segunda-feira, abril 07, 2014

Bonsai Caragana

Ainda tinha um espacinho no meu parapeito da janela e quando vi a caragana achei que era o bonsai ideal para ocupar aquele espacinho. Como já tinha escrito antigamente adoro bonsais de exterior, acabam por ser mais 'naturais', têm um ciclo de vida mais idêntico a uma árvore. Por exemplo esta é a altura do ano que mais gosto, começam a aparecer as primeiras folhas depois de um período de dormência, está na altura de voltarem a ser árvores verdejantes.
A caragana também pode ser um bonsai de interior, contudo idealmente prefere o exterior. Apesar de ser algo incomum como bonsai, as suas folhas pequenas, fácil moldagem e belas flores amarelas dão-lhe um toque especial, tornando um bonsai bastante interessante. O bonsai que adquiri tem apenas 7 anos por isso vou ter muito tempo para o moldar ao meu gosto, acho que tem uma boa base para começar e isso é o mais importante.
Original da Sibéria e algumas regiões mais frias da China, é uma característica que torna a caragana bastante resistente, aguentando facilmente o Inverno português. Apesar de ser originária de um clima bastante frio também tolera bem o calor, e como a maioria dos bonsais, não gosta de solos muito molhados, devendo neste caso ainda ressaltar mais a velha máxima que um bonsai só se rega quando estiver o solo seco.

segunda-feira, março 24, 2014

Triatlo de Alpiarça

Primeiro triatlo do ano, com o retorno ao treino a sério 2-3 semanas antes, sentia-me bem e pronto a tentar fazer a prova a fundo visto ser um triatlo sprint. Bem sei que o tempo final de uma prova de triatlo depende muito do percurso da bicicleta e das condições meteorológicas, mas tinha como objectivo fazer melhor que o meu record obtido no triatlo de Peniche o ano passado, e baixar se possível de 1h20m.


A 3 Iron Sports participou em peso nesta prova com um contingente de 11 atletas masculinos nos diversos escalões. Além dos meus colegas de clube ainda fui com o meu companheiro destas andanças o Pre que agora representa o clube Vasco da Gama. Além do tempo final como objectivo, também tentava ficar entre os 3 primeiros da equipa para contribuir para a classificação por equipas, sabia que os 2 primeiros lugares deviam estar atribuídos ao Ricardo e ao Mário, mas depois acreditava que havia ali um conjunto de 3-4 pessoas, eu incluído, que podiam discutir o 3º lugar.

Começa a natação, com a água super fria, e sendo uma prova algo concorrida, até chegar à primeira bóia não passei muito bem, o frio, as cacetadas constantes, uma natação muito pouco fluída, com esticões atrás de esticões, estava bastante ofegante para o que é o meu normal. Após a viragem da segunda bóia o regresso já foi muito mais suave, quase consegui nadar como se tivesse numa piscina. O tempo final já fora da água de 13m27s, parece-me bem e basicamente igual a Peniche onde tinha feito 13m28s, acabei por ser o 4º da equipa dentro de água.

Vinha aí a minha modalidade Némesis, tinha como objectivo neste segmento conseguir uma média superior a 30km/h. A primeira volta ainda consegui agarrar alguns grupos, consegui ir seguindo outros atletas e assim manter o ritmo alto e ás vezes até um pouco superior ao meu normal, ainda fui passado por 2 colegas de equipa mas nem me atrevi a seguir com eles. Na segunda volta comecei sem ninguém, ia a solo e sabia que ia custar muito mais, apesar do percurso ser praticamente sempre plano e sem vento, achei que ia pagar o meu esforço. Mas tive sorte, nessa altura chegou o Bruno ao pé de mim, a quem tenho de agradecer, e lá me motivou e 'rebocou' até ao final da bicicleta, conseguindo ser eu o 7º da equipa neste segmento com 38m59s e acabando com uma média superior a 30km/h como eu queria.

