segunda-feira, dezembro 07, 2015

Mini férias na Madeira

Já queria conhecer a ilha da Madeira há alguns anos, ainda não tinha surgido a oportunidade, até que finalmente neste final de Novembro consegui convencer alguns amigos a me seguirem e a irmos todos conhecer a ilha. Antes de irmos fizemos um pequeno estudo dos sítios onde iríamos, falei com alguns amigos meus com raízes madeirenses sobre que sítios deveria visitar, e apesar dos escassos 4 dias que estive na Madeira deu para visitar bastantes sítios.

Ao contrário de quando fui a S. Miguel nos Açores (não me peçam para fazer comparações, toda a gente pede, é como comparar caramelo e mel, ambos são deliciosos e nenhum deles é melhor que o outro) cujo objectivo principal foi fazer mergulho, desta vez o objectivo foi conhecer a ilha através de caminhadas. Não tínhamos decidido quais as caminhadas que iríamos fazer, apenas alguns sítios que queríamos conhecer e tentar conciliar isso com os locais das caminhadas e o cansaço das pessoas menos preparadas.

Chegámos à Madeira por volta das 9h, como ainda era bastante cedo decidimos logo visitar a parte mais oriental da ilha, mais perto do aeroporto. Fomos até ao Caniçal onde tomámos o pequeno almoço, bem, uma sandes de polvo não é bem um pequeno almoço mas estava divinal. Seguimos até ao fim da estrada, até à Ponta de S. Lourenço quando sem querer encontrámos o trilho PR8. Já que ali estávamos toca aproveitar a percorrer o trilho, ainda de sapatos e roupa da viagem, nada confortável para caminhadas. Uma coisa que tenho de referir, e que foi transversal a todos os trilhos, é a sua excelente sinalização e estado de conservação, os trilhos são mesmo uma das jóias da Madeira que são bem preservados e divulgados para fins turísticos, aliás muita gente se via ao longo dos trilhos e poucos eram os portugueses.


Uma paisagem lindíssima, água a cercar uma pequena língua de terra pela qual nós caminhávamos em direcção à ponta mais oriental da ilha. Acho que o trilho apesar de classificado como médio devia de ser difícil, não era assim tão longo, 8kms, mas num constante sobe e desce e algumas vezes com inclinações nada simpáticas e o tipo de terreno nem sempre era muito fácil.

Depois de fazermos o trilho seguimos em direcção a Santana para vermos as típicas casas em paralelepípedo triangular, com telhados de palha, diga-se de passagem que é mesmo a única coisa de interesse em Santana. Antes disso ainda parámos para o almoço, nesta paragem gastronómica comi as duas coisas que tinha como objectivo provar na Madeira, lapas e espetada em pau de louro. Se as lapas valeram a pena a espetada não estava nada de especial, mas o objectivo estava cumprido.

Próxima paragem era S. Vicente para irmos às grutas. Nesta viagem percebi porque a ilha era toda furada por túneis, nesta zona não há túneis e que tortura de viagem foram estas dezenas de quilómetros, curva, contra curva, sobe, desce, estradas com buracos. Ainda parei no Farol de S. Jorge para descansar um bocado e apesar do resto do grupo não ter gostado muito da paragem eu gostei, achei piada conhecer o farol e puder ir até ao topo e perceber que a lâmpada era uma coisa pequena e que a iluminação era feita grandemente à custa de vidros e espelhos. Chegámos a S. Vicente às 18h, quando chegámos às grutas foi-nos informado que a última visita tinha começado às 17h, ficámos um bocado chateados, tínhamos feito uma viagem chata e tínhamos um prospecto que dizia que a última visita começava às 19h, não conseguimos ver as grutas e como ficavam um bocado fora de mão já não lá voltámos para fazermos a visita.

