quarta-feira, maio 25, 2016

Noite europeia dos museus

Bem sei que tenho andado um bocado ausente aqui do estaminé, mas a minha vida ultimamente são fraldas, pintar paredes, montar móveis e tudo o que é necessário (e às vezes desnecessário) para preparar a chegada do rebento que virá daqui a mais ou menos 1 mês. De qualquer modo no sábado passado aproveitei a noite europeia dos museus para ir visitar alguns museus.

Vou começar por dizer que foi uma ideia estúpida à brava ir de transportes, como disseram que haviam transportes que nos levariam até aos museus a partirem do Marquês de Pombal, pensei - "Porquê levar carro para a confusão? Vou aproveitar os transportes." - sim havia transportes, uma meia dúzia de carrinhas de 9 lugares para centenas ou mesmo milhares de pessoas. Desistimos logo da ideia de usar os transportes da organização, autocarro até Belém para ir ao Museu dos Coches. A visita até foi agradável, estavam algumas pessoas mas não em demasia, deu para ver calmamente e gostei do museu, realmente há lá um bom pedaço de história e de arte. Uma coisa que constatei e não tinha essa noção, é que um coche era essencialmente um modo de mostrar poder e ostentação, o facto de servir de transporte era secundário.

Saí do Museu dos Coches e fui até ao Museu do Palácio da Ajuda. Aí estava uma fila surreal de pessoas à espera para entrar, claro que desisti logo da ideia de entrar e só me vinha à ideia que a único modo de visitar o máximo de museus teria sido de mota, deslocava-me rápido, tinha sempre estacionamento e quando a fila fosse grande para entrar, era só ir até ao próximo museu. Como o museu mais perto dali a pé era o Museu de Etnologia fomos até lá, não era propriamente um daqueles que fizesse questão de ver mas era o que "estava à mão".

A visita até me surpreendeu pela positiva, mas o cansaço já era tanto de um dia que tinha sido extenuante, que sinto que não aproveitei toda a cultura que podia ter aprendido ali. Como resumo, acho que a iniciativa é excelente e de louvar, mas a organização tem de estar preparada para uma afluência de pessoas que é muito superior a um dia normal.

segunda-feira, maio 16, 2016

Dia do campeão

Ontem foi um dia histórico para o maior, o glorioso, o BENFICA. Tudo começou com o hóquei, campeões europeus pela 2ª vez na história (no sábado tinham-se sagrado campeões nacionais no sofá). Infelizmente houve uma arbitragem deplorável, o Benfica não precisava daquilo para ter sido campeão, não foi bonito e não prestigiou a modalidade.

De seguida a consagração de campeão nacional de futebol, o título mais saboroso de todos que até hoje festejei, depois das inúmeras bocas dos altos responsáveis de outros clubes, depois de gozados, depois de termos estado tão longe e termos feito uma recuperação histórica e termos aguentado a pressão, este título não podia de deixar de ser o mais festejado. E não posso deixar de fazer uma vénia ao Rui Vitória, é verdade quando soube que ele viria a ser treinador do Benfica não fiquei muito contente com a escolha, ao primeiros resultados ainda menos contente fiquei, mas com a sua postura digna, com a proximidade dos atletas e adeptos, com as boas exibições e especialmente com as vitórias, hoje nem eu nem ninguém pode dizer que não foi uma boa escolha.


#campeaoSemTreinador
#maozinhasParaOFerrari
#saiuDaToca
#afinalNaoEAssimTaoPequenino
#oQueInteressaEOCampeonato
#campeaoEOqueJogaMelhor

sexta-feira, abril 15, 2016

Continente online

Como qualquer homem detesto ir às compras, andar de corredor em corredor, em dias maus a fazer slalon entre outros carrinhos, e depois ainda enfrentar uma fila de pessoas com carrinhos ainda mais cheios que o meu. Alguns colegas meus falaram-me que costumavam fazer compras nos hipermercados online, cada um com a sua técnica, com as suas restrições, com as suas preferências, etc.

