Ver os Myrath ao vivo quase que era um desejo da minha bucket list, pois tinha um bilhete para os ver nos primeiros dias do confinamento da pandemia, e como perdi o concerto pelo cancelamento foi desgostoso. A acompanhar os Myrath vieram os Rose of Thieves, como banda de abertura. Algo que digo constantemente é que as bandas que acompanham devem ser sonoramente próximas da banda principal, pois quem vai para ver a banda principal, que são a maior parte das pessoas, identifica-se com a sonoridade.
Os Roses of Thieves conheci-os umas semanas antes do concerto quando comecei a ouvi-los e desde o início me agradou muito. O que me faz perceber, que mesmo pessoas como eu, que ouvem imensa música do género, que seguem imensas bandas, há sempre umas boas surpresas que nos passam ao lado.
Uma coisa nova para mim também foi o local do concerto, a República da Música, quase encostada ao bem conhecido RCA. A disposição da sala é quase em anfiteatro com o palco elevado, e mesmo eu tendo ficado quase no fundo da sala via-se o concerto bastante bem. Voltando aos Roses of Thieves, nota-se que ainda são uma banda recente, o alinhamento da setlist não foi muito bem escolhido na minha opinião, e por exemplo, a música que puxou mais pelo público foi a penúltima.
Quem já foi a muitos concertos percebe que a setlist tem de começar forte, sempre que há uma música mais calma a seguinte tem de imediatamente puxar o público para cima e a melhor música é sempre a última. Quando são bandas novas, com pouco reportório estas escolhas ainda têm de ser mais acertadas. Outro detalhe foi o som, só se ouvia a bateria e a voz, depois um pouco o acordeão, e o baixo e a guitarra só se ouviam nos solos, o som estava totalmente desiquilibrado. Mas dito isto tudo, até parece que foi um mau concerto, não de todo, será uma banda que vou continuar a seguir porque gostei muito de os ouvir, e quem veio só para Myrath, e só encheu a sala mesmo no final deste concerto deve-se ter arrependido.
Indo para os Myrath, que show...que banda...Não tinha noção do nível que os Myrath já tinham, da capacidade de entregar um concerto irrepreensível ao nível de grandes bandas que já ouvi. Som perfeito, setlist focada no novo album mas nunca esquecendo as músicas mais míticas. Aquela sonoridade arábica misturada com metal fazem uma combinação brilhante e única. E a voz do Zaher Zorgati, fabulosa, mais uma vez fui enganado e não tinha a noção da voz dele, do melhor que já ouvi, apesar dele se ter queixado várias vezes que estava doente e que estava a fazer um esforço para entregar o seu melhor. O concerto passou num instante e quando dei por mim já estávamos no final, parabéns pela brilhante atuação.
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