segunda-feira, agosto 26, 2019

Milagre Metaleiro 2019

Muito há a dizer sobre este festival, primeiro que não é um festival, são as festas populares de uma terrinha perdida no meio da serra, Pindelo dos Milagres, que por acaso 2 dos dias da festa são dedicados a música metal. Milagre Metaleiro é o nome da festa, muito bem organizada e com muito esforço por parte dos organizadores, privei com alguns deles, sempre simpáticos, amáveis, prestáveis apesar das horas sem dormir e de todo o stress ao longo dos 2 dias de concertos, os quais levam milhares de pessoas à sua pequena localidade.

A primeira particularidade desta festa é que se estão habituados a pagar para ver concertos, esta é uma festa que não se paga entrada, sim não paguei dezenas de euros para ir ouvir música. A única coisa que paguei foi a viagem de autocarro até lá, que ficou bastante mais barato do que se tivesse ido de carro, com o bónus da festa começar mais cedo, porque aquela viagem foi uma festa. As bandas portuguesas que iam actuar e que eram da zona de Lisboa também foram no autocarro, ou seja, logo ali houve uma enorme proximidade entre bandas e espectadores, algo que se alastrou a quase todas as bandas que actuaram no festival, mesmo as bandas internacionais.

A única pessoa que conhecia que ia também a estas festas era o Bruno, que por acaso é baixista dos Gwydion, uma das bandas portuguesas que ia actuar. Outro acaso foi no autocarro os elementos dos Gwydion terem-se sentado praticamente ao meu lado, e apesar de já os ter visto ao vivo, na altura não conhecia o Bruno por isso nem tinha tomado muita atenção e não me recordava deles. E sem querer criou-se logo ali uma empatia e fomos a conversar grande parte da viagem, até que a dada altura me apercebi que eles eram os parceiros do Bruno. Eu não sabia, mas o Bruno e os restantes elementos da bandas só iriam lá ter no dia seguinte, porque na 6ª feira à tarde ainda trabalhavam, sim este é o cenário para praticamente todos os músicos metal em Portugal, quase todos têm a música como hobby.


Chegados já perto da hora do início dos concertos apressei-me a montar a tenda e a ir para o recinto dos concertos. Ainda vi o sound check dos Dynazty que eram o prato forte do dia e a banda que mais queria ver de todas. Antes disso ainda espaço para jantar, mais uma vez parabéns à organização por disponibilizarem uma bela refeição caseira a um preço simpático. Enquanto jantava reparei em algumas bandas estrangeiras que jantavam ali numas mesas ao lado, simpáticas, a tirarem fotos e a falar com quem queria partilhar com eles umas palavras, este é o verdadeiro espírito desta festa.

Devo dizer que gostei de quase todas as bandas que tocaram durante toda a festa, mas como seria uma tarefa demasiado exaustiva vou só aqui destacar as bandas que me levaram à festa, apesar de ter havido bandas óptimas sobre as quais não irei falar.  A primeira são mesmo os Dynazty, que deram o melhor concerto de toda a festa, muito boa música, uma actuação imaculada, bem em palco, bem fora de palco quando no final do concerto espalharam simpatia a tirar fotos (infelizmente a foto que tirei com o vocalista ficou totalmente desfocada) e a assinar autógrafos. Adorei o concerto, espero que voltem a Portugal, porque sem dúvida é das bandas que gostarei de rever.


E o primeiro dia está feito, o segundo dia das festas seria o maior com os concertos a começarem bem perto das tórridas 15h da tarde. Estava tanto calor que nem apetecia sair da sombra, e mesmo assim estava quente. Entre cada concerto ia ao chuveiro molhar a cabeça e tronco, o calor era tanto que a t-shirt secava naquele espaço de 1h entre concertos. A primeira banda que me interessava ver eram os Gwydion. Eu sei que estou condicionado pela amizade que tenho com os elementos da banda, mas para mim foi a melhor actuação nacional e o público pareceu-me aderir como não fizeram com outra  qualquer banda. Uma das coisas que me lembrarei deste concerto é da cara da Marta a partir uma baqueta num prato, estava mesmo a olhar para ela nessa altura e foi de rir a cara dela. Ainda dizia o Kaveira que ela batia devagar na bateria!


