quinta-feira, setembro 08, 2022

Bullet Train

Há muito tempo que não fazia duas coisas, ir ao cinema ver um filme que não desenhos animados e comentar aqui um filme. Ontem fui convidado a ir ver o Bullet Train, sem nenhuma expectativa, sem ter visto o trailer, sem saber o contexto da história, e não é que me ri que nem um perdido durante grande parte do filme. Senão soubesse diria que era um filme do Tarantino, as piadas hirónicas, as referências culturais, o filme está simplesmente genial. E quando falo no Tarantino, falo porque o filme me lembrou imenso do Kill Bill, com a premissa do Babel, em que o filme é composto por várias histórias, vários fios condutores, que no final se juntam e passa tudo a fazer sentido, numa brilhante articulação da trama da história. A meu ver a pontuação que o filme tem nos sites com classificações não faz de todo juz à qualidade do filme, vale sem dúvida uma ida ao cinema.

terça-feira, agosto 30, 2022

Milagre Metaleiro 2022

Depois de 2 anos de adiamentos, 2022 marcou o regresso de um dos festivais mais interessantes no panorama do estilo metal. Uma pequena terra perdida no meio de Portugal, um local nada propício para este tipo de música, mas a verdade é que já é um festival fortemente implantado no panorama nacional. Começando pelo cartaz, as duas bandas que me levaram ao festival foram os Bloodbound e os Orden Ogan. Infelizmente os Orden Ogan cancelaram a presença, estando esta já marcada para 2023, por isso para o próximo ano já tenho motivo para voltar. 


As restantes bandas do cartaz ou mal conhecia, ou desconhecia de todo. Normalmente o que faço é ouvir um pouco dos últimos concertos de cada banda, para saber mais ou menos com o que contar, desta vez decidi ir às cegas, e perceber na altura a sonoridade de cada banda. No primeiro dia a primeira boa surpresa, e talvez a banda que mais gostei neste dia foram os Tri State Corner. Uma pequena banda com elementos da Grécia, Alemanha e Polónia, com uma sonoridade muito característica, em muito dinamizada pelo som característico de um bandolim. 


A segunda banda a merecer destaque foram os HEAT, que me levaram de volta ao final dos anos 80 e anos 90, a lembrar-me bandas como os Bon Jovi, tanto em aparência visual como sonora, um concerto muito dinâmico, onde o vocalista parecia que estava ligado à corrente. Em relação aos pesos pesados do dia, os Ensiferum e os Rage, conhecia um pouco mas não são bem a minha onda. 


O segundo dia foi maioritariamente focado em sons mais fortes, muitos guturais, muitos gritos, muito barulho para o meu gosto. Contudo tocavam os Bloodbound que eram o motivo da minha presença, e conheci uma banda espanhola os Zenobia. No que toca aos Zenobia gostei bastante da sonoridade, da musicalidade, da presença em palco, mas o facto de cantarem em espanhol é um enorme handicap


Avançando para a banda que mais me interessava em todo o festival, os Bloodbound. Foi um concerto um bocado estranho, sim gostei, mas ao mesmo tempo esperava mais. Não sei se foi o som, se foi a dinâmica de palco, se foi a sequência de músicas, alguma coisa ali não funcionou pois estava à espera de um concerto a todo o gás e houve bons momentos, mas também houve ali alturas que não se passava nada de especial. Pode ter sido uma má noite, mas gosto muito mais de os ouvir diariamente sem ser em palco.


Último dia de concerto, muito marcado por bandas nacionais. A primeira banda que foi uma agradável surpresa foram os Waterland, nem os conhecia de nome, mas foi das bandas que mais gostei no festival. Há ali imensas similaridades, tanto musicais como visuais, com os Epica. Já comecei a investigar um pouco mais o reportório desta banda e sem dúvida ganharam um fã.


Os Vhäldemar, mais uma banda espanhola, com um estilo muito metal clássico, a lembrar sons como Motörhead ou Iron Maiden. Um concerto muito interessante, que ao contrário dos compatriotas Zenobia, cantam em inglês o que faz toda a diferença. Gostei de os conhecer, sou até capaz de ir ouvir um pouco mais para conhecer melhor. Uma palavra para o guitarrista, que grande animal, dos guitarristas mais competentes que vi desde há muito tempo.


