terça-feira, fevereiro 24, 2026

Epica & Amaranthe

Acho que este foi o primeiro concerto que fui em que não tinha claramente um cabeça de cartaz, ao invés disso tinha 2 grandes bandas que por si só poderiam vir em digressão como cabeças de cartaz. Antes das bandas entrou em cena a Charlotte Wessels, ex-vocalista dos Delain, uma banda que nunca vi mas gostava muito de ter visto. A Charlotte tem uma voz incrível, apesar de pessoalmente gostar mais da composição das músicas dos Delain, comparando com as músicas dela a solo. Foi um bom aquecimento para o que aí vinha e tenho curiosidade em seguir a carreira a solo da Charlotte, porque boa voz ela tem.


Charlotte Wessels Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Arcane Dimensions 2026

Os Amaranthe eram a novidade para mim e o principal motivo pelo qual não queria falhar este concerto, nunca os tinha visto ao vivo e estava muito curioso para ver a atuação. Ótima dinâmica entre os três vocalistas, conseguindo mesclar diversos estilos musicais dentro da mesma canção de modo a adaptar o timbre e estilo de cada vocalista. Mas quando pensava que a voz que fazia a cola, ou que serviria de base, seria a voz da Elize Ryd, fui surpreendido com a voz do Nils Molin. O que para mim foi estranho pois já tinha visto o Nils como vocalista dos Dynazty, e sabia que ele tinha uma grande voz, mas ser a voz que claramente se destaca das três vozes da banda, deixou-me algo surpreendido


Como fã dos Amaranthe adorei o concerto, as músicas mais marcantes da banda como a Amaranthine e a The Nexus, e ainda uma novidade com a nova música Chaos Theory, apresentada pela primeira vez nesta digressão. Espero que não voltem a estar tantos anos sem vir a Portugal, pois será uma banda que voltarei a ver todas as vezes que cá voltarem.

Amaranthe Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Arcane Dimensions 2026

E para acabar em grande a noite os Epica. Vou ser sincero, é possível que se os Amaranthe não estivessem no concerto, que eu não tivesse ido, gosto muito dos Epica, mas já os tinha visto três vezes, a primeira em 2012, depois em 2014 e a última à menos de 4 anos em 2022, por isso achei que já não me iriam surpreender. E acho que é a única banda que vi ao vivo 4 vezes, mas dos 4 concertos este foi sem dúvida o melhor, e começo a concordar com quem diz que neste momento eles são os reis do symphonic metal, ultrapassando bandas como os Nightwish e os Within Temptation, que na sua génese são bandas marcantes e percursoras deste sub género musical.

A Simone Simons está como o vinho do Porto, cada vez melhor com os anos, voz, presença em palco, comunicação com o público, tudo a melhorar. E até os guturais do Mark Jansen que nunca gostei, parece que estão mais contidos e mais harmoniosos com a música ao invés de rugidos desgarrados. Tenho de destacar a balada da banda a Tides of Time, onde a Simone mostra toda a potência e capacidade da sua fantástica voz. Além desta música ainda temos o super clássico Cry For The Moon, uma música sempre marcante em qualquer concerto dos Epica. Se antes do concerto não estava particularmente excitado por os voltar a ver, confesso que quando voltarem estarei com vontade de os ver por uma quinta vez.

Epica Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Arcane Dimensions 2026

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Tarja & Marko Hietala

Ver  um concerto de Tarja é ouvir a melhor voz feminina do metal, e duvido que muitas pessoas contradigam esta afirmação. Passando rapidamente pelas bandas de suporte, e rapidamente porque foram das piores bandas de suporte que já vi, a primeira foram os Serpentyne que não aqueceram nem arrefeceram, e a segunda foram os horrivelmente aborrecidos Rok Ali. Estes eram tão maus que olhava para todos os lados e as pessoas estavam agarradas aos telemóveis sem qualquer interesse no concerto.

Quando eu julgava que o concerto ia ser junto da Tarja e do Marko, apercebi-me que primeiro iria tocar o Marko e depois a Tarja, mas como é óbvio tinha a esperança que se juntassem para um dueto em diversas músicas, especialmente em músicas do Nightwish. Bem então vamos ter dois concertos em vez de um, fico a ganhar, depois da desilusão das bandas de suporte. Normalmente antes dos concertos vejo o alinhamento, mas este era o primeiro concerto da digressão, logo não tinha nehuma referência como seria o concerto.

Começa o concerto do Marko, com músicas dele a solo. Se a composição não tem o nível dos Nightwish, pelo menos da altura em que ele lá estava, a voz dele enche o ouvido, aquela voz característica com intensidade. A Tarja lá fez a aparição dela na penúltima música, no entanto, pessoalmente, as músicas que mais gostei de ouvir foi a de abertura Frankenstein's Wife e a música de encerramento a Stones, esta última leva-me para o universo do Diablo 2 que muito joguei. Creio que ainda lhe falta algum reportório para conseguir um concerto sólido, com mais músicas que fiquem no ouvido, porque sejamos sinceros, músicas cantadas em finlandês não lhe irão trazer notabilidade no futuro ou encher recintos para o ouvir.