A banda que queria ver a seguir foi a desilusão da festa os Frozen Crown. A música nem é má, os instrumentos até estiveram bem, mas aquela vocalista é simplesmente uma carinha bonitinha. Nem tem presença em palco de uma cantora de metal e pior que isso, deve ter sido uma das piores vozes que alguma vez ouvi numa banda profissional. Na música editada já me parecia que lhe faltava alguma "potência", mas não desafinava, agora ao vivo em que a voz não pode ser editada é um terror. Acho que se a banda não se desfizer dela terá os dias contados. No final de tudo ainda de portaram como estrelas, quando saíram de palco, não quiseram interagir com ninguém remetendo o pessoal para a sua banca de merchandising e aí então falariam com as pessoas. Vi que tiveram lá uns minutos, mas não muito tempo, nem falaram com muitas pessoas.

Por fim o nome mais cotado de todo o cartaz os Rhapsody of Fire. Foi esta banda que me fez descobrir esta festa. Vamos a um pouquinho de história, esta formação não é a original dos Rhapsody of Fire, da formação original sobra apenas o teclista o Alex Staropoli. Os génios da formação original eram o guitarrista Luca Turilli e a fantástica voz do Fabio Leoni. Em 2017 eu vi os outros Rhapsody, numa banda que formaram com o mesmo nome e devo dizer que as mesmas músicas tocadas por uns e por outros não têm nada a ver, a actuação que eu vi em 2017 foi muitíssimo superior. Dito isto, não é que esta actuação tenha sido má, bem longe disso, mas não foi memorável nem inesquecível. Também tenho de dizer que ao fim de tantas actuações, horas mal dormidas, cansaço acumulado, já não estava assim com muito espírito para desfrutar ao máximo da actuação deles. Análise final, festa extraordinária, cansativa e divertidíssima, gostava que para o próximo ano tivesse outra vez um bom cartaz para mais uma vez ir a Pindelo dos Milagres.


quinta-feira, agosto 22, 2019

Vagos Metal Fest 2019

Já começa a ser uma tradição anual do mês de Agosto, a ida até à simpática vila de Vagos para o Vagos Metal Fest. Este ano o cartaz trazia 4 bandas que gostava de ouvir. À cabeça os Stratovarius que não podia perder, os Visions os Atlantis que tinha muita curiosidade, os Alestorm que achava que seria uma banda muito divertida de de ver ao vivo e finalmente gostava de rever Týr.

Devido ao alinhamento das bandas, os Týr tocavam num dia, os Alestorm noutro dia e no último dia tocavam os Visions of Atlantis e os Stratovarius. Infelizmente não conseguia despender tantos dias, por isso decidi ir ao último dia, por ser o dia que tocavam as bandas que mais queria ver e conseguia ver 2 bandas das que queria.

O que posso dizer do concerto dos Visions of Atlantis é que foi curto, soube a pouco. Apesar de ser uma banda já com alguns anos, o que acho é que devido a algumas indefinições, a constantes saídas e entradas de elementos, a banda ainda não se conseguiu afirmar devidamente. Isto levou a que fosse das bandas com menos tempo de actuação, sendo das primeiras bandas do dia a tocarem, ainda longe dos cabeça de cartaz. Para primeira vez que tocaram em Portugal foi um óptimo cartão de visita, fantástica actuação que espero que se repita brevemente com mais tempo de actuação.


