quarta-feira, dezembro 26, 2018

Vila Natal de Cascais

Apesar de achar um bocadinho cara a entrada para as actividades que tem no interior, tendo em consideração que algumas delas são ainda pagas no interior, considero que vale a pena uma visita especialmente com crianças a partir dos 3 anos. O meu filho como ainda não tem 3 anos houve muitas actividades que não pode fazer, mas não foi por isso que não passámos uma manhã bastante agradável. Quando me perguntam porque vivo em Cascais trabalhando em Lisboa, a resposta está mais que à vista, além de uma beleza natural que tem tanto Cascais como os concelhos vizinhos, durante todo o ano há imensas actividades e eventos que dinamizam e satisfazem as pessoas que por cá vivem. A vila natal pode ser visitada até dia 1 de Janeiro, por isso ainda há tempo para uma visita.


quarta-feira, dezembro 19, 2018

Nemesis - O Jogo

Há muito tempo que não me entusiasmava tanto com um jogo de tabuleiro, mas o Nemesis é diferente de tudo o que tinha jogado até hoje, e com apenas um jogo feito em modo solitário contra o tabuleiro, arisco-me a dizer que foi o melhor jogo de tabuleiro que joguei até hoje. Fundamentalmente o jogo baseia-se na narrativa do filme Alien o 8º Passageiro, há quem diga que não, mas para mim é incontornável a semelhança. Acordamos de hibernação e um dos nossos companheiros está morto com um buraco no peito, a partir daí o objectivo é sobreviver aos aliens e fazer a nave chegar à Terra ou fugirmos numa cápsula. Podemos pesquisar os corpos tal, qual como no filme, podemos iniciar o sistema de destruição da nave, tal como no filme, temos objectivos pessoais e objectivos da empresa, tal como no filme e muitas outras semelhanças.


Bem, devo dizer que a preparação do tabuleiro deve ter demorado mais tempo que depois a jogar, jogando a solo o jogo acaba por ficar bastante rápido, e poderia ter sido ainda mais rápido senão tivesse parado algumas vezes para rever alguns detalhes das regras. Sim uma das dificuldades do jogo é a extensão e detalhe das regras, o que leva a gastar algumas horas antes de começar efectivamente a jogar. Durante a preparação do tabuleiro uma das coisas que acontece é a escolha da personagem com que se vai jogar, e ao contrário da maior parte dos jogos de tabuleiro, neste jogo cada personagem (peão) tem as suas características/regras o que torna a estratégia de jogo um pouco diferente dependendo da nossa escolha. Eu poderia ter escolhido entre o Capitain e o Mechanic (as duas personagens que me calharam em sorteio), como o Capitain pareceu-me ter cartas mais direccionadas para o multi player, decidi ficar com o Mechanic.

Ao início sorteamos também 2 cartas de missões, em que temos de cumprir uma delas para além de sobreviver para garantirmos a vitória no jogo. Então os passos que queria dar era, garantir que os motores estavam a funcionar e que a nave tinha as coordenadas do planeta Terra seleccionadas, depois logo via o que tinha de fazer antes de voltar a hibernar ou fugir numa escape pod.


