sexta-feira, janeiro 15, 2016

Portugueses no Dakar 2016

Eu quero acreditar que ainda um dia vamos ouvir a portuguesa no pódio final do Dakar, mas a verdade é que todos os anos parece que é adiado o inevitável, e infelizmente este foi mais um desses anos. Tendo 3 pilotos nacionais que poderiam perfeitamente ocupar os 3 lugares de pódio, Paulo Gonçalves, Rúben Faria e Hélder Rodrigues, ainda por cima em marcas diferentes sendo os chefes de equipa dessas marcas, tinha esperanças que seria este o ano. Além disso este ano a luta pela vitória parecia muito mais aberta, sem o Marc Coma e o Cyril Despres que entre eles ganharam os últimos 10 Dakar em mota, muitos pilotos tinham mais aspirações ao lugar mais alto do pódio.

Nos primeiros dias as Honda tiveram irrepreensíveis, Paulo Gonçalves e o seu companheiro de equipa Joan Barreda dominaram as todas poderosas KTM (a última vez que uma mota não KTM ganhou o Dakar foi logo no inicio do século em 2000), Rúben Faria na sua Husqvarna mantinha-se sempre entre os primeiros, enquanto que o Hélder Rodrigues devido a uma virose não os conseguia acompanhar e estava com alguma dificuldade em chegar ao TOP 10.

Mas o Dakar é uma prova de resistência e consistência, onde o importante é não ter nenhum problema que provoque uma eliminação ou afastamento dos lugares da frente. A 7ª etapa trouxe o primeiro dissabor para as cores nacionais, o Rubén Faria é obrigado a abandonar depois de partir um pulso numa queda. Esta também foi a etapa que o Joan Barreda teve problemas mecânicos e ficou muito afastado da frente, ficando assim o Paulo Gonçalves como líder incontestável da Honda, na frente do Dakar e mostrando um andamento superior aos outros. Devo confessar que nesta altura pensei mesmo que este seria o ano.

Depois de 4 dias na liderança do Dakar as coisas continuavam a correr bem apesar das KTM cada vez mais mostrarem uma aproximação, assim como o Hélder Rodrigues que após debelar a doença começava a demonstrar um andamento com a sua Yamaha que não conseguiu nos primeiros dias. Há 9ª etapa a sorte de Paulo Gonçalves começou a mudar, a primeira queda, não muito grave mas o suficiente para perder algum tempo e perder também o 1º lugar para uma KTM.

10ª etapa e um problema no radiador, que só por sorte não o levou logo ao abandono do Dakar, mas caído para 3º lugar já a mais de 30 minutos do 1º lugar, acabava assim de forma inglória as nossas hipóteses de vitória este ano, restava a luta pelo pódio. Ontem na 11ª etapa mais uma queda para Paulo Gonçalves e o abandono do Dakar, acabou assim qualquer esperança no mínimo de pódio. Neste momento as KTM ocupam os 3 primeiros lugares e mais uma vez vão ganhar o Dakar, mostrando uma consistência da marca a todos os níveis.

Falando um bocado das outras categorias, outra classe que é totalmente dominada por uma marca são os Quads, a Yamaha prepara-se outra vez para ocupar os 3 lugares de pódio, com o retorno ao mais alto nível dos irmãos Patronelli, que parece que vão discutir entre si a vitória final ao segundo. Se nas motas e quads tudo continua na mesma, nos carros e camiões os dominadores dos últimos anos parece que estão condenados a cair. Nos camiões os russos da Kamaz nunca mostraram este ano estarem à altura dos Iveco, mesmo assim ainda vão conseguir um lugar no pódio. Isto é se os camiões da Iveco com uma vantagem gigante não tiverem mais problemas que os obrigue a abandonar, porque andamento têm mas também têm tido alguns problemas mecânicos.