No dia seguinte lá fomos nós monte acima, no Fiat Panda, que na maior parte do tempo tinha de subir em primeira, até ao PR6, a Levada das 25 Fontes. Esta foi a caminhada que menos gostei, mas adorei na mesma, belíssima, super verdejante, deslumbrante. Primeiro foi a passagem por um pequeno túnel de cerca de 300 metros, totalmente escuro, onde se destacava o barulho da água a passar pela levada (e os gritos de uma das raparigas do meu grupo). O trilho era bastante plano e simples, sem nenhuma dificuldade, e ao fim de menos de 5 quilómetros chegámos à cascata que é o ex-líbris desta caminhada. Não podia deixar de ir dentro da água daquela pequena lagoa, acho que nunca entrei em água tão gélida, apesar de só ter entrado até ter água pelas cochas as cãibras rapidamente se apoderaram das solas dos meus pés e desisti de estar dentro de água, mas fui lá dentro, não tive foi a coragem de mergulhar como um dos meus amigos.


À saída da cascata vimos uns caminhantes locais a alimentarem tentilhões, nunca tinha visto tentilhões a deixarem-se alimentar como se fossem pombos. Ao falar com um senhor ele disse-me que se no retorno passássemos pela casa do Rabaçal que os tentilhões naquela zona era mais atrevidos e que às vezes vinham comer mesmo à mão. Para mim era algo totalmente estranho, para mim os tentilhões são dos pássaros mais ariscos e desconfiados que conheço. Então no regresso lá passámos pela casa do Rabaçal, e não é que consegui que o raio dos tentilhões viessem pousar na minha mão e comer uma coisa tão básica como pão.

Acabada a caminhada, não estávamos muito longe do miradouro do cabo Girão, então essa foi a nossa próxima paragem. Infelizmente o tempo estava um bocado fechado e não conseguimos ver o pôr do sol, mas o miradouro não deixa de ser fabuloso, aquele chão em vidro precipitado naquele cume a quase 600 metros de altura, impressionante.


No terceiro dia terceira caminhada, esta era a caminhada que mais queria fazer e não me desiludi, foi a que gostei mais, o PR1.2, a caminhada até ao topo do Pico Ruivo que é o ponto mais alto da Madeira. A subida foi sempre feita sobre um intenso nevoeiro e frio, quase sem visibilidade não conseguimos aproveitar o muito que aquele local tinha para oferecer. Quase a chegar ao topo aí sim, começou-se a ver uma imensidão de locais, uma paisagem de cortar a respiração, simplesmente magnífico. O nevoeiro continuou a não ajudar muito, mas conseguimos nos breves momentos apreciar a magnitude daquele local.


De seguida fomos até ao Curral das Freiras para lanchar. Na descida até ao Curral das Freiras a luz da reserva acendeu, bem quando lá chegasse abaixo teria de pôr gasolina, pensei eu. Ao chegar ao Curral das Freiras apercebemos-nos que não existe bomba de gasolina, só do outro lado do monte. Não podíamos fazer nada naquele momento então fomos primeiro lanchar. Aqui tenho de referir que comi o melhor bolo do caco da Madeira, muito bem servido e muito saboroso. Barriga cheia, vamos lá até à bomba da gasolina. Aquela subida parecia não acabar até ao topo do monte fui a rezar para que a gasolina não acabasse. Passado o topo relaxei, agora era sempre a descer até à bomba da gasolina.


O último dia foi o dia do típico turista. Depois do checkout do hotel fomos experimentar a descida nos cestos de vimes ou toboggans. Devo dizer que não fiquei nada impressionado, a descida até é feita devagar o que não dá grande estimulo. Bem, foram para aí 5 minutos a descer 2kms para depois demorar 30 minutos a pé a subir a colina. De seguida fomos ao jardim botânico, é giro mas esperava melhor também. Tudo o que é turístico na Madeira paga-se e os preços não são simpáticos, por isso ainda ficou por ver por exemplo o jardim tropical. Como já faltava pouco tempo para entregar o carro fomos até à baixa, junto à marina para uma última paragem na esplanada. Apanhar o avião e chegar a Lisboa quase às 23h. Adorei a Madeira, ainda ficou muita coisa por ver e provavelmente mais tarde ou mais cedo lá voltarei.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Gamma Ray - Paradise Garage