Então os acontecimentos mais relevantes do meu jogo foram:
  • Primeira sala que encontrei foi logo a Engine Control Room (mega sorte porque é daquelas salas que pode nem estar presente no tabuleiro). Esta sala tem a capacidade incrivelmente útil de ver o estado dos motores. Então tinha o motor 1 e 3 avariados, precisava de por 1 deles a funcionar para a nave ficar funcional.
  • Ao entrar na 2ª sala, a Storage, fiz aparecer o primeiro alien, uma Larva. Isso obrigou-me a escolher uma das minhas missões e descartar a outra. Numa das minhas cartas tinha de enviar um sinal e, ou matar a Queen ou destruir a nave, na outra tinha de acabar o jogo numa escape pod ou a hibernar mas tinha de levar um ovo na mão em ambas as situações. Na primeira carta matar a Queen não me pareceu fácil, enviar o sinal tinha de descobrir a sala e destruir a nave também é fácil, mas isso implicaria fugir numa escape pod que pode tornar-se difícil. Então decidi ficar com a segunda carta em que a principal dificuldade era encontrar o Nest e roubar um ovo. Após isso matei a Larva.
  • Reparar o motor 3.
  • Saltar pelo Technical Corridor para a sala adjacente ao Cockpit que era o Generator (neste momento pareceu-me mais fácil destruir a nave e fugir pela escape pod).
  • Passar para o Cockpit, ver as coordenadas, que estavam mal, e corrigir as coordenadas para apontar para a Terra. Restava-me agora procurar o Nest para roubar o ovo.
  • Após passar pela Emergency Room, Canteen, Evacuation Section B, consegui achar o Nest.
  • Recolhi um ovo.
  • Matei mais uma Larva.
  • Tinha agora de voltar ao Hibernatorium que já estava novamente aberto. Decidi voltar para traz para a Evacuation Section B e mais uma vez apanhar a Technical Corridor para uma sala adjacente ao Hibernatorium.
  • Aqui cometi o meu único erro que me poderia ter custado a vitória. Entre as duas salas adjacentes ao Hibernatorium, uma já tinha descoberto que era o Engine Control Room, por isso decidi ir para a outra para descobrir mais uma.
  • Ao chegar à sala (Monitoring Room) a porta entre a sala e o Hibernatorium fecha, perdendo o acesso a ele. Como não tinha cartas para demolir a porta decidi voltar a passar pela Technical Corridor agora para o Engine Control Room que era a outra sala que dava acesso ao Hibernatorium.
  • Neste momento levo um Surprise Attack de um Adult, que me rende uma Serious Wound e uma Contamination Card. Em primeiro tinha de fugir do Adult, porque já não tinha balas, em segundo ou tentava hibernar de imediato mesmo correndo o risco de perder o jogo com a Contamination Card ou tentava encontrar a Surgery. Achei que era demasiado arriscada a segunda hipótese, já não tinha munições e já não restavam assim tantos turnos para o jogo acabar.
  • Escapei do Adult para o Hibernatorium e hibernei. Ao fazer Scan à Contamination Card não estava contaminado, VITÓRIA.

Acho que o Mechanic foi uma excelente escolha e foi o principal motivo para ter ganho o jogo. A capacidade que tem de se mover pelos Technical Corridors é fantástica o que acelera imenso o processo de ir para as principais salas. Contudo tem um poder de fogo muito reduzido, e se tivesse encontrado aliens mais fortes não teria tido tanta sorte. Estou curioso para voltar a jogar, especialmente com outros jogadores em vez de ser só a solo.

segunda-feira, dezembro 17, 2018

S. Silvestre Almada

Foi a primeira vez que participei nesta São Silvestre, e o que posso dizer é que o percurso de Almada me apanhou totalmente desprevenido, ao ponto de achar que é a corrida de estrada mais dura que já fiz, inclusivamente mais dura que a S. Silvestre da Amadora e a Corrida do Fim da Europa. Não existem momentos de plano, talvez o único plano sejam para aí 300-400 metros junto às fragatas dentro do Alfeite, de resto é uma montanha russa constante, um sobe e desce quebra pernas e que torna quase impossível um ritmo constante.

A temperatura estava maravilhosa para correr, mesmo como gosto, assim um pouco frio antes de começar e que fica perfeita depois de 1 minuto a correr. Como a corrida tem um percurso complicado é difícil ter um grupo constante, o que foi acontecendo é que estava no meio de um grupo de uma dezena de corredores, conforme se subia haviam alguns que se distanciavam, claramente eu subo muito melhor do que desço e nessa altura ganhava sempre espaço, enquanto que outros desciam melhor e eu tinha de penar para não perder muito terreno. Outra coisa chata do percurso é que tem muito empedrado, e estando a chover como era o caso ficava muito escorregadio especialmente a descer. Aliás ao entrar para a recta da meta um corredor que seguia a minha frente estatelou-se, outro corredor ajudou-o a levantar e ambos mantivemos as posições ao cortar a meta, por respeito ao que tinha caído.

