quarta-feira, outubro 05, 2016

Ironman Barcelona - os dias anteriores

O tão desejado e ao mesmo tempo receado desafio estava aí à porta, era hora de rumar a Barcelona para o meu primeiro Ironman. Sentia-me bastante tranquilo, nada ansioso, sabia que tinha feito tudo o que estava ao meu alcance para estar o melhor preparado possível, queria que chegasse o dia da prova para desfrutar dela, e acreditava que se não tivesse nenhum azar, melhor ou pior conseguiria cortar a meta.

A viagem acho que foi o primeiro desafio, quase 1300 kms, quando o máximo que tinha feito num dia nunca tinha ultrapassado os 500 kms. Saímos de Cascais por volta das 5h30m de 5ª feira, graças à simpatia da câmara de Cascais que nos emprestou uma carrinha conseguimos ir todos juntos, todos nós virgens no Ironman, eu mais os meus colegas de equipa Mário Santos, Ricardo Costa, Nelson Moreira e Gonçalo Sousa. Chegámos a Calella (localidade perto de Barcelona onde decorre o Ironman) já perto das 22h30m locais, todos amassados de uma viagem super desgastante, foi só tirar tudo da carrinha, comer algo rápido e ir descansar. Durante estas longas horas com se pode calcular todas as conversas giraram à volta da prova, expectativas, receios, objectivos, etc, e claramente eu e o Nelson éramos os mais calmos.


Na 6ª feira começámos logo o dia por ir fazer o registo na prova, recolher as nossas coisas e despachar a parte mais burocrática. A magnitude da prova é uma coisa absolutamente impressionante, nada perto do que já tenha vivenciado, parecia que estava num campeonato do mundo ou nos jogos olímpicos, estamos a falar de quase 3000 triatletas, famílias inteiras a vir ver a prova, tendas por todo o lado, equipamento e mais equipamento, atletas a correr e a pedalar por todo o lado, via-se e respirava-se triatlo em cada canto daquela cidade. Esta grandiosidade só era comparável aos preços absolutamente absurdos do merchandising da prova, devem pensar que todos os países se regem pelos padrões da Suiça, mas o que é mais incrível é que aquilo vendia como se fossem garrafas de água no meio do deserto, por isso percebo que os preços sejam aqueles.

A seguir a isso pegámos na carrinha e fomos percorrer o percurso de ciclismo, queríamos ir ver a única subida do percurso que iria ser feita duas vezes. A subida em si não me assustou, tinha cerca de 7kms mas com inclinações a rondar os 3%-4% em que as rampas mais agressivas não ultrapassariam os 8%, bom para as minhas características. O início do percurso é que não me agradou muito, pensava que o percurso era todo plano tirando aquela subida, mas a saída de Calella era algo acidentada, a estrada ondulava com diversas pequenas subidas.

Ao final da tarde fomos correr um pouco para soltar as pernas depois de tantas horas sentados na carrinha no dia anterior, escolhemos mais ou menos a hora em que calculámos que no dia da prova estaríamos a correr. O percurso era muito bom, sempre plano e mais importante que isso, bastante abrigado do sol em grande parte da sua extensão. Entretanto também chegou o Felício que foi ajudar na organização do evento, para aprender um pouco sobre a dinâmica do mesmo, visto que vai ser uma das pessoas responsáveis pelo Ironman 70.3 de Cascais no ano que vem. O coitado estava cheio de vontade de fazer a prova que até dava pena, notava-se que ele trocaria num piscar de olhos a posição dele com a nossa.


Para além do Felício também chegou o David Sanglas, o nosso veterano do Ironman que vinha participar no seu 6º Ironman. Nessa noite tivemos a "Pasta Party", um jantar oferecido pela organização para todos os triatletas e como o nome indica, à base de massa, venham os hidratos que bem seriam precisos para domingo. Durante o jantar massacramos o David com perguntas, especialmente no que tocava às transições, pois nesta prova as transições não funcionam como em provas de triatlo normal, e a nossa inexperiência traziam-nos algumas questões quanto ao detalhe como as transições se procederiam. Basicamente em vez de termos um cesto com o equipamento ao lado da bicicleta, nesta prova temos uma tenda com um cabideiro enorme, em que cada triatleta tem uma posição na qual coloca dois sacos, um com as coisas para a transição da natação para a bicicleta, e outro para a transição da bicicleta para a corrida.