Se os Visions of Atlantis tocaram pela primeira vez em Portugal, os Stratovarius já não tocavam por cá há 16 anos, e já nem esperava conseguir vê-los ao vivo. E como cabeças de cartaz tivemos um belo concerto, com uma setlist que me agradou imenso e com um tempo de actuação que já nos deixa satisfeitos. Achava que seria difícil ultrapassarem a satisfação que me deu o concerto dos Visions of Atlantis, mas os Stratovarius puxaram dos galões e mostraram que apesar da idade estão aí para as curvas. Músicas clássicas do panorama metal não faltaram ao concerto, Eagleheart, Shine in the Dark, Destiny, Black Diamon, Forever, The Kiss of Judas, Hunting High and Low e a música que mais gosto dos Stratovarius e que está na minha playlist de melhores músicas, a Unbreakable. Não sei se os voltarei a ver ao vivo, mas consegui ver uma vez, numa actuação que ficará na minha memória como dos melhores concertos que vi.


Stratovarius Setlist Vagos Metal Fest 2019 2019

quarta-feira, agosto 21, 2019

Viseu - Parque do Fontelo

A minha passagem por Viseu ficou marcada pela visita ao Parque do Fontelo. Já tinha ouvido falar do parque mas nunca o tinha visitado, o que me deveria encher de vergonha. O parque do Fontelo é o coração e o pulmão de Viseu, ocupa uma área muito considerável do centro da cidade, e foi o que mais me impressionou na cidade. O parque é belíssimo, super agradável, cheio de pavões por todo o lado, árvores com centenas de anos, um sem número de coisas para desfrutar.


terça-feira, agosto 20, 2019

Viseu - Feira de São Mateus

Aproveitei uns dias que passei por Viseu, para visitar a tão aclamada Feira de São Mateus. Realmente aquilo é enorme, palco para concertos, feira de diversões, muitas barraquinhas para comer e beber, exposições...Para os miúdos, e graúdos também, há imensas diversões como uma espécie de feira popular onde se pode gastar dinheiro, sim os miúdos não se calam com os olhos esbugalhados e fixados em tantas luzes, carrinhos, aviões e música por todo o lado.

Outra coisa que para mim é surpreendente é que a feira dura mais de 1 mês, as festas de Verão ali são mesmo intermináveis. E já agora eu não sou um daqueles fãs incondicionais de farturas, mas as farturas Oliveira são qualquer coisa, quem puder passar por lá é aproveitar. Obrigado e Teresa por terem sido os anfitriões desta visita.


sábado, agosto 17, 2019

Portugal dos Pequenitos

Acho que a única vez que tinha ido ao Portugal dos Pequenitos foi quando tinha a idade do Francisco, por isso foi certamente há mais de 30 anos. Aproveitei as férias para levar o Francisco a conhecer o Portugal dos Pequenitos e ainda por cima consegui que ele fosse na companhia do seu melhor amigo. Que posso dizer além de ter sido a loucura total, divertiram-se tanto que eu já dizia que eles tinham alarme incluído, que só tínhamos de seguir os risos e gritos deles para saber onde estavam. No meio de tantas crianças os terríveis notavam-se à distância. Achei especial piada numa torre no parque de diversões, eles foram lá para cima e não deixavam nenhum miúdo entrar lá em cima, inclusivamente miúdos maiores eles punham-se à entrada e não deixavam passar, os terríveis reclamaram aquele território para eles.


domingo, julho 21, 2019

Teatro de final de ano do Francisco

Os pais voltaram à escola, desta vez não foram as crianças a representar mas sim os pais. Inicialmente eu nem integrava o conjunto de actores da peça, mas ao longo dos ensaios começaram a faltar pessoas e eu como estava presente para cuidar do Francisco, acabei por ser "obrigado" a entrar no elenco do teatro. Devo dizer que ao princípio nem estava assim tão entusiasmado, pensei que iría ter imenso trabalho e que não tinha disponibilidade para dar um contributo que acrescentasse valor. Comecei a ficar mais convencido quando fiquei com o papel do mau da peça, era um papel curto que não precisava de memorizar muitas falas, sim tenho problemas de memória, e era um papel com uma dinâmica intensa em que podia hiperbolizar a intrepretação.