Como tinha algumas compras para fazer decidi experimentar o Continente Online, e fazendo as compras tal e qual como se fosse à loja, não evitando qualquer produto, tendo uma experiência total. A parte da compra até foi mais ou menos positiva, tirando a sessão que estava constantemente a cair, e muitas vezes tinha de voltar a por produtos no carrinho, o resto foi bom. Gostei especialmente da parte em que podia ver o catálogo, idêntico ao catálogo físico, e podia adicionar directamente os produtos ao carrinho de compras.

Vamos agora à parte mais negativa, a indisponibilidade de produtos. Cerca de 1/3 das minhas compras foram rejeitadas por estarem indisponíveis, devo dizer que a maior parte delas eram produtos de promoção. Para mim foi mesmo muito irritante esta parte, porque se eu não recebo algo significa que vou ter de ir à loja fazer nem que seja uma compra, e isto era o que queria evitar. Ainda por cima escolhi a opção substituir no caso de indisponibilidade, e na maior parte dos casos não meteram nenhuma substituição, e algumas que meteram não faziam muito sentido. Para mim isto era tão simples como na altura que estamos a ver os produtos aparecerem logo como disponíveis ou indisponíveis, sabendo o nosso código postal, ou o local de entrega saberiam qual o Continente onde iriam buscar a encomenda e assim a disponibilidade ou não de um artigo. Ainda por cima de pago 5,99€ de entrega, se este valor for diluído por 60 artigos de 45kg por exemplo, dá que cada artigo custou mais 0,10€, se me forem só enviados 40 artigos que pesam 10kg, então cada artigo acaba por ficar 0,15€ mais caro e se calhar já não pesa assim tanto para eu tirar do carro e levar escada acima.

Em relação à empresa de entrega foi 5 estrelas, chegaram dentro do horário, aliás mesmo no início do período em que poderiam fazer a entrega, e explicaram tudo detalhadamente. Por fim em relação aos artigos que chegaram, a parte positiva foram as validades, tinha algum receio que as validades fossem mais curtas nos produtos perecíveis mas não, a parte negativa foram as batatas doces que 2 vinham podres, o resto dos frescos até estavam com bom aspecto. Juízo final, falharam algumas coisas, outras foram boas, ainda vou dar uma 2ª oportunidade e tentar perceber se o que me aconteceu foi regra, ou correu melhor ou pior do que o habitual. 

quarta-feira, março 30, 2016

Bounce

No domingo passado o pessoal da Sky fez um raid ao Bounce em Carnaxide ao pé do Alegro. Como tinha feito anos  no dia anterior o Nuno quis oferecer-me como prenda de anos a entrada. Passados 5 minutos de andar aos pulinhos percebi logo que apesar da minha boa preparação física, aquilo ia ser bastante cansativo. Depois de andar nas pistas mais acessíveis fui experimentar outras coisas. A baliza de futebol, maldita altura em que fui fazer pontapés de bicicleta, num deles aterrei de pescoço e fiquei logo meio torto. Depois as tabelas de basket, agora já sei o que os gigantes de 2 metros sentem ao afundar, e finalmente os trampolim olímpicos.

Como era Páscoa, estava escondida um voucher para uma entrada gratuita. O Nuno bem procurou por ela e depois disse-me que já tinha batido todos os sítios excepto os sítios mais altos. Essa parte era ao pé dos trampolim olímpicos. Saltei primeiro para um sítio mais baixo e consegui espreitar a plataforma mais alta, lá estava qualquer coisa que se assemelhava a bombons. Fui para o trampolim que dava acesso a essa plataforma, mas como tenho imenso jeito para saltar em trampolim estive mais de 2-3 minutos até conseguir dar impulsão suficiente e timming perfeito para me conseguir agarrar à plataforma e elevar-me. A verdade é que consegui e lá estava o voucher, nisto vai lá um dos monitores e com 2-3 saltos aterra de pés na plataforma...e não, não era um canguru, era sim mega cromo no trampolim.

A descida também foi gira, tive mesma sensação quando saltei de uma prancha de 10 metros para a piscina, senão fosse por vergonha dava meia volta e apanhava as escadas ou agarrava-me à beira da plataforma e deixava-me cair. Bem lá saltei de pés para o trampolim numa aterragem no mínimo patética onde absorvi toda a impulsão com as costas ficando quase pregado ao trampolim, eu sou mesmo bom.