No sábado de manhã decidimos dividir-nos, eu e o Mário queríamos ir experimentar uma parte do percurso de ciclismo a pedalar, e os restantes queriam ir fazer uma natação rápida para experimentar a água, seguido de um ciclismo rápido. Para mim quem está habituado a nadar nas águas portuguesas nada em quase todas as águas, e então no Mediterrâneo esperava um mar calmíssimo, com água muito mais quente e muito mais salgada, por isso abdiquei de experimentar o segmento de natação, decidi que experimentaria no aquecimento no dia da prova. Enquanto estávamos a experimentar o percurso de ciclismo fiquei um pouco mais tranquilo, aquele ondulado inicial que parecia chato quando fizemos de carro, a pedalar, e aproveitando algum balanço que se conseguia parecia relativamente tranquilo. A única preocupação foi o vento frontal que se apanhava no retorno, mas segundo as previsões o vento ia ser quase inexistente no dia seguinte e sendo assim, tanto eu como o Mário achámos que era possível fazer uma média de 30km/h no ciclismo, algo totalmente impensável para mim há uns meses atrás, quando pensei em fazer o Ironman o meu objectivo era fazer o segmento de ciclismo a uma média de 27km/h.

A seguir a um banho rápido fomos ouvir o briefing da prova, mais uma vez impressionante a quantidade de triatletas, a quantidade de pessoas que ia fazer pela primeira vez o Ironman, a quantidade de nações representadas, a diversidade de pessoas, o show à volta do briefing, o detalhe, absolutamente impressionante. Da parte da tarde fomos colocar as bicicletas no parque de transição, até dava vergonha a minha bicicleta ao pé daqueles maquinões todos, o que me dava alento era pensar que mais vergonhoso seria quando eu na minha "amostra de bicicleta" passasse por alguns daqueles maquinões durante a prova. Além da bicicleta também fomos colocar os sacos no cabideiro para as transições. Nessa altura é que me apercebi da verdadeira confusão, era ainda pior do que pensava, os sacos ficam totalmente atafulhados uns com os outros, todos iguais, só identificáveis pelo nosso número, a distância entre os cabides não era superior a 2cm, se alguém mexesse no nosso saco e o trocasse de sítio nunca mais o encontrávamos. Apesar de inexperiente não sou parvo nenhum, então fiz um pequeno laço nas cordas dos meus sacos, coisa que ninguém tinha feito, pelo menos ali nas minhas redondezas, desta forma conseguia identificar rapidamente os meus sacos, nem que estivesse a 3 metros de distância deles.


Era agora hora de descansar, dormir, o dia seguinte era o grande dia...


quinta-feira, setembro 22, 2016

Swim Challenge Cascais

Este seria o meu derradeiro teste antes do Ironman, o swim challenge de Cascais. Fundamentalmente queria saber em condições idênticas às do Ironman, distânia de 3,8kms feita com fato isotérmica qual seria o meu tempo, para saber em que bloco de partida irei entrar no Ironman. Após o swim challenge da Aldeia do Mato que me correu super mal, queria mesmo ver como estava a minha forma dentro de água, eu acreditava que acabaria abaixo de 1h15m (para entrar no bloco sub 1h15m no Ironman), mas dado ao meu fraco desempenho na Aldeia do Mato tinha algumas dúvidas.


O percurso consistia em duas voltas em que a transição entre as voltas era feita num pequeno percurso em terra. A primeira volta correu-me bastante bem, consegui quase sempre ir num grupo o que me possibilitava preocupar menos com a navegação e mais com a técnica, ao mesmo tempo que me protegia atrás de outros nadadores. Na transição ia com cerca de 36 minutos, o que daria um tempo final abaixo de 1h15m. 