E aquela subida, já muito perto do final que começava ao pé da rotunda Centro-Sul e ia até ao centro de Almada, é uma prova de sofrimento, não posso dizer que me tenha saído mal pois ainda ultrapassei alguns corredores, mas a nível de tempo final é totalmente arrebatadora, matando qualquer esperança de um bom tempo. Queria fazer 40 minutos de prova, e aos 5 kms ia com 20m20s, o que aparentemente até era bom, mas pelo que tinha visto até ali percebi logo que seria praticamente impossível, estava a uma cota muito inferior ao que estaria a meta, por isso ainda iria perder muito tempo em subidas. O resultado final foi 41m09s, que dada a dureza da prova não foi nada mau, ainda por cima recuperei 8 lugares na segunda parte da prova.



Uma coisa que me apercebi, foi que o sensor do relógio que mede a frequência cardíaca pode ser bom para repouso, mas para provas é uma grande porcaria, sei perfeitamente que andei sempre muito perto do meu limite, e o que o relógio registou foi quase um ritmo cardíaco de treino, por isso só voltarei a fazer uma prova sem a banda cardíaca se me voltar a esquecer dela.

sexta-feira, dezembro 07, 2018

Helloween - Lisboa

Vamos lá começar então pelo princípio, as bandas de suporte...ah espera..não houveram bandas de suporte! Os avozinhos tocaram durante quase 3 horas, sim um concerto, uma banda, quase 3 horas, um verdadeiro exemplo para as bandas com elementos na flor da idade que às vezes nem concertos de 1h30m conseguem aguentar. Se gosto de ir a concertos com bandas de suporte? Claro que sim, posso ouvir outros sons, que muitas vezes nem conheço, e que acabo por acompanhar. Mas não posso deixar de tirar o chapéu aos Helloween por não terem bandas de suporte para darem um concerto único de quase 3 horas e mais de 2 dezenas de músicas.

Quanto ao concerto que posso dizer? Épico! Conseguirem juntar aquele talento todo no mesmo palco foi soberbo, tantas músicas marcantes que influenciaram tantas bandas ao longo dos anos, e poder ter o privilégio de ver ao vivo este espectáculo é uma sorte. Mais de 30 anos de carreira condensados em 3 horas, que a banda agora continue junta durante muito tempo, e que edite o novo album como está prometido para 2020, com a mesma qualidade dos anteriores, e já agora que volte a Portugal para novo concerto.





segunda-feira, novembro 26, 2018

Estágio Taekwondo 2018

Mais um ano, mais um estágio com a fantástica equipa do Mais Taekwondo. Pelas minhas contas e se não estou em erro, já é o meu 5º estágio (2011, 2012, 2014, 2017), e mais uma vez fui super bem recebido, num grupo do qual só faço parte um fim-de-semana por ano, mas é como se treinasse com eles todo o ano.


Desta vez o destino foi perto de Tomar, um sítio que bem conheço e que gosto bastante. Talvez tenha sido o estágio fisicamente menos exigente de todos os que já participei, o que para mim foi bom, ainda estava a recuperar do meu cotovelo fracturado, para além de estar constipado e não me sentir muito bem. Este ano também não houve os típicos bungalows, ficámos numa espécie de residencial, mais conforto, mas pessoalmente prefiro aquele espírito dos bungalows. Muito obrigado a todos os que participaram e em especial ao Paulo e ao Nuno por mais uma vez me convidarem para o estágio.



P.S.: Gostei imenso dos ensinamentos sobre história

sexta-feira, novembro 16, 2018

Jornalismo de CUalidade

Hoje de manhã, quando chego ao escritório, um grande reboliço entre vários colegas sobre a reportagem de ontem da TVI sobre o IRA. Bem não conhecia a entrevista, nem conhecia o IRA, mas fui investigar. No mínimo a entrevista é manipulada, e qualquer bom jornalista não devia fazer a montagem que foi feita, porque é sensacionalista e deturpada. Agora vejam a entrevista TVI, tirem as ilações e façam um julgamento com base nessa entrevista. Depois vejam o segundo vídeo e digam o que pensam da entrevista. Ainda não consegui investigar o IRA, mas pelos vistos quem fez a entrevista também não, o que posso dizer é que há pessoas a dizer mal, mas também há muita gente a dizer bem.


segunda-feira, novembro 12, 2018

Sirenia Lisboa

De volta ao RCA Club, apesar do pequeno espaço gosto imenso do ambiente cavernoso/armazém, acho um espaço e ambiente ideal para o género de música que vamos ouvir. A primeira banda a actuar foram os Paratra, não conhecia, nunca tinha ouvido nada deles e só soube na altura quem eram. Pela sonoridade calculei logo que eram indianos, o facto de não terem baixo mas sim uma sitar, denunciava-os, e dá-lhes uma sonoridade muito única. Apesar da música ser algo básica, não foi uma má apresentação, o guitarrista "cheio de pinta", estava ali a curtir à grande e a tentar puxar pelo pouco público que lá estava. Foi bom para conhecer, mas não irá ser uma banda que irei seguir.