Como conclusão devo dizer que gostei bastante da experiência, para a próxima tenho é de ir com mais cuidado e menos ímpeto de modo a não me partir todo, o Bounce foi no domingo, é hoje 4ª feira e ainda estou tão ou mais partido do que se tivesse feito uma maratona.

segunda-feira, março 28, 2016

Duatlo da Amadora 2016

Uma prova no meu dia de anos, alguns diriam que sou parvo, eu digo que é uma boa maneira de passar parte do meu dia de anos, a fazer uma das coisas que me deixa mais feliz estar com amigos e desafiar-me fisicamente.

Depois de ter caído de bicicleta há praticamente 1 mês ainda não tinha voltado a andar, por isso o meu objectivo nesta prova era testar-me a ver se a lesão que tinha já estava debelada ou se me limitava de alguma maneira. Pouco antes da prova começar começa a chover copiosamente, se para o segmento de corrida não é problemático, para o segmento de bicicleta ia dificultar muito o percurso.


O segmento de corrida começou bastante rápido com o 1º km a ser feito a rondar os 3m30, nada de anormal mas tinha de encontrar o meu ritmo no resto do segmento, algo mais confortável para aguentar os 5 kms. Mais ou menos por volta do quilómetro 2 o Clélio chegou-se ao pé de mim, o que foi porreiro porque fomos controlando  o ritmo um do outro e numa ajuda também psicológica até ao final do segmento da corrida. No final desacelerei um bocado, para respirar um pouco antes da transição, mas ainda assim conseguimos um ritmo melhor do que 4min/km, foi um bom segmento.


Como já tinha feito no duatlo de Rio Maior, com bons resultados, voltei a decidir não levar sapatos de encaixe, usando os ténis de corrida na bicicleta. O resultado foi uma transição super rápida ultrapassando bastantes atletas, ainda por cima estando o percurso de ciclismo escorregadio, e tendo voltado de uma queda, sentia-me mais confortável não tendo os pés presos aos pedais de encaixe.

O percurso de bicicleta não era o mesmo do ano anterior, dificilmente poderia ser porque eram muito mais bicicletas e o percurso do ano passado era mais curto e as estradas mais estreitas. Mas o percurso deste ano era uma verdadeira porcaria, agravado pelo facto de estar a chover, imensas curvas em cotovelo já de si perigosas, com menos aderência na bicicleta e os travões menos efectivos tornavam cada curva numa roleta russa. Decidi fazer a primeira volta algo conservador para conhecer melhor o percurso e não arriscar nenhuma queda.

Para agravar ainda mais, a organização devia ter dito para levar bicicletas de BTT, porque eram mais buracos que alcatrão, imensas obras com buracos abertos ao longo de toda a estrada tapados com gravilha, e com carris para atravessar...verdade carris? Quem terá tido a brilhante ideia daquele percurso? No meu grupo furaram 2 atletas logo aos primeiros buracos, e como é óbvio numa prova tão curta ninguém leva material para trocar câmaras de ar. Quando estava quase a acabar a 1ª volta também eu furo, era o fim da prova para mim. Algum dia tinha de acontecer, nunca tinha furado numa prova, e para furar ainda bem que foi numa prova de menos dimensão sem grande importância. Ainda tive sorte porque fiquei ao pé da meta e foi só ir até ao carro e ir-me embora, como não tinha material no parque de transição não tive de ficar à espera do final da prova.


Sim fiquei chateado por não ter conseguido acabar a prova, mas prefiro que tenha sido assim do que com uma queda, porque também houveram muitas. Por acaso tenho alguma curiosidade de saber quantas pessoas abandonaram por furos ou quedas, mas olhando aos resultados finais acredito que tenha sido muita gente, porque as listagem de quem acabou são pequenas para as pessoas que vi na partida, e além disso não disponibilizaram os resultados intermédios das pessoas que não acabaram o que me cheira que tenha sido muita gente e não foi disponibilizado por esse facto. Bem, como treino até ao momento que abandonei estava a correr muito bem, e isso é o mais importante para mim, agora é voltar a conseguir treinar mais a sério e voltar a recuperar a forma física.