Nos carros a Mini depois de 4 anos seguidos a ganhar parece que vai passar o testemunho à Peugeot, não cometa nenhum erro até ao final o Stéphane Peterhansel. A Peugeot tem estado totalmente dominante este ano, a Mini nunca mostrou andamento para os acompanhar, senão fossem os azares/erros dos outros Peugeot, nomeadamente o Sebastian Loeb e o Carlos Sainz, facilmente teríamos os 3 Peugeot nos 3 lugares do pódio. Uma palavra ainda para o Loeb, quase que aposto que irá ser um caso sério nos próximos anos, tem um andamento que dificilmente é acompanhado pelos outros carros de igual nível, tenha ele um carro à altura (como teve este ano) e tenha aprendido com os erros deste ano e acredito que estamos na presença de um futuro multi campeão do Dakar.

sábado, janeiro 02, 2016

São Silvestre 2015

O último dia do ano é sempre sinónimo de São Silvestre da Amadora, a melhor prova de estrada do país por toda a sua envolvência e pela altura do ano em que é. Não é à toa que esta prova é uma das mais competitivas do panorama nacional, são sempre grandes tempos os dos vencedores (quase sempre abaixo dos 30 minutos) ainda por cima olhando às dificuldades do percurso, o que torna muito difícil mesmo para os profissionais, a obtenção de bons resultados.

Este ano fomos bafejados pela sorte, foram raras as edições em que participei e que não estava a chover, e além de não chover a temperatura estava bastante amena, melhor não podia pedir. Como disse ao Pre antes da corrida, não tinha grandes objectivos, não tinha treinado especialmente para a prova a seguir à meia maratona dos Descobrimentos, e a época do ano é propicia a abusos, por isso seria uma prova para me divertir.

A prova começou logo com uma queda no início do pelotão, tudo a parar, uma grande confusão, para conseguir fugir aquilo fui para a faixa contrária e acelerei um pouco o passo para me livras da confusão e conseguir correr sem limitações. Como é meu habito estiquei logo um bocado no início, tentando ganhar logo alguma margem de tempo, se rebentasse paciência mas ia tentar dar o máximo. Após o 1º quilómetro começava a grande dificuldade da prova, dois quuilómetros sempre a subir. Com alguma sorte apanhei a lebre certa e consegui manter um ritmo bom subida acima, estava com um bom tempo apesar do desgaste e tentei seguir com a minha lebre, os quilómetros foram passando sempre a um ritmo inferior a 4min/km, está tudo doido, pensei eu na altura.

Por volta do 6º quilómetro, na última parede da prova, não consegui seguir com a lebre, mas tentei ao máximo manter aquele atleta em linha de vista para não quebrar totalmente. À passagem do 8º quilómetro estava com 32 minutos, teria de fazer uma média de 4min/km nos últimos 2 quilómetros para baixar novamente dos 40 minutos numa prova de 10kms. Como sabia que os últimos 500 metros eram em subida, não muito acentuada mas que iriam baixar o ritmo, sabia que até lá tinha de aproveitar a descida para ganhar alguma margem de tempo. Entrei nos últimos 500 metros com 37m30s, tinha 2m30s para fazer aqueles últimos 500 metros, não estava à vontadinha, mas também não era nada do outro mundo.


Consegui acabar com 39m47s, apesar do tempo oficial ser de 40m07s porque a organização não tem sensores de partida e não desconta o tempo entre o tiro de partida e a altura que efectivamente começamos a correr. Óptimo registo e dada a dureza da prova deveria obrigar-me a partir de agora a fazer abaixo de 40 minutos em todas as provas de 10kms. Uma palavra ainda para o Nuno Silva que sem grande treino conseguiu bater o seu record aos 10kms, espero que ele para o ano tenha como objectivo baixar dos 50 minutos, e se ele quiser ofereço-me para fazer de lebre para ele, deixo-te aqui o desafio.


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 39m47s
  • Velocidade média: 15.08 km/h
  • Tempo médio por quilómetros: 3m58s/km