Os Iron Savior surpreenderam-me muito pela positiva. Oiço regularmente Iron Savior, conheço as letras de algumas músicas, e gosto do som, mas não é uma daquelas bandas que sejam 'uau' para mim, é agradável mas não estará no meu TOP10 de bandas que gosto. A verdade é que ao vivo foram espetaculares, talvez o melhor concerto de todo o festival, e tiveram o dom de me fazer vir lá detrás no início concerto, para passado meia dúzia de músicas estar perto do palco a saltar e a cantar. Curiosamente, ao contrário dos Bloodbound funcionam muito melhor ao vivo do que em álbum.


E para finalizar, mais uma bela surpresa nacional, os Oratory também já andam por cá há algum tempo, no entanto praticamente não os conhecia. Deram um bom concerto, numa altura que o cansaço já tomava conta de mim e já queria era voltar a casa. Fizeram-me estar ali com atenção e curiosidade a ouvir as músicas, e tal como os Waterland fizeram-me querer conhecer um bocadinho melhor o reportório da banda. E assim foram 3 dias intensos de concertos, cansativos, poucas horas de sono, partir de volta a Lisboa às 3h30m, chegar à Gare do Oriente às 8h20m, para enfrentar um dia de regresso ao trabalho, mas valeu a pena, este festival é algo de único.





sábado, agosto 27, 2022

Jardim Zoológico

Já há mais de 3 anos que não visitavamos o zoo, coisas da pandemia, mas foi muito bom voltar a passar um dia diferente. Para a Liliana foi a primeira visita ao Zoo de Lisboa, o que tornou muito engraçado ver as suas reacções, o receio de andar no teleférico, a emoção na apresentação dos golfinhos, serão duas coisas que me hei-de lembrar da sua primeira visita.



No meu caso nem gostei assim tanto da apresentação dos golfinhos, achei bastante mais básica que das outras vezes que fui, não  sei se os golfinhos eram diferentes, mas pelo menos os treinadores não eram os mesmos.  Além disso senti a falta dos leões marinhos que das últimas vezes que fui também estavam no show dos golfinhos. 

Quanto ao Francisco, mais uma vez adorou a ida ao Jardim zoológico e a parte que mais gostou, como não poderia deixar de ser foram os répteis.  Também achei que desta vez o templo dos primatas tinha menos exemplares, e não percebi porque estavam todos nas jaulas em vez de andarem à solta como habitualmente andam. Sabe bem de vez em quando voltar ao zoo, apesar do preço elevado das entradas, mas percebo que manter aquela estrutura, alimentar e tratar de tantos animais não seja barato. 



quarta-feira, agosto 03, 2022

Iron maiden - Estádio Nacional

Após 2 adiamentos, finalmente o concerto de Iron maiden no Estádio Nacional aconteceu. Inicialmente para 2020, devido à pandemia adiado primeiro para 2021, e depois novamente adiado para 2022, realizou-se finalmente no domingo passado o concerto. Em primeiro lugar tenho de referir que este foi o concerto com mais pessoas que alguma vez fui, trânsito para chegar perto do estádio e um estádio praticamente cheio por todos os lados, numa impressionante moldura humana a lembrar festivais de referência. Muitos não portugueses também, muitos espanhóis e britânicos o que para mim é estranho visto o concerto ter sido adiado várias vezes, será que estas pessoas remarcaram férias para estar cá na altura do concerto, ou vieram propositadamente para o concerto? Na altura que comprei o bilhete queria comprar para o relvado, era mais barato e ficava mais perto do palco, mas um amigo meu que já tinha bilhete convenceu-me a comprar bilhete para ao pé dele na bancada, e no final acabou por não ir ao concerto. Lá fiquei super longe do palco, mais confortável sim, especialmente porque já estava à sombra naquele imenso calor, mas teria preferido ficar mais perto do palco.

A primeira banda a entrar em palco foram os Airbourne, ainda nem eu tinha conseguido entrar no estádio dada a confusão que estava para entrar. Creio que foi uma boa escolha como banda inicial, conhecia praticamente nada desta banda, mas rapidamente se percebe que tem algumas similaridades com AC/DC e mesmo com os Iron maiden, por isso seria normal agradar à maioria do público presente no estádio. Não desgostei, mas também não é a minha sonoridade de eleição, poderei voltar a ouvir e reconhecerei o som, mas activamente não andarei à procura de saber mais da banda.


