segunda-feira, julho 28, 2014

Ultra Atlântica

Para mim o dia começou bem cedo, tinha de estar em Setúbal para apanhar o ferry às 5h45m, por isso eram 3h45m e estava eu a levantar-me da cama. Devo dizer que estava com imenso receio desta prova, seria a distância mais longa que alguma vez tinha corrido, e ainda por cima sempre em areia. A prova arrancou de Melides às 9h, tempo ameno, sem vento, e a areia mole como tudo que enterrávamos os pés e tornozelos, mesmo alguém leve como eu.

Achei curioso as diferentes estratégias a nível de equipamento, houve quem corresse descalço, só com meias, com ténis, uns com camelback, outros com garrafas à cintura, um pouco para todos os gostos, eu corri de ténis e camelback, acho que para mim é a forma que mais se adapta. Os primeiros 15kms foram feitos a um óptimo ritmo, fui sempre com um outro atleta que tinha conhecido no início da prova, ajudou a passar o tempo e a esquecer o cansaço. Aos 15kms iamos com 1h42m de prova, um tempo excelente dada a dureza do percurso. Nessa altura desci um pouco o ritmo, as pernas estavam a ficar cansadas e ainda faltava muito.

Daí e até os 20km mantive o meu companheiro de corrida a uma distância ainda alcançável, aos 20km passei com 2h26m, estava a quebrar ligeiramente mas o tempo ainda era bastante bom. Aos 21km apanho o meu colega outra vez, seguimos juntos uns minutos até que tive de parar a primeira vez para tirar a areia de dentro dos ténis. Nessa altura já me sentia muito débil e pensei que não ia conseguir terminar a prova, ainda estava a meio e as pernas não respondiam. Até os 28,5kms passámos umas quantas vezes um pelo outro, ora eu ultrapassava-o ora ele me ultrapassava e aos 28,5kms devia de ir mesmo com 3-5min de vantagem. Nessa altura era o único abastecimento que tínhamos, estava com cerca de 4 horas de prova e sentei-me na areia para por as coisas na mochila, comer e beber algo. E depois para me levantar...não conseguia, rebolava para a esquerda e não tinha força para me levantar, rebolava para a direita e a mesma coisa. Entrei em conflito comigo próprio, abandono a prova ou não, estava em sofrimento atroz, mas já tinha sofrido tanto que não queria desperdiçar esse esforço, tinha as virilhas e as entre pernas todas assadas devido à água com sal, estava mesmo em agonia.

Lá fui desencantar forças não sei bem onde, levantei-me a cambalear e segui a andar. Essa foi a pior fase da prova, estava tão cansado que ia caindo uma meia dúzia de vezes, qualquer pequena ondulação parecia uma maré gigante a fazer-me rasteiras aos pés. Nessa altura já muitos atletas começavam a andar e das coisas mais desmotivantes que já senti até hoje era ver alguém a andar à minha frente, e eu num ligeiro passo de corrida não conseguir encurtar distância, o que significava que estar a andar ou a correr aquela velocidade era a mesma coisa. Por volta dos 34kms voltei a parar para tirar a areia dos ténis, estava tão cansado e os quilómetros pareciam não passar, nesta altura já sentia que não estava numa prova de atletismo mas sim numa prova de sobrevivência.

A seguir à placa dos 37,5km era a única altura que a areia estava minimamente boa para correr, os pés já quase não enterravam e já não estávamos todos tortos porque ali o areal era direito. Ainda consegui correr aceitavelmente durante uns 3kms até ficar sem energia. A partir daí foi a andar e a correr a trote até à meta, no final já com muito apoio inclusivamente de outros atletas. Quando olho para o relógio na meta marcava 6h59m, um pequeno "sprint" final dentro das minhas capacidades para acabar abaixo das 7h, eram 6h59m40s quando cortei a meta e tombar de esgotamento 1 metro a seguir. Os meus colegas vieram logo ver como estava e um elemento da organização com uma garrafa de água, só queria era respirar e já respondia a tudo o que quisessem. Sofri como nunca mas acabei, numa prova onde desistiu imensa gente, onde ouvi comentários como - "Este ano foi o pior nunca tínhamos apanhado areia tão mole!"- ou -"Estou farto de fazer trails de mais de 60kms e nunca me senti tão mal como hoje". Bem, mission accomplished, ainda não há classificações mas o mais importante está feito, acabei!!!


segunda-feira, julho 14, 2014

Como criar uma empresa?