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Retrospectiva 2015

Está no fim o 2015 e como se tornou tradição aqui vai a retrospectiva do ano aqui na chafarica do Sousa.
  • Duatlo da Amadora em que consegui ficar entre os 20 primeiros e por equipas contribui para o 3º lugar;
  • Acabei o Triatlo longo de Lisboa com 5h10m batendo claramente o meu objectivo de fazer um triatlo longo em menos de 5h30m;
  • Ajudei a organizar mais um Survival Xperience;
  • Já algum tempo não participava em acções de limpeza subaquática, este ano pela primeira vez participai na Clean up Atlantic;
  • Ao tempo que não ia andar de kart;
  • Julho foi o mês em que fiz pela primeira vez um cruzeiro, grande semana de férias;
  • Fui ao Vagos, primeira vez que fui a um festival de Verão, com o intuito de ver Within Temptation;
  • Fim de semana em Albufeira com a desculpa da despedida de solteiro do João;
  • Mais um passeio na serra da Arrábida, levando agora a equipa da Sky;
  • Decisão de participar no Ironman de Barcelona do ano que vem;
  • Maratona de Lisboa, bati o meu record mas ainda muito longe dos meus objectivos;
  • Visitar a exposição Real Bodies, muito fixe;
  • Adquiri uma bicicleta nova de estrada a pensar no Ironman;
  • Experimentar pela primeira vez conduzir motas todo o terreno;
  • Concerto de Gamma Ray;
  • Mini férias para conhecer a Madeira;
  • Tempo canhão (para mim) na meia maratona dos descobrimentos, um bocado inesperado;
  • Queda de bicicleta no Tróia-Sagres;
  • E para não acabar num registo negativo, consta-me que a cegonha para o ano me vai visitar.
Hoje é dia da já habitual São Silvestre da Amadora, para fechar bem o ano. Até para o ano...

domingo, dezembro 27, 2015

Tróia-Sagres 2015

Já passaram 2 semanas do Tróia-Sagres e já me apetece falar sobre o assunto. Devemos aprender com as coisas boas e com más por isso decidi escrever sobre o Tróia-Sagres apesar de não me ter corrido propriamente bem. Esta já era a 4ª vez que ia fazer este percurso, já sabia com o que podia contar a nível de percurso, o que não sabia era a quantidade brutal de pessoas que ia fazer o percurso, nas minhas viagens anteriores nunca tinha ido no dia oficial do Tróia-Sagres

Fui acompanhado pelos meus colegas da equipa de triatlo e desde cedo nos vimos a pedalar dentro de grandes grupos, a viagem fazia-se de modo confortável a nível de cansaço mas sempre algo tensa pelo facto de ir muita gente junta, e pior que isso muita gente que claramente não tinha comportamento correcto para andar em pelotão.


Fizemos a primeira paragem logo a seguir a Porto Covo, sentia-me super bem, só algum desconforto no pescoço mas tudo o resto estava como se tivesse acabado de começar a pedalar. O momento fatídico aconteceu pouco depois de Vila Nova de Mil Fontes, um outro ciclista passa por mim e em vez de manter a trajectória manda-se para cima de mim, bate-me do guiadouro, ainda me equilibrei, mas ele continua a encostar-se e bate com a roda traseira na minha roda dianteira, resultado, um queda  a rondar os 40km/h, em que fui a deslizar pelo alcatrão com o meu lado esquerdo.

Levanto-me, com a ponta dos dedos ensanguentada e olho para a bicicleta, a roda da frende com raios partidos e empenada, as fitas do lado esquerdo desfeitas, o selim raspado e a parte pior, o meu GPS riscado que quase me vinham as lágrimas aos olhos. Ao olhar para o ombro vejo a minha t-shirt da Sky toda rasgada, ai que dor no coração. Com isto tudo os meus colegas que vinham no grupo atrás de mim, o Gonçalo travou a fundo e rasgou o pneu (depois levou o meu pneu já que eu não ia seguir) e o Ricardo foi para a faixa contrária onde ia sendo levado por uma ambulância que vinha em sentido contrário, e o gajo que me mandou ao chão nem parou. 

No meio do azar alguma sorte, a ambulância parou e prestou-me logo auxilio. Depois disso, super frustrado, pontapeei o meu capacete, não podia acabar, tinha o equipamento todo danificado e eu próprio estava todo queimado do lado esquerdo, vá lá não tinha nada partido eram só feridas. Entrei para a carrinha e fui a apoiar os meus colegas até ao final era a única coisa que podia fazer. Acho que não volto a fazer o Tróia-Sagre no dia oficial.