Começa a corrida e durante a transição perdi uns 10 segundos para o Bruno, estamos a falar num espaço entre nós de 20 metros não mais que isso, e pensei eu que rapidamente ia fechar aquele espaço, visto ser a corrida o meu melhor segmento. Mas a coisa não foi bem assim, durante a primeira volta apercebi-me que o Bruno também ia a andar muito bem e só na parte mais acidentada do segmento é que me tinha conseguido aproximar. Quando começa a segunda volta passa outro atleta por mim que estava ligeiramente mais rápido que eu, colei-me a ele e aproveitei a boleia até chegar ao Bruno, até que o apanhei a meio da segunda volta. Estava na hora de retribuir o favor que ele me tinha feito na bicicleta, respirei fundo durante 10-20 segundos e comecei a esticar um bocado a passada garantindo que ele não descolava de mim.

Acabámos a corrida sendo o 5º e o 6º da equipa com o resultado final de 1h16m28s, muito melhor do que eu imaginava retirando quase 5 minutos ao meu melhor tempo num triatlo sprint. Em relação ao segmento da corrida acabei por ser o 2º da equipa com 20m57s. Por fim tenho de dar os parabéns ao Nélson que conseguiu ser o 3º da equipa, com uma prova espectacular especialmente no segmento de bicicleta, acabando a prova praticamente o mesmo tempo do Mário que foi o 2º como já se esperava.

segunda-feira, março 17, 2014

Sushi e palhaçada musical

Sushi...palhaçada...musical...o quê tem isto a ver? É incrível como o universo consegue reunir estes três conceitos aparentemente disjuntos. Vamos começar pelo início, desde a passagem de ano que tinha prometido ao Hugo e à Isa que faria um jantar de sushi, ao final de 2 meses e meio lá saiu o jantar este sábado. Apesar do imenso trabalho e da preparação demorada é sempre algo que me dá imenso gozo fazer, especialmente quando é para ser desfrutado na companhia de amigos. Na minha opinião o resultado até foi bom e tenho as fotos para o comprovar.




Acabámos de jantar e sentámos-nos no sofá a conversar e a comer a sobremesa, e por acaso deixámos a televisão na RTP1 e o que estava a dar? Aquele programa magnífico chamado festival da canção (o tuga), onde todos os anos são criteriosamente seleccionados cantores que nos têm representado ao mais alto nível no festival da canção da Europa. Já as músicas tinham sido cantadas e faltava só sair o resultado com o vencedor. Começa aqui a parte da palhaçada, eu e o Hugo começamos logo com os comentários machistas do género - "Quem tem o maior decote...e mais chicha à mostra!" - chegámos a 2 possíveis vencedoras e fazemos o all-in nestas duas possíveis vencedoras. Olha e não é que acertámos!!! Foram as 2 que ficaram para o final, eu e o Hugo mostrámos que é possível superar o professor Chibanga.

Após o anúncio da vencedora vê-se uma grande agitação e contestação na plateia, lá tá coisas de programas em directo que não é fácil censurar. E lá sai o meu comentário - "É que mal perder!!! Há que saber perder se ganhou é porque foi o que as pessoas mais gostaram." - Começa a música e ficamos todos a olhar uns para os outros de queixo aberto...nem vou aqui dizer os comentários seguintes, nem vou colocar aqui o vídeo da canção para não ferir susceptibilidades. Nem voz, nem letra, nem música, nada se aproveita ali, lavem a boca com sabão azul e branco quem falar mal dos Homens da Luta que ganharam em Portugal ou dos Lordi que ganharam o Festival Europeu.

Com tantos cantores bons que ficam cedo pelo caminho em programas como o 'Chuvas de Estrelas', 'Ídolos', 'A Voz de Portugal' ou 'Portugal Tem Talento', pergunto-me como temos tão pouco a oferecer como representante da nação num concurso europeu? Como é feita a lista inicial de cantores a concurso? Porque não é um júri que realmente perceba de música que elege o nosso representante? Ah já sei a resposta...senão o universo não conseguia juntar a palavra palhaçada à palavra música.

terça-feira, março 11, 2014

Scorpions - MEO Arena

Pronto, agora já têm autorização para se reformarem, já os consegui ver ao vivo, consegui ter o privilégio de ver uma das bandas que vai ficar para a história. Devo dizer que fiquei impressionado com a moldura humana, quando me disseram que estava esgotado pensei que não ia encher tanto por razões de segurança, mas a Meo Arena estava totalmente a abarrotar, com uma multidão o mais diversificada que se possa imaginar, abrangendo diversas gerações, provando que não existe um público alvo para estes monstros da música.


