Depois de no dia anterior ter feito uma óptima corrida no Lisboa on Top, estava super confiante para esta prova, apesar do esforço do dia anterior. O objectivo novamente era ficar nos primeiros 10%, o que significava acabar abaixo do 15º lugar, e se me corresse bem quem sabe mesmo o Top 10. Esta já é uma prova com algum nível, inclusivamente o vice-campeão nacional de trail estava presente, por isso seria um belo desafio, e acima de tudo, um belo treino para a maratona de Atenas.
Arranquei bem, vendo agora as coisas, até demasiado bem, fiquei ali por volta da 6ª posição durante os primeiros quilómetros e a correr sozinho. Pouco depois dos 2 quilómetros senti um ardor intenso numa perna, tinha sido picado por algo, provavelmente abelha ou vespa. Fiquei algo apreensivo, apesar de normalmente não fazer reacção intensa a picadas, estava ali com o sangue a bombar a toda a velocidade e em esforço o que poderia potenciar o efeito da picada. Soube uns quilómetros mais a frente que tinham sido vespas e que não tinha sido o único a ser picado.
Ao 6º quilómetro distraí-me e enganei-me no caminho, a minha sorte foi que gritaram por mim e rapidamente voltei ao caminho correcto só sendo ultrapassado por 3 corredores. O último destes corredores foi um senhor que acabou por me acompanhar quase durante toda a prova, umas vezes um na frente outra vez o outro mas quase sempre juntos.
No abastecimento dos 14 kms mais ao menos a meio da prova, estávamos 4 corredores juntos, do 9º ao 12º lugar. Estava tudo a correr bem e era gerir o ritmo. Durante uma subida antes dos 20 kms eu e o senhor que muito me acompanhou, ficámos para trás e continuámos a ajudar-nos. Antes do abastecimento dos 25 kms, tropecei numa pedra e os músculos gémeos agarraram, além de ter ficado com o dedão a doer-me imenso. O senhor mais uma vez ajudou-me, deu-me um pacote de magnésio para eu tentar amenizar as cãibras e disse-lhe para seguir que não estava a aguentar o ritmo.
Quando cheguei ao abastecimento sentia-me totalmente vazio, sem forças nenhumas, estava a pagar também o esforço do dia anterior. Dali até ao final fui ultrapassado praí por 5 corredores, sendo que o último já foi dentro do último quilómetro. Classificação final foi 17º lugar um bocadinho abaixo do que pretendia, mas com um tempo final de 2h50m22s, abaixo das 3h que era também o objectivo. Agora quando vi a classificação por escalões fiquei frustrado, o lugar que perdi no último quilómetro fez com que ficasse em 4º lugar no meu escalão, apenas a 15 segundos do 3º lugar, mais uma vez bati na trave e fiquei com o lugar que ninguém quer. Também ficar no pódio 2 dias seguidos...não querias mais nada Tiago!?!?
Soube desta prova apenas 3-4 dias antes dela acontecer, e acabei-me por inscrever quase por brincadeira porque apesar de curta pareceu-me um belo desafio por ser sempre a subir. Quando cheguei ao local fui fazer o reconhecimento do percurso a trote, e ao chegar à última escadaria apercebi-me que tinha de me conter um bocado durante a parte inicial da subida, porque mesmo a trote, apetecia-me parar e cheguei lá acima ofegante e a suar.
Como só ia partir na 5ª vaga fui ver as vagas iniciais na parte a seguir à primeira escadaria, e o padrão repetia-se, os primeiros no final da primeira escadaria quebravam na subida seguinte. Desta vez comecei a aquecer com alguma antecedência, a prova era curta, intensa e teria de já estar bastante activo quando fosse dada a partida. Um bom resultado para mim seria acabar nos primeiros 10%, apesar de ser uma prova que me favorecia pelas suas características, se acabasse nos 40 primeiros já seria um bom resultado.