Há cerca de 2 meses estive no processo de criação da minha empresa, e apesar dos simplex e da redução das burocracias, o processo continua a não ser linear e continua a levantar algumas dúvidas. Vou deixar aqui um pequeno guião, não oficial, mas que representa a experiência que tive.
  1. Falar com vários TOCs (Técnico Oficial de Contas), existe uma pequena variação de preços entre eles, mas quanto a mim deve ser escolhido aquele que nos dá mais garantias de satisfação, o TOC deve ser visto como o nosso 'simplificador de vida' a partir do momento em que a empresa é criada.
  2. Escolher o nome da empresa, pode parecer algo simples, mas o meu conselho é escolher uns 3-5 nomes porque quando se for fazer o registo os critérios para aprovação de nome são algo chatinhos.
  3. Entretanto começar a ver bancos e as condições que cada um oferece, após o registo da empresa temos 5 dias úteis para associar a empresa a uma conta bancária.
  4. Falar com seguradoras pois é necessário ter um seguro de acidentes de trabalho, nem que seja uma unipessoal é necessário o sócio-gerente ter seguro.
  5. Criação da empresa em si, existem neste momento 2 formas:
    1. Deslocando-se a um IRN (Instituto dos Registos e do Notariado) e de preferência um que tenha uma conservatória no mesmo espaço de modo a que a aprovação do nome seja imediata. Esta foi a opção que tomei, apesar de ser mais cara saímos do IRN já com tudo tratado e sem mais preocupações deste tipo.
    2. A segunda opção não foi a que utilizei mas também me parece simples, é o registo online através do Portal da Empresa. A parte que normalmente pode ser mais complicada para quem não é informático, é a necessidade de ter um leitor de cartões para ler o cartão do cidadão e depois é necessário ter um software de assinatura digital de pdf, existem vários gratuitos como por exemplo o ePaperSign, é possível ver como se faz a assinatura neste vídeo. Para fazer a criação online existe este guião que é só seguir e torna as coisas muito mais simples.
  6. Finalmente depois de registar a empresa há o prazo legal de 15 dias para dar a abertura da actividade na segurança social. Esta abertura de actividade deverá ser feita no início do mês pois se for feita por exemplo a dia 25 ainda é necessário pagar segurança social nesse mês, logo é melhor dar início de actividade no princípio do mês para não se desperdiçar dinheiro. Neste processo o TOC já poderá auxiliar, como tudo o restante daqui para a frente.
  7. Escolher um software de facturação que exporte ficheiros SAF-T PT que são necessários para as finanças, existem vários gratuitos, eu por exemplo estou a utilizar o weoInvoice, e para pequenas e médias empresas é mais que suficiente, mas mais uma vez o TOC será uma ajuda preciosa neste aspecto.

segunda-feira, julho 07, 2014

Triatlo de Caminha

Nunca tinha experimentado o triatlo longo e para quem só faz triatlos há 1 ano achei que era um risco ir fazer um triatlo longo, ainda por cima o de Caminha que para quem conhece é um dos triatlos mais duros do país, mas lá me deixei convencer pelos meus colegas de equipa.