Airbourne Setlist Estádio Nacional, Oeiras, Portugal, Boneshaker World Tour 2022

A segunda banda a entrar em palco posso dizer que foram os principais culpados de eu ter ido a estes concertos, sim os Iron maiden são uns monstros, mas se os Within Temptation não tivessem vindo actuar provavelmente não teria comprado bilhete para estes concertos, deixaria para outra altura a oportunidade de ver Iron maiden. Esta foi a 3ª vez que vi Within Temptation, e como nas vezes passadas foi um óptimo concerto, contudo, talvez tenha sido a vez que menos gostei, por um único motivo, a setlist para mim não foi de todo a melhor que poderiam apresentar. Não é que seja a minha música de eleição dos Within Temptation, mas o momento alto do concerto foi quando a Sharon Del Aden entrou em palco com a bandeira da Ucrânia com luzes amarelas e azuis, para cantar a música Raise Your Banner, que se aplica na perfeição à situação que se está a passar na Ucrânia. É incrível as demonstrações de solidariedade que tenho visto de muitos artistas para com a Ucrânia, não se preocupando em ser neutros, não demonstrar as suas posições ou pondo em causa um mercado tão grande como é o mercado russo.



Within Temptation Setlist Estádio Nacional, Oeiras, Portugal 2022

E por fim os Iron maiden, para o delírio de quase todos os que estavam no recinto. O melhor elogio que posso fazer é que o concerto superou em muito as minhas expectativas, estes senhores (sim  estes sexagenários já têm idade e uma carreira de muito respeito), deram um show a lembrar-me Scorpions ou Helloween, a "meterem no saco" muitas bandas com metade da sua idade. Energia, sentido de palco, de espectáculo, de musicalidade fenomenal, são uma banda completa e merecem todo o respeito que têm. Não sei quantos cenários teve o palco, mas foram diversos dependendo das músicas, bonecos gigantes (figurantes com antas dentro de fatos) a entrar em palco e interagir com os músicos, alguma pirotecnia e para terminar aquele boneco enorme de um avião para a música final Aces High. Se era uma banda que eu dizia que teria de ver antes de se reformarem, só porque é uma banda de referência, agora digo que é uma banda que funciona absolutamente bem ao vivo e dá um espectáculo imperdível. Sim fui ver estes concertos especialmente por Within Temptation, mas no final das contas, o melhor concerto, o que gostei mais, foi mesmo o concerto dos Iron maiden.



Iron Maiden Setlist Estádio Nacional, Oeiras, Portugal 2022, Legacy of the Beast

sexta-feira, julho 08, 2022

Visita a Sociedade Central de Cerveja

Graças a um amigo que conseguiu um contacto na Sociedade Central de Cerveja (SCC), a minha equipa da Sky foi visitar as instalações da SCC. Não sou um consumidor ávido de cerveja, nem percebo assim tanto do seu processo de produção, no entanto para mim foi bastante interessante e educativo perceber como a cerveja chega às mãos do consumidor final. Desde o processo de maltagem, fermentação, embalamento, tudo para mim foi uma aprendizagem e de algum modo, fiquei impressionado com a magnitude da operação.

Entre as diferentes bebidas que a SCC disponibiliza, cervejas várias, cidras, águas, etc, saem daquela fábrica mais de 1 milhão de litros diários. São processados diariamente 180 toneladas de cevada, são números gigantescos para satisfazer a demanda do público. A primeira parte da visita foi mesmo vermos o processo de maltagem dos cereais, desde o ponto em que chegam, processo de maltar os cereais e então serem armazenados para depois serem fermentados para produzir os diferentes tipos de cervejas. Tudo controlado ao milímetro, para que entre lotes se consiga uma consistência de sabor.

O processo de fermentação foi o menos abordado, não sei se por segredo empresarial, mas foi aquele que menos foi explicado e mal vimos parte do processo. Antes de passarmos ao processo de embalamento ainda ficámos a conhecer um pouco da história da SCC e todas as suas mudanças ao longo dos anos. A parte final foi o processo de embalamento, garrafas, latas, grades, rotulos, caricas, e tudo o que é necessário para ter o produto final pronto a entregar ao consumidor. No final ainda tivémos a hipótese de degustar quase todo o tipo de bebidas disponibilizada pela SCC, digo degustar mas quem quisesse podia facilmente "encher a cara", porque não tivemos grandes restrições, eu pessoalmente tentei provar 2-3 golinhos de todas para tentar perceber o que mais me agradava. E serviram-nos uma cerveja que só servem na fábrica, cerveja Sagres mas acabada de por na garrafa e sem passar pelo processo de pasteurização, para lhe dar uma validade maior para ser consumida. E não é que a cerveja Sagres assim até é boa, senão soubesse não diria que estava a beber Sagres, um sabor completamente  diferente. Foi uma manhã muito bem passada, mesmo para alguém que não é um conhecedor nato de cerveja.