No decorrer dos ensaio acabei por me divertir imenso, os ensaios não eram simplesmente ensaios, eram convívios entre os os pais e no final disto tudo é o que levo de melhor, um novo grupo de verdadeiros amigos que agora se junta, não só por causa dos filhos, para brincarem uns com os outros, mas porque nós próprios também nos damos muito bem e passamos momentos muito divertidos. 

terça-feira, junho 25, 2019

Tróia - Sagres - Dia 3

Depois de um dia duríssimo este seria o dia da consagração. O dia começou bem cedo, quase com o nascer do sol, era necessário resolver o problema dos 2 pneus furados do Hugo e sair cedo porque hoje não tínhamos margem para nos atrasarmos, havia um comboio à nossa espera em Lagos às 17h20m. Mas como tudo tem de ser difícil para ter alguma piada, passado 1 km de saírmos da Arrifana, o Hugo estava novamente com o pneu de trás m baixo. Desta vez foi culpa nossa, não verificámos devidamente o pneu, e este tinha uma farpa que voltou a furar a camara de ar. Problema resolvido e vamos lá a andar que não nos podemos descuidar com as horas.

 

A primeira parte da manhã até chegarmos à Carrapateira era maioritariamente estradões, às vezes com alguma pedra mas que possibilitava uma boa média. A única subida mais agressiva foi muito interessante, apesar de intensa era tecnicamente simples, o que possibilitou uma daquelas subidas onde nos preocupamos mais em ter força para vencer a inclinação e menos a preocupação de procurar as melhores trajectórias mais adequadas para ultrapassar os obstáculos. Desgraçado do Hugo estava mesmo em sofrimento, o dia anterior tinha-o deixado em más condições. A única coisa que lhe dava força é que cada vez estava mais próximo de Sagres, do objectivo. A imagem que mais facilmente me lembro é da cenoura à frente do burro para o fazer andar, a cenoura era Sagres e o burro o Hugo (não podia deixar de fazer a piada, podia ser cavalo, mas o burro tem mais piada).

Chegados à Carrapateira aproveitar um bocadinho a bela paisagem, contudo por pouco tempo, porque o Maria não deixava descansar muito, tínhamos de chegar o mais rapidamente possível a Sagres. A seguir pedalar um bocadinho à beira mar pela praia, dar essa experiência, esse prazer a quem nunca o tinha experienciado. Logo de seguida, "a subida" de toda esta viagem. Duríssima a todos os níveis, e só o campeão do Maria a conseguiu fazer toda a pedalar. Mais um estradão até apanhar o alcatrão, uma pequena subida até às eólicas, e uma descida a todo o gás até Vila do Bispo. De Vila do Bispo até Sagres foi a controlar o ritmo para o Hugo aguentar, apesar de estar um vento forte pelas costas, o que levantava outro alerta, na viagem de retorno de Sagres para Vila do Bispo tínhamos de ter em conta este vento. Chegámos ao forte de Sagres por volta das 11h15m, objectivo concluído com distinção.
Foco seguinte, encontrar rapidamente um sítio para almoçar para sair o mais cedo possível para Lagos. Lá conseguimos encontrar um sítio que começasse a servir ao 12h (como é possível mais uma vez os restaurantes abrirem tão tarde). O Maria queria sair às 13h para termos 3h a pedalar e mesmo assim termos 1h de margem para algum problema que pudéssemos ter. Nessa altura o Hugo disse que já não aguentava mais, que o objectivo estava cumprido que era chegar a Sagres, que iría arranjar alternativa para ir para Lagos, o que acabou por ser de táxi. Bem, achei na altura tudo exagerado, achei que o Hugo era capaz de aguentar até Lagos, o quão errado estava, e achei que 3 horas é imenso tempo para fazer os menos de 40 kms até Lagos, pois já tinha feito aquele caminho, e mais uma vez o quão errado estava.