Arranquei forte, logo na frente, mas no início da subida não fui ao choque e deixei os primeiros distanciarem-se. Quando terminei a primeira escadaria ia em 5º lugar prai a 10-15 metros do primeiro. Na subida seguinte o padrão repetiu-se, ultrapassei 3 corredores e à entrada da segunda escadaria ia em segundo lugar. Afastei-me do corrimão e consegui ultrapassar a muito custo. Por momentos estive em 1º lugar, mas aqueles instantes que me afastei do corrimão e não o consegui utilizar para auxiliar na subida, do outro lado do corrimão fui ultrapassado por outro corredor que vinha ainda mais detrás. Dali até ao fim já estava no meu limite e só consegui acompanhar naquela dura subida, nem esbocei a ultrapassagem. Tinha acabado em 2º a minha vaga, super contente porque havendo 6 vagas tinha boas hipóteses de ficar no Top 10. Quando dei por isso no final da 6ª vaga tinha ficado em 3º no meu escalão, claro que fiquei super contente. Só não fiquei muito contente quando me apercebi que tinha batido na trave na geral e ficado com o lugar que ninguém quer, o 4º. Tinha perdido o 3º lugar por 1 segundo, e tinha sido contra o corredor que tinha ganho a minha vaga. Claro que senão fosse ele, eu provavelmente não faria tão bom tempo, porque não era puxado ao meu limite, e assim poderia ser ultrapassado de qualquer modo por corredores de outra vaga, beneficiámos os 2 daquele aperto final. Resultado que não deixa de ser fabuloso, e me deixa super feliz e confiante que os treinos estão a resultar.
Este fim-de-semana fui ver o espectáculo "Lisbon Under Stars". Este espectáculo é semelhante e tem o mesmo conceito do espectáculo que fui ver há uns anos do Arco de Luz da rua Augusta, aliás esse foi o primeiro de muitos espectáculos deste género que se começaram a fazer em Portugal. O que gostei mais deste espectáculo nem foram as projecções de luzes, muito bem conseguidas para todos os efeitos, mas sim a parte histórica, em que admito a minha ignorância, por não conhecer. O fio condutor da apresentação é a história das ruínas do convento do Carmo, o porquê da sua construção até ao seu estado actual. Depois de conhecer a história faz-me alguma confusão que nenhum governo, a câmara de Lisboa ou alguém com responsabilidades na área, não leve para a frente a recuperação do convento. Por fim, a única coisa que não gostei foi o preço dos bilhetes, achei demasiado para os 45 minutos da apresentação, além disso estamos a falar de cultura, não se deveria pagar tanto para ter acesso a eventos culturais, depois admiram-se do estado da nossa sociedade, quando a cultura e o conhecimento não é prioridade e não é acessível a toda a população.
Muito há a dizer sobre este festival, primeiro que não é um festival, são as festas populares de uma terrinha perdida no meio da serra, Pindelo dos Milagres, que por acaso 2 dos dias da festa são dedicados a música metal. Milagre Metaleiro é o nome da festa, muito bem organizada e com muito esforço por parte dos organizadores, privei com alguns deles, sempre simpáticos, amáveis, prestáveis apesar das horas sem dormir e de todo o stress ao longo dos 2 dias de concertos, os quais levam milhares de pessoas à sua pequena localidade.
A primeira particularidade desta festa é que se estão habituados a pagar para ver concertos, esta é uma festa que não se paga entrada, sim não paguei dezenas de euros para ir ouvir música. A única coisa que paguei foi a viagem de autocarro até lá, que ficou bastante mais barato do que se tivesse ido de carro, com o bónus da festa começar mais cedo, porque aquela viagem foi uma festa. As bandas portuguesas que iam actuar e que eram da zona de Lisboa também foram no autocarro, ou seja, logo ali houve uma enorme proximidade entre bandas e espectadores, algo que se alastrou a quase todas as bandas que actuaram no festival, mesmo as bandas internacionais.
A única pessoa que conhecia que ia também a estas festas era o Bruno, que por acaso é baixista dos Gwydion, uma das bandas portuguesas que ia actuar. Outro acaso foi no autocarro os elementos dos Gwydion terem-se sentado praticamente ao meu lado, e apesar de já os ter visto ao vivo, na altura não conhecia o Bruno por isso nem tinha tomado muita atenção e não me recordava deles. E sem querer criou-se logo ali uma empatia e fomos a conversar grande parte da viagem, até que a dada altura me apercebi que eles eram os parceiros do Bruno. Eu não sabia, mas o Bruno e os restantes elementos da bandas só iriam lá ter no dia seguinte, porque na 6ª feira à tarde ainda trabalhavam, sim este é o cenário para praticamente todos os músicos metal em Portugal, quase todos têm a música como hobby.
Chegados já perto da hora do início dos concertos apressei-me a montar a tenda e a ir para o recinto dos concertos. Ainda vi o sound check dos Dynazty que eram o prato forte do dia e a banda que mais queria ver de todas. Antes disso ainda espaço para jantar, mais uma vez parabéns à organização por disponibilizarem uma bela refeição caseira a um preço simpático. Enquanto jantava reparei em algumas bandas estrangeiras que jantavam ali numas mesas ao lado, simpáticas, a tirarem fotos e a falar com quem queria partilhar com eles umas palavras, este é o verdadeiro espírito desta festa.
