam participar muitos dos melhores nadadores nacionais, mais de 200 nadadores na linha de partida, ia ser uma enorme máquina de lavar. O meu objectivo era terminar na primeira metade, com o pouco treino que tenho tido não podia pedir mais, em todo caso era uma boa prova para fazer uma natação a fundo visto que quando faço triatlo, a natação costuma ser sempre o segmento que mais poupo e nunca dou o máximo. Até à primeira bóia era quase ir a nadar em cima de corpos, como fico mais ou menos a meio do pelotão é sempre onde há mais confusão. 

A prova consistia num percurso de 2 voltas em que a transição entre voltas era feita num pequeno segmento de corrida na praia. Ao final da primeira volta saio para a areia a correr em passos curtos e a coxear e tentar ignorar a dor mas não agravar a entorse. Ao entrar novamente dentro de água o coração parecia que me queria saltar pela boca, uma sensação terrível de desconforto e descompensação, mas não devo ter sido o único, porque foi nessa altura que ultrapassei mais nadadores.

Acabei a prova no lugar 93 dentro do que pretendia, com o tempo de 34m46s, num percurso que segundo vários GPS contava cerca de 2000m, um pouco mais que a distância de milha (1852m) que deveria ser a distância da prova.

quarta-feira, maio 20, 2015

Fair Play é uma treta

Esta frase já foi muitas vezes dita por intervenientes do desporto rei, mas hoje vou aplica-la a um desporto que pelo menos gosto tanto como o futebol, estou a falar do ciclismo. Na etapa de ontem do Giro de Itália, a etapa número 10, aconteceu algo de um altruísmo louvável que depois acabou por ser penalizado, quanto a mim por falta de tacto, por facto de bom senso.

A menos de 10 kms do fim da etapa quando o pelotão seguia a alta velocidade um dos principais concorrentes à vitória final, o Rickie Porte, teve um furo, para quem seque ciclismo sabe o quão delicada é esta situação pois a distância para o fim já não dá grande margem a recuperação. Numa mostra de grande desportivismo um ciclista de outra equipa, Simon Clarke, também australiano que não tem nenhum objectivo na classificação geral, cedeu a sua roda a Richie Porte para este perder o mínimo de tempo possível. Mesmo assim chegou à meta atrasado 47 segundos em relação ao pelotão, o azar do furo já tinha feito estragos significativos.

Não sou um fã do Richie Porte, sou um fã do ciclismo por isso considero que a minha opinião é imparcial. No final da etapa além do atraso na estrada o Richie Porte foi penalizado em 2 minutos, porquê? Porque foi ajudado por um elemento de outra equipa. E pior, o Simon Clarke que o ajudou em prejuízo próprio também foi penalizado em 2 minutos. Dizia o bom senso que não deveriam penalizar ninguém, para mim claramente não é uma infracção que beneficie através de  "batota" o Richie Porte, porque se fosse um colega da sua equipa e não de outra equipa já seria tudo legal. Se ele se tivesse agarrado a um carro a fingir que estava lesionado e fosse levado pelo carro até ao pelotão se calhar não tinha sido tão penalizado e isso sim seria um batota a sério.

Obrigado senhores comissários de prova por terem seguido os regulamentos à risca e terem tornado a corrida menos interessante, retirando da disputa da prova um dos ciclistas que mais qualidade tinha para discutir o pódio!

segunda-feira, maio 18, 2015

Clean up the Atlantic

Já há alguns anos que não participava numa limpeza subaquática, lembro-me que na altura que tirei o meu primeiro curso de mergulho foi uma das estratégias que utilizei para conseguir ganhar mais experiência e fazer mais mergulhos (sem gastar dinheiro). 

Há pessoas que não o gostam de fazer, mas no meu caso considero que simplesmente é um tipo de mergulho diferente, com objectivos diferentes, é porreiro andar a percorrer o fundo com o objectivo de recolher coisas que não deveriam lá estar, de arranjar estratagemas para as soltar de onde estiverem presas, de conseguir trazer à superfície algo que é mais pesado e que nos puxa para baixo.