Arrancámos para Caminha no sábado às 6 da manhã, 450km e 5h30m depois lá chegámos a Caminha, o tempo totalmente fechado de chuva e eu a começar logo a dizer mal da minha vida. Queríamos ir fazer o reconhecimento de parte do percurso mas nem isso estava fácil, sempre a chover. Lá para as 16h30m lá houve uma aberta, agarrámos nas bicicletas e fomos fazer os quilómetros iniciais onde estão algumas das rampas mais agressivas. Quando acabamos a primeira rampa de 2-3 quilómetros e com percentagem média acima dos 10%, com rampas superiores a 20%, pergunto-me a mim mesmo: "Eu amanhã vou ter de passar 2 vezes por aqui e já com desgaste acumulado...estou desgraçado, como vou fazer isto?". Voltamos para casa e vamos fazer o reconhecimento da corrida, fomos correr para uma parte de pinhal com um pouco de areia solta, não era muito duro, mas também não era alcatrão.

À noite fomos jantar juntamente com os outros atletas num jantar promovido pela organização, uma atitude de tirar o chapéu à organização, oferecer o jantar a todos os atletas que quisessem e promover o convívio muito boa iniciativa, ainda para mais o jantar estava bem servido e a pensar em quem ia fazer um esforço significativo no dia seguinte. Durante a noite, por volta das 5 da manhã acordo com a chuva a bater violentamente na janela, mais uma vez começo a dizer mal da vida, a chuva iria tornar as descidas de bicicleta muito mais perigosas além do frio que iríamos ter por estarmos molhados.

Quando me levanto às 6h30m já a chuva tinha passado, não sabia nessa altura mas íamos ter sorte com o tempo, acabou por não chover, só caiu um pequeno borraço no topo da serra durante a primeira volta do segmento de ciclismo, e o tempo manteve-se enublado quase até ao fim do ciclismo, ou seja acabou por estar uma temperatura ideal para quem fazia um esforço físico e sem chuva durante toda a prova.

A prova começou já eram quase 9h, a organização esteve bem mais uma vez, este ano o segmento de natação foi feito a favor da corrente, a prova já é dura o suficiente para termos de nadar contra a corrente como foi o ano passado. A ida de ferry até à partida no meio do rio também é giro, vamos ali todos na amena cavaqueira a trocar experiências enquanto o nervosinho miudinho começa a aparecer. Com a corrente a favor escusado será dizer que parecíamos foguetes na água, queria fazer um tempo abaixo dos 35 minutos neste segmento e acabei por fazer 29m30s, sem grande esforço e fazendo certamente mais de 2 quilómetros em vez dos 1,9 quilómetros que era suposto fazer em linha recta. Acabei por ser o 70º neste segmento ali no meio do pelotão como é habitual no segmento de natação.

Preparar para a tortura, o segmento de bicicleta, esperar ter a sorte de não ter nenhuma avaria nem nenhuma queda visto que as descidas eram algo perigosas e eu gosto de descer rápido. Ao final das 2 primeiras grandes subidas passa por mim o meu colega João Santos, não consegui ir com ele mas mantive-o sempre em linha de vista, as rampas duras não deixavam criar grandes distanciamentos. Quando começaram as descidas mais técnicas apanhei-o e passei por ele. A parte final de cada volta era um pequeno sobe e desce constante, nessa altura eu e o João mantivemos-nos juntos de modo a psicologicamente ser mais fácil.

No início da segunda volta na parte das rampas mais agressivas perdi o João de vista, senti que tinha de controlar o ritmo porque as coças estavam a ficar pesadas. No final das rampas mais agressivas pensei para mim que o pior já estava, o problema é que estava muito mais desgastado do que na primeira volta, e rampas curtas mas agressivas que na primeira volta fazia com a potência do embalo agora a coisa já não era bem assim. Nesta altura ainda me juntei a um atleta do Alhandra e fomos puxando um pelo outro e trocando umas palavras como maneira de esquecer o sofrimento. Quando faltava 15-20 quilómetros para o final e começa novamente aquele pequeno sobe e desce constante nessa altura foi quando me senti pior ao longo de toda a prova, as pernas já não respondiam, doía-me as lombares e as dorsais, e além disso tinha ficado sem a companhia do atleta do Alhandra passaram por mim uma meia dúzia de atletas. No final desse sobe e desce aproveitei para parar 1 minuto para a minha 2ª paragem por motivos fisiológicos e ao mesmo tempo conseguir respirar que o segmento da bicicleta estava quase a acabar e o pior já tinha passado, mas agora tinha de "dar o litro" na corrida.