quarta-feira, dezembro 09, 2015

Meia Maratona Descobrimentos 2015

Depois de ter participado na 1ª Meia Maratona dos Descobrimentos, há dois anos atrás, e apesar de não achar que o percurso não é propriamente fácil para bater records, como tinha sido nesta meia maratona que tinha feito o meu melhor tempo, decidi ir correr este ano novamente para tentar baixar da 1h30m. Não achava que tivesse feito uma preparação conveniente, estava com o volume ainda da Maratona de Lisboa, mas não me sentia com velocidade consistente para aguentar tanto tempo a um ritmo tão elevado, aliado a isso só tinha treinado uma vez por semana corrida, o último treino que queria fazer 14kms em 1 hora também tinha saído mal, e a minha asma também me andava a chatear um bocado, não sei se devido à humidade se devido a outro factor.

Os 2 primeiros quilómetros desta prova são os mais complicados, subir ao Restelo e recuperar o folgo custou-me estar atrasado mais ou menos 30 segundos. Na descida até Algés fiz um esforço por recuperar esse tempo, e no quilómetro a descer consegui recuperar esses 30 segundos, mas o meu coração rapidamente disparou para as 150bpm, estava desde muito cedo na minha zona de desconforto. Nesta altura tentei apanhar um grupo ou alguém que tivesse o mesmo ritmo para não começar a ter oscilações, o que acabou por acontecer, segui com outro atleta até que por volta do quilómetro 8 apanhámos um grande grupo onde ia a bandeira de 1h30m. Era aguentar pelo menos naquele grupo até ao final. Como me estava a sentir bem, apesar do meu coração continuar a bater muito rápido, quando um grupo saiu eu tentei ir com eles, pensei que como costumo ter quebra a meio da prova ganhava ali algum tempo para quando tivesse a quebra já ir mais à frente, e depois tentaria seguir novamente com o grupo da 1h30m quando me voltassem a apanhar.

À passagem dos 10kms ia com cerca de 41m30s, sabia que nesta altura teria de ir abaixo de 42m, estava com alguma margem mas não era muita não me podia descuidar. Como continuava naquele grupo com um bom ritmo queria continuar ali pelo menos até aos 14kms, e aí se estivesse abaixo de 1h de prova e se me senti-se bem logo saberia se era possível bater o tempo de 1h30m no final. Os 14kms chegaram por volta dos 58 minutos de prova, o ritmo continuava bastante bom e o grupo tinha crescido, por entre algumas breves conversas havia outro atleta, o de dorsal 1203, que me disse que também queria fazer abaixo de 1h30m, para nos ajudarmos. Claro que era boa ideia, nessa altura como me sentia bem decidi dar um pequeno esticão que partiu aquele grupo, seguimos só eu, o 1203 e mais 2 atletas. Dali até ao último abastecimento reboquei o grupo e tentei manter o ritmo vivo, a partir dali fomos-nos revezando, garantido que o ritmo era estável.

Ao passarmos os 18kms eu disse algo como - "Vamos abaixo de 1h15m, podemos fazer quase 5min/km até ao final e chegamos abaixo de 1h30m." - ao que o atleta 1203 me disse - "Agora que estamos aqui é para fazer abaixo de 1h28m." - este foi o mote dele para dizer que ia acelerar, e que aceleração jeitosa que deu naquele final. Até aos 20,5kms consegui seguir com ele, íamos quase a 4min/km, até que tive de largar a corda, não aguentava mais, pus o meu ritmo e marquei outros atletas que estavam à minha frente, que estavam progressivamente a perder vantagem para mim. Num último esforço acelerei o passo quase num sprint final e ainda ganhei ali uns lugares. O resultado final deu 1h27m23s, não poderia pedir melhor.

(Aos 18m28s)


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h27m23s
  • Velocidade média: 14,49km/h
  • Tempo médio por quilómetro: 4m07s

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Mini férias na Madeira

Já queria conhecer a ilha da Madeira há alguns anos, ainda não tinha surgido a oportunidade, até que finalmente neste final de Novembro consegui convencer alguns amigos a me seguirem e a irmos todos conhecer a ilha. Antes de irmos fizemos um pequeno estudo dos sítios onde iríamos, falei com alguns amigos meus com raízes madeirenses sobre que sítios deveria visitar, e apesar dos escassos 4 dias que estive na Madeira deu para visitar bastantes sítios.