Há coisas que são como o vinho do Porto, e os Gamma Ray são um desses casos, parece que ficam melhor conforme a idade passa por eles. Estão em tour a festejar os 25 anos, e ontem deram um concerto cheio de energia e de boa música no Paradise Garage. Num público mais envelhecido do que habitual, até me sentia dos mais novos, viam-se muitos carecas e alguns cabelos compridos mas com aquela careca à monge na parte detrás da cabeça, era dia de old school.

Mas vou começar pelo início, pelas bandas suporte, devo confessar que não conhecia nenhuma delas até ao dia anterior ao concerto, e depois de ouvir meia dúzia de música de cada uma delas fiquei logo com a ideia que eram uma excelente escolha, o que se veio a confirmar. Quanto a mim foram uma excelente escolha porque eram homogéneas com os Gamma Ray, com um género e sonoridade muito próximos por isso quem iria ver Gamma Ray também não desgostaria das outras bandas. Lembro-me agora de repente, no mesmo Paradise Garage, quando fui ver Epica que detestei a primeira banda que tocou, lá está, não tinha nada a ver com Epica nem com o meu gosto musical.

A primeira banda foram os britânicos Neonfly, apesar de já existirem desde 2008 pareceram-me ainda uma banda pouco madura, gostei bastante da musicalidade, mas não têm nada de novo, existem bandas com som idêntico mas melhor. Depois o vocalista tem uma voz pequena e o volume do micro estava claramente baixo, o instrumental abafava quase por completo a voz. Fazendo uma análise da actuação, e apesar destes pontos, claramente foi positiva, gostei, e vou seguir com mais atenção os Neonfly daqui para a frente.


De seguida vieram os Serious Black e que grande actuação fizeram. Conseguiram ter uma presença em palco que os Neonfly nunca conseguiram ter, souberam impor o ritmo certo ao concerto, com uma mescla de músicas mais fortes e baladas mais melodiosas, puxando pelo público quando este estava pronto a responder aos reptos. Curiosamente, o primeiro momento que os Serious Black se destacaram foi num pequeno cover, meia dúzia de acordes ao Rock You Like a Hurricane dos míticos Scorpions. Mas para mim o momento mágico do concerto deles foi na música que já esperava antes do concerto, o High and Low, que início de música e que refrão, cheio de energia, cheio de força, e só não foi o momento da noite porque os Gamma Ray tiveram pelo menos 2 momentos de inspiração em que o público respondeu de forma efusiva.


Bem, vamos lá ao prato principal, os Gamma Ray entraram logo para partir a loiça, uma interpretação magnífica do Heaven Can Wait, ganharam logo o público para o resto do concerto, dificilmente podiam começar melhor. Mas o momento da noite foi tirado do fundo do baú com o hino escrito por Kai HansenI Want Out, entrega total da banda e do público numa comunhão quase perfeita e raramente vista. Depois disto foi seguir em velocidade de cruzeiro, logo de seguinda Valley of the Kings, talvez a música que mais goste de Gamma Ray. E energia não faltava, já quase no fim do concerto um medley de cerca de 15 minutos - "Onde estes velhotes vão buscar tanta energia!?" - pensava eu. Para terminar em grande o Send Me a Sign, belo concerto, praticamente 2 horas de Gamma Ray, definitivamente estes "velhos" têm muita energia.


domingo, novembro 15, 2015

Orcy - Motocross

Já foi a semana passada que fui experimentar pela primeira vez motas todo o terreno, mas tenho andado um bocado desleixado e ainda não me tinha apetecido perder 10 minutos a escrever um pouco sobre o assunto. Em primeiro lugar para quem gosta de motas é uma experiência mega, além de irmos andar de motas todo o terreno também recebemos uma pequena formação com alguns conceitos básicos, o que para mim foi fixe porque ter instinto para a coisa é bom mas todos os detalhes ajudam. Mota de todo o terreno parece-me que tem uma condução/dinâmica muito mais parecida com a bicicleta de BTT do que com mota de estrada, pelo menos foi o senti depois de experimentar.