Saímos de Sagres pouco passava das 13h e até Vila do Bispo eu e o Maria pedalámos à frente do Fábio, de modo a protegê-lo do vento frontal. Ao chegar a Vila do Bispo sentia-me super mal disposto, a feijoada de choco do almoço andou ali vai, não vai, para sair cá para fora. Felizmente foi passando apesar de em algumas alturas ainda sentir um desconforto, o pior tinha passado. Chegados a Vila do Bispo pensei que íamos seguir pela estrada nacional, mas o Maria tinha outra ideia, queria seguir a via algarviada de modo a evitar o trânsito da estrada nacional. Pois é, evitámos a estrada nacional, o que não evitámos foi uma montanha russa de subidas e descidas, muito desgastante e com pendentes duríssimas. Sim foi muito mais bonito, sim foi muito mais interessante conhecer aquela parte do Algarve, mas não estava nada a contar com aquilo e por isso digo que o Hugo fez muito bem em não ter ido connosco, e por isso veio a confirmar-se que as 3h que o Maria previa não estavam muito longe da realidade. Quando chegámos por volta das 16h a Lagos estava o Hugo na esplanada à nossa espera. Ainda deu tempo para descansarmos um bocadinho antes de apanhar comboio de volta a casa. Uma bela viagem, em boa companhia, por caminhos espetaculares, acabou e já estou com saudades.

quinta-feira, junho 20, 2019

Tróia - Sagres - Dia 2

A etapa do segundo dia, apesar de não ser a maior a nível de distância, seria aquela que era mais complicada devido à altimetria, e não sabia eu, a nível de dificuldade do terreno. Começámos um bocadinho mais tarde do que eu queria, estivemos à espera que o café abrisse às 8h30m para comer o pequeno almoço. Se calhar sou eu que estou mal habituado, mas não me cabe na cabeça que um café abra tão tarde. Em conversa, nessa altura sugeri que nesse dia almoçassemos na Zambujeira do Mar que era mais ou menos a meio do percurso que nos levaria à Arrifana, ou se a coisa estivesse a correr mal, num restaurante que conhecia em Almograve.


A etapa começou de maneira agradável junto às arribas frente à Ilha do Pessegueiro, nem sempre era fácil transpôr os obstáculos e o terreno arenoso, mas a beleza da paisagem fazia esquecer o esforço. Sim os primeiros 5 kms foram feitos de um modo lento, mas o pior estava para vir, os segundos 5 kms todas as vezes que fiz o Tróia-Sagres fiz pela praia, à beira mar, porque apanhei sempre a maré vazia. Desta vez a maré estava cheia e tivémos de subir para as dunas, e passámos mal, quase 1h30m para fazer 5 míseros quilómetros, quase sempre a arrastar a bicicleta pela areia pois o terreno de ciclável não tinha nada. Uma das imagens fortes desta viagem foi o Hugo aos murros no guiadouro, a vociferar, totalmente frustrado e cansado. Esta seria a única coisa que teria mudado em todo o percurso, nesta zona ou se consegue ir pela praia com a maré vazia ou o melhor é ir até ao alcatrão e evitar as dunas.

Chegámos a Vila Nova de Mil Fontes por volta do meio dia e ainda nem tínhamos feito 20kms, antevia-se um dia muito complicado, mais ainda do que tinha prespectivado inicialmente. Sugeri que seguissemos caminho apesar de já ser meio dia porque se tudo corresse normalmente estaríamos em Almograve passado 1 hora e almoçávamos por lá. Assim foi, chegados a Almograve procurei o restaurante que conhecia, lembrava-me que era junto a uma rotunda, que tinha ideia que ficava no caminho, mas não encontrei. Então fomos comer ao Snack Bar Sol e Mar, que revelou-se uma excelente escolha, comida boa, sobremesa gigante e preço pequeno. Seguindo viagem, logo de seguida percebi porque não encontrei o restaurante. Na verdade não estavamos ainda em Almograve, estavamos na Longueira, e quando cheguei a Almograve percebi o meu erro.