Acabei o segmento de ciclismo ligeiramente abaixo das 4 horas que era o meu objectivo, apesar disso fui só o 118º na bicicleta e estava com a sensação que não tinha mais ninguém atrás de mim, que era mesmo o último. Estava agora com sensivelmente 4h30m de prova, queria apanhar pelo menos 1 atleta na corrida para garantir que não ficava em último, mas não via ninguém quando saí do parque de transições. As sensações eram boas, estava a correr bem e abaixo do meu objectivo que era 5min/km. Quando entro no pinhal que era uma parte mais dura começo a passar atletas, rapidamente passo 4, já não ia ser último. Nessa altura passa em sentido contrário o Carlos Sá que estava a fazer em estafeta, no final ainda acabei por trocar umas palavras com ele, um simples "Parabéns pela prova!", mas deu para perceber a humildade de um dos melhores atletas nacionais e um dos nossos porta estandarte.

Voltando ao segmento de atletismo, entro na parte mais dura que nem estava contar com ela, muita areia solta, muitas pedras, ao bom estilo de uma corrida de trail, e aí sozinho e sem referências a minha média começou a baixar um pouco, apesar de me continuar a sentir bem mas não tinha o estimulo de ter alguém à frente ou atrás. Após esses troços mais duros começo a avistar atletas claramente debilitados, alguns a andar inclusivamente, entro em modo predador, apanho um, e mais um, e mais um...acabei inclusivamente por ultrapassar o João Santos que o tinha perdido no início da segunda volta do ciclismo e o atleta do Alhandra que tinha feito parte da segunda volta do ciclismo comigo. Durante o segmento de atletismo apanhei 15 atletas, o que vamos ver acaba por não ser anormal, tenho um ciclismo muito fraco e saiu tarde, como o meu atletismo é forte, acabo por estar junto a atletas com menos disponibilidade física, torna-se fácil ganhar lugares.


No final acabei o atletismo com uma média pouco superior ao que queria, mas em boas condições físicas, sentia que se tivesse de correr  mais 10kms corria e ainda ia apanhar mais meia dúzia de atletas. Acabei por ser o 70º no segmento de atletismo tal e qual como fui na natação, o que normalmente acontece a minha posição na natação é idêntica à da corrida, acabando com 6h20m de prova no lugar 101º da classificação geral. Super contente por ter acabado inteiro o meu primeiro Half Iron Man, assim como pelos meus companheiros de equipa, todos nós os 6 acabámos, sendo 4 de nós estreantes nesta distância, apenas o Nelson teve uma pequena queda na bicicleta que lhe deixou uma mão esfolada, mas sobreviveu e acabou a prova. Uma palavra de agradecimento à organização, bons abastecimentos (tirando depois de cortar a meta que não havia nada de substancial para comer), simpatia, prova lindíssima a nível de ambiente natural, bom esforço para que tudo corresse bem. Fica aqui a foto dos estreantes no final da prova para a posteridade com o Nuno Santos, o Nelson Moreira, eu e o Ricardo Costa.


quinta-feira, julho 03, 2014

Economia paralela

Desde que criei a minha empresa tenho tido um cuidado extra no que toca a pedir facturas, se já tinha o hábito de pedir agora é pré-requisito que me passem factura. O que tenho notado é que tirando as grandes superfícies e grandes eventos que não conseguem fugir ao fisco, ninguém tem vontade de passar factura e quando pedimos ainda somos olhados como criminosos.

Restaurantes, estadias em apartamentos, inscrição em provas desportivas e em muito mais situações as respostas típicas são: "Nós não passamos factura.", "Se quiser factura não é este o valor", "Ou paga a conta toda a dinheiro ou não lhe posso passar uma factura total", ou pior do que isso nem obtemos resposta quando fazemos a pergunta.