Apesar da idade dos elementos dos Scorpions (já uns sessentões), e com quase 50 anos de carreira, a banda consegue dar um concerto electrizante, durante 2 horas, sem necessitar de guests para aquecer o público. Estes 'avôzinhos' mostram a alguns 'putos' como se consegue ter energia para dar um concerto desta dimensão.


O problema de ver um concerto com esta dimensão na Meo Arena é que ficamos um pouco longe do palco, contudo a forma energética e sempre comunicativa dos Scorpions não deixava morrer o concerto mesmo estando eu algo longe da acção, e o público também retribuiu sempre, não admira que Portugal seja um dos locais preferidos desta banda. Fiquei surpreendido com a qualidade vocal do Klaus Meine, não esperava que com a idade que já tem mantive-se o nível quase intacto que o notabilizou.


Em relação ao alinhamento do concerto eu  já sabia mais ou menos o que esperar depois dos concertos de Madrid, calculava que não iria ser muito diferente. Gostava que tivessem cantado mais clássicos, um dos álbuns que gosto mais é o 'Pure Instinct' e nem uma musiquinha para amostra, o concerto foi mais centrado no album 'Sting In The Tail'. Mais uma vez há os rumores que esta é a última vez que passaram em Portugal numa tour, vamos lá ver se será realmente verdade ou ainda os vou conseguir ver ao vivo outra vez.

Scorpions Setlist MEO Arena, Lisbon, Portugal 2014, Rock 'n' Roll Forever Tour

quarta-feira, março 05, 2014

Debug no NodeJS

Comecei a 'brincar' com o NodeJS há só 2 semanas por isso sou relativamente inexperiente nesta tecnologia. Rudemente, o NodeJS é uma framework que nos possibilita construir aplicações web-based mas em que o server side é conseguido à custa de javascript.

Quando peguei nos primeiros exemplos, comecei por coisas muito minimalistas, comecei a construir bases, a evoluir pequenos exemplos. Pelo facto do javascript ser executado server side não existe maneira directa de fazer debug ao código, se nos primeiros exemplos os console.log iam dando para resolver os problemas, conforme comecei a fazer código um pouco mais complexo o console.log já não era suficiente, estava a demorar imenso tempo a fazer debug e nem sempre era linear chegar ao problema.

Após uma pesquisa e uma ou duas conversas com amigos esta a a forma de fazer debug ao NodeJS para dummies:

1. Instalar o módulo node inspector
Isto pode ser conseguido de 2 formas. A primeira executando o comando npm install node-inspector. A segunda forma é colocar no ficheiro de configuração package.json, na área de devDependencies a seguinte entrada - "node-inspector" : "*", de seguida é só executar o npm install para que o package do node inspector seja adicionado ao projecto.

2. Inicia servidor de debug
Abrir uma nova consola e escrever: node-inspector &.

3. Executar a nossa aplicação em debug
Na nossa consola ir para a directoria do nosso ficheiro javascript e escrever: node --debug-brk [nomeDoFicheiro].js (Ex: node --debug-brk main.js). Isto vai colocar um break point automático na primeira linha de código do ficheiro javascript.

4. Debug no browser
Ir a um browser que tenha uma ferramenta de debug instalada, eu por exemplo utilizo o chrome, e escrever: http://127.0.0.1:8080/debug?port=5858

E está feito, no browser irá aparecer o código com o debugger parado na primeira linha do ficheiro, podendo agora ser feito tudo o que normalmente é feito com um ficheiro javascript típico, executado em client side.