Depois de algumas explicações lá começámos às voltas no circuito oval, primeiras voltas mais devagar mas rapidamente ganho confiança e a mota começa a deslizar a cada curva, a velocidade certamente não era muita mas já dava para sentir aquela sensação de adrenalina quando a curva é toda feita a derrapar com a roda de trás.

O pessoal do centro Orcy também foram impecáveis, viram que alguns de nós já estávamos a apanhar o jeito e foram sempre dando pequenas indicações de forma a conseguirmos melhorar, andando mais depressa e ao mesmo tempo mais seguros. Ainda deixei a mota cair duas vezes, a primeira abusei a derrapar e virei a mota no sentido contrário, a segunda mudei de mota e por acaso a segunda agarrava mais ao travar, logo à entrada da primeira curva foge-me a frente e eu saio disparado a correr, vá lá consegui evitar ir ao chão. E na última manga já não era só eu, mas já meia dúzia de nós começámos a ficar mais agressivos, com mais ultrapassagens, mais toques, mais pressão sobre quem estava a frente. Foram 4 horas muito bem passadas e uma óptima experiência.

quinta-feira, novembro 05, 2015

A minha nova burra

Foi há pouco mais de 2 anos quando comecei a fazer triatlo que comprei a minha bicicleta de estrada, na altura não queria gastar muito dinheiro, nem sabia se era uma coisa que iria gostar, por isso comprei uma bicicleta baratinha já usada, que era de um amigo meu. A bicicleta sempre se mostrou fiável, muitos quilómetros fez sem grandes problemas, mas aquilo parece uma uma bigorna, super pesada comparada com outras bicicletas de estrada e pouco eficiente no aproveitar da energia despendida.


Como estava decidido que para o ano queria fazer o Ironman, a prova já é dura só por si, não preciso da complicar ainda mais com uma bicicleta que não optimiza a energia produzida pela pedalada. Falei com o Nuno Santos, uma das pessoas que conheço que mais percebe de bicicletas, e perguntei-lhe segundo os parâmetros que eu pretendia que bicicleta ele me aconselhava. A sugestão dele foi a Merida Reacto 5000, uma bicicleta que tem uma boa relação qualidade preço e que é bastante apropriada para o triatlo.


Comecei a investigar preços, já tinha o mais complicado que era a decisão da marca/modelo a comprar, agora era descobrir o sítio onde o preço fosse mais barato. Acabei por falar no assunto com o André Antunes que me recomendou a Nova Bikes em Torres Novas. Após falar telefonicamente com o Ricardo, que é o simpático dono da Nova Bikes, ficou logo combinado o tamanho do quadro e foi só esperar que a Merida lhe enviasse a bicicleta. Normalmente há o ditado - "Recebes o equivalente ao que pagas." - aqui isso não se aplicou mesmo nada, os preços da Nova Bikes são muito melhores do que em qualquer lugar e a simpatia, disponibilidade e facilidade no atendimento foi do melhor e quando precisar de alguma coisa para as bicicletas, prefiro fazer 300kms e ir a um sítio que tenho confiança. Fui buscar a bicicleta no sábado e ontem finalmente o tempo deu-me uma folgazinha e consegui ir experimentar o bicicleta, às 22h e depois de um rodízio no chinês, que parecia que pedalava mais no meu estômago do que eu pedalava na bicicleta, mas gostei imenso da relação com a minha nova burra.

segunda-feira, novembro 02, 2015

Real Bodies - Cordoaria Nacional

Há uns anos atrás tinha visto a exposição Real Bodies, ou parte desta exposição visto que está em constante mudança. Devo dizer que na altura que vi não tinha a mesma noção que tenho hoje em dia, e não consegui aproveitar do mesmo modo que consegui desfrutar desta vez. Acrescentando a isto fui na companhia de 2 fisioterapeutas e 1 enfermeira, logo todo um Mundo de conhecimento se abriu diante mim.