Ontem o Clean Up the Atlantic acabou por ser um modo muito agradável de passar a manhã, mergulhar e ao mesmo tempo estar a fazer algo de benéfico por um espaço natural que é tão belo e que me diz tanto, afinal de contas vivo em Cascais desde que nasci e esta é uma zona que frequento regularmente, basta dizer que no dia anterior tinha feito um treino de mar com a minha equipa de triatlo a passar exactamente no mesmo sítio.

Uma coisa que me chateia neste caso, e sim vai contra as regras primárias do mergulho, é de ser obrigado a andar com um buddy, a visibilidade já é pouca e quando se mexe no fundo torna-se impossível de ver alguma coisa tirando o nosso próprio nariz. Com isto acaba-se por perder mais tempo à procura do buddy que realmente a fazer o que interessa e torna-se é um foco de stress desnecessário, vamos lá ver, a profundidade máxima a que fui não chegou aos 4 metros...

Como resultado final da minha parte recolhi: 1 comando da PS, 1 bola, 1 boneca, 1 garrafa, 1 mangueira, várias latas, vários plásticos e vários ferros.




sexta-feira, maio 08, 2015

Survival Xperience 2015

Já tinha passado quase 2 anos desde o último Survival Xperience, devo confessar que foi bom voltar à dinâmica de ajudar na organização de um evento, de vez em quando é bom para reunir com os amigos e voltar ao stress. O Survival Xperience 2015 decorreu no último dia 1 Maio, mas mais que o evento vou desvendar um pouco do meu trabalho de preparação.


Eu fui o primeiro a entrar em campo, literalmente, tal como no último Survival Xperience a minha função era essencialmente de batedor, estava encarregue de descobrir pontos interessantes de forma a termos um percurso agradável, que passasse por locais bonitos, locais marcantes no concelho, dar a conhecer locais que normalmente não serão visitados por quem anda na estrada, ter bastantes trilhos onde só se passasse a pé de modo a não haver grandes vantagens se alguém se lembrasse de andar de carro que era contra as regras (e ter um número de pontos e de dispersão dos mesmos que tornasse impossível descobrir todos os pontos no tempo limite da prova).


Inicialmente tinha definido um percurso de 30 pontos, mas haviam pontos pouco interessantes e acabaram por ser seleccionados 23 pontos finais. Devo dizer que para encontrar estes pontos ainda tive 2 dias a andar de bicicleta de um lado para o outro, por caminhos que nem sempre conhecia, por onde tinha de andar com a bicicleta às costas, (a fugir de uns cães do tamanho de burros), e após isto apresentar os pontos à restante equipa da organização e definir o que íamos fazer. O timing da prova é que não foi o ideal, no dia seguinte tive o Triatlo Longo de Lisboa e devido a isso não pude dar um grande contributo no dia da prova, só consegui estar com eles até à hora de almoço e depois voltei mesmo no final do dia só para trocar meia dúzia de palavras com os restantes membros da organização e saber como tinha corrido.


Como era eu que conhecia os locais exactos onde eram os pontos a colocação dos marcadores nos locais teria de ser minha responsabilidade e como isso era algo que tinha de ser feito da véspera foi decidido fazer quando eu saísse do trabalho no dia anterior à prova. A colocação decorreu noite dentro e tenho de agradecer ao Rui Santos ter-me acompanhado nessa tarefa, senão fosse o triatlo não me tinha incomodado muito, mas tendo o triatlo queria conseguir dormir bem para estar pronto. Mesmo assim houveram alguns pontos que ainda foram colocados de manhã mesmo antes da prova começar. 