Devo dizer que gostei de quase todas as bandas que tocaram durante toda a festa, mas como seria uma tarefa demasiado exaustiva vou só aqui destacar as bandas que me levaram à festa, apesar de ter havido bandas óptimas sobre as quais não irei falar. A primeira são mesmo os Dynazty, que deram o melhor concerto de toda a festa, muito boa música, uma actuação imaculada, bem em palco, bem fora de palco quando no final do concerto espalharam simpatia a tirar fotos (infelizmente a foto que tirei com o vocalista ficou totalmente desfocada) e a assinar autógrafos. Adorei o concerto, espero que voltem a Portugal, porque sem dúvida é das bandas que gostarei de rever.
E o primeiro dia está feito, o segundo dia das festas seria o maior com os concertos a começarem bem perto das tórridas 15h da tarde. Estava tanto calor que nem apetecia sair da sombra, e mesmo assim estava quente. Entre cada concerto ia ao chuveiro molhar a cabeça e tronco, o calor era tanto que a t-shirt secava naquele espaço de 1h entre concertos. A primeira banda que me interessava ver eram os Gwydion. Eu sei que estou condicionado pela amizade que tenho com os elementos da banda, mas para mim foi a melhor actuação nacional e o público pareceu-me aderir como não fizeram com outra qualquer banda. Uma das coisas que me lembrarei deste concerto é da cara da Marta a partir uma baqueta num prato, estava mesmo a olhar para ela nessa altura e foi de rir a cara dela. Ainda dizia o Kaveira que ela batia devagar na bateria!
A banda que queria ver a seguir foi a desilusão da festa os Frozen Crown. A música nem é má, os instrumentos até estiveram bem, mas aquela vocalista é simplesmente uma carinha bonitinha. Nem tem presença em palco de uma cantora de metal e pior que isso, deve ter sido uma das piores vozes que alguma vez ouvi numa banda profissional. Na música editada já me parecia que lhe faltava alguma "potência", mas não desafinava, agora ao vivo em que a voz não pode ser editada é um terror. Acho que se a banda não se desfizer dela terá os dias contados. No final de tudo ainda de portaram como estrelas, quando saíram de palco, não quiseram interagir com ninguém remetendo o pessoal para a sua banca de merchandising e aí então falariam com as pessoas. Vi que tiveram lá uns minutos, mas não muito tempo, nem falaram com muitas pessoas.
Por fim o nome mais cotado de todo o cartaz os Rhapsody of Fire. Foi esta banda que me fez descobrir esta festa. Vamos a um pouquinho de história, esta formação não é a original dos Rhapsody of Fire, da formação original sobra apenas o teclista o Alex Staropoli. Os génios da formação original eram o guitarrista Luca Turilli e a fantástica voz do Fabio Leoni. Em 2017 eu vi os outros Rhapsody, numa banda que formaram com o mesmo nome e devo dizer que as mesmas músicas tocadas por uns e por outros não têm nada a ver, a actuação que eu vi em 2017 foi muitíssimo superior. Dito isto, não é que esta actuação tenha sido má, bem longe disso, mas não foi memorável nem inesquecível. Também tenho de dizer que ao fim de tantas actuações, horas mal dormidas, cansaço acumulado, já não estava assim com muito espírito para desfrutar ao máximo da actuação deles. Análise final, festa extraordinária, cansativa e divertidíssima, gostava que para o próximo ano tivesse outra vez um bom cartaz para mais uma vez ir a Pindelo dos Milagres.
Já começa a ser uma tradição anual do mês de Agosto, a ida até à simpática vila de Vagos para o Vagos Metal Fest. Este ano o cartaz trazia 4 bandas que gostava de ouvir. À cabeça os Stratovarius que não podia perder, os Visions os Atlantis que tinha muita curiosidade, os Alestorm que achava que seria uma banda muito divertida de de ver ao vivo e finalmente gostava de rever Týr.
Devido ao alinhamento das bandas, os Týr tocavam num dia, os Alestorm noutro dia e no último dia tocavam os Visions of Atlantis e os Stratovarius. Infelizmente não conseguia despender tantos dias, por isso decidi ir ao último dia, por ser o dia que tocavam as bandas que mais queria ver e conseguia ver 2 bandas das que queria.
O que posso dizer do concerto dos Visions of Atlantis é que foi curto, soube a pouco. Apesar de ser uma banda já com alguns anos, o que acho é que devido a algumas indefinições, a constantes saídas e entradas de elementos, a banda ainda não se conseguiu afirmar devidamente. Isto levou a que fosse das bandas com menos tempo de actuação, sendo das primeiras bandas do dia a tocarem, ainda longe dos cabeça de cartaz. Para primeira vez que tocaram em Portugal foi um óptimo cartão de visita, fantástica actuação que espero que se repita brevemente com mais tempo de actuação.