Na transição desatei a correr e saí a frente do grupo onde ia. Fiquei sozinho e cometi um erro de navegação que me custou uns segundos, em vez de apontar à 3ª bóia, apontei à 4ª, estavam ambas à minha frente mas a 4ª mais à esquerda. Estranhei não ver ninguém, até que me apercebi que todos os nadadores estavam do meu lado direito a uns 20 metros de mim. Perdi algum tempo a voltar a trajectória e quando voltei ali estava eu outra vez no mesmo grupo que tinha deixado para trás, esforço desperdiçado. Até ao fim mantive-me dentro do grupo, o ritmo não era mau, e sabia que no final era muito provavelmente o mais rápido do grupo.


Assim foi, inclusivamente ainda apanhámos alguns nadadores sozinhos, e se à saída da água ainda tinha outro nadador comigo apesar da minha aceleração final, na corrida até à meta não deixei mais ninguém se aproximar. O resultado final foi 1h13m45s (o GPS aparvalhou no final e não marcou o percurso todo), foi bom e dentro do que queria fazer, venha daí o Ironman.

quarta-feira, setembro 14, 2016

Granfondo Aldeias de Xisto

Depois de no dia anterior a prova de 5km a nadar me ter corrido muito mal, esperava nesta prova de bicicleta conseguir ter boas sensações porque é onde anda a incidir o meu treino. E a coisa não podia começar pior, mal acordei apercebi-me que me tinha esquecido do capacete, essencial para poder participar na prova. Ligo para a organização mas não me conseguiam arranjar capacete, disseram-me para tentar comprar na feira da prova. Pediram-me 150€ por um capacete, porque era o topo de gama, que se lixe, não ia dar assim 150€ por um capacete à toa, sem sequer ter analisado as minhas opções. Pedi a diversos grupos/clubes se tinham um capacete extra que me pudessem emprestar e nada. As minhas únicas opções seriam, ou não treinar e ficar horas à espera dos meus colegas, ou fazer o percurso à mesma sabendo que estava desclassificado à partida. A opção foi fazer o treino à mesma, era esse o meu objectivo, não estava ali para ganhar ou fazer uma classificação de TOP na prova, por isso lá fui eu sem capacete, arrancando mesmo no fim do pelotão.


Os primeiros quilómetros foram fáceis sem grandes subidas, ainda com muita energia, lá fui andando na conversa com o Manso num ambiente descontraído, só interrompido por alguém a perguntar onde tinha o meu capacete. No início da primeira subida passei pelo meu colega Gonçalo Sousa, que também irá comigo ao Ironman, continuei com o Manso subida acima a um ritmo constante mas confortável.

No final da subida, no primeiro posto de abastecimento, um elemento da organização pediu-me para remover o dorsal da bicicleta, visto que oficialmente não podia estar na prova por estar sem capacete. Para mim não tinha qualquer importância, só queria que me continuassem a dar abastecimento ao longo da prova, pois não tinha comida e líquidos suficientes para os 166kms. Seguimos novamente juntos, até à descida vertiginosa da barragem, foi um ondulado constante nunca havendo terreno plano. Na descida para a barragem o Manso ficou um pouco para trás e durante a subida não era possível esperar por ele. A subida foi a pior da prova, até chegar aos tambores (senhores a tocar tambores), duríssima, com um pequeno troço menos inclinado pelo meio só para respirar, mas tirando isso a minha desmultiplicação tornou esta subida uma tortura para mim. Depois dos tambores já sabia que a subida continuava porque os meus colegas de clube me tinham dito, por isso já estava psicologicamente preparado, e apesar de difícil (zona vermelha da imagem seguinte), já não sentia  a necessidade de ter uma desmultiplicação mais leve.