Marko Hietala Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal 2026, Living the Dream Together

Passando para Tarja, que já tem uma carreira a solo muito mais solidificada, o que é normal tem mais 15 anos de carreira a solo que o Marko, sendo que esta já é a 3ª vez que a vejo ao vivo. A primeira parte do concerto a Tarja presenteou-nos com uma atuação irrepreensível, com a sua voz soprano simplesmente divinal. No entanto a melhor parte estava guardada para a segunda metade do concerto quando o Marko se junta à Tarja e começam a cantar um medley de músicas dos Nightwish em versão acústica.

E de seguida continuam juntos em algumas das músicas mais icónicas de Nightwish, no entanto dando-lhe uma roupagem diferente. Para mim, como grande fã de Nightwish, foi como ver e ouvir Nightwish na sua melhor fase, pois nunca tive a sorte de ver Nightwish com a Tarja como vocalista. Que momento fabuloso especialmente com o Wishmaster e no Wish I had an Angel, revisitar a história em músicas que não só marcam uma banda mas um género musical. Na minha opinião, e de muita gente, ficou a faltar a fantástica interpretação que estes dois cantores fazem da música Phantom of the Opera, pode ser que  ainda consiga ver e ouvir noutra oportunidade.

Tarja Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal, Living the Dream - Together Tour 2026

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Guilherme Duarte - Matrioska

Já há muitos anos que sigo o trabalho do Guilherme Duarte, desde os tempos em que ele começou a escrever o blog Por Falar Noutra Coisa. Inclusivamente já tive o prazer de falar com ele após uma atuação, que deu numa festa de natal quando estava na Sky. Como gosto muito de stand up comedy, decidi ter uma saída a dois com a Liliana e leva-la a ver o espetáculo, pois normalmente não é o género de eventos que ela vai. E das coisas mais deliciosas que acabou por acontecer foi vê-la a rir à gargalhada, ela que nem é muito expansiva. Quanto ao espetáculo em si adorei e recomendo, só não gostei lá de uma parte, mas lá está acho que o limite do humor está em cada um de nós, o humorista deve ser livre de fazer todas as piadas que quiser, eu como espetador posso não gostar/identificar-me com determinada piada. De assinalar a extraordinária memória do Guilherme, aquele texto final do espetáculo, debitar aquele texto todo, aquela velocidade, durante uns 15 minutos é obra. 

terça-feira, fevereiro 03, 2026

O que damos por adquirido

Hoje vinha de pôr a minha filha na creche e vi um miúdo, devia de ser mais ou menos da idade do meu filho ou mesmo mais novo, a caminhar no passeio, a chover torrencialmente e ele sem chapéu de chuva, só com um casaco e uma mochilona às costas. Lembrei-me que de manhã me tinha chateado com o meu filho por um capricho e teimosia dele, olhando para aquele miúdo, que claramente tem um percurso de vida mais duro que o meu filho, vejo que o meu filho não dá valor, assim como muitos de nós, aquilo que dá por adquirido. Ele não dá valor a eu acordar cedo para o ir pôr à escola de carro, para voltar a casa, ir pôr a irmã à creche e ainda começar a trabalhar antes das 9h. Simplesmente dá por adquirido que tem de ter essa facilidade do ir pôr à escola de carro, assim como dá como adquirido muitas facilidades que o ensino agora promove e acha que os professores o têm de ensinar e facilitar a ter boas notas em vez de se preocupar e esforçar por aprender, basicamente inverte o ônus da responsabilidade.

Até certo ponto aquele miúdo relembrou-me de onde venho, na primária ia a pé para a escola e a partir daí até terminar a universidade andei sempre de transportes públicos, fizesse chuva ou fizesse sol. E a minha mãe estava em casa e tinha muito mais disponibilidade que nós agora temos para os filhos pois não trabalhava, e mesmo assim eu andava sempre de transportes, pois eram gratuitos e de carro gastava-se dinheiro em gasolina. Mas essa dureza, ou inexistência de facilitismos, ajuda a moldar a personalidade e creio que dificilmente, o meu filho terá o mesmo capacidade que eu tinha, pois não passou pelas dificuldades, não será tão capaz, tão desenrascado, mas isso é culpa nossa como pais, que até certo ponto não deixamos que eles fortaleçam as suas asas para voarem por eles próprios.

No outro dia o Francisco falou-me de um menino lá da escola, que tinha permissão para sair sozinho da escola e que depois ia para casa de autocarro, e ele falou daquele menino como se ele fosse quase um alien, quando na minha altura isso era o normal e os aliens eram os poucos cujos pais os iam pôr e buscar à escola de carro. Muita coisa mudou em 35-40 anos e como tudo há vantagens e desvantagens, não sei é se neste caso as vantagens serão menores que as desvantagens, acho que isso só se saberá quando esta geração chegar à idade adulta.