A recompensa de ver os participantes gostarem e divertirem-se com a prova é muito boa e dentro das minhas possibilidades acho que ajudei em tudo o que podia durante aqueles 2 dias. Agora vou confessar, prefiro muito mais participar que organizar, quando vi os participantes a saírem da base para irem procurar os pontos não deixei de ter um bocadinho de inveja e de querer estar no lugar deles, bem em Setembro haverá outro Survival Team Challenge e neste quero participar!

terça-feira, maio 05, 2015

Triatlo Longo Lisboa

Acordar bem cedo, 4h45m, ainda noite cerrada, a temperatura ajudava a que não fosse assim tão mau, a noite estava agradável. Obrigar-me a comer alguma coisa substancial pois o esforço que me esperava não ia ser pêra doce. Cheguei ao Parque das Nação por volta das 6h30m, o sol estava a nascer, era hora dos preparativos finais, preparar os sapatos, os ténis, as comidas, a bebida, última verificação do equipamento e muito importante ir ao WC o mais próximo possível da partida para tentar fazer toda a prova sem ter de parar por causa de necessidades fisiológicas.

Tinha como objectivo acabar a prova abaixo de 5h30m, sentia-me bem, o treino dos últimos meses tinha sido bom, não tinha tido lesões, o tempo aparentava estar bom, sem vento, sem calor excessivo, todas as condições me eram favoráveis para que conseguisse atingir o meu objectivo, numa das provas que no início do ano me propus a estar na minha melhor forma. Segundo as minhas contas o meu desafio seria o ciclismo, teria de fazer o percurso de ciclismo em menos de 3h o que significava andar a pelo menos 30km/h durante os 90kms do percurso, e começar a correr com 3h40m de prova o que me dava uma boa margem para fazer a meia maratona do segmento do atletismo em menos de 1h50m.

A partida do segmento de natação aconteceu como de costume num imenso turbilhão de corpos, o que devo dizer já não me incomoda muito, ao fim de alguns triatlos começo a perceber as manhas, bater forte as pernas quando sinto que alguém me quer agarrar, se alguém me tenta agarrar no ombro rodar rápido o braço para ficar por cima ou mesmo rebolar por cima de quem nos está a tentar puxar para baixo, braçadas amplas quando me sinto empurrado, evitar entrar no espaço de outros nadadores mas saber-me defender se alguém entrar no meu espaço no fundo é essa a regra.

Ao virar a primeira bóia tudo ficou mais calmo, não sei porque a maior parte dos nadadores faziam trajectórias muito abertas, apontei directo para as restantes bóias e deixei-me ir a deslizar o máximo possível, sabia que não valia a pena estar-me a matar para ganhar 3-4 minutos na natação, aproveitei para fazer o aquecimento para o restante de prova que ainda faltava. Na viragem da última bóia senti outra vez um apertozinho, ia num grupo de 6-8 nadadores e com uma viragem a 180º é normal alguns encontrões, mas com uma viragem em rotação que a maior parte dos nadadores não faz, consegui sair à frente e entrar na rampa sem ninguém à minha frente o que me possibilitou tirar o fato tranquilamente sem preocupar-me com algum tipo de empurrão. Acabei a natação com 36m30s, 1m30s acima do que tinha estipulado como o limite máximo que queria fazer, contudo não era preocupante, mesmo com as transições se fizesse o segmento de ciclismo em 3h começaria a correr com 3h40m de prova.


Estava na hora da verdade, o ciclismo, será que os meus treinos curtos fortes seriam suficientes para conseguir manter um ritmo de 30km/h durante 3h? O segmento era composto por 4 voltas o que tornava fácil medir o ritmo bastava ver se a cada volta o tempo que demorava estava a ser superior. A 1ª e 2ª volta correram-me bastante bem, não senti cansaço, o ritmo cardíaco, a respiração estavam bastante estáveis. Apesar de ter perdido um gel e uma barra energética quando saltei para cima da bicicleta, consegui apanhar uma banana e um cantil de água nas duas primeiras passagens pela meta, tinha comido e tinha água para me refrescar, mais o meu cantil com bebida isotónica. Demorei cerca de 40 minutos em cada uma das 2 voltas, estava a conseguir manter o ritmo e apesar de na minha cabeça estar a fazer mal as contas até estava a rodar acima dos 30km/h.