Entretanto deixei de ver o Manso, aproveitei para parar e aliviar a bexiga. Como o Manso não aparecia e só faltavam 10kms para o próximo ponto de abastecimento decidi seguir e esperar por ele enquanto estivesse a comer. À saída do posto de abastecimento, aos 88kms na Pampilhosa da Serra, apanhamos um raio de um empedrado mais íngreme, que não contava mesmo nada com aquilo, o Manso descolou de mim e toda a gente à minha volta a desmontar e a subir a pé. Consegui a muito custo não desmontar e ao olhar para trás deixei de ver o Manso. Nessa altura como já estávamos a mais de metade da prova, decidi seguir ao meu ritmo. Fui passando pequenos grupos e ciclistas sozinhos. Por volta dos 100-110kms foi quando me senti pior, estive sozinho muito tempo, não via ninguém para trás e para a frente, não havia pontos de referência. Ao chegar ao posto de abastecimento na Picha (sim é o nome do local) 2 elementos da organização dizem-me - "Há água fresquinha a 200 metros." - esqueceram-se foi de dizer que era num empedrado digno de BTT e a subir bastante, mais uma dorzinha para chegar ao oásis.


A seguir a abastecer continuei sozinho a ultrapassar alguns ciclistas, já com muito calor, mas já me encontrava numa fase que me tinha voltado a sentir melhor fisicamente. Chego ao último ponto de abastecimento, antes da última subida e parei um pouco para comer devidamente para atacar a subida. Esta última subida apesar de longa tinha inclinações mais suaves, idêntica à primeira subida da prova, e é um tipo de subida à qual me adapto muito melhor. Nesta subida cheguei a andar diversas vezes em pedaleira grande, senti-me muito bem mesmo, e ao longo dos 13kms ultrapassei certamente mais de 20 ciclistas. Acabei a prova no topo com 6h35m19s, o que me daria o 243º lugar entre 400 ciclistas, nada mau para mim, que há uns anos atrás andava a fazer provas de poucas dezenas de quilómetros a tentar não ficar nos últimos 10% dos participantes.


Faltava regressar ao ponto inicial da prova, 22kms sempre a descer, acho que nunca tinha descido tantos quilómetros seguidos, ainda deu pelo caminho para ultrapassar um carro. Devo dizer que a meio da descida já estava farto, doía-me os braços, os pulsos e manter a concentração durante tanto tempo é desgastante. Fiz os 166kms em 7h06m42s, dado à imensa dificuldade do percurso e ao facto de me sentir bem durante quase toda a prova e no final, creio que estou preparado para o Ironman, onde o objectivo é fazer os 180kms em menos de 7 horas. Está quase...

segunda-feira, setembro 12, 2016

Swim Challenge Aldeia do Mato

Após uma série de anos sem ir ao Swim Challenge da Aldeia do Mato, este ano como preparação para o Ironman esta era uma prova que era interessante fazer. Já há bastante tempo que não nadava 5kms sem fato isotérmico, só com fato de banho, mas como já não era a primeira vez a fazer a distância não me preocupei grandemente.

Após os primeiros 500 metros percebi logo que não estava com um bom ritmo, tenho treinado pouco a natação, para poder treinar mais ciclismo, e não estava a conseguir seguir com nenhum grupo e rapidamente me vi sozinho sem nenhuma referência. Ao final da primeira volta nem estava assim tão mal para meu espanto, estava com cerca de 48 minutos, o que me dava um tempo final muito parecido com o tempo que tinha feito esta prova pela última vez.

Mas a 2ª volta foi dolorosa, sempre a nadar sozinho e pior que isso, comecei a sentir dores no cotovelo esquerdo, com o tendão a ressaltar no osso e a doer-me bastante. A única solução que tive foi encurtar a braçada de modo a não forçar tanto o cotovelo. A partir do último retorno então fui-me mesmo a arrastar, receei mesmo já ser o último, visto ser uma prova com pouca gente mas de bastante qualidade na sua maioria. Não acabei em último mas perto disso, só acabaram 5 nadadores atrás de mim, mas fui o 2º do meu escalão (a história do copo meio cheio e meio vazio), com o tempo final de 1h46m06s. Foi um péssimo tempo, mas não me posso espantar pelo meu treino deficiente na natação, contudo sempre disse se perder 10 minutos na natação e ganhar 1 hora na bicicleta no Ironman para mim foi uma boa opção. Próximo fim de semana tenho a última prova antes do Ironman, 3.8km com fato isotérmico, e aí já terei uma ideia bastante próxima do que irei fazer no Ironman.

sexta-feira, setembro 09, 2016

Nightwish - Coliseu de Lisboa 2016

Finalmente 8 anos depois, os Nightwish voltaram a Portugal. Em 2008 foi um óptimo concerto, com uma setlist com base no que para mim foram os 2 melhores álbuns dos Nightwist, o Once e especialmente o Dark Passion, por isso ia para este concerto com a sensação que não podia ser melhor que há 8 anos atrás.