Se os Visions of Atlantis tocaram pela primeira vez em Portugal, os Stratovarius já não tocavam por cá há 16 anos, e já nem esperava conseguir vê-los ao vivo. E como cabeças de cartaz tivemos um belo concerto, com uma setlist que me agradou imenso e com um tempo de actuação que já nos deixa satisfeitos. Achava que seria difícil ultrapassarem a satisfação que me deu o concerto dos Visions of Atlantis, mas os Stratovarius puxaram dos galões e mostraram que apesar da idade estão aí para as curvas. Músicas clássicas do panorama metal não faltaram ao concerto, Eagleheart, Shine in the Dark, Destiny, Black Diamon, Forever, The Kiss of Judas, Hunting High and Low e a música que mais gosto dos Stratovarius e que está na minha playlist de melhores músicas, a Unbreakable. Não sei se os voltarei a ver ao vivo, mas consegui ver uma vez, numa actuação que ficará na minha memória como dos melhores concertos que vi.
A minha passagem por Viseu ficou marcada pela visita ao Parque do Fontelo. Já tinha ouvido falar do parque mas nunca o tinha visitado, o que me deveria encher de vergonha. O parque do Fontelo é o coração e o pulmão de Viseu, ocupa uma área muito considerável do centro da cidade, e foi o que mais me impressionou na cidade. O parque é belíssimo, super agradável, cheio de pavões por todo o lado, árvores com centenas de anos, um sem número de coisas para desfrutar.
Aproveitei uns dias que passei por Viseu, para visitar a tão aclamada Feira de São Mateus. Realmente aquilo é enorme, palco para concertos, feira de diversões, muitas barraquinhas para comer e beber, exposições...Para os miúdos, e graúdos também, há imensas diversões como uma espécie de feira popular onde se pode gastar dinheiro, sim os miúdos não se calam com os olhos esbugalhados e fixados em tantas luzes, carrinhos, aviões e música por todo o lado.
Outra coisa que para mim é surpreendente é que a feira dura mais de 1 mês, as festas de Verão ali são mesmo intermináveis. E já agora eu não sou um daqueles fãs incondicionais de farturas, mas as farturas Oliveira são qualquer coisa, quem puder passar por lá é aproveitar. Obrigado Zé e Teresa por terem sido os anfitriões desta visita.
Acho que a única vez que tinha ido ao Portugal dos Pequenitos foi quando tinha a idade do Francisco, por isso foi certamente há mais de 30 anos. Aproveitei as férias para levar o Francisco a conhecer o Portugal dos Pequenitos e ainda por cima consegui que ele fosse na companhia do seu melhor amigo. Que posso dizer além de ter sido a loucura total, divertiram-se tanto que eu já dizia que eles tinham alarme incluído, que só tínhamos de seguir os risos e gritos deles para saber onde estavam. No meio de tantas crianças os terríveis notavam-se à distância. Achei especial piada numa torre no parque de diversões, eles foram lá para cima e não deixavam nenhum miúdo entrar lá em cima, inclusivamente miúdos maiores eles punham-se à entrada e não deixavam passar, os terríveis reclamaram aquele território para eles.
Os pais voltaram à escola, desta vez não foram as crianças a representar mas sim os pais. Inicialmente eu nem integrava o conjunto de actores da peça, mas ao longo dos ensaios começaram a faltar pessoas e eu como estava presente para cuidar do Francisco, acabei por ser "obrigado" a entrar no elenco do teatro. Devo dizer que ao princípio nem estava assim tão entusiasmado, pensei que iría ter imenso trabalho e que não tinha disponibilidade para dar um contributo que acrescentasse valor. Comecei a ficar mais convencido quando fiquei com o papel do mau da peça, era um papel curto que não precisava de memorizar muitas falas, sim tenho problemas de memória, e era um papel com uma dinâmica intensa em que podia hiperbolizar a intrepretação.
No decorrer dos ensaio acabei por me divertir imenso, os ensaios não eram simplesmente ensaios, eram convívios entre os os pais e no final disto tudo é o que levo de melhor, um novo grupo de verdadeiros amigos que agora se junta, não só por causa dos filhos, para brincarem uns com os outros, mas porque nós próprios também nos damos muito bem e passamos momentos muito divertidos.