quinta-feira, julho 07, 2022

VOA - Sabaton, Epica, e restantes

Primeira vez no novo VOA, não no Vagos Open Air mas no Heavy Rock Festival, nem percebo porque se chama VOA, não faz qualquer sentido. Quando soube que Sabaton viriam ao VOA, mesmo sem saber o cartaz do restante dia, não poderia perder mais uma actuação da banda que actualmente mais gosto. Esta sería a 3ª vez que veria Sabaton e se das outras vezes fui ao Porto de propósito para ver os concertos, desta vez não poderia mesmo perder a oportunidade.

A primeira banda a actuar foram os canadianos Deadly Apples, não os conhecia, nunca tinha ouvido falar deles e para ser sincero também não me deixaram saudades. São daquelas bandas que nem são carne nem peixe, tanto pareciam muitas vezes que tinham uma sonoridade perto do new metal como do nada na mesma música saltavam para o dead metal, uma verdadeira confusão. O que me ficará na memória será o vocalista a mandar constantemente o suporte do microfone ao chão e os assistentes a correrem pelo palco, como baratas tontas, para o voltar por direito.

A segunda banda a actuar foram os The Raven Age, não os conhecia também, mas ao contrário dos Deadly Apples tinham uma sonoridade bem definida e até algo interessante. Os espetáculo foi bom o que deu para esquecer um pouco o calor tórrido que se fazia sentir, ao ponto de me fazer suar por cada poro do meu corpo. Vou tentar saber mais informações sobre esta banda, tentar ouvir mais músicas, não me parece que seja uma banda que irá ouvir frequentemente mas não desgostei da sonoridade e do feeling que transmitem.


The Raven Age Setlist VOA Heavy Rock Festival 2022 2022

Avançando para a primeira banda que já conhecia e tinha já ouvido algumas coisas os Me And That Man. Estava bastante curioso para perceber como seria uma actuação de uma banda com uma sonoridade extremamente característica, algo que se poderia chamar de Western Spaguetti Metal ou Blues Metal. Provavelmente foi a banda com menos adesão do público, devido a terem uma musicalidade com sons menos fortes, houve muitas pessoas a saírem de ao pé do palco durante a sua actuação. Eu gostei da actuação, foi uma boa banda de conhecer ao vivo.


Me and That Man Setlist VOA Heavy Rock Festival 2022 2022

Depois destas bandas estava na hora dos pesos pesados, aquelas bandas que normalmente seriam cabeças de cartaz na maior parte dos festivais, e que já têm um grande passado e reportório. Os Epica foram os primeiros a entrar em palco. Esta foi a última banda a ser confirmada no cartaz, já muito perto da data do festival, e apesar de já ter visto Epica duas vezes, fiquei bastante satisfeito por poder ver uma terceira vez. Com os Epica é sempre um misto de sentimentos, se adoro a composição musical, a bela voz da ainda mais bela Simone Simons, não consigo deixar de detestar os guturais do Mark Jansen, a música deles seria tão mais épica se fossem retirados os guturais. De qualquer modo, brilhante concerto, que me irá ficar na memória o crowd surfing que o sempre espetacular Coen Janssen, fez mesmo à minha frente enquanto tocava com o teu piano portátil.



Epica Setlist VOA Heavy Rock Festival 2022, Omega Tour 2022

A banda seguinte foram os Rise Against. Devo de admitir que aquele tipo de som não é o que mais aprecio, aquele american ie ie ie, ia ia ia, em que o final de cada frase é feito em grito, não me agrada muito, ainda por cima todas as músicas são muito idênticas. Conhecia mal as músicas e não fiquei fã, como com a maior parte das bandas norte americanas. Contudo tenho de admitir que deram um bom espetáculo, o público aderiu muito bem, e aparentemente têm uma boa base de fãs portugueses.