Começando pela banda de suporte...quem eram eles mesmo?! Percebi que eram portugueses e que provavelmente tocavam juntos à 6-7 anos. Péssima apresentação, venderam-se muito mal, não percebi o nome da banda, o nome dos elementos, etc, além de não aparecerem referidos em nenhum local no site dos Nightwish, nos bilhetes ou na divulgação do concerto. Sei que vou ser contestado pela minha opinião, mas preferia ter uma banda de suporte que não fosse portuguesa, porque sendo portuguesa tenho mais oportunidades de ver se quiser, e trazer uma banda de suporte que realmente acrescentasse algo. Por exemplo em Sabaton trouxeram como guests KorpiklaaniTýr, estes últimos não conhecia e fiquei fã; Epica trouxe DragonForce da 2ª vez que os vi e da 1ª vez trouxeram Xandria e Stream of Passion.


Indo para o concerto de Nightwish, e para acabar com os pontos negativos, que palco tão pobrinho, demasiado simples, cenário básico, sem fumos, sem pirotecnia (em concertos em recintos fechados é pouco usual), achei um pouco desleixado para uma banda do nível dos Nightwish. Olhando para a setlist as 2 músicas que mais me chamavam a atenção era a "Storytime" e a "Last ride of the day". Essas 2 músicas realmente foram as que gostei mais, mas fui agradavelmente surpreendido por algumas das músicas clássicas dos primeiros álbuns que não contava que fossem tocadas.



A nova vocalista a Floor Jansen, que já conhecia de ReVamp e After Forever, parece encaixar bem na banda, gostei da actitude, é mais dinâmica e metaleira que a Anette, quanto a voz não sei se é uma melhoria, mas é só uma opinião polémica. Vamos lá ver por quanto tempo será a vocalista dos Nightwish ou se estes vão começar a ficar conhecidos como um cemitério de vocalistas. E por fim o público, fenomenal, como podem estar 8 anos sem vir a Portugal com um público destes, um ambiente absolutamente fantástico num Coliseu de Lisboa a rebentar pelas costuras. Devo dizer que estou curioso pelo próximo álbum dos Nightwish, é uma banda que mudou muito nos 2 últimos álbuns e gostava de saber qual é a trajectória para o futuro deles, julgava que o Imaginaerum tinha sido um álbum à parte por ser para um filme mas o Endless Forms Most Beautiful foi novamente um álbum estranho, pessoalmente gostava que voltassem mais ao registo antigo, mas próximo do Dark Passion.


Nightwish Setlist Coliseu dos Recreios, Lisbon, Portugal 2016, Endless Forms Most Beautiful

sexta-feira, setembro 02, 2016

Falta 1 mês

Parece que passou a correr, já só falta um mês para o Ironman. Tem sido duro manter um plano de treino consistente, com um recém nascido, com o trabalho, com restrições familiares, mas mesmo assim sinto que estou preparado, que vou conseguir superar este grande desafio. Mentalmente é muito desgastante todos os dias pensar que tenho de treinar, ou que esta semana ainda não treinei o número de horas suficiente, ou que tenho de ter cuidado para não me lesionar, que qualquer dorzinha fora do comum, qualquer desconforto dispara um alerta a dizer que tenho de estar no melhor das minhas capacidades físicas no dia 2 de Outubro. Falta so mais 1 mês de sacrifícios para depois conseguir desfrutar da prova, ainda não tenho a meta à vista mas a linha de partida está mesmo ao virar da esquina.

quarta-feira, agosto 31, 2016

A última carta para a minha avó

A coisa mais importante que te posso dizer é obrigado, obrigado por teres sido uma 2ª mãe, obrigado por teres sido a melhor avó do mundo, obrigado por tudo o que me ensinaste, obrigado por todo o carinho que sempre me deste. Apesar de nunca te ter dito isto sei que o sabes, sei que sabes o quão agradecido te estou e sei que sabes o quão importante eras para mim.