Antes de chegar à subida na 3ª volta passou por mim o número 9, que acabaria por ser o vencedor da prova. Que velocidade impressionante, parecia que ia de mota, certamente ia a mais de 50km/h na altura que passou por mim. Pouco depois ainda passou o número 1 (Bruno Pais), não ia tão rápido mas não deixou de me impressionar na mesma. Na subida desta volta foi a primeira vez durante a prova que me senti claramente desconfortável, não estava a conseguir achar o meu ritmo, sentia dores nas pernas, as sensações começavam a não ser boas. Acabei a volta com 43 minutos, quebrei um pouco mas ainda nada de alarmante.


Nessa altura já não tinha a minha bebida e a minha preocupação era apanhar água, apesar de já não comer à 1 volta era muito mais importante manter-me hidratado. Comecei a sentir indícios de cãibras no meu gémeo da perna direita por isso não podia puxar demais para o músculo não 'agarrar'. A subida custou mas não tanto como a da 3ª vez, pensava que o pior já estava e era rolar até à meta. Aproveitei a descida para alongar um pouco o gémeo e fazer o possível para evitar o aparecimento das cãibras. O pior ainda estava era para vir, começou a fazer imenso vento de frente e aquela última meia volta foi um tortura, foi nessa altura que pensei - "Bolas para fazer a distância Ironman tinha de fazer outra distância igual à que já fiz...não sei se aguentaria!!!".



Cheguei da bicicleta ainda abaixo de 3h30m de prova, estava claramente a tempo para o meu objectivo de 5h30m. Comecei a correr a uma velocidade que me permitia passar as pessoas que estavam à minha volta, contudo o meu coração começou a disparar e não me sentia nada confortável. Durante a 1ª volta da corrida estive sempre a tentar achar o meu ritmo certo, muscularmente até estava bem, as cãibras não apareciam mas o ritmo cardíaco não era nada estável. Começava também a fazer calor, em todos os pontos de abastecimento era apanhar uma garrafa de água para me 'regar' e tentar aliviar a sensação de aquecimento.


À entrada da 2ª volta olhei para o cronómetro e ainda não ia nas 4h de prova, porreiro tinha 1h30m para fazer 15 quilómetros, mais que suficiente, Esta volta foi a mais tranquila consegui manter o ritmo, nessa altura também passei pelo Pre que tinha entrado para a sua 1ª volta, dei-lhe umas palavras de motivação, era o primeiro triatlo longo dele e estava com boa cara para conseguir acabar, e segui ao meu ritmo. Ao início da 3ª volta quando levava pouco mais de 10 quilómetros de prova tropecei naquele maldito empedrado levantado pelas raízes das árvores, consegui-me equilibrar minimamente e com uma cambalhota sobre o ombro levantei-me e continuei a correr.

Estava a perder um bocado a capacidade de raciocínio, sinal que as minhas forças começavam a estar no limite, já só pensava em passar a meta e rir-me do resultado que ia obter. A 1 quilómetro da meta novamente o raio do empedrado, mais um tropeção e desta vez fiz uma à Super Homem...a diferença foi que não aterrei em pé mas sim na horizontal, estatelanço à moda antiga. Cortei a meta com menos de 1h40m de corrida, mas tendo em consideração que o segmento de corrida nem chegava a 20kms não foi mau mas também não foi brilhante.

Ficam aqui os resultados dos diferentes segmentos:

  • Natação: 36m30s
  • T1: 2m02s
  • Bicicleta: 2h51m11s
  • T2: 1m17s
  • Corrida:1h39m45s
  • Tempo final: 5h10m45s

segunda-feira, abril 27, 2015

Fase 2 do projecto Sky Store está no ar

Foi há 11 meses que comecei a trabalhar no projecto Sky Store. Quando entrei no projecto já este tinha iniciado o desenvolvimento da 2ª fase e apesar da adaptação não ter sido tão rápida como gostaria, olhando agora para trás tenho de compreender que a dimensão do projecto torna difícil uma adaptação mais rápida.