Estavamos a chegar à parte do percurso que mais gosto, a ligação entre o Cabo Sardão e a Zambujeira do Mar. Quando chegámos à Zambujeira do Mar já eram 16h30m e ainda faltavam mais de 45 kms, devo confessar que estava a ficar um pouco apreensivo. Seguimos em direcção a Brejão, num percurso que nunca tinha feito e me tinha sido indicado pelo Borja. Nessa altura cruzámos-nos por um casar já com alguma idade que também viajava de bicicleta. Demorámos algum tempo a conseguir ultrapassá-los e só o fizemos durante uma descida, eu pensei - "Bolas, estão mesmo em forma, a dar aqui um baile aos putos!" - depois de uma subida um pouco ingreme fiquei à espera do pessoal e nisto lá vêm os velhotes outra vez, tinham ultrapassado o resto do grupo, quase que fiquei de boca aberta. Nisto quando passam por mim oiço um barulhino de um motor, olho para o quadro e vejo a bateria, pronto isso explicava muita coisa.

Quando chegamos a Brejão reparo que o Hugo está no limites das forças, com uma péssima cara e comecei a pensar que se calhar não íamos conseguir chegar à Arrifana. Mais de 35 kms para o fim e já eram 17h30m, se calhar devia mesmo ter levado luzes, algo que nunca pensei acontecer antes de começar esta viagem. O percurso que se seguiu ainda bem que era super simples e belo, o que deu para o Hugo recuperar. Começámos a seguir sempre pelos canais de água até chegarmos a Odeceixe.


Chegados à ponte de Odeceixe perguntei se queriam seguir pela estrada nacional que tinha um percurso mais curto, mas a inclinação era muito superior, ou seguir o trajecto inicial que era ir em direcção à praia de Odeceixe, cujo o percurso era mais longo mas a inclinação era substancialmente inferior. A decisão foi seguir em direcção à praia. Apesar da inclinação ser inferior ela estava lá e o Hugo sofreu para chegar lá acima. Confesso que nesta altura já não estava a desfrutar muito do dia, estava mais procupado com o Hugo e com o sacrifício que ele estava a fazer. Sei muito bem o que é estar no estado em que ele estava, e a força mental que é necessária para continuar a seguir em frente. São estas alturas em que estamos fisicamente mais debilitados que acabamos por perder a concentração, o que pode levar a erros e a quedas. De qualquer maneira eu conhecia a topologia do terreno até Aljezur e sabia que o pior já tinha passado e que a partir dali era sempre a descer.


Realmente até Aljezur foi seguir novamente os canais num percurso super simples, sem qualquer dificuldade e algumas descidas super divertidas, mas que não podiam ser encaradas com displicência porque tinham alguma perigosidade. Chegados a Aljezur somos presenteados com uma subida imponente até ao Castelo de Aljezur. Como íamos dormir à Arrifana ainda tínhamos de subir mais do que esperava, não conhecia essa parte do trajecto porque sempre tinha ficado a dormir em Aljezur e nunca tinha passado pela Arrifana. Para dificultar as coisas o Hugo estava com 2 furos lentos o que nos obrigava a ir parando para pôr algum ar nos pneus. Já era tarde e estavamos a menos de 10 kms da Arrifana, por isso não queríamos estar a perder tempo e energia a mudar os 2 pneus. Ainda sugeri ao Hugo que eu e o Maria o empurrássemos até ao final mas ele quase a rosnar rejeitou a ajuda. Chegámos à Pousada da Juventude da Arrifana já passava das 20h30m. Nota 20 para as pessoas da pousada, super simpáticas e ajudaram em tudo o que podiam, inclusivamente disponibilizaram a cozinha para nós na manhã seguinte, pois íamos sair antes da hora do pequeno almoço. 