segunda-feira, março 03, 2014

Meia maratona de Cascais

Vou começar por algo que nem deveria falar, e se estou a falar é mau sinal, a (des)organização da prova.
  1. Em primeiro lugar acabaram com a tradição dos nomes nas t-shirts, não é que seja importante para a prova, mas era uma tradição gira e única, procurar o nosso nome na imensa lista escrita na t-shirt de todos os participantes do ano anterior.
  2. E a partir deste para mim todos os erros são graves, a existência de divisões entre os atletas de modo a por os mais rápidos à frente para não serem estorvados pelos atletas mais lentos é sempre uma excelente ideia. O problema é que a prova começava às 10h e a essa hora ainda nem as zonas de acesso tinham sido abertas, depois apressadamente mandaram avançar os restantes atletas sem abrirem as zonas restritas, ou seja, quando nós tentámos entrar para o corredor da partida já este estava cheio com os atletas mais lentos que se chegaram logo à frente, todos atafulhados feito metro em hora de ponta.
  3. Alteraram o percurso da prova, começando este ano no sentido contrário ao habitual. No anterior sentido começava-se logo com uma subida, o que fazia com que os atletas se dispersassem logo devido à dureza inicial, evitando assim atropelamentos.
  4. E por fim o mais grave de todos, segundo o regulamento da prova, a distância da corrida seria de 20km, o que se veio a verificar é que a distância era sensivelmente uma meia maratona, pode parecer pouca a diferença, mas para quem vai em esforço faz muita diferença. Aliás até a marcação dos quilómetros estava mal o que torna a situação ainda mais ridícula, até ao quilómetro 15 tudo bem quando apareceu a placa do quilómetro 16 tinham passado dois quilómetros, já o GPS marcava 17 quilómetros. No diploma final então está escrito no cabeçalho 20km+1, a organização para algumas coisas referia 20kms para outras já referia 21kms, totalmente inadmissível e de uma falta total de profissionalismo.
Passando agora à corrida em si, gostava de fazer melhor tempo que no ano anterior e se possível baixar de 1h30m, mas com a minha falta de treino devido aos problemas físicos que tenho tido, achei que era quase impossível, fui fazer a prova simplesmente tendo como ideia dar o meu melhor. Tive alguma sorte e apanhei o grupo ideal a partir do quilómetro 4, éramos 6-8 atletas com um ritmo muito idêntico formando um pequeno grupo o que ajudou a enfrentar o vento frontal na zona do Guincho. Ao quilómetro 10 ia com 43m30s, ou seja, estava 1m30s melhor que o tempo de 1h30m aos 20kms, se conseguisse manter o ritmo acabaria os 20kms com 1h27m, estava tudo a correr melhor que o esperado.

Pouco depois de dar a volta na praia do Guincho passam por mim os meus dois colegas de equipa o Luís Graça e o Pedro Castro, sabia que o ritmo deles era mais forte que o meu, mas mesmo assim saí do grupo e fui da corda deles. A minha ideia era tentar ir o máximo tempo com eles num pequeno esticão, de modo a ganhar algum tempo para depois gerir no final. Ainda consegui ir 2-3 kms com eles mas tive de os largar na altura do último abastecimento. Se tivesse em boa forma provavelmente a minha estratégia teria resultado muito bem, assim acabei por ser apanhado novamente pelo grupo onde estava inicialmente e quando o terreno subiu ligeiramente comecei logo a perder o contacto. Desta vez errei na estratégia, mas nem sempre se pode acertar, e prefiro que seja assim do que agora estar a pensar o que poderia ter feito se tivesse saído naquela altura com eles.

Cheguei ao quilómetro 20 com 1h27m30s, tinha melhorado o meu tempo do ano anterior e tinha baixado de 1h30m objectivo cumprido, mas ainda faltava mais 1 quilómetro até ao final. Devo dizer que estava fisicamente muito cansado, mas mentalmente ainda estava mais e desmoralizei um bocado neste quilómetro, normalmente o meu último quilómetro até é dos mais rápidos, ainda por cima nesta prova é quase sempre a descer, mas já tinha perdido todo o foco da prova, fui a correr calmamente até ao final acabando com 1h32m26s. Pouco depois chegou o Tiago Neto que na sua estreia numa prova superior a 10kms acabou apenas a 25 segundos de mim, um excelente resultado e deixa-me a pensar o que nós os 2 poderemos fazer em conjunto se puxarmos um pelo outro, muito provavelmente conseguiremos melhor.

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

A Marmita

Desde que comecei a trabalhar nunca fui muito de ir almoçar fora, por 2 motivos, a refeição sai muito mais cara e nem sempre se come bem. Quando digo comer bem falo tanto em quantidade como qualidade, por exemplo eu utilizo muito pouco sal da cozinha, e quando almoço fora a maior parte das vezes sinto a comida salgada, além de eu utilizar pouco sal os restaurantes normalmente até usam mais que o normal para aumentarem o consumo de bebidas.