A segunda banda foram os Triosphere, que já os tinha ouvido há cerca de ano e meio, quando foram a primeira banda a tocar na digressão dos Sonata Artica (foram agora a segunda banda, subiram de relevância). Gostei mais deste concerto, a nível de músicas acho que estão com um melhor reportório, e essencialmente mais consistente. Além disso foi um concerto maior, com mais músicas, melhor para mostrar o que valem. Agora a voz da cantora é que me continua a irritar, no final de cada frase vai lá acima aos agudos, de forma descontrolada, em vibrato e aos gritos, não fosse essa mania as músicas funcionariam muito melhor, até eu noto que ela se está a mandar para fora de pé.


Quanto aos Sirenia devo dizer que ia com as expectativas baixas para o concerto, gosto mais das músicas mais antigas e não tanto do novo album, e como grande parte do concerto seria composto pelo novo album, não estava muito entusiasmado, mas como nunca os tinha visto ao vivo decidi ir na mesma. Ainda bem que fui porque foi um óptimo concerto, mesmo as músicas que à partida não gostaria tanto, ao vivo, funcionaram muito melhor, e a apresentação da banda em palco foi sempre muito empática e calorosa com o público. Eu já sabia que eles não estavam a tocar a música nesta tour, mas gostaria de ouvir a "Sirens of the seven seas", para mim a melhor música deles, pode ser que no futuro ainda tenha a oportunidade de a ouvir ao vivo.

Sirenia Setlist RCA Club, Lisbon, Portugal 2018, Arcane Astral Aeons

segunda-feira, novembro 05, 2018

Maratona do Porto

Há atletas que têm malapata com algumas provas, no meu caso a minha malapata é com a maratona, sempre que estou a preparar uma maratona acontece qualquer coisa para me dar cabo do resultado, ou são lesões, ou condições climatéricas adversas, ou percursos desadequados, ou simplesmente um mau dia da minha parte. Desta vez fracturei o cotovelo 5 semanas antes da prova, resultado, 2 semanas sem treinar de braço ao peito, retomo os treinos e faço 3 treinos numa semana sempre com imensas dores de costas, mais uma semana parado a tentar sequer dormir com imensas dores nas costas, e finalmente mais 2 treinos na semana antes da prova. Ou seja, em 5 semanas fiz 5 treinos, em que o somatório de tempo e distância não chegava ao que iria fazer na maratona do Porto. Quando me inscrevi na prova o meu objectivo era bater o meu record pessoal de 3h50m29s que já vinha da maratona de Lisboa de 2015, e de preferência baixar de 3h30m. Com todas estas peripécias, e apesar de alguma pressão familiar para não ir por não estar recuperado, decidi ir e simplesmente aproveitar e desfrutar da prova, sem nenhum objectivo a nível de tempo. Tenho de agradecer à Joana Pico pelas sessões de osteopatia e à Ana pelas sessões de fisioterapia, foram as únicas coisas que me aliviaram as dores nas costas, numa altura que nem dormir conseguia com tantas dores, e sem isso provavelmente não tinha ido à prova.

Numa manhã fria e chuvosa, o tempo de espera para o início da prova foi difícil de se passar, no entanto para mim era o tempo ideal para correr, temperatura fria quanto baste e uma chuva que apesar de não parar era maioritariamente aquela chuvinha dita "molha parvos" ou estando no Porto "molha tolos". Comecei a ver as bandeiras dos pace makers com 3.00, 3.15, 3.30, 3.45, 4.00, 4.30, 4.45, e julguei que aquilo era o ritmo ao quilómetro, ou seja, 3m00s/km, e caraças isto é uma corrida só para homens de barba rija. Só depois quando a corrida começou é que me apercebi que o 3.00 significava acabar a prova em 3h00m. Quando estava a menos de 5 minutos para o arranque da prova, já alinhado para partir, no meio daquele ambiente, daquela música, daquela multidão, pensei para mim - "Sinto-me bem, o que tenho a perder? Vou correr como se a preparação tivesse sido a ideal, provavelmente vou rebentar com grande estilo e mais cedo do que nunca na maratona, mas até quando me sentir confortável vou correr para o meu objectivo".