Estamos a falar de um projecto de múltiplas equipas, em diversos fusos horários, com requisitos que nos obrigam a pensar tudo ao detalhe pois temos de servir milhões de utilizadores, nada pode ser deixado ao acaso. Foi a primeira vez, em já 10 anos que levo de trabalho nesta área, que senti que a qualidade final era o mais importante, que não havia cá prazos loucos impossíveis a cumprir, que não havia necessidade de fazer noitadas e fins-de-semana, porque tudo é planeado com rigor e com tempo para fazer as coisas bem.

Apesar de todas as equipas seguirem a mesma metodologia de desenvolvimento, com pequenas nuances entre elas, vou falar um bocadinho mais em concreto da minha equipa, a equipa do Core. A equipa do Core, e traduzindo é a equipa responsável pela parte mais nuclear da aplicação, somos a equipa com menos visibilidade para o utilizador final e ao mesmo tempo somos a equipa mais crítica porque somos o início de tudo e se nós falhamos vamos comprometer o trabalho de todas as outras equipas. O nosso foco principal é desempenho, segurança e estrutura da aplicação, estamos ainda algo longe dos frontends com os utilizadores finais.

As equipas utilização Scrum como metodologia de desenvolvimento, dailys, retrospectives, demos, planeamentos, desenvolvimento iterativo, etc. Isto facilita muito a integração de uma pessoa nova, a comunicação constante, o envolvimento com tudo o que se está a passar, ajuda imenso a começar a perceber rapidamente as várias características do projecto. Foi a primeira vez que trabalhei efectivamente com uma metodologia ágil de desenvolvimento e se tinha alguns pontos de interrogação iniciais porque na teoria parecia-me que as premissas era algo fortes, depois com o decorrer dos tempos percebi que realmente funcionava porque as regras acabam por ser mais flexíveis e adaptadas ao perfil da equipa.

Por falar em equipa, apesar de algumas alterações na estrutura ao longo destes 11 meses a equipa é composta por 1 scrum master, responsável por ser a cola entre os elementos da equipa e entre a nossa equipa e as restantes, 2 testers que essencialmente garantem a qualidade de tudo o que é feito e 6 developers que desenvolvem o código. Nada disto é estanque, nada disto é muito rígido, todos nós podemos desempenhar ou ajudar no papel de outra pessoa, há liberdade e flexibilidade para que isso aconteça, o que é óptimo na perspectiva que o conhecimento está disseminado pelos diversos elementos da equipa não tornando ninguém indispensável, e mesmo estando alguém de férias ou não podendo vir trabalhar por um outro motivo o trabalho dessa pessoa pode ser feito por outro elemento. Claro que isto só é possível não pela metodologia mas pela qualidade dos elementos da equipa que devo dizer são excepcionais. Já tive alguns colegas de trabalho que acho que são muito bons mas foi a primeira vez que numa equipa tão grande consigo dizer que o poder de decisão, a autonomia e a qualidade do resultado final de todos os elementos da equipa é elevadíssima.

Ao início foi mesmo intimidativo, o receio de errar, de não estar ao nível das expectativas, de não conseguir acompanhar esta equipa, costumo dizer que deixei de ser o tubarão do lago para ser um peixinho no oceano, foi mesmo a sensação que tive nos primeiros tempos. Mas todos eles me ajudaram imenso, sempre disponíveis, sempre a ajudar com agrado, por isso acabei por me conseguir adaptar, sentido-me hoje como mais um elemento válida desta equipa.