A entrada foi um bocadinho demorada, à volta de 45 minutos para comprar os bilhetes, mas já vi imagens de filas muito superiores, por isso acho que não me posso queixar. Antes de entrar achei o preço um bocadinho exagerado, depois de ter visto a exposição acho que valeu cada cêntimo que paguei. Acho que para as crianças é um bocadinho pesado, apesar da maior parte das crianças que lá vi estavam super curiosas ou super aborrecidas porque os pais estavam a demorar demais e elas não estavam a achar piada nenhuma.


Gostei especialmente da parte dos embriões/fetos, onde se pode ver toda a evolução ao longo do processo de gestação, e da parte do sistema circulatório, simplesmente impressionante, conseguir ver a quantidade de veias e artérias ao longo de todo o corpo e pensar que o sangue pode demorar apenas 20 segundos a percorrer o corpo, é realmente magnífico o nosso corpo. 

Segundo o site a visita demorará algo a rondar 1h30m, eu posso dizer que demorei quase 3h e a última sala que é a mais conhecida, a dos corpos dos atletas, já foi vista assim um bocado a despachar. Não sei até quando esta exposição estará aberta, segundo o site oficial consegue-se adquirir bilhetes até o dia 31 de Dezembro, mas na ticketline só é possível adquirir até dia 8 de Novembro, o que sei é que aconselho toda a gente a ir ver.

segunda-feira, outubro 19, 2015

Maratona de Lisboa 2015

Não estava nada confiante para esta prova, na 2ª feira anterior tinha ido treinar e passados 5kms já os joelhos me estavam a matar, ainda mazelas do triatlo longo de Cascais, fiz 15kms com muito sacrifício e com péssimas sensações. Durante o resto da semana foi descansar e esperar que as dores nos joelhos passassem. Uns dias antes da maratona lembrei-me de usar fitas de kinésio, nunca tinha usado anteriormente e devo dizer que até era algo séptico quando aos seus benefícios. O meu problema nos joelhos tem a ver com a minha passada, que provoca que a rótula mova-se para a parte interior comprimindo um tendão. Logo que coloquei as fitas de kinésio notei que tinha o movimento algo limitado e que a rótula parecia menos móvel, quem sabe não poderia dar resultado.

Depois disto tudo o meu objectivo não podia ser muito mais que tentar acabar. Comecei a corrida calmamente, tentando acima de tudo desfrutar do percurso. A nível de passada a estratégia era fazer passadas curtas e com uma cadência mais elevada de modo a sacrificar o mínimo os joelhos. Logo no primeiro quilómetro encostei no Rui Rodrigues, não o tinha visto na partida mas antes da corrida tínhamos combinado que ele ia fazer só meia maratona e que ia fazer de lebre para mim. Aos 10kms íamos  com 50m27s, estava mais lento 2 minutos que há 2 anos atrás quando fiz a maratona pela primeira vez, mas uma coisa que aprendi é que a maratona se decide nos últimos 10kms e não nos primeiros 10kms.

Por volta dos 15kms o joelho esquerdo parecia querer começar a chatear, desacelerei um pouco durante um bocado e a coisa acabou por não piorar, e com as dores que já tinha nos pés era fácil abstrair-me daquela moinha no joelho. Aos 21.1km passei com 1h47m36s, estava a perder mais de 4 minutos para o tempo de há 2 anos atrás, mas sentia-me muito bem, estava a desfrutar da corrida, da conversa com o Rui, realmente não estava em esforço ou sofrimento. Chegados aos 23kms, ao pé da estação de Algés, o Rui parou o treino dele e lá segui eu sozinho tentando manter o ritmo, era uma altura complicada porque perdi a minha referência.