Logo a solução é trazer a marmita de casa com o comerzinho confeccionado na noite anterior. Mas às vezes chego a casa tarde e cansado dos treinos, cozinhar não é a coisa que me apeteça mais. Esta semana a minha empresa fez uma parceria com uma empresa que por curiosidade se chama 'A Marmita'. O serviço que esta empresa disponibiliza é a entrega no escritório da refeição, a preços mais apelativos e o comer vem até nós. A quantidade não é a ideal para um animal como eu, mas devo dizer que até é simpática, tudo muito profissional, a comida vem devidamente embalada e pronta a aquecer no microondas. 

Além desta empresa ainda encontrei outra que disponibiliza os mesmos serviços o almoço.come. Não vai ser a minha solução diária, mas sem dúvida que vai ser a minha solução desenrasca, até às 23h do dia anterior posso fazer a encomenda do almoço do dia seguinte, nalgum dia que chegue a casa mais tarde e não tenha almoço para o dia seguinte, aqui vou eu chamar a Marmita.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Preparar colonoscopia e colonoscopia

Este post tem de começar pela típica frase readers discretion is adviced (avisam-se os leitores mais sensíveis), pois não vou ser meiguinho nas palavras. Tudo começou com umas dores abdominais que tenho tido, e como já ia nisto há mais de um mês decidi ir ao a uma consulta de gastrenterologia. Após uma consulta preliminar o médico não detectou nada de anormal à apalpação intestinal, mas em todo o caso decidiu fazer uma fibrosigmoidoscopia, que basicamente é uma colonoscopia mas muito menos invasiva pois analisa só o cólon esquerdo que é onde tenho sentido dores.

A preparação para a colonoscopia 
Apesar de não ir fazer uma colonoscopia o médico decidiu que deveria fazer a preparação como se fosse para uma colonoscopia (e a boa hora o fez) de forma a que o intestino estivesse o mais limpo possível. Apesar do médico ter dito que poderia fazer meia preparação, acabei por fazer a preparação total, pois quem faz meia também faz a total (e a boa hora também o fiz) e assim não corria o risco de ter de repetir o exame por o intestino não estar limpo o suficiente.

A preparação para uma colonoscopia pode ser encontrada em diversos sítios (aqui, aqui e aqui por exemplo) e apesar de pequenas divergências existem algumas regras base:
  • No penúltimo e antepenúltimo dia antes do exame não comer nada que tenha digestão mais demorada como: frutos secos, leguminosas, hortaliças, cereais ou casca de frutas. Nestes dias ter também refeições mais leves.
  • Último dia só de líquidos e não comer ou beber nada nas 6 horas antecedente para o caso de ser necessário anestesia.
Esmiuçando um pouco mais o que me aconteceu no último dia porque para mim foi a parte mais complicada desta história toda. O meu pai, que já fez uma colonoscopia, avisou-me que deveria por férias no dia da colonoscopia porque a preparação do último dia era um bocado 'complicada', e assim o fiz apesar de pensar que o ia fazer só por descargo de consciência.

A minha fibrosigmoidoscopia estava marcada para as 18h, almocei no dia anterior e durante a tarde não comi mais nada. Fui jogar a minha futebolada semanal e escusado será dizer que quando cheguei a casa às 22h estava esganado de fome. Entra então a parte dos líquidos e do Moviprep que é um laxante. Poderia comer 3-4 tostas com doce, que seria a minha última dieta sólida antes do exame, com 1 litro de Moviprep, seguido de pelo menos 1 litro de outro líquido como água ou chá. Dizem a maior parte das pessoas que beber 1 litro de Moviprep é muito custoso, da minha experiência não me custou, é igual a beber sais digestivos como Eno, e como não tenho problemas em beber líquidos sem sede isso também não foi um problema, e além disso também dava para enganar a fome.

Em 30 minutos lá foi o Moviprep e agora era pelo menos 1 litro de chá, este já demorou mais tempo porque já devia ter o estômago cheio e beber mais de 2 litros de líquidos em uma hora não é propriamente normal. Como me disseram que o Moviprep ia provocar uma diarreia quase instantânea ainda estive acordado até à 1h da manhã, fui à casa de banho mas a vontade não era muita nem sequer era em forma de diarreia. Às 3h30m acordo e aí foi correria até à casa de banho como se o Mundo fosse acabar, 10 minutos de feroz sonoridade na casa de banho volto para a cama preparado para terminar o meu sono de beleza. Não...nem 2 minutos depois de me deitar nova correria para a casa de banho e aí a diarreia passa de semi-líquida para totalmente líquida, o que era o esperado acontecer antes do exame. Volto à cama e desta vez sim para dormir mais umas horinhas.