Mais ou menos por volta dos 3,5 quilómetros de prova chego à bandeira do ritmo de 3h30m de prova, estava a sentir-me bem e passo directamente, era o meu ritmo confortável por isso segui. No retorno em Leixões por volta dos 8 quilómetros reparo que estou mais ou menos entre as bandeiras de 3h15m e de 3h30m, mais do que perfeito, mas a maratona é uma prova longa e enganadora, sabia que isto eram só indicadores e que podia bater contra a parede a qualquer instante. Além disso o percurso era muito mais duro do que pensava inicialmente, pensava que era maioritariamente plano como a maratona de Lisboa, mas não, apesar de não ter subidas duras todo o percurso era muito ondulado.

Quando concluí os 16 quilómetros, e numa altura que o vento de frente me começava a incomodar, sentia que estava a perder ritmo, um grupo de mais ou menos uma dezena de corredores chegou ao pé de mim. O ritmo era mesmo o ideal 4m50s/km, decidi seguir com eles e abrigar-me do vento.Fomos trocando algumas impressões e sensações, na altura lembro-me até de dizer que me sentia bem, mas que até às 3 horas de prova era o aquecimento, dali para a frente é que começava a maratona, que normalmente até aos 32-34 quilómetros o corpo não acusa muito dali para a frente é que se tem de saber lidar com o desgaste. Aos 20 quilómetros o primeiro abastecimento sólido, quanto a mim veio um bocado tarde, e com a preocupação de conseguir agarrar alimento perdi um bocado o contacto, ainda por cima aquelas ruas da Ribeira com pedras escorregadias não me davam muita segurança, por isso tive de me acalmar e recuperar calmamente e só na subida que dava acesso à ponde D. Luís é que consegui recolocar-me novamente. Pouco depois a passagem pelo pórtico da meia maratona, onde estava sensivelmente com 1h43m, ou seja, tinha 2 minutos de margem para acabar a segunda parte da prova o que é uma margem mínima.


Quando damos a volta do lado de Gaia por volta dos 24,5 quilómetros de prova, noto novamente o vento de frente, claramente o vento soprava de Este, e apesar do ritmo naquela altura já não ser confortável para mim, já nem conseguia falar, percebi que era importantíssimo continuar dentro do grupo abrigado, até darmos a volta já do lado do Porto em direcção a Oeste, e passar a ter o vento pelas costas. Por volta dos 26 quilómetros, depois de passarmos por baixo da ponte da Arrábida o grupo começa a perder elementos, eu com algum custo lá me fui aguentando na cauda do grupo. Até que por volta dos 30 quilómetros, durante um abastecimento perdi o contacto, o coração estava demasiado acelerado, e percebi que se me esforçasse mais para apanhar o grupo novamente iria pagar muito caro. Como estava quase a inverter o sentido em direcção a Oeste não me preocupei muito, mesmo assim estive 14 quilómetros com este grupo o que se revelaria fundamental. Uma coisa que faço constantemente quando corro são contas de cabeça, faltavam-me 12 quilómetros para o final, tinha mais ou menos 3 minutos de vantagem para o ritmo que queria no final, o que dava que teria de fazer mais ou menos 5m15s/km até ao final.