Ao contrário de quando fui a S. Miguel nos Açores (não me peçam para fazer comparações, toda a gente pede, é como comparar caramelo e mel, ambos são deliciosos e nenhum deles é melhor que o outro) cujo objectivo principal foi fazer mergulho, desta vez o objectivo foi conhecer a ilha através de caminhadas. Não tínhamos decidido quais as caminhadas que iríamos fazer, apenas alguns sítios que queríamos conhecer e tentar conciliar isso com os locais das caminhadas e o cansaço das pessoas menos preparadas.

Chegámos à Madeira por volta das 9h, como ainda era bastante cedo decidimos logo visitar a parte mais oriental da ilha, mais perto do aeroporto. Fomos até ao Caniçal onde tomámos o pequeno almoço, bem, uma sandes de polvo não é bem um pequeno almoço mas estava divinal. Seguimos até ao fim da estrada, até à Ponta de S. Lourenço quando sem querer encontrámos o trilho PR8. Já que ali estávamos toca aproveitar a percorrer o trilho, ainda de sapatos e roupa da viagem, nada confortável para caminhadas. Uma coisa que tenho de referir, e que foi transversal a todos os trilhos, é a sua excelente sinalização e estado de conservação, os trilhos são mesmo uma das jóias da Madeira que são bem preservados e divulgados para fins turísticos, aliás muita gente se via ao longo dos trilhos e poucos eram os portugueses.


Uma paisagem lindíssima, água a cercar uma pequena língua de terra pela qual nós caminhávamos em direcção à ponta mais oriental da ilha. Acho que o trilho apesar de classificado como médio devia de ser difícil, não era assim tão longo, 8kms, mas num constante sobe e desce e algumas vezes com inclinações nada simpáticas e o tipo de terreno nem sempre era muito fácil.

Depois de fazermos o trilho seguimos em direcção a Santana para vermos as típicas casas em paralelepípedo triangular, com telhados de palha, diga-se de passagem que é mesmo a única coisa de interesse em Santana. Antes disso ainda parámos para o almoço, nesta paragem gastronómica comi as duas coisas que tinha como objectivo provar na Madeira, lapas e espetada em pau de louro. Se as lapas valeram a pena a espetada não estava nada de especial, mas o objectivo estava cumprido.

Próxima paragem era S. Vicente para irmos às grutas. Nesta viagem percebi porque a ilha era toda furada por túneis, nesta zona não há túneis e que tortura de viagem foram estas dezenas de quilómetros, curva, contra curva, sobe, desce, estradas com buracos. Ainda parei no Farol de S. Jorge para descansar um bocado e apesar do resto do grupo não ter gostado muito da paragem eu gostei, achei piada conhecer o farol e puder ir até ao topo e perceber que a lâmpada era uma coisa pequena e que a iluminação era feita grandemente à custa de vidros e espelhos. Chegámos a S. Vicente às 18h, quando chegámos às grutas foi-nos informado que a última visita tinha começado às 17h, ficámos um bocado chateados, tínhamos feito uma viagem chata e tínhamos um prospecto que dizia que a última visita começava às 19h, não conseguimos ver as grutas e como ficavam um bocado fora de mão já não lá voltámos para fazermos a visita.

No dia seguinte lá fomos nós monte acima, no Fiat Panda, que na maior parte do tempo tinha de subir em primeira, até ao PR6, a Levada das 25 Fontes. Esta foi a caminhada que menos gostei, mas adorei na mesma, belíssima, super verdejante, deslumbrante. Primeiro foi a passagem por um pequeno túnel de cerca de 300 metros, totalmente escuro, onde se destacava o barulho da água a passar pela levada (e os gritos de uma das raparigas do meu grupo). O trilho era bastante plano e simples, sem nenhuma dificuldade, e ao fim de menos de 5 quilómetros chegámos à cascata que é o ex-líbris desta caminhada. Não podia deixar de ir dentro da água daquela pequena lagoa, acho que nunca entrei em água tão gélida, apesar de só ter entrado até ter água pelas cochas as cãibras rapidamente se apoderaram das solas dos meus pés e desisti de estar dentro de água, mas fui lá dentro, não tive foi a coragem de mergulhar como um dos meus amigos.