Às 7h da manhã a segunda ronda, repetir o processo, mais 1 litro de Moviprep e 1 litro de chá. Posso dizer que nas 2 horas seguintes o tampo da sanita não arrefeceu, não sei quantas vezes fui à casa de banho mas estive lá sem dúvida mais de 80% do tempo. Já pensava para mim - "De onde vem tanta merda!?!?". Daí até as 17h, hora que saí de casa, foi uma fominha, ui...era mascar pastilha, derreter rebuçados na boca, todo o truque permitido para enganar a fome, só pensava em comer um rodízio quando saísse do exame.

A colonoscopia
Como o exame iria ser uma simples fibrosigmoidoscopia, o médico decidiu não usar anestesia, ia ser um procedimento simples de 10 minutos. Agora entra a parte que normalmente melindra a nossa masculinidade - vão enfiar-me um tubo pelo cu acima - bem devo dizer que esse procedimento é algo idêntico a tomar um supositório, por isso não é nada demais, basicamente é colocado um tubo no ânus pelo qual é passado então a câmara para visualizar o intestino, então porque raio normalmente se leva anestesia? O problema é que o intestino naturalmente está colapsado e é necessário injectar ar para passar a câmara, e isso vai provocar cólicas.

Logo no início do exame o médico detectou um pólipo que com a minha idade não deveria estar lá. Depois de umas breves palavras ele disse que iria avançar mais visto eu ter feito a preparação total e o intestino estar bastante limpo, então uma fibrosigmoidoscopia de 10 minutos passou  a ser uma colonoscopia de 30 minutos...sem anestesia. Tudo corria bem até chegarmos à entrada do intestino delgado, apesar das cólicas as dores eram suportáveis. Nessa altura é que a coisa complicou a válvula entre os intestinos não estava com vontade de abrir e durante mais de 5 minutos o médico tentou passar a câmara porque era importante ver a mucosa intestinal. Depois de muito ar colocado dentro do intestino e dores já bastante significativas lá conseguiu aceder ao intestino delgado, estava tudo bem.

Altura de voltar ao início do intestino e remover o pólipo, nessa altura parecia um balão a perder ar, a minha zona abdominal deve ter reduzido para metade do tamanho, e que alívio foi. Mesmo assim as dores que senti quando tive a apendicite e o sofrimento que tenho em provas mais longas ultrapassa as dores que senti na colonoscopia, é nestas alturas que percebo realmente, por comparação, que o sofrimento de uma prova pode ser superior ao sofrimento de um exame que normalmente é feito com anestesia.

Durante a hora seguinte ao exame nem me lembrei da fome ainda estava com cólicas que só aliviavam comforme ia libertando o ar que ainda tinha no intestino (termo técnico para peidar). Agora é só voltar a regular o intestino, estou hoje a tomar Imodium, apesar do médico dizer que não era necessário que ia voltar à normalidade progressivamente mas hoje precisava de vir trabalhar, por isso não podia passar a vida na casa de banho como passei ainda esta noite. Vamos então esperar pelos resultados à biopsia ao pólipo.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Duatlo das Lezírias

Lembrava-me de há uns anos atrás ter visto umas fotos do Henrique Coelho durante o Duatlo das Lezírias em que ele estava totalmente coberto de lama, e se nos últimos anos não tenho conseguido ir a este duatlo este ano estava planeado logo desde o início porque tinha alguma curiosidade.

Apesar de não andar a treinar regularmente, devido a dores abdominais, achei que era mais uma prova e que bem ou mal lá a iria concluir. Quando chego ao local da prova vi logo que a coisa não ia ser assim tão fácil, chuva forte e pior que isso rajadas de vento que se fosse enfrentado de frente não ia ser brincadeira.

A primeira parte da corrida nem foi mau de todo, apesar das dores constantes fiz os 6km em cerca de 26 minutos, não é dos meus melhores tempos mas nada que me envergonha. Neste pequeno circuito apercebi-me logo que no regresso o vento estava realmente forte e tentei sempre abrigar-me num grupo de atletas para poupar um pouco.