O último desafio do dia foi encontrar um sítio para jantar, todos os restaurantes fechavam às 21h...21h...verdade? Ainda por cima numa altura do ano onde já há imensos turistas e pessoas de férias, não percebo, cafés a abrir às 8h30m, restaurantes a fechar às 21h, há pessoas que nem querem trabalhar para o próprio negócio. Eu e o Fábio, como já tínhamos tomado banho nem esperámos pelo Hugo e o Maria, e fomos à procura de um sítio para jantar. Depois de termos batido com o nariz na porta no restaurante Brisamar, por já ter a cozinha encerrada, fomos até Sea You Surf Café, e em boa hora o fizemos. Apesar de já ser quase 22h, que era a hora que a cozinha encerrava, disponibilizaram-se logo, arranjaram uma mesa e deixaram-nos à vontade. Ainda por cima a comida era bastante boa, e foi uma óptima maneira de terminar um dia complicadíssimo.

quarta-feira, junho 19, 2019

Tróia - Sagres - Dia 1

Já há alguns anos que não fazia a viagem de Tróia a Sagres em BTT, e nada o fazia prever que voltaria a fazer até há pouco tempo. Tudo começou quando estava a acampar em Porto Côvo com o Maria e o Fábio, e numa conversa comentei que o caminho de Tróia a Sagres passava ali. Ora o Fábio disse logo que gostaria de fazer, mas na altura não levei muito a sério, pensei que era um daqueles "gostava de fazer um dia". Bem, quando cheguei ao trabalho, no primeiro dia depois dessas férias já eles os dois estavam a fazer planos para a viagem, ao qual o Hugo também já se tinha juntado. 

Ora no curto espaço de um mês o Fábio e o Hugo esforçaram-se para se prepararem fisicamente para esta viagem, com a grande ajuda do Maria, inclusivamente o Hugo comprou uma bicicleta para conseguir fazer a viagem. Quanto a mim, estive quase todo o mês no "estaleiro" com uma infecção pulmunar que não me deixava fazer nada, pois qualquer mínino esforço me deixava ofegante. A minha tarefa acabou por ser definir o percurso visto ser o único do grupo que já tinha feito a viagem em BTT. Como das vezes anteriores ainda tinha feito grandes trajectos em alcatrão, especialmente no primeiro dia, queria algumas alternativas para "fugir" ao alcatrão. Para conseguir alguma ajuda falei com o Borja, o nosso colega galego que também tem muita experiência em viagens em BTT, e que me deu alguma dicas onde podia passar. Ora o percurso final acabou por ser um misto de sítios onde eu já tinha passado, onde ele já tinha passado, e algumas ligações que não conhecia de todo nem tinha a certeza se eram ultrapassáveis.


O dia da viagem chegou num instante, e não podia ter começado melhor. Estacionámos os carros na estação de comboio do Pinhal Novo e íamos de comboio até Setúbal para apanhar o primeiro ferry da manhã. Quando está a chegar o comboio o Maria diz - "Esqueci-me do telemóvel no carro, vou lá buscá-lo e vou a pedalar até Setúbal". Eu inicialmente até tinha a ideia de fazer isso, mas com mais tempo de margem, não tão em cima da hora do ferry. Nós os 3 fomos de comboio e depois calmamente até ao ferry e esperamos pelo Maria. Lá chegou ele 5 minutos antes do ferry, lavado em suor, mais ofegante que em qualquer outra altura durante toda a viagem.