Depois de um dia duríssimo este seria o dia da consagração. O dia começou bem cedo, quase com o nascer do sol, era necessário resolver o problema dos 2 pneus furados do Hugo e sair cedo porque hoje não tínhamos margem para nos atrasarmos, havia um comboio à nossa espera em Lagos às 17h20m. Mas como tudo tem de ser difícil para ter alguma piada, passado 1 km de saírmos da Arrifana, o Hugo estava novamente com o pneu de trás m baixo. Desta vez foi culpa nossa, não verificámos devidamente o pneu, e este tinha uma farpa que voltou a furar a camara de ar. Problema resolvido e vamos lá a andar que não nos podemos descuidar com as horas.
A primeira parte da manhã até chegarmos à Carrapateira era maioritariamente estradões, às vezes com alguma pedra mas que possibilitava uma boa média. A única subida mais agressiva foi muito interessante, apesar de intensa era tecnicamente simples, o que possibilitou uma daquelas subidas onde nos preocupamos mais em ter força para vencer a inclinação e menos a preocupação de procurar as melhores trajectórias mais adequadas para ultrapassar os obstáculos. Desgraçado do Hugo estava mesmo em sofrimento, o dia anterior tinha-o deixado em más condições. A única coisa que lhe dava força é que cada vez estava mais próximo de Sagres, do objectivo. A imagem que mais facilmente me lembro é da cenoura à frente do burro para o fazer andar, a cenoura era Sagres e o burro o Hugo (não podia deixar de fazer a piada, podia ser cavalo, mas o burro tem mais piada).
Chegados à Carrapateira aproveitar um bocadinho a bela paisagem, contudo por pouco tempo, porque o Maria não deixava descansar muito, tínhamos de chegar o mais rapidamente possível a Sagres. A seguir pedalar um bocadinho à beira mar pela praia, dar essa experiência, esse prazer a quem nunca o tinha experienciado. Logo de seguida, "a subida" de toda esta viagem. Duríssima a todos os níveis, e só o campeão do Maria a conseguiu fazer toda a pedalar. Mais um estradão até apanhar o alcatrão, uma pequena subida até às eólicas, e uma descida a todo o gás até Vila do Bispo. De Vila do Bispo até Sagres foi a controlar o ritmo para o Hugo aguentar, apesar de estar um vento forte pelas costas, o que levantava outro alerta, na viagem de retorno de Sagres para Vila do Bispo tínhamos de ter em conta este vento. Chegámos ao forte de Sagres por volta das 11h15m, objectivo concluído com distinção.
Foco seguinte, encontrar rapidamente um sítio para almoçar para sair o mais cedo possível para Lagos. Lá conseguimos encontrar um sítio que começasse a servir ao 12h (como é possível mais uma vez os restaurantes abrirem tão tarde). O Maria queria sair às 13h para termos 3h a pedalar e mesmo assim termos 1h de margem para algum problema que pudéssemos ter. Nessa altura o Hugo disse que já não aguentava mais, que o objectivo estava cumprido que era chegar a Sagres, que iría arranjar alternativa para ir para Lagos, o que acabou por ser de táxi. Bem, achei na altura tudo exagerado, achei que o Hugo era capaz de aguentar até Lagos, o quão errado estava, e achei que 3 horas é imenso tempo para fazer os menos de 40 kms até Lagos, pois já tinha feito aquele caminho, e mais uma vez o quão errado estava.
Saímos de Sagres pouco passava das 13h e até Vila do Bispo eu e o Maria pedalámos à frente do Fábio, de modo a protegê-lo do vento frontal. Ao chegar a Vila do Bispo sentia-me super mal disposto, a feijoada de choco do almoço andou ali vai, não vai, para sair cá para fora. Felizmente foi passando apesar de em algumas alturas ainda sentir um desconforto, o pior tinha passado. Chegados a Vila do Bispo pensei que íamos seguir pela estrada nacional, mas o Maria tinha outra ideia, queria seguir a via algarviada de modo a evitar o trânsito da estrada nacional. Pois é, evitámos a estrada nacional, o que não evitámos foi uma montanha russa de subidas e descidas, muito desgastante e com pendentes duríssimas. Sim foi muito mais bonito, sim foi muito mais interessante conhecer aquela parte do Algarve, mas não estava nada a contar com aquilo e por isso digo que o Hugo fez muito bem em não ter ido connosco, e por isso veio a confirmar-se que as 3h que o Maria previa não estavam muito longe da realidade. Quando chegámos por volta das 16h a Lagos estava o Hugo na esplanada à nossa espera. Ainda deu tempo para descansarmos um bocadinho antes de apanhar comboio de volta a casa. Uma bela viagem, em boa companhia, por caminhos espetaculares, acabou e já estou com saudades.