Por isso é que todos nós depois somos sobrecarregados de impostos, se a evasão fiscal não fosse tão grande todos nós pagaríamos menos impostos e o valor dos serviços e produtos seria mais baixo, enquanto assim continuarmos a maioria vai continuar a pagar mais, para uma minoria que continua a fugir aos impostos, mas a culpa é de todos nós que compactuamos com esta situação, e contra mim também falo, enquanto formos coniventes os criminosos somos nós e os outros é que se andam a rir às nossas custas.

segunda-feira, junho 30, 2014

Remada Musa 2014

Esta já é a 3ª vez que participo na Remada Musa, no primeiro ano desisti, o ano passado fiz na categoria livre com todo o equipamento de mergulho, este ano ia tentar novamente acabar na categoria corajoso depois de ter desistido no primeiro ano. Mas este ano levava um reforço de peso, o meu fato de triatlo, frio não ia passar e não ia desistir novamente por hipotermia.


Se no ano passado o meu número tinha sido o 69 este ano voltei a ter um número caricato, o número 13. Numa prova tão longa comecei calmamente tentando ir no meio de um grupo. Sabia que quanto mais saísse para longe da costa melhor, seria uma trajectória mais rectilínea, não podia era falhar as bóias. Ao passar a 3ª bóia o grupo dividiu-se, acabei por ir com outro nadador numa trajectória mais exterior. Curiosamente à passagem da 5ª bóia frente à praia do Tamariz o grupo voltou a juntar-se para passado uns minutos se voltar a dividir. 

Nessa altura fiquei sozinho, 2 nadadores abriram para fora e 2 ficaram mais junto à costa, como já conheço bem o percurso, decidi apontar ao edifício branco, alto um pouco antes da praia de S. Pedro, que era onde estava a meta. Essa altura é chata, há poucas referências visuais para nos guiarmos, e sozinho torna-se monótono. Ainda parei frente ao barco da organização para tirar umas fotos e eles perguntarem-me se estava tudo bem, e lá segui caminho.


Na ponta de S. Pedro vejo os meus dois colegas que tinham ido numa trajectória mais exterior, acho que andaram mais que eu, mas como foram a puxar um pelo outro tinham sido mais rápidos. Naqueles 400m finais até chegar à praia ainda os tentei apanhar, mas levava mais de 50m de atraso e já algum cansaço acumulado, acabei quase em cima deles mas não consegui apanhá-los, devia ter ido com eles quando o grupo se separou mas isso é fácil de analisar depois de ver o resultado. De qualquer modo a prova correu-me muito bem, fiz um tempo que não consigo fazer em piscina, está bem que não tenho o fato para me ajudar na piscina, mas o tempo final de 1h22m foi excelente para mim.


terça-feira, junho 17, 2014

Marginal à noite

Depois de ter baixado dos 40 minutos aos 10kms estava com alguma curiosidade para ver se tinha sido um acaso ou se conseguia manter aquele ritmo. O ano passado a Marginal à Noite tinha-me corrido bastante bem e como já conhecia o percurso não tinha grandes surpresas, sabia o que esperar, era uma vantagem que tinha para este ano.

Apesar de ter chegado 15 minutos antes da partida, o facto de ser uma corrida com muitas pessoas fez com que já ficasse muito atrás, quando passei pela partida já a prova levava 1m50s. O primeiro quilómetro foi para esquecer, muita gente a andar, que não percebo porque querem arrancar à frente já que vão a andar. Vou começar a não ir a corridas de massas que não tenham blocos escalonados de partida, para quem quer ir fazer bons tempos torna-se impossível com a confusão inicial. Só quando dividiram a estrada a meio é que consegui ir a correr no sentido contrário, sem atropelar ninguém, até os primeiros virem de frente, mas também nessa altura já estava bastante adiantado na corrida e os atletas que ali iam já tinham um ritmo muito idêntico ao meu.

Poupei um bocado as forças na última subida, tentei não baixar muito o ritmo, mas poupando um bocado para a descida final. Na descida final deixei sair o etíope e fiz aqueles 800 metros com uma média abaixo dos 3m30s/km, acabando mesmo num bom sprint e com a sensação que poderia ter puxado mais porque aguentava aquele ritmo mais tempo. Acabei com 30m55s, melhorando em 1m20s o tempo que fiz no ano passado.