E o resultado deste trabalho foi para o ar no dia 15 deste mês, a 2ª fase deste projecto foi lançada para os utilizadores do Reino Unido e da República da Irlanda, e foi a passagem a produção mais tranquila que alguma vez tive ainda para mais dada a dimensão do projecto, e isto só foi possível pela qualidade do trabalho final que por sua vez foi possível pelo bom planeamento e prazos realistas de desenvolvimento. Este projecto podia ser um case study para 99% dos projectos desenvolvidos em Portugal, como fazer as coisas bem feitas em prazos realistas traz muito menos dores de cabeça a nível de suporte e a nível da satisfação do cliente final. Neste momento já estamos numa fase avançada do desenvolvimento da fase 3 que trará algumas novidades interessantes à plataforma, mas quanto a isso ainda não posso falar, só espero que o resultado final a nível de qualidade se mantenha.

segunda-feira, abril 20, 2015

Meia maratona da areia 2015

A meia maratona da areia foi a última prova de treino antes do Half Ironman de Lisboa, mais uma vez estou numa altura em que estou a dar alguma intensidade de treino por isso não esperava um grande resultado. Esta é uma prova que gosto de fazer, há muito espaço para correr sem acotovelanços, a paisagem é relaxante e em alguns casos até nos faz abstrair do sofrimento, e depois apesar de ser no areal é uma prova bastante rápida em que o areal não faz assim tanta mossa como se julga inicialmente.

Arranquei forte e fiquei integrado num grupo de 10 atletas que seguiam logo a seguir ao pequeno grupo dos primeiros. Ao fim de 2 quilómetros íamos a um ritmo de 4min/km, estava a correr solto e bem mas decidi não continuar naquela loucura, no ano passado paguei bem caro um ritmo idêntico no início e depois fui a arrastar-me nos últimos 5 quilómetros. Fui progressivamente desacelerando até encontrar o meu ritmo de conforto. Cada vez que alguém passava por mim tentava seguir na cola a ver se o meu corpo de sentia à vontade com o ritmo. Até que por volta dos 7km chegou ao pé de mim a 1ª mulher e curiosamente o ritmo era mesmo aquele que eu procurava.

Fomos seguindo juntos a um ritmo que não era totalmente confortável mas era o ritmo certo para seguir, ao darmos a volta para começarmos o retorno íamos com cerca de 46 minutos, se o o ritmo se mantivesse acabaríamos a rondar a 1h32m o que não era nada mau para quem ia fazer um treino. Por volta dos 12km a rapariga vira-se para mim e diz-me - "Não é preciso estar a acompanhar-me, faça a sua corrida" - eu respondi que o ritmo era bom e que não lhe estava a fazer nenhum favor por estar a acompanhá-la, e a pensar para mim - "Vê lá é se não te lembras de dar nenhum esticão senão fico aqui apeado!".

Chegou uma altura em que começámos a ultrapassar outros atletas que estavam em quebra o que soube mesmo bem para o moral. Enquanto isso também começava o efeito miragem, que já tinha presenciado no ano anterior, como aquilo é o areal em linha recta começamos a ver a meta a alguns quilómetros de distância e apesar de parecer que é já ali ainda falta muito. Senão estamos mentalizados para isso o efeito pode ser terrível, como me aconteceu o ano passado que desmoralizei totalmente. 

À entrada do último quilómetro vem um atleta em recuperação que encosta a nós, respira atrás de nós por uns 10 segundos e arranca, nessa altura deixei-me estar com a minha companheira de corrida, foi a única altura que teria feito diferente se fosse um homem o meu companheiro de corrida. Nos últimos 400 metros vem mais um atleta totalmente em esforço e passa por nós e mais uma vez penso - "Vá lá aproveitem hoje que é o meu dia da boa vontade!" -  caso contrário e da maneira que me estava a sentir bem, a minha ponta final era rápida o suficiente para não me deixar ultrapassar por aqueles dois atletas.


Apesar de ter perdido aqueles lugares se calhar teria perdido muito mais tempo senão tivesse aquela excelente companhia durante a prova, por isso achei justo acompanhar a primeira mulher até à meta deixando-a cortar fita da chegada mesmo à minha frente. O resultado final foi de 1h33m06s acabando no 36º lugar em cerca de 200 atletas...nada mau para um treino. Aparentemente para o ano esta prova vai ter a distância maratona também, provavelmente será uma prova que vou inserir no meu calendário, veremos...

Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h33m06s
  • Tempo médio por quilometro: 4m25s/km
  • Velocidade média: 13,6km/h