Durante os 4 quilómetros seguintes achei que estava em controlo do que se passava, inclusivamente consegui ultrapassar 3 elementos do grupo onde inicialmente estava integrado. Mas tinha chegado a hora do sofrimento, estava com dificuldades em mater o ritmo, só pensava que não podia desperdiçar a oportunidade de fazer 3h30m estando já tão perto do final. Tranquilizei um bocado quando o relógio marcou 39 quilómetros e eu tinha 3h12m de prova, ou seja, para 3,2 quilómetros que me faltavam tinha de fazer um ritmo de mais ou menos 5m40s/km, totalmente controlável. Mas um sentimento de insegurança tomou-me quando o relógio marcou 40kms, mas a placa dos 40kms da organização estava ainda algo distante, seria a placa que estava mal colocada ou o relógio que estava com erro? Decidi acelerar o máximo que pudesse para não ser apanhado desprevenido. Já depois de ter entrado no último quilómetro, sou apanhado pelo pace maker com 3h30m de prova, ele a falar com outro atleta disse que faltavam 5 minutos para as 3h30m, olho para o meu relógio e a mim faltava-me praticamente 6 minutos, fiquei descansadinho da vida, nem preocupei em segui-lo, deixei-o ganhar 40-50 metros quando começámos a entrar nos insufláveis da meta, tinha 3h28m e segundo o meu relógio faltavam 200 metros para o final. Mas os insufláveis nunca mais acabavam, o último que via era branco, que era diferente dos outros assumi que era ali o final, quando lá chego tinha 3h29m50s e apercebo-me que ainda tenho de cortar à esquerda e ainda faltavam praí 100 metros,  desatei a sprintar, mas cortei a meta com 3h30m10s. Alguma frustração por não baixar oficialmente das 3h30m, mas não deixou de ser um tempo muito melhor do que alguma vez imaginei depois de toda a falta de preparação, e finalmente consegui um record já respeitável na maratona.

Agora infelizmente nem tudo foi bom, aliás atrevo-me a dizer que o que se passou a seguir a cortar a meta foi péssimo e imperdoável. Ao me deslocar para a recolha do meu saco deparo-me com filas intermináveis, onde estive mais de 30 minutos ao frio e à chuva, algo totalmente inaceitável e que devia deixar extremamente envergonhado qualquer organizador. Quando chego perto da mesa para a recolha dos sacos depara-me com um cenário onde todos os sacos estavam amontoados, tudo ao molho e fé em Deus, à chuva, e onde quem entregava os sacos pareciam baratas tontas a tentar encontrar cada saco no meio de centenas de sacos, uma falta de profissionalismo e um amadorismo a todos os níveis.

Antes de me entregarem o meu saco ainda, tive de deixar passar um senhor que por se estar a sentir mal, foi-se embora sem sequer recolher o saco dele, isto é o respeito que os organizadores tiveram para com os atletas que encheram a prova, depois de um esforço de correrem mais de 42kms. E no final a cereja no topo do bolo, recebo o meu saco, com a minha roupa que esperava estivesse seca para me trocar e estava toda ensopada porque o saco estava à chuva. Com isto tudo cheguei a um dos hotéis da organização, já eram quase 14h30m, e tinha de fazer o checkout até às 15h, escusado será dizer que mal deu para tomar banho. Para não falar na má imagem pela qual fizeram passar o nosso país, com imensos participantes estrangeiros a reclamarem, e tal como nós, a dizerem que nunca tinham passado por nada idêntico, nas diversas maratonas que já tinham feito por esse Mundo fora. Por isto tudo não voltarei a participar na maratona do Porto e desaconselho outros atletas a participarem.

quarta-feira, outubro 24, 2018

Mais um para o clã

E já por cá anda (bem andar é um verbo muito forte neste momento), o mais novo elemento da família, o meu sobrinho João. Mais um pilinhas para a colecção, 3 netos para os meus pais, 3 meninos. Não estava com muita vontade de sair cá para fora, estava quentinho no forno, mas aparentemente até é um bebé bastante tranquilo.

terça-feira, outubro 09, 2018

E mais uma vez de braço ao peito

Por vezes levo com uma lembrança que os anos vão passando e já não tenho 20 anos. Ora uma queda quase insignificante e um braço fracturado, no rádio junto ao cotovelo. Ainda pensei nem ir ao hospital que devia ser uma distensãozinha, mas acabei por ir, e acabei por levar com a marreta da realidade que me diz - "Temos de imobilizar o braço que tem uma fractura". Uma semana e meia depois e já sem o gesso dou-me por contente, aparentemente a fractura está a consolidar bem, obrigado corpo por voltares a consolidar bem uma fractura e por novamente evitares uma pequena cirurgia. Agora, fisioterapia e recuperar rapidamente que daqui a menos de um mês há uma maratona para fazer, praticamente sem treino, vai ser tão bonito...