quinta-feira, março 24, 2016

Criopreservação células estaminais

Este tema surgiu agora para mim devido ao facto de em breve me tornar pai. Já tinha ouvido falar umas coisas, já tinha umas ideias, mas nos últimos tempos fiz algumas investigações e falei com algumas pessoas. Falando primeiro de valores, existem variações de cerca de 500€ se se pretender só conservar sangue do cordão umbilical ou sangue e tecido do cordão umbilical. Porquê a diferença? Porque segundo alguns estudos e alguns tratamentos já efectuados as terapêuticas são mais eficazes se combinar os 2 tipos de células, mas há a opção de conservar só as células do sangue.  Continuando a falar de dinheiro, os preços para a conservação total rondam os 1200€-1600€, por um período de 20-25 anos. Existem várias empresas no mercado, com diferentes serviços, diferentes promoções, diferentes técnicas, diferentes locais onde preservam as células alguns até fora de Portugal, por isso resta a cada um de nós investigar e escolher a opção que mais se adapta a cada um.

Agora vamos à parte mais controversa, conseguem mesmo curar ou debelar doenças com a utilização das células estaminais? Sim e não. Sim, porque já existem casos de sucesso comprovados, e são comprovados porque já passaram mais de 5 anos que foram tratados e não houve nenhum retrocesso. Sim, porque apesar de em Portugal ainda estarmos muito atrasados neste campo, podemos recorrer a outros países onde os tratamentos com a utilização das células estaminais estão mais avançados. Sim, porque a investigação está a avançar a uma velocidade galopante, e apesar de agora algumas coisas não serem possíveis muito provavelmente num futuro próximo já serão possíveis. Não, porque muita coisa ainda é teórica, e apesar de na teoria/investigação tudo indicar que é possível, nada comprova que a utilização em casos reais resultará. Não, porque a probabilidade de ter uma doença nos primeiros 25 nos de vida tratável com células estaminais é baixíssima.

No fundo para mim tudo se resumo a uma coisa, acho que 1500€ é um preço baixo a pagar por um seguro de vida que dura 25 anos, o qual espero nunca utilizar e espero estar a deitar dinheiro ao lixo que era sempre bom sinal, mas nunca me perdoaria se um médico se virasse para mim e disse-se - "Por acaso fizeram conservação das células estaminais? Que pena não terem feito, é que provavelmente conseguiríamos curar este problema se tivéssemos acesso a essas células."

segunda-feira, março 14, 2016

Preparação de uma competição

Vou começar por um vídeo que vi a semana passada sobre a preparação do Michael Phelps na tentativa de se apurar para os próximos jogos olímpicos, no Rio de Janeiro. A mensagem forte do vídeo é - "It's what you do in the dark, that puts you in the light" - numa tradução não literária isto significa - O trabalho que desenvolves na sombra é o que vai trazer as luzes dos holofotes até ti - e isto é inteiramente verdade, e quem se prepara para grandes desafios sabe que é assim.


Este vídeo leva-me agora ao ponto onde queria chegar, a minha preparação para o Ironman. Posso dizer que esta é a primeira prova onde vou participar que estou a fazer uma preparação mais cuidada, nem numa maratona ou num half Ironman posso dizer que tenha feito uma preparação muito cuidada, sim tive cuidados mas num período curto antes da prova e com pouco detalhe.

Neste momento, e a 6 meses de distância já comecei a preparar o Ironman, acima de tudo tem sido um bocado stressante o que faz com que a preparação não esteja a ser nada prazerosa. Ter de evitar as lesões e quando elas acontecem a primeira coisa que vem à cabeça é, será que é recuperável a tempo, e que limitações me pode trazer na preparação e durante a prova? Tentar todas as semanas cumprir com um mínimo de horas de treino, conciliar com a vida familiar, com a vida profissional, com os contratempos que surgem, ainda por cima como vou ser pai é mais um tópico que me consume imenso tempo. Por enquanto, a nível de alimentação tenho regras mas não posso dizer que me esteja a limitar-me de comer algo que goste ou a quantidade que quero, mas tento comer saudavelmente. Tudo isto para chegar a um dia e conseguir cumprir com o desafio a que me propus. Nesse dia saberão (espero eu) que consegui atingir o meu objectivo, mas poucos saberão o que isso custou, o trabalho que foi feito na sombra.