À saída da cascata vimos uns caminhantes locais a alimentarem tentilhões, nunca tinha visto tentilhões a deixarem-se alimentar como se fossem pombos. Ao falar com um senhor ele disse-me que se no retorno passássemos pela casa do Rabaçal que os tentilhões naquela zona era mais atrevidos e que às vezes vinham comer mesmo à mão. Para mim era algo totalmente estranho, para mim os tentilhões são dos pássaros mais ariscos e desconfiados que conheço. Então no regresso lá passámos pela casa do Rabaçal, e não é que consegui que o raio dos tentilhões viessem pousar na minha mão e comer uma coisa tão básica como pão.

Acabada a caminhada, não estávamos muito longe do miradouro do cabo Girão, então essa foi a nossa próxima paragem. Infelizmente o tempo estava um bocado fechado e não conseguimos ver o pôr do sol, mas o miradouro não deixa de ser fabuloso, aquele chão em vidro precipitado naquele cume a quase 600 metros de altura, impressionante.


No terceiro dia terceira caminhada, esta era a caminhada que mais queria fazer e não me desiludi, foi a que gostei mais, o PR1.2, a caminhada até ao topo do Pico Ruivo que é o ponto mais alto da Madeira. A subida foi sempre feita sobre um intenso nevoeiro e frio, quase sem visibilidade não conseguimos aproveitar o muito que aquele local tinha para oferecer. Quase a chegar ao topo aí sim, começou-se a ver uma imensidão de locais, uma paisagem de cortar a respiração, simplesmente magnífico. O nevoeiro continuou a não ajudar muito, mas conseguimos nos breves momentos apreciar a magnitude daquele local.


De seguida fomos até ao Curral das Freiras para lanchar. Na descida até ao Curral das Freiras a luz da reserva acendeu, bem quando lá chegasse abaixo teria de pôr gasolina, pensei eu. Ao chegar ao Curral das Freiras apercebemos-nos que não existe bomba de gasolina, só do outro lado do monte. Não podíamos fazer nada naquele momento então fomos primeiro lanchar. Aqui tenho de referir que comi o melhor bolo do caco da Madeira, muito bem servido e muito saboroso. Barriga cheia, vamos lá até à bomba da gasolina. Aquela subida parecia não acabar até ao topo do monte fui a rezar para que a gasolina não acabasse. Passado o topo relaxei, agora era sempre a descer até à bomba da gasolina.


O último dia foi o dia do típico turista. Depois do checkout do hotel fomos experimentar a descida nos cestos de vimes ou toboggans. Devo dizer que não fiquei nada impressionado, a descida até é feita devagar o que não dá grande estimulo. Bem, foram para aí 5 minutos a descer 2kms para depois demorar 30 minutos a pé a subir a colina. De seguida fomos ao jardim botânico, é giro mas esperava melhor também. Tudo o que é turístico na Madeira paga-se e os preços não são simpáticos, por isso ainda ficou por ver por exemplo o jardim tropical. Como já faltava pouco tempo para entregar o carro fomos até à baixa, junto à marina para uma última paragem na esplanada. Apanhar o avião e chegar a Lisboa quase às 23h. Adorei a Madeira, ainda ficou muita coisa por ver e provavelmente mais tarde ou mais cedo lá voltarei.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Gamma Ray - Paradise Garage

Há coisas que são como o vinho do Porto, e os Gamma Ray são um desses casos, parece que ficam melhor conforme a idade passa por eles. Estão em tour a festejar os 25 anos, e ontem deram um concerto cheio de energia e de boa música no Paradise Garage. Num público mais envelhecido do que habitual, até me sentia dos mais novos, viam-se muitos carecas e alguns cabelos compridos mas com aquela careca à monge na parte detrás da cabeça, era dia de old school.

Mas vou começar pelo início, pelas bandas suporte, devo confessar que não conhecia nenhuma delas até ao dia anterior ao concerto, e depois de ouvir meia dúzia de música de cada uma delas fiquei logo com a ideia que eram uma excelente escolha, o que se veio a confirmar. Quanto a mim foram uma excelente escolha porque eram homogéneas com os Gamma Ray, com um género e sonoridade muito próximos por isso quem iria ver Gamma Ray também não desgostaria das outras bandas. Lembro-me agora de repente, no mesmo Paradise Garage, quando fui ver Epica que detestei a primeira banda que tocou, lá está, não tinha nada a ver com Epica nem com o meu gosto musical.