De um modo invejoso queria que tivesses estado mais anos connosco, queria que tivesses conhecido o teu bisneto que só conheceste em fotografias, e isso é uma mágoa que sempre terei, a de não ter conseguido que conhecesses o teu bisneto pessoalmente. Mas quem mais perde é ele, que nunca se recordará de ti, que não teve a hipótese de te conhecer, que não te teve a ti a ensinar-lhe o que era ser uma boa pessoa, o que era ser uma pessoa que vive para tornar os outros felizes, sempre com um sorriso, sempre com vontade de fazer melhor para que os outros se sintam melhor.

Bem sei que desde que a tia faleceu perdeste a vontade de viver, sei que foi algo que nunca conseguiste ultrapassar, mas o teu sorriso manteve-se, depois veio o teu 1º bisneto e apesar da tua saúde já começar a ficar degradada e o alzheimer fazer-te perder muitas vezes noção da realidade adquiriste uma nova felicidade, a maneira como sorrias era de verdadeira felicidade. Maldito alzheimer, foi-te levando pouco a pouco, a minha avó foi desaparecendo, e nos últimos tempos eras só por breves instantes a minha avó, a avó que me lembrava de quando passava as férias contigo. As férias contigo sempre as irei recordar como dos melhores momentos da minha vida, ficaram para sempre gravadas na minha memória, aquela casinha em Sta. Iría terá sempre um lugar muito especial nas minhas memórias pois foi lá que passávamos grande parte do nosso tempo, e tu sempre com uma paciência gigante para um neto irrequieto, que saltava pelas janelas, que corria de um lado para o outro.

Estejas onde estiveres espero que estejas feliz, e que sejas recompensada por todo o bem que nos fizeste. Muito obrigado por tudo querida avó.

segunda-feira, julho 25, 2016

Triatlo de Setúbal

Este foi o último teste numa prova de triatlo antes do Ironman, distância olímpica, nem é para ir a fundo nem é para gerir esforço, é preciso não perder intensidade e ao mesmo tempo não gastar demais para não morrer no final. 

Além de ser uma preparação para o Ironman também ia tentar fazer meu melhor tempo na distância olímpica, bem sei que estive demasiado tempo a treinar pouco devido a ter sido pai há 1 mês, mas não ia deixar de tentar porque o treino antes dessa altura estava bom e os resultados estavam a aparecer. Pela primeira vez ia fazer o segmento de natação sem fato isotérmico, a água estava a 23ºC (não me parecia mesmo nada) por isso fato não era permitido. Para mim nadar sem fato é terrível, sou friorento e custa-me imenso aguentar o frio da água.

Antes de começar a prova fui nadar um bocado e percebi logo a forte corrente que estava, além de não ter fato ia também ser difícil por causa da corrente. Consegui afastar-me da confusão e traçar uma trajectória, que tendo em conta a corrente, me levou direito à primeira bóia. A segunda parte do segmento foi o mais duro, sempre a nadar contra a corrente avançava-se muito devagar, tentei sempre me proteger atrás de outros nadadores de modo a desgastar-me o mínimo possível. No fim acabei por fazer quase 1900m ao contrário dos 1500m que deveria ter o segmento. Aliado à distância maior e a não ter utilizado fato isotérmico, acabei por fazer cerca de 36 minutos neste segmento onde no mínimo deveria ter feito menos 10 minutos em situações normais, isto desde logo deitava por terra as minhas aspirações de fazer um tempo final inferior a 2h30m.


