sexta-feira, novembro 06, 2026

A mudança de casa

Depois de 4 anos e meio a viver na Amadora acabámos por mudar novamente, no que espero, ser agora até me mudar para o meu local final de descanso. Quando me mudei de Cascais para a Amadora tinha como propósito ficar mais perto de Lisboa para estar mais perto da escola do meu filho. E a casa da Amadora serviu o seu propósito, não posso dizer que não gostei de lá viver, foram momentos de muita felicidade que tive naquela casa, especialmente o assistir ao nascimento da minha filha. Mas a casa estava a ficar pequena e essencialmente queríamos um local mais calmo, que fosse mais adequado para criar as crianças.

Inicialmente ainda vimos casas no topo da Amadora, que é um sítio bem mais calmo mas a mim não me preenchia. Ainda nos sugeriram Famões, Ramada ou Caneças, mas tanto a minha ideia como a da Liliana era ficarmos mais perto da praia. Cascais era longe então fomos à procura de um local que ficasse perto de Lisboa e perto do mar. A Costa da Caparica também nos foi falado, mas a nossa ideia era clara, queríamos mudar para o concelho de Oeiras, fica perto de Lisboa, tem mar e é bem gerido politicamente. Vimos perto do Oeiras Parque, a Liliana e eu não desgostámos da casa, mas para mim já era muito longe e muito transito. Vimos em Porto Salvo, um pouco mais perto mas ficava mais longe da praia. A nossa zona de eleição era Caxias, ainda vimos uma ou duas casas que nos agradaram mas os negócios não foram possíveis, até que surgiu uma casa em Queijas. A casa precisava de muitas obras, mas havia potencial, então mandámo-nos de cabeça e vamos fazer acontecer, essa seria a nossa nova casa.

E 8 meses depois, muitas obras, muito tempo gasto, muito dinheiro gasto, muito esforço e muitas dores de cabeça depois, finalmente mudámo-nos para a nossa nova casa. Estou muito orgulhoso do que alcançámos, vamos poder dar uma qualidade de vida aos nossos filhos que não conseguiríamos de outra maneira, e nós próprios vamos ter outra qualidade. Queijas acabou por se tornar um local perfeito, perto de Lisboa (mais 5 minutos que a nossa antiga casa), perto do mar e com uma tranquilidade impressionante, é como se vivêssemos numa pequena aldeia, onde conseguimos ouvir os passarinhos, e ao mesmo tempo tem serviços, supermercado, correios, bancos, lojas, restaurantes, etc.

Claro que perdi coisas, na Amadora tinha o metro e o comboio à porta, estava em quase todos os locais de Lisboa no máximo em 30 minutos, tinha a natação do outro lado da rua, via os jogos do Estrela da Amadora como se estivesse no topo da bancada, estava perto de Monsanto onde adorava correr. Contudo o que ganhei é muito superior, temos mais espaço, mais tranquilidade e acima de tudo mais qualidade de vida.

quinta-feira, novembro 05, 2026

Myrath em Lisboa

Ver os Myrath ao vivo quase que era um desejo da minha bucket list, pois tinha um bilhete para os ver nos primeiros dias do confinamento da pandemia, e como perdi o concerto pelo cancelamento foi desgostoso. A acompanhar os Myrath vieram os Rose of Thieves, como banda de abertura. Algo que digo constantemente é que as bandas que acompanham devem ser sonoramente próximas da banda principal, pois quem vai para ver a banda principal, que são a maior parte das pessoas, identifica-se com a sonoridade.

Os Roses of Thieves conheci-os umas semanas antes do concerto quando comecei a ouvi-los e desde o início me agradou muito. O que me faz perceber, que mesmo pessoas como eu, que ouvem imensa música do género, que seguem imensas bandas, há sempre umas boas surpresas que nos passam ao lado.


Uma coisa nova para mim também foi o local do concerto, a República da Música, quase encostada ao bem conhecido RCA. A disposição da sala é quase em anfiteatro com o palco elevado, e mesmo eu tendo ficado quase no fundo da sala via-se o concerto bastante bem. Voltando aos Roses of Thieves, nota-se que ainda são uma banda recente, o alinhamento da setlist não foi muito bem escolhido na minha opinião, e por exemplo, a música que puxou mais pelo público foi a penúltima. 

Roses of Thieves Setlist República da Música, Lisbon, Portugal 2026

Quem já foi a muitos concertos percebe que a setlist tem de começar forte, sempre que há uma música mais calma a seguinte tem de imediatamente puxar o público para cima e a melhor música é sempre a última. Quando são bandas novas, com pouco reportório estas escolhas ainda têm de ser mais acertadas. Outro detalhe foi o som, só se ouvia a bateria e a voz, depois um pouco o acordeão, e o baixo e a guitarra só se ouviam nos solos, o som estava totalmente desiquilibrado. Mas dito isto tudo, até parece que foi um mau concerto, não de todo, será uma banda que vou continuar a seguir porque gostei muito de os ouvir, e quem veio só para Myrath, e só encheu a sala mesmo no final deste concerto deve-se ter arrependido.

Indo para os Myrath, que show...que banda...Não tinha noção do nível que os Myrath já tinham, da capacidade de entregar um concerto irrepreensível ao nível de grandes bandas que já ouvi. Som perfeito, setlist focada no novo album mas nunca esquecendo as músicas mais míticas. Aquela sonoridade arábica misturada com metal fazem uma combinação brilhante e única. E a voz do Zaher Zorgati, fabulosa, mais uma vez fui enganado e não tinha a noção da voz dele, do melhor que já ouvi, apesar dele se ter queixado várias vezes que estava doente e que estava a fazer um esforço para entregar o seu melhor. O concerto passou num instante e quando dei por mim já estávamos no final, parabéns pela brilhante atuação.

Myrath Setlist República da Música, Lisbon, Portugal 2026, Wilderness of Mirrors