O tempo estava impecável, sol, com pouco calor e um ligeiro ventinho pelas costas. Na Comporta entrámos pelos arrozais, um trajecto que nunca tinha feito e que é muito porreiro. Garças, cegonhas, uma beleza e tranquilidade natural foi tudo o que encontrei nesta zona. Nisto toca o telefone do Maria, era da creche do puto dele e era necessário ir buscar o miúdo. Como é óbvio, era impossível ele ir buscar o miúdo, então lá teve a fazer inúmeros telefonemas para resolver a situação. Saímos dos arrozais, entramos no Carvalhal e já quando estamos à saída do Carvalhal, numa rotunda, oiço um chiar atrás de mim, olho por cima do ombro, e vejo o Hugo a estatelar-se e o Maria a passar por cima da bicicleta dele. Felizmente foi só um susto e um pneu rebentado. Retomamos a marcha e passado 1 quilómetro novamente o pneu em baixo. Vimos onde era o furo, e desconfiámos que a fita ressequida da jante podia estar a furar a camara de ar. Improvisámos uma fita por cima dessa e aparentemente resolvemos o problema.


Como íamos pelo alcatrão estavamos a tentar voltar a um trilho. Na zona da Galé ainda tentámos apanhar outro caminho, mas era uma zona de areia demasiado fofa e alta então desistimos da ideia. Só a seguir a Melides é que conseguimos voltar a sair do alcatrão. Mais uma zona de arrozais, seguida pela parte mais complicada do dia, muita areia que tornava a deslocação extremamente complicada. Chegados a Vila Nova de Santo André era hora de almoço. O sítio escolhido para almoçar foi a Pizzaria Vera Itália, o local que escolho sempre nesta viagem para o primeiro dia, pizzas em forno de lenha, nunca desiludiu. A seguir ao almoço procurámos uma loja de bicicletas, precisávamos de camaras de ar e o Fábio tinha um prato empenado, a seguir a Vila Nova de Santo André dificilmente encontraríamos uma loja de bicicletas. Fomos ao Stand Coelho, onde fomos muito bem atendidos e simpaticamente resolveram o problema do prato empenado do Fábio de modo a retomarmos viagem o mais rapidamente possível.

Apesar de já serem 16h30m quando saímos de Vila Nova de Santo André estávamos tranquilos, já só faltavam cerca de 30 quilómetros e não tínhamos uma hora obrigatória de chegada. Apanhámos logo um pequeno trajecto em areia, mas foi curtinho e o último do dia. Até ao final do dia passámos por diversas herdades até chegar à Barragem de Morgavel. Dalí até Porto Covô foi uns instantinho. O Fábio e o Hugo estavam de parabéns, pela primeira vez tinham feito mais de 100 kms em um dia, aliás o máximo do Hugo era 40 kms. Para compensar o bom almoço, ao jantar levámos um barrete, fomos jantar ao Hortela da Ribeira, preços caros e qualidade insuficiente, bastava ir ver à internet informações sobre o restaurante que facilmente percebíamos a pouca qualidade que tinha. Hora de descansar que o dia seguinte seria o mais complicado da viagem.

quinta-feira, junho 06, 2019

Mais uma vez, dia da criança em Cascais

Tal como no ano passado acabámos por passar o dia da criança em Cascais a aproveitar todas as actividades gratuitas que estavam disponíveis para as crianças. E como no ano passado estava tudo extremamente bem organizado, e não eram umas simples actividadezinhas para distraír o pessoal. Como o Francisco já é uma ano mais velho, já consegue aproveitar muito mais coisas, e se para o ano voltar a haver, como eu espero, ainda aproveitará mais. Andou de burro, fez o seu batido pedalando numa bicicleta, fez plasticina, andou no percurso de obstáculos, foi para o palco dançar com o Panda, foi aos insufláveis, foi dentro da ambulância ligar a sirene, etc. E não fez mais coisas porque ainda não tinha idade para isso, porque ainda havia escalada, rappel, jogos tradicionais, um género de carrinhos de choque e insufláveis gigantes que até a mim me apetecia ir lá para dentro andar aos pulos. Uma manhã muito bem passada, que até poderia ter sido alongada, não fosse o extremo calor que estava.