segunda-feira, março 07, 2016

1 semana sem treinar

Já não sei há quanto tempo isto não acontecia, mas há mais de uma semana que não consigo treinar. Fez 6ª feira uma semana caí de bicicleta, uma quedazinha da treta, quase parado, tenho aqui a anca ainda toda inchada. Este sábado fui fazer raio-x, como já estava inchado há tanto tempo, mas felizmente está tudo bem é só esperar que o inchaço desapareça. Para além, disso faz hoje uma semana também apanhei uma inflamação no olho, por isso nem piscina pude fazer por causa do cloro. Bem a ver se esta semana consigo voltar pelo menos aos treinos de piscina, começo a ficar tipo drogado a precisar da minha dose.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Granfondo Algarve

Posso dizer que a prova começou logo bem, à partida tropecei logo no Guilherme que já não via há imenso tempo. Foi giro saber que ele também ia ser pai, o sacaninha teve foi mais sorte, gémeos, menino e menina, isto é quase a mesma coisa que sair o jackpot...acho eu!


Indo directo para a prova, durante a semana estive um bocado engripado por isso quase não treinei, mas também como o meu objectivo para o Granfondo do Algarve era treinar para o Ironman, não estava muito preocupado com o resultado final, apenas queria acabar o mais confortável possível. A primeira hora de prova andou-se muito bem, acabei nem sequer por parar no primeiro posto de abastecimento, apanhei só uma garrafa de água em andamento e segui caminho, nesta hora fiz 33kms, o que dava uma média bastante boa.


Pouco depois virámos em direcção a leste e o vento que tinha estado a ajudar, nessa altura começou a atrapalhar. Foi a única altura que me tentei resguardar no meio de um grupo, como o meu objectivo era treinar para o Ironman tentei propositadamente andar o mínimo possível à boleia dos outros, sei que no fim ia fazer com que o resultado fosse pior mas não era o resultado o mais importante.

Começa um ligeiro sobe e desce quebra pernas até que cheguei ao segundo abastecimento. Nessa altura foi parar, respirar um bocadinho, encher o cantil, comer qualquer coisa e mais dois dedos de conversa com os meus colegas Philippe que já estava parado, e o Vítor que entretanto chegou. Segui caminho com o Vítor durante uns minutos, mas entretanto ele mandou-me seguir e disse que ia pôr o ritmo dele. 

Muito tinha ouvido falar da subida ao alto do Malhão, mas quando vi no mapa pensei - "Ah isto são só 2,5kms, por muito duro que seja é um instante até chegar ao topo" - ena não podia estar mais enganado, devem ter sido das piores rampas que já apanhei, quase que me vinham as lagriminhas aos olhos e foi só por orgulho que não apeei, mesmo assim ainda ultrapassei vários ciclistas, por isso não era o que estava pior. Chegado ao topo, totalmente morto, pensei que ia ter descida para descansar, qual quê, mais sobe e desce de rampas bem agressivas. Cheguei ao 3 posto de abastecimento e foi recuperar, comer e beber. Quando perguntei a um senhor da organização se o pior já tinha passado e ele me diz que já a seguir ia ter uma subida que não era tão má como o Malhão mas que estava perto disso, foi o banho de água fria. 

Mais uma meia dúzia de quilómetros com rampas do pior que já apanhei. Os 100kms estavam ultrapassados e o pior estava agora feito, descidas e mais descidas para recuperar, porque forças para acelerar o andamento já não abundavam. O último abastecimento já foi super rápido, comer meia banana e meter água no cantil e seguir rapidamente. A 10kms do fim apanhei a última subida em que tive de usar a desmultiplicação mais leve, nessa altura já nem precisava para ser sincero, mas também já estava sem vontade de grandes cavalgadas. Os últimos quilómetros até Loulé voltaram a ser bastante rápidos, bom piso ao contrário da maioria do percurso e voltava a ter vento pelas costas. 