Quando cheguei ao Cais do Sodré, onde há 2 anos bati na parede, continuava com muito boas sensações, tinha quebrado ligeiramente mas nada de relevante. Aos 32kms já estava quase com o mesmo tempo que em 2013, já só estava 1 minuto atrás, mas as sensações eram totalmente diferentes, no meu pensamento só ia algo como - "Só falta uma banar corrida de 10kms para chegar ao fim.". Passo aos 33kms com 2h53m07, já 6 minutos melhores que há 2 anos, tinha sido nesta altura que eu tinha quebrado de vez, e agora estava a conseguir manter o ritmo.

Quando eu pensava que já não ia bater contra a parede, aí que ela apareceu aos 34kms. Acho que foi um misto de cansaço físico e de desgaste psicológico, digo isto porque para mim um dos erros da organização foi juntar a maratona com a meia maratona a partir de Santa Apolónia, o pessoal da meia maratona parecia que ia a sprintar ao meu lado e que eu ia a andar, psicologicamente fui um bocado abaixo. Já que estou a falar de erros da organização, o primeiro abastecimento sólido foi só aos 23kms, onde estavam com a cabeça? Ainda bem que levei eu barras minhas, numa prova tão longa no mínimo devemos comer a cada 45 minutos.

Estes últimos quilómetros custaram-me mais que toda a restante corrida, o meu objectivo a partir daqui era não começar a andar e conseguir concluir pela primeira vez a maratona sempre a correr. Mesmo assim aos 40kms cheguei com 3h36m14s, cerca de 15 minutos melhor, ia melhorar imenso o meu tempo final da maratona. Conclui a maratona com 3h50m29s, cheguei bem dos joelhos e restantes articulações, sentia-me fraco e com os músculos a vacilar desta vez não consegui melhor por manifesta incapacidade física, tudo o que normalmente me limita por outro tipo de dores mais lesivas não aconteceram, por isso não poderia pedir melhores condições para fazer um bom resultado. Claro que no final estava contente com o resultado, mas não posso negar que estava algo frustrado por ter quebrado já tão perto do fim e ter perdido 5-10min em apenas 8kms. Agora é descansar, objectivos cumpridos para este ano, e desfrutar agora um pouco das últimas provas do ano que vou ter só em Dezembro sem grandes preocupações com resultados.


Dados da minha prova:
  • Passagem aos 10km ; tempo = 50m27s ; pace = 5:02/km ; velocidade = 11.89km/h
  • Passagem aos 21.1km ; tempo = 1h47m36s ; pace = 5:08/km ; velocidade = 11.65km/h
  • Passagem aos 30km ; tempo = 2h36m06s ; pace = 5:27/km ; velocidade = 11.01km/h
  • Passagem aos 32km ; tempo = 2h47m27s ; pace = 5:40/km ; velocidade = 10,57km/h
  • Passagem aos 33km ; tempo = 2h53m07s ; pace = 5:40/km ; velocidade = 10.57km/h
  • Passagem aos 36km ; tempo = 3h10m57s ; pace = 5:56/km ; velocidade = 10.09km/h
  • Passagem aos 40km ; tempo = 3h36m14s ; pace = 6:19/km ; velocidade = 9.49km/h
  • Final 42,195km ; tempo final = 3h50m29s ; pace = 6:28/km ; velocidade = 9.26km/h
  • Pace total = 5:26/km
  • Velocidade média total = 10,99km/h

sábado, outubro 10, 2015

Ironman Barcelona 2016

Pronto já está, acabei de me inscrever, o mesmo é dizer que assinei a minha sentença. Não há volta a dar, não há caminho de volta, falta 1 ano para o Ironman de Bacelona, dia 2 de Outubro de 2016 vai ser o grande dia. 

segunda-feira, setembro 28, 2015

Triatlo Longo de Cascais

Finalmente foi possível realizar um triatlo longo em Cascais, acho que é óptimo para o concelho que mais uma vez promoveu o desporto e um modo saudável de vida, como também para enumeros triatletas que vivem na zona de Lisboa e normalmente têm de fazer centenas de quilómetros para participar em triatlos longos. Desde já parabéns há organização por ter conseguido montar um evento desta dimensão e logo no 1º ano com a qualidade que teve, sim há espaço a melhorar, mas foi muito bom (espero que o desafio para a organização seja brevemente realizar um Ironman, fica aqui o meu repto).