A transição julgava que ia ser rápida porque não tinha fato para despir, mas não correu bem, tive dificuldades em calçar as meias e perdi alguns segundos a mais do que gostava. Saí para o segmento de ciclismo e logo procurei formar um grupo para ser mais fácil fazer este segmento. Infelizmente o grupo era somente um trio o que fez com que me tivesse de desgastar durante muito tempo. Durante a primeira volta fomos apanhados pelo grupo das primeiras mulheres que tinham saído 15 minutos antes. Muito elas refilam com tudo e com todos, gritam, berram, resmungam, tanta testosterona que ali estava acumulada. Nisto vem um árbitro mostrar-nos, aos 3 homens um cartão azul de aviso, em que ou íamos embora ou tínhamos de ficar para trás que não podíamos rodar com elas. A nossa reacção pode-se dizer que não foi nada amistosa, dissemos que ele era um trabalhador circense, que fosse para uns determinados sítios, alguns comentários sobre a mãe dele, e ainda falámos da extraordinária capacidade que ele tinha de avaliação as situações. Ora se elas tinham vindo detrás e depois tinham ficado ao pé de nós o problema não era nosso, se elas vinham mais rápido é que nos tinham de deixar para trás, não éramos nós que nos tínhamos de ir embora ou diminuir o ritmo a que íamos.

Esta palhaçada durou 2 voltas em que nós acelerávamos para ficar uns 10 metros à frente delas, depois elas passavam novamente e ficavam ao pé de nós. Nesta altura acho que nós os três gastávamos mais energia a refilar com o árbitro que a pedalar, pois nós estávamos ali só para fazer o melhor e elas é que estavam ali a lutar para ganhar a prova delas, por isso para nós era irrelevante ganhar alguns segundos ou mesmo minutos por estarmos a circular num grupo maior. Passadas 2 voltas de esticões constantes não consegui seguir com os outros 2, e acabei por ficar ali naquele grupo, que não era grupo, pois eu não podia estar junto das raparigas. Foi uma volta sempre com o peito ao vento, dum lado da faixa ia eu do outro lado da faixa iam as raparigas a revezarem-se a passar pela frente. Quando faltava uma volta e meia para o final chegaram 3 homens aquele grupo, o árbitro de imediato começou a embirrar com os 3, nessa altura um deles acelera para deixar o grupo e desta vez consegui ir na roda. Formámos um pequeno grupo de 4 elementos que não voltou a ser apanhado pelas raparigas, mas que também não íamos assim tão rápido. No final acabei os 40kms com uma média de 34km/h não foi brilhante mas também não foi mau de todo tendo em conta que fui muito tempo sozinho ou em grupos pequenos, não foi bom para o resultado da prova mas foi um bom treino para o Ironman.


Não consegui tirar os pés a tempo antes de entrar no parque de transição, o empedrado e o cansaço dificultaram-me a tarefa e acabei por correr com os sapatos calçados mas já desapertados no parque de transição. Contudo a transição até foi boa. No último retorno da bicicleta contei o tempo, e ia mais ou menos 6m30s atrás do João Cruz e do João Santos da minha equipa, o meu objectivo na corrida era agora conseguir chegar ao pé deles. Tendo em consideração que passava pouco das 14h, num dia de Verão onde estava um calor insuportável, (quem se terá lembrado que era boa ideia uma prova a estas horas) os primeiros quilómetros feitos a um ritmo de 4:15-4:25/km não estava mesmo nada mal. 


Claramente estava a aproximar-me dos meus colegas de equipa até que por volta os 6,5kms os consegui apanhar. Nessa altura já estava bastante cansado, apesar de ter seguido no meu ritmo notava-se que já não estava assim tão mais rápido que eles. A dificuldade que tive a calçar as meias também fez com que não as puxasse devidamente, a do pé direito estava enrugada e a começar a incomodar-me na planta do pé, não foi um final muito agradável. Acabei por fazer 47m20s no segmento de atletismo, dada a alta temperatura e o desgaste acumulado não foi mau, apesar de estar longe dos meus melhores tempos. Acabei a prova com o tempo oficial de 2h37m55s, longe de 2h30m que era o que pretendia, mas percebo facilmente os motivos disto ter acontecido. Depois da prova não me senti muito bem, dores de cabeça e suores constantes, provavelmente devido ao elevado calor durante a prova, mas foi um bom teste rumo ao Ironman.

domingo, julho 03, 2016

Fuga de água

Menos de uma semana depois do Francisco nascer, como isso só por si não fosse preocupação suficiente, e depois de ter feito obras no esgoto da casa de banho em Janeiro, apareceu-me o raio de uma fuga na canalização.