Acabei com o tempo oficial de 5h44m09s, acima do que eu esperava, mas também não esperava um percurso tão duro quanto este. Foi um bom  treino para o Ironman, bem sei que a distância será maior, mas duvido que o tempo em cima da bicicleta seja assim tão maior, este percurso era extremamente duro, coisa que não será no Ironman, por isso acredito que as sensações que tive no final sejam idênticas e nunca piores no Ironman, e pensando bem na coisa, se tivesse de fazer uma maratona a seguir estava moído sim, mas acho que ainda a faria, nem que fosse metade a correr e metade a andar.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Um Clube e um clubinho

Ontem passou-se uma situação que me deixou mesmo com o sangue a ferver, apetecia-me escrever sobre o assunto mas preferi deixar-me acalmar primeiro, não vem nada de bom quando agimos por impulso e sem reflectir.

Bem, o que se passou foi que cheguei à natação e perguntei como estava organizado o próximo fim-de-semana, no qual teremos uma deslocação até ao Algarve para competirmos no Grandfond. Qual foi o meu espanto quando me apercebi que não sabiam que eu ia. Eu digo que já tinha avisado que ia, eles diziam que não sabiam que eu ia. Bem, pode ter sido culpa minha que devia ter falado mais vezes, que devia ter perguntado mais, que devia ter garantido que estava a ser ouvido. Mas o que mais me chateou é que eu sabia que iam 5 pessoas do clube participar na prova, e quem dirige o clube não sabia de nada, só sabia que iam 2 pessoas. 

Como é possível? São atletas que vão participar na prova a representar o clube, que pagaram a sua inscrição, que vão pagar a deslocação, que vão pagar o alojamento, e quem dirigi o clube não sabe de nada? E eu que sou apenas mais um atleta do clube sabia, porque era tão simples quanto consultar a lista de inscritos que está disponível desde a altura das inscrições.

Cheguei a casa e apressei-me a tentar arranjar alojamento para 48 horas depois, como era óbvio com esta prova, mais a volta ao Algarve em bicicleta que decorre nesta altura, está quase tudo o que é alojamentos em Loulé esgotado. Ainda ponderei ficar num hotel a 10km de Loulé, mas lá consegui o último quarto num local que fica a poucas centenas de metros da partida da prova. E amanhã lá irei sozinho até ao Algarve para representar a AHBE no Grandfond do Algarve.

Mas isto foi só mais uma situação que mostram a desorganização que não pode acontecer. Ainda no início do mês aconteceu a primeira etapa do campeonato nacional de clubes, e quantos fomos participar nesta etapa...2 atletas quando são contabilizados os 3 primeiros de cada clube, ou seja, nem tivemos classificação para o campeonato nacional de clubes, quando todos os melhores clubes nacionais quiseram participar com os seus melhores atletas, porque era uma etapa que contava para o campeonato nacional. E estamos federados no clube não sei ao certo (mas devia saber, devia de haver um site, como já houve, onde estivessem todos os dados, de todos os atletas, provas onde vão participar, provas que participaram, contactos, etc), mas devemos ser algo a rondar os 30 atletas.

Há 2 semanas atrás aconteceu os 20kms de Cascais, onde participaram mais de 10 atletas do clube, mas todos como individuais, incluído eu, ou seja, é como se o clube não estivesse estado presente nesta competição. E quando realço os pontos positivos de outros clubes, não me venham com conversas que nós apoiamos os atletas nas deslocações porque isso é pura mentira. A única prova até hoje que fui que tive deslocação paga foi o triatlo de Peniche em 2013, de resto senão paguei alguma deslocação foi porque algum colega que me levou não aceitou que lhe pagasse. Mas já que não temos carrinha para deslocar os atletas como um clube, pelo menos que nos organizemos nas deslocações e estadias para conseguirmos poupar todos algum dinheiro.

Receber um pólo para ir às provas é giro para parecermos um clube mas é o menos fundamental, tenho muitos pólos em casa para ir às provas, tirar fotos com um grupo de amigos a sorrir é giro, mas posso tirar fotos com amigos em muitas outras ocasiões. Não quero com esta conversa toda estar a fazer criticas destrutivas, bem pelo contrário, o objectivo é serem mesmo construtivas, agarrarmos-nos ao que somos bons, que é sermos um grupo de amigos, mas caminharmos na direcção de deixarmos de ser um clubinho para sermos um clube.