Rise Against Setlist VOA Heavy Rock Festival 2022 2022, Nowhere Generation

E finalmente os aguardados Sabaton, mais uma vez a começarem o concerto com a minha música preferida, Ghost Division, a agitarem e a energizar logo o público. Das outras vezes que os vi foi em recintos fechados, e não sei se foi por isso, mas desta vez o espectáculo pirotécnico foi muito melhor, eu estava praí a 30 metros do palco e sentia o calor dos lança chamas, imagino em palco o que eles sentiam. Achei que desta vez a banda foi um pouco menos comunicativa com o público, não é que tenha tido uma má interacção ou que tenha comunicado pouco, mas deixaram-me mal habituado das últimas vezes onde inclusivamente pediam ao público que escolhesse a música seguinte. Acho que a setlist não foi muito feliz, a primeira parte do concerto não mudaria nada mas a segunda parte acho que morreu um bocadinho e para mim faltaram algumas músicas que cairiam muito melhor como: 82nd All The Way, The Unkillable Soldier, Seven Pillars Of Wisdom, Fields of Verdum ou Shiroyama. De qualquer forma, concerto espetacular, ambiente fantástico, valeu cada cêntimo que paguei para ir ver, e sempre que vierem actuar por terras lusitanas sem dúvida que lá estarei.


Sabaton Setlist VOA Heavy Rock Festival 2022 2022

segunda-feira, julho 04, 2022

Troféu de Oeiras - Linda a Pastora

Já se passou uma semana da última prova do troféu de Oeiras, normalmente já teria registrado por aqui o acontecimento, mas mais vale tarde que nunca. A noite antes desta corrida não foi propriamente fácil, dormi mal, tive uma pequena crise de asma por isso fui algo receoso para a prova. A corrida começa com um curto falso plano a subir seguido pela dificuldade da prova, uma subida de 1,5kms em alguns pontos algo dura. Nesta fase da prova dei tudo aquilo que tinha para conseguir manter a cabeça da corrida em linha de vista, esforcei-me um pouco mais do que o que devia, tenho de admitir.


Quando cheguei ao topo da subida o pior da prova a nível de altimetria estava passado, mas o pior a nível de sofrimento estava agora a começar, queria manter o ritmo e não estava a conseguir, demasiado ofegante, e começava a ser ultrapassado por muita gente. Nesta fase foi sofrimento, senti que tive de baixar o ritmo e conter-me para conseguir recuperar o folego. Pouco a pouco lá fui conseguindo estabilizar e começando a sentir-me melhor, fazendo alguma cedência a nível da intensidade. Quando estava com 5,5kms de prova apanhei uma pequena descida, onde vejo um grupo e 4-5 atletas a cerca de 20 metros à minha frente. Nessa altura até me sentia bem, e apesar de não ser um grande descedor, decidi aumentar o ritmo para tentar apanhar aquele grupo. Tenho de admitir que até para meu espanto, com alguma facilidade em 500 metros apanhei e ultrapassei esse grupo. Mentalmente estava uma besta, sentia-me forte, tanto foi que ainda fui apanhar mais 2 atletas que iam isolados à minha frente, ganhei 10-15 metros de distância para eles e depois foi gerir até ao final. Apenas o 13º lugar no meu escalão não foi satisfatório, mas o ritmo final de 4m02s/km foi até bastante bom, o pessoal do meu escalão é que é muito forte. Esta foi a última prova do ano, no entanto, para a próxima época cá estarei novamente, e com muito orgulho a representar esta magnífica associação/clube que já me deu muito mais do que aquilo que eu poderia imaginar ou desejar.


terça-feira, junho 28, 2022

Viagem a Londres

Segunda vez este ano a viajar até à bela Londres, definitivamente não me canso, adoro a cidade e há sempre tanta coisa nova para conhecer cada vez que lá vou. Desta vez o ponto alto da viagem foi o offsite que tivémos pela Sky. Início do dia dirigimos-nos para Trafalgar Square, onde iríamos dar início a um género de peddy paper onde o tema seria descobrir um assassino de uma lista de personagens e qual a arma do crime que tería utilizado. Este tipo de jogos é mesmo a minha praia, e tanto eu como o Crujo andámos a manhã inteira a "rebocar" o resto da equipa, apesar de sermos os únicos portugueses e por isso deveríamos saber menos da história da Inglaterra, e deveríamos conhecer pior as rua de Londres, mas nada que não se resolvesse com o nosso amigo Google.