Tudo começou com a Ana a sair da casa de banho depois de ter tomado banho e a dizer-me - "Cuidado que devo ter deixado pingar água aqui no hall e o chão está molhado". Entretanto vou à casa de banho e parece-me ouvir água a correr junto ao chuveiro. Venho cá fora ao hall e a água no chão além de não ter desaparecido parecia que estava a aumentar. Desligo a água na torneira geral, volto à casa de banho, e já não há qualquer barulho. Ligo a água e novamente o barulho, arredo os móveis do hall e começo a ver água a escorrer peça parede, até no interruptor da luz escorria água, apresso-me a desligar novamente a água.

Isto já era quase meia noite e nada havia a fazer naquela altura. Mando uma mensagem a um amigo que já me desenrascou umas vezes com obras cá em casa, e por sorte minha ele estava de férias e disponibilizou-se a vir cá no dia seguinte. Quando ele chegou liguei novamente a água e identificámos mais ou menos o sítio de onde vinha o barulho. Ainda bem que a Ana fotografa tudo e tínhamos fotografias de quando tínhamos feito obras o que deu para confirmar que naquele sítio passavam vários canos. Partimos os azulejos e começámos logo a reparar que o cimento estava mole e húmido, e rapidamente encontramos uma união que jorrava água a montes.


Qual foi o nosso espanto quando tirámos o bujão que tapava uma das saídas e verificámos que o artista que me tinha feito a canalização não tinha colocado um bujão mas sim uma união tapada com uma moeda de 2 cêntimos que com o passar dos anos foi corroendo até que furou, como era espectável.


Fui comprar um bujão por uns meros 0,70€, e o problema ficou resolvido. Ora por causa de 0,70€ tive sem água durante umas 18 horas, com um recém nascido em casa, e ainda tive de partir azulejos na casa de banho. Queria era partir a cara à estalada a quem me fez as obras na casa de banho, que amadorismo, nem eu que pouco ou nada percebo de canalização faria tal coisa.


sexta-feira, julho 01, 2016

O futuro da linhagem

Foi no dia 23 de Junho, pelas 17:07 que nasceu o futuro da minha linhagem, a linhagem Sousa. Com 3,08kg e 49cm veio ao Mundo, enrolado no cordão umbilical o Francisco Manuel Sousa. Depois de muita discussão em torno do nome, decidimos que o apelido Francisco passaria a nome, o meu apelido seria o apelido, e por fim o nome do meio que combina com os outro lindamente, seria uma homenagem ao avô e ao bisavô, e que dá sempre jeito ter um segundo nome quando se quer ralhar com a criança.

Desde o rebentamento das águas até ao parto foram quase 20 horas, não foi fácil, tal como o pai ele achava que o quentinho da barriga da mãe era muito bom e não queria sair lá de dentro. Mas nasceu saudável e cheio de força, a mamar que nem um campeão como se tivesse feito aquilo toda a vida. Os primeiros dias foram algo preocupantes, o Francisco só urinava uma vez por dia o que me deixou bastante apreensivo, mas a coisa foi melhorando, primeiro só urinava sem fralda posta (ajuda a poupar fraldas), até que agora já parece totalmente regularizado, evitava era de fazer xixi para cima do pai.

Toda a gente diz que ele é parecido comigo, o que é bom, senão eu dizia que ele era filho do guarda nocturno, pois de dia é um anjinho a dormir e de noite quando quero descansar, ele está sempre acordado num berreiro como se o estivessem a esventrar, come, muda-se fralda, massagem anti cólicas e nada, mas estou com esperança que progressivamente consiga começar a dormir de noite.

Agora falando da experiência de ser pai, o que posso dizer é que já estou a pensar no próximo, por isso não haverá muito mais a dizer.