Começa a bicicleta e ainda consegui sair relativamente cedo do parque. Os primeiros quilómetros eram sempre feitos contra o vento com uma chuva chata e constante, nessa altura consegui mais uma vez apanhar diversos grupos para me ir abrigando do vento. Mas o vento era tanto que quando invertíamos a direcção a velocidade chegava a duplicar, só pelo facto de deixarmos de estar contra o vento.

Entramos então na malfadada zona de lama, não sei precisar com exactidão mas deveriam ser 4 kms a andar em lama tão funda que às vezes até os pedais roçavam no chão, poças que chegavam aos pés, e a chuva continuava...um verdadeiro tormento.

Conclui a 1ª volta (15km) com 55 minutos, nessa altura pensei pela primeira vez em desistir, se a prova acabasse ali até tinha dado para disfarçar as minhas debilidades físicas, pode parecer muito tempo para 15kms mas até não tinha sido nada mau dadas as condições climatéricas.

Começo a apanhar um fortíssimo vento de frente, e sem estar em grupo não conseguia andar a mais de 8-10km/h, até desejei chegar à zona da lama onde apanhava o vento pelas costas. Nesta altura estive mesmo por um fio de dar meia volta e acabar ali a prova, sentia-me vazio, cheio de fome porque não ia preparado para uma prova tão dura e tão longa, e as dores abdominais cada vez me atormentavam mais, mas mais vale partir que vergar e enquanto não caísse para o chão o caminho era em frente.

Ao dar uma curva a 90º vejo o Pre a aproximar-se decidi esperar por ele a ver se apanhava a 'boleia'. Ele chega ao pé de mim e durante 1-2 minutos ainda tenta puxar por mim e eu tento seguir com ele, mas acabei por lhe dizer para ir em frente que eu estava demasiado debilitado e ia só dar cabo da prova dele.

Novamente na zona de lama, parecia que tinha descido ao inferno, tive de apear umas quantas vezes e ir a 'correr' ao lado da bicicleta, com lama pelos tornozelos, estava tão cansado que não conseguia manter o equilibrio em cima de bicicleta e ia caíndo umas quantas vezes. Acabei a 2ª volta com 1h30m para se ter a noção da quebra física que tive.

Finalmente a parte da corrida outra vez, agora já não ia desitir, por muito cansado que tivesse, já sentia fortes dores também nos joelhos devido ao esforço (ainda hoje sinto), tinha de me arrastar até ao à meta. Se os primeiros 6kms fiz em 26 minutos estes 3kms fiz em 21 minutos, o meu cansaço era mais que evidente.

Tenho de dar os meus parabéns ao Pre pela brilhante prova que fez, e apesar de não lhe ter dito o facto de ele ter chegado ao pé de mim foi um dos motivos que ajudou a que eu não desistisse da prova, porque se ele ia conseguir concluir a prova eu também iria conseguir nem que tivesse de arrastar o meu cadáver até à linha de meta. Os resultados finais podem ser vistos aqui.


segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Aldeia de Monsanto

Este fim-de-semana fiz uma incursão pela Beira Baixa na qual acabei por visitar a aldeia de Monsanto. Para mim Monsanto era o parque de Lisboa, nem sabia que existia uma aldeia de Monsanto, e como eu muita gente deve pensar o mesmo. Quando digo que o nosso país é pequenininho mas tem muita coisa interessante e bela para conhecer, Monsanto incluí-se num desses locais.



Monsanto é uma aldeia medieval, perdida no topo de um monte, o que possibilita uma vista fenomenal sobre toda a região. Chegar ao topo também pode ser um desafio para os menos preparados, o carro tem de ficar a alguma distância e o caminho até ao castelo tem de ser feito a pé. Reparei que havia um trilho que percorria a zona do castelo, o trilho Penedos Juntos, e como sei que os trilhos têm como objectivo mostrar os locais mais interessantes, sugeri seguirmos o trilho.


Uma coisa que achei curiosa é que haviam mais turistas espanhóis que portugueses, estamos a umas dezenas de quilómetros da fronteira e os espanhóis acabam por vir desfrutar das belezas do nosso país muito mais que nós próprios. Para quem puder dar um saltinho, pois não é uma viagem que fique assim tão barata, portagens e combustível, aconselho vivamente a uma visita.