No final conseguimos descobrir todas as pistas e descobrir quem era o assassino e qual a arma do crime. De seguida um almoço rápido no Five Guys e apanhar um autocarro para Gravity Wandsworth. O que me parecia uma boa ideia de início, poder aproveitar a viagem no autocarro e conhecer melhor as ruas de Londres, rapidamente se tornou numa péssima ideia. Estava um calor insuportável, parecia que estávamos no meio do Alentejo em pleno Agosto, o autocarro não tinha ar condicionado, eu suava por todos os poros do meu corpo. E realmente não precisámos de fazer nenhum transbordo, no entanto atravessar Londres em hora de ponta demorou mais de uma hora. E para piorar a coisa a minha bexiga começou a chatear-me. Quando saí do autocarro parecia um deficiente a andar, até chegar à casa de banho no salão de jogos, que alívio!


Estava na hora da diversão, aquele salão de jogos era qualquer coisa de fantástico, 3 andares de pura diversão, arcadas para todos os gostos, máquinas de jogo variadas, pista de karts, mini golf, snooker, bowling...puro prazer. A primeira coisa que fiz foi andar de karts, o meu grupo foi o último a entrar em pista, e eu fui o último do meu grupo, seria uma corrida de apenas 8 minutos, sem aquecimento e sem qualificação, por isso a ordem foi aleatória e eu por azar fiquei no final de todos. O motor dos karts, por ser electrico, era controlado externamente, o que significa que a potência era controlada pelos árbitros de pista. 


A primeira volta foi feita muito devagar, eu tinha o acelerador todo em baixo só à espera que libertassem a potência do motor, mal isso aconteceu saí disparado, logo a forçar ultrapassagens. A pista era muito estreita e curta, ou seja, difícil de ultrapassar e não consegui fazer uma única volta limpa. Senão gostei da pista adorei o motor eléctrico, a reacção em aceleração era fabulosa, era dar um bocado de travão antes da curva, conforme entrava na curva acelerador a fundo e saía disparado da curva. Sim, fui um bocadinho agressivo a nível de condução e dei alguns toques nos outros carros, mas numa pista tão curta e estreita era difícil não o fazer, bastava o carro da frente travar mais cedo do que devia e já lhe estava a dar um toque, numa ultrapassagem fecharem-me a trajectória, ou os simples toques na luta por uma posição. Aos poucos lá consegui chegar ao primeiro lugar, que nem sabia se tinha conseguido, depois de tantas ultrapassagens e dobragens não fazia a mínima em que posição ía.


De seguida o bowling. Comecei de uma forma imparável, as 5 primeiras jogadas ou foram strike ou spare, estava lançadíssimo. Depois o raio do André Martins lembrou-se de filmar as minhas jogadas, só para fazer pressão, resultado, ronda 6 fiz 0 pinos, ronda 7 fiz 3 pinos, lá foi tda a minha pontuação por água abaixo. E depois na última ronda falhei o spare por 1 pino, o que me impediu de ter uma jogada extra e a possibilidade de fazer mais pontos. Acabei com uma pontuação de 113 o que não foi suficiente para ganhar desta vez. Para finalizar fomos jogar um snooker, naquelas mesas estranhas onde não se tira bola quando se falha a jogada, pois bolas postas no buraco não voltam a sair. Ainda deu para mostrar ao André o que distingue os homens dos rapazinhos, ainda por cima com uma mesa de buracos gigantes aquilo foi "limpar rabinhos a bebés", ainda tem de treinar um bocadinho mais para chegar ao nível dos homens. Não fossem as malditas greves dos transportes públicos esta teria sido uma visita muito divertida a Londres.



segunda-feira, junho 27, 2022

Tróia - Sagres - Dia 3

Último dia do Tróia-Sagres a começar com um belo pequeno almoço na pousada da Arrifana. O Tavares estava claramente desconfortável com o joelho, mas sempre pensei que com a sua teimosia a bem ou a mal, lá acabaria conosco em Sagres. Uma das piores subidas do dia seria logo nos primeiros quilómetro e com muita dificuldade lá chegou o Tavares ao topo. Quando se juntou a nós declarou que tinha de terminar por ali esta viagem, que já não estava a aguentar mais com dores. 

Acabámos por fazer um desvio até à estrada para ele ser recolhido pelo nosso "carro de apoio", e nesse percurso o Fábio acabou por partir a corrente. Eu e o Maria após algumas turras próprias da situação lá conseguimos resolver o problema colocando um elo rápido e seguimos viagem. Após deixarmos o Tavares voltamos então ao trilho para continuar a nossa viagem. 