A primeira banda foram os britânicos Neonfly, apesar de já existirem desde 2008 pareceram-me ainda uma banda pouco madura, gostei bastante da musicalidade, mas não têm nada de novo, existem bandas com som idêntico mas melhor. Depois o vocalista tem uma voz pequena e o volume do micro estava claramente baixo, o instrumental abafava quase por completo a voz. Fazendo uma análise da actuação, e apesar destes pontos, claramente foi positiva, gostei, e vou seguir com mais atenção os Neonfly daqui para a frente.


De seguida vieram os Serious Black e que grande actuação fizeram. Conseguiram ter uma presença em palco que os Neonfly nunca conseguiram ter, souberam impor o ritmo certo ao concerto, com uma mescla de músicas mais fortes e baladas mais melodiosas, puxando pelo público quando este estava pronto a responder aos reptos. Curiosamente, o primeiro momento que os Serious Black se destacaram foi num pequeno cover, meia dúzia de acordes ao Rock You Like a Hurricane dos míticos Scorpions. Mas para mim o momento mágico do concerto deles foi na música que já esperava antes do concerto, o High and Low, que início de música e que refrão, cheio de energia, cheio de força, e só não foi o momento da noite porque os Gamma Ray tiveram pelo menos 2 momentos de inspiração em que o público respondeu de forma efusiva.


Bem, vamos lá ao prato principal, os Gamma Ray entraram logo para partir a loiça, uma interpretação magnífica do Heaven Can Wait, ganharam logo o público para o resto do concerto, dificilmente podiam começar melhor. Mas o momento da noite foi tirado do fundo do baú com o hino escrito por Kai HansenI Want Out, entrega total da banda e do público numa comunhão quase perfeita e raramente vista. Depois disto foi seguir em velocidade de cruzeiro, logo de seguinda Valley of the Kings, talvez a música que mais goste de Gamma Ray. E energia não faltava, já quase no fim do concerto um medley de cerca de 15 minutos - "Onde estes velhotes vão buscar tanta energia!?" - pensava eu. Para terminar em grande o Send Me a Sign, belo concerto, praticamente 2 horas de Gamma Ray, definitivamente estes "velhos" têm muita energia.


domingo, novembro 15, 2015

Orcy - Motocross

Já foi a semana passada que fui experimentar pela primeira vez motas todo o terreno, mas tenho andado um bocado desleixado e ainda não me tinha apetecido perder 10 minutos a escrever um pouco sobre o assunto. Em primeiro lugar para quem gosta de motas é uma experiência mega, além de irmos andar de motas todo o terreno também recebemos uma pequena formação com alguns conceitos básicos, o que para mim foi fixe porque ter instinto para a coisa é bom mas todos os detalhes ajudam. Mota de todo o terreno parece-me que tem uma condução/dinâmica muito mais parecida com a bicicleta de BTT do que com mota de estrada, pelo menos foi o senti depois de experimentar.

Depois de algumas explicações lá começámos às voltas no circuito oval, primeiras voltas mais devagar mas rapidamente ganho confiança e a mota começa a deslizar a cada curva, a velocidade certamente não era muita mas já dava para sentir aquela sensação de adrenalina quando a curva é toda feita a derrapar com a roda de trás.

O pessoal do centro Orcy também foram impecáveis, viram que alguns de nós já estávamos a apanhar o jeito e foram sempre dando pequenas indicações de forma a conseguirmos melhorar, andando mais depressa e ao mesmo tempo mais seguros. Ainda deixei a mota cair duas vezes, a primeira abusei a derrapar e virei a mota no sentido contrário, a segunda mudei de mota e por acaso a segunda agarrava mais ao travar, logo à entrada da primeira curva foge-me a frente e eu saio disparado a correr, vá lá consegui evitar ir ao chão. E na última manga já não era só eu, mas já meia dúzia de nós começámos a ficar mais agressivos, com mais ultrapassagens, mais toques, mais pressão sobre quem estava a frente. Foram 4 horas muito bem passadas e uma óptima experiência.

quinta-feira, novembro 05, 2015

A minha nova burra

Foi há pouco mais de 2 anos quando comecei a fazer triatlo que comprei a minha bicicleta de estrada, na altura não queria gastar muito dinheiro, nem sabia se era uma coisa que iria gostar, por isso comprei uma bicicleta baratinha já usada, que era de um amigo meu. A bicicleta sempre se mostrou fiável, muitos quilómetros fez sem grandes problemas, mas aquilo parece uma uma bigorna, super pesada comparada com outras bicicletas de estrada e pouco eficiente no aproveitar da energia despendida.