Dados da minha prova:

  • Tempo de corrida: 30m55s;
  • Passagem aos 5km: 19m47s
  • Média por km: 3m58s
  • Velocidade média: 15,14km/h

quarta-feira, junho 11, 2014

Triatlo de Oeiras

Esta era a segunda prova que tinha no espaço de menos de 20 horas, se no dia anterior tinha batido o meu record aos 10km, este triatlo de Oeiras era para fazer o melhor que pudesse sem grandes objectivos e com o receio de quebrar na parte final devido ao esforço acumulado.

O primeiro segmento prometia, uma ondulação tão forte e alta que só dava para fazer surf, se fosse um banhista lá vinha o nadador salvador a apitar atrás de mim porque não podia ir para a água por estar bandeira vermelha. Muita cacetada como é habitual e dureza até à primeira bóia devido à corrente. Após a viragem da segunda bóia foi um tirinho até à areia. Apesar de não ter sido um grande tempo (pouco mais de 15 minutos), devido à ondulação, no geral até foi bom, fui o 131º em 320 triatletas.

A transição até correu bem e fui para a bicicleta ainda em muito boas condições. Até meio da prova andei quase sempre em grupos, protegendo-me e andado algumas vezes a rondar os 40km/h. Na pequena subida para o Alto da Boa Viagem não consegui seguir no grupo, 2 colegas de equipa conseguiram seguir com o grupo e eu fiquei para trás com o Zé Correia. Tenho de lhe agradecer imenso pela ajuda que me deu naquela fase que ficámos sem grupo, e onde ele puxou mais que eu para irmos apanhando alguns atletas que iam à nossa frente.

A transição para a corrida foi feita bastante rápida, tão rápida que me esqueci de levar o GPS para a corrida. No conjunto das duas transições mais a bicicleta fiz cerca de 39 minutos tendo ficado na posição 202, nada mal mesmo para quem costuma acabar a bicicleta nos 20% piores. Na corrida voltei a sentir-me muito bem como no dia anterior, parecia que ia de mota a passar todos aqueles que iam à minha frente, inclusivamente consegui ultrapassar os meus 2 colegas de equipa que tinha conseguido ir no grupo da bicicleta. Com cerca de 20m30s foi uma corrida excepcional depois de tanto esforço acabei a corrida na posição 97, e melhor que isso, consegui pela primeira vez fazer um triatlo sprint em menos de 1h15m, apesar das condições do mar, apesar do desgaste acumulado, fiquei super contente acabei na posição 145 da geral o que significa que acabei dentro da primeira metade do pelotão pela primeira vez. Foi um fim-de-semana em grande!

segunda-feira, junho 09, 2014

Aquaturismo - Azenhas da Seda

Para quem quer experimentar um pouquinho do nosso maravilhoso Alentejo, com alguma emoção, sem dúvida que as as actividades proporcionadas pelas Azenhas da Seda são algo a experimentar. O programa do fim-de-semana passou por aquapedestre, churrasco, campismo, canoagem (com alguns rápidos) e muita diversão.


Perto de Mora, numa propriedade isolada, mas com imensas condições, desde casas de banho, chuveiros de água quente, cozinha equipada, etc, podemos desfrutar da natureza ao mesmo tempo que temos todas as condições para um conforto bastante aceitável. Gostaria de levar outros amigos a este local pois tenho a certeza que iriam adorar, quem sabe um dia destes eu não volte lá.


BES Run - Lisboa

Não estava com muita vontade de ir até Lisboa para fazer esta corrida, no dia seguinte tinha o triatlo de Oeiras e estava com medo de ir às duas provas e arruinar as duas. Acabei por me mentalizar e ir ver o que dava, visto que novamente ia sair no último bloco de partida, com imensa gente à minha frente e provavelmente ia perder imenso tempo no início, não estava com nenhuma expectativa.