Antes de chegarmos à Carrapateira numa descida um pouco perigosa, na qual não me apeteceu arriscar nada visto estarmos mesmo a chegar ao final e não me apetecia mesmo nada cair, deixei-me ficar para trás e no final da descida haviam três estradas, obviamente tinha de escolher a errada pois estava sem GPS. Ainda andei ali um bocado às voltas até que me consegui reunir com eles no caminho correcto. Após a Carrapateira temos um estradão muito interessante de se fazer até chegarmos à praia. Das múltiplas vezes que fiz este estradão, esta pareceu-me que ele era muito mais longo do que das últimas vezes. Não é que estivesse propriamente cansado, o facto é que começava a estar farto de pedalar, começava a entrar naquela fase que já só queria chegar ao fim. Após a praia a última grande dificuldade, uma subida que tinha de parcialmente ser feita à mão de tão dura que era pela inclinação e terreno difícil com regos de água e pedra solta. Mais um esforçozinho e chegada ao alcatrão. A ideia seria ir ainda ao cabo de S. Vicente por trilhos e posteriormente ir até Sagres. A ideia noutra situação até me agradaria, não conheço os trilhos, nunca passei pelo cabo de S. Vicente, mas naquele altura tanto eu como o Fábio já só queríamos era chegar a Sagres, além disso já era tarde pois tínhamos perdido algum tempo com o desvio para ir por o Tavares. Então seguimos por alcatrão até Vila do Bispo, e depois ainda apanhámos uns trilho paralelos à estrada nacional até à entrada de Sagres. Chegada ao forte de Sagres e mais um Tróia-Sagres concluído.



Tróia - Sagres - Dia 2

Após uma noite de sono, o corpo não estava totalmente recuperado, sentia os gémeos doridos e ao toque doíam, sabia que não podia apertar muito com eles senão voltaria a ter câimbras, era gerir o esforço ao longo do dia. A saída de Porto Côvo é muito bonita, mas a progressão é lenta, muitas vezes com a bicicleta às costas ou à mão numa areia completamente solta e funda. Este ano não cometemos o mesmo erro de há três anos, onde fomos pelas dunas desde a Ilha do Pessegueiro até ao Parque de campismo do Sitava o que nos fez perder a manhã toda. Fizemos uns estradões e um bocadinho de alcatrão até chegar a Vila Nova de Milfontes. Fui então procurar a loja de bicicletas, mas mais uma vez estava fechada porque havia uma feira em Vila Nova de Milfontes na qual eles estariam. Ainda fomos até à feira, mas ainda a estavam a montar, por isso nada de material de bicicleta. Bem, os sapatos pareciam estar a aguentar com a fita cola preta, tinha de arriscar seguir caminho, não podíamos perder mais tempo. Nessa altura o Tavares começa a queixar-se do joelho que estava a ter algumas dores, devo dizer que não me preocupei muito, não ter dores em alguma parte do corpo é que seria o anormal. Paragem em Almograve para almoçar e o pneu da frente do Maria em baixo. Incrivelmente desta vez este foi o único furo durante toda a viagem. De seguida a parte que mais gosto do percurso, o trilho entre o Cabo Sardão e o Porto das Barcas, um percurso fácil e lindíssimo, ideal para desfrutar da paisagem e da natureza. 

No final desse trilho ainda nos pediram ajuda para desatascar um carro preso na areia, é só parvo levar um carro para aquele local, por todos os motivos, porque só um todo terreno consegue passar algumas das partes em areia e essencialmente, porque é um local com uma natureza única e levar um carro para ali é só para destruir e perturbar. De seguida a montanha russa junto às praias, uma série de curtas descidas e subidas muito acentuadas até que chegamos à zona dos canais. Os canais são espetaculares de se fazerem, apesar de neste ano a vegetação estar muito mais serrada, com muitas silvas a dificultar a passagem e a torná-la mais dolorosa. 

A dificuldade do dia estava reservada para o final, a subida ao castelo de Aljezur, seguida de uma descida e mais uma grande subida para irmos em direcção a Arrifana. O Tavares cada vez se queixava mais do joelho e no final desse dia, levantou logo a bandeira, e disse que se tivesse assim no dia seguinte não iría arrancar conosco para a última etapa. Acabei o dia menos cansado que no anterior, parece que tinha sobrevivido ao pior, e a minha condição física estava a melhorar.