Como estava decidido que para o ano queria fazer o Ironman, a prova já é dura só por si, não preciso da complicar ainda mais com uma bicicleta que não optimiza a energia produzida pela pedalada. Falei com o Nuno Santos, uma das pessoas que conheço que mais percebe de bicicletas, e perguntei-lhe segundo os parâmetros que eu pretendia que bicicleta ele me aconselhava. A sugestão dele foi a Merida Reacto 5000, uma bicicleta que tem uma boa relação qualidade preço e que é bastante apropriada para o triatlo.


Comecei a investigar preços, já tinha o mais complicado que era a decisão da marca/modelo a comprar, agora era descobrir o sítio onde o preço fosse mais barato. Acabei por falar no assunto com o André Antunes que me recomendou a Nova Bikes em Torres Novas. Após falar telefonicamente com o Ricardo, que é o simpático dono da Nova Bikes, ficou logo combinado o tamanho do quadro e foi só esperar que a Merida lhe enviasse a bicicleta. Normalmente há o ditado - "Recebes o equivalente ao que pagas." - aqui isso não se aplicou mesmo nada, os preços da Nova Bikes são muito melhores do que em qualquer lugar e a simpatia, disponibilidade e facilidade no atendimento foi do melhor e quando precisar de alguma coisa para as bicicletas, prefiro fazer 300kms e ir a um sítio que tenho confiança. Fui buscar a bicicleta no sábado e ontem finalmente o tempo deu-me uma folgazinha e consegui ir experimentar o bicicleta, às 22h e depois de um rodízio no chinês, que parecia que pedalava mais no meu estômago do que eu pedalava na bicicleta, mas gostei imenso da relação com a minha nova burra.

segunda-feira, novembro 02, 2015

Real Bodies - Cordoaria Nacional

Há uns anos atrás tinha visto a exposição Real Bodies, ou parte desta exposição visto que está em constante mudança. Devo dizer que na altura que vi não tinha a mesma noção que tenho hoje em dia, e não consegui aproveitar do mesmo modo que consegui desfrutar desta vez. Acrescentando a isto fui na companhia de 2 fisioterapeutas e 1 enfermeira, logo todo um Mundo de conhecimento se abriu diante mim.

A entrada foi um bocadinho demorada, à volta de 45 minutos para comprar os bilhetes, mas já vi imagens de filas muito superiores, por isso acho que não me posso queixar. Antes de entrar achei o preço um bocadinho exagerado, depois de ter visto a exposição acho que valeu cada cêntimo que paguei. Acho que para as crianças é um bocadinho pesado, apesar da maior parte das crianças que lá vi estavam super curiosas ou super aborrecidas porque os pais estavam a demorar demais e elas não estavam a achar piada nenhuma.


Gostei especialmente da parte dos embriões/fetos, onde se pode ver toda a evolução ao longo do processo de gestação, e da parte do sistema circulatório, simplesmente impressionante, conseguir ver a quantidade de veias e artérias ao longo de todo o corpo e pensar que o sangue pode demorar apenas 20 segundos a percorrer o corpo, é realmente magnífico o nosso corpo. 

Segundo o site a visita demorará algo a rondar 1h30m, eu posso dizer que demorei quase 3h e a última sala que é a mais conhecida, a dos corpos dos atletas, já foi vista assim um bocado a despachar. Não sei até quando esta exposição estará aberta, segundo o site oficial consegue-se adquirir bilhetes até o dia 31 de Dezembro, mas na ticketline só é possível adquirir até dia 8 de Novembro, o que sei é que aconselho toda a gente a ir ver.