Passado os 2 primeiros quilómetros, 7m50s, não tinha perdido assim tanto tempo a passar a confusão inicial mas ainda estava muito no início, tantas vezes quebrei depois de bons quilómetros iniciais por isso não esta ainda entusiasmado. Nesta altura o vento estava de frente, tentei não me desgastar muito, protegendo-me atrás de outros atletas, esperar para dar a volta no sentido contrário e dependendo do tempo nessa altura, ver o que poderia tirar da corrida. Após a viragem, passagem aos 5 quilómetros, 19m45s, além de não ter quebrado até tinha ganho mais 5 segundos, mesmo com o vento de frente.

Nessa altura acelerei um pouco, comecei a passar diversos atletas e estava a sentir-me muito bem, não estava com aquela sensação de a qualquer altura poder estoirar porque estava acima do meu ritmo, e isso acima de tudo foi o que me fez pensar que podia desta vez baixar dos 40 minutos. Aos 8km estava com 31m35s, continuava a ganhar tempo, agora era quase certo que ia conseguir chegar abaixo dos 40 minutos, nem precisava de puxar muito mais.

No 8º quilómetro voltei a controlar um pouco o esforço, preparando-me para o último quilómetro que era ligeiramente a subir, este foi o meu quilómetro mais lento de toda a prova. Faço a viragem na Praça do Comércio, faltava um quilómetro, agora era sprintar e sofrer até ao final. Passei uma dezena de atletas nesse último quilómetro, apesar de ser a subir foi o meu quilómetro mais rápido da prova. No final um sprint na recta da meta e uma enorme satisfação por ter conseguido um objectivo que nem me tinha passado pela cabeça antes da prova começar.

Dados da minha prova:

  • Tempo final: 39m27s
  • Tempo médio por quilómetro: 3m57s/km
  • Velocidade média: 15,21km/h

terça-feira, junho 03, 2014

Meia Maratona da Areia

Esta prova veio como preparação para a ultra maratona do Atlântico, contudo pelo que me disseram este areal é muito mais plano o que torna tudo muito mais fácil, não podendo ser um bom ponto de comparação. De qualquer modo sempre deu para treinar a corrida em areia que é uma boa dificuldade adicional.


Os 2 primeiros quilómetros ainda consegui ir com o Rui, mas o ritmo estava a tornar-se desconfortável e como ainda era uma meia maratona decidi não embarcar em loucuras maiores e deixei-o ir (ele acabaria no 11º lugar por isso veja-se o ritmo). Até aos 8 quilómetros fui integrado num grupo de 4 corredores, nessa altura apercebi-me que tinha puxado demais e que se não conseguisse controlar o cansaço a coisa ia dar para o torto.

Ao fazer a viragem a metade da prova ainda ia com um tempo bastante bom pouco acima dos 47 minutos o que me daria um tempo final a rondar 1h35m, mesmo muito bom considerando que o piso era areia. O problema era que o vento agora era de frente e como ia sozinho ia a fazer o esforço todo. Quando fui apanhado por um grupo aí consegui descasar um bocado abrigando-me do vento, mas com o decorrer da prova cada vez me sentia mais cansado e acabei por ser incapaz de seguir com o grupo.

Outra coisa que nunca me tinha acontecido, e que aí sim foi um bom teste e aviso para a ultra, foi o consumo de água, fartei-me de beber e de despejar água sobre mim, ao ponto de até correr com a garrafa na mão eu que normalmente me desfaço rapidamente das garrafas depois de um golinho e de despejar um pouco sobre mim. Os últimos 3 quilómetros então e que foram a tortura total, já com a meta a vista parecia uma miragem que cada vez se afastava mais, só via corredores a passar por mim e eu quase a paralisar. Acabei super desgastado mais ainda no lugar 49 sendo outra vez o 22º do meu escalão com o tempo de 1h42m39s.


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h42m39s
  • Velocidade média: 12,33km/h
  • Tempo médio por quilómetro: 4m52s