Indo para a prova, o segmento de natação foi até bastante pacífico, estava à espera de uma grande confusão por serem muitos atletas mas não, claro que houve uns toques mas nada demais, como a primeira bóia estava algo longe deu para nos espalharmos e diminuir a confusão. Mesmo assim ainda me tocaram no relógio o que fez com que o cronómetro pausasse por isso não registei o segmento todo, mas pelo tempo da organização fiz 34m40s. Uma coisa que não gostei foi da quantidade absurda de barcos no meio do percurso, especialmente na zona em que inicializávamos a 2ª volta porque o espaço entre a bóia e um barco estreitava  muito o sítio por onde podíamos passar.


Quando estava a tirar o fato tive a primeira sensação menos boa, uma cãibra no gémeo direito, lá me sentei e acabei de tirar o fato sentado e logo que peguei na bicicleta tentei alongar, e parece que resultou porque não voltei a sentir cãibras. Uma das poucas coisas positivas deste triatlo foram as transições, melhorei imenso neste aspecto, estou mais rápido, mais tranquilo e tudo parece que é muito mais natural.

As 2 primeiras voltas do ciclismo não tiveram grande história, ainda bem que assim foi, andei numa média superior a 30km/h e tudo corrida bem, sentia-me bem e achei que o tempo final até poderia ser bom. Na rotunda à entrada da 3ª volta tive de entrar numa trajectória interior e com alguma velocidade porque ia a ultrapassar uma ciclista. Quando estou a meio da rotunda apercebo-me que ou me deitava mais ou ia contra as pessoas que estavam a ver do lado de fora da rotunda. Ao deitar-me a bicicleta foge-me debaixo do corpo e vou ao alcatrão, resultado, um cotovelo queimado pelo alcatrão, o guiador torto mas ainda bem que as mudanças não ficaram afectadas e o orgulho ferido. Foi a minha primeira queda na bicicleta de estrada, e foi a primeira vez que os meus país foram ver uma prova, e estatelei-me mesmo à frente deles...acho que não os vou convidar mais para irem ver  as minhas provas.

Como senão bastasse a queda, levantou-se o vento habitual da estrada do Guincho, ainda faltavam 2 voltas e o vento que soprava na direcção Serra-Cascais estava a deixar-me esgotado. Ao mesmo tempo começa a doer-me o joelho direito e ainda me faltava metade da prova, só me apetecia largar a bicicleta. Antes do final da terceira volta ainda tive de parar para fazer a necessidade número 1 senão teria de parar mais tarde porque ainda faltava muito para terminar a prova. Esta foi mesmo a volta do ciclismo que mais me custou e mais acidentada foi.

No início da 4ª volta ainda se soltou a minha bolsa de ferramentas e começou a roçar na roda de trás, mais uma vez tive de parar para colocá-la devidamente. Nesta 4ª volta o vento continuou forte, mas não me senti tão mal e fui gerindo o ritmo até ao final do ciclismo. Acabei com o tempo de 3h10m, nada brilhante mas consegui chegar.


Conforme começo a correr o joelho direito não me deixava em paz, apeteceu-me andar, apeteceu-me parar apeteceu-me desistir, só pensava que daqui a 3 semanas tenho a maratona de Lisboa e podia estar a por em risco a participação. Ao chegar ao cimo do forte ponho mal o pé no chão, metade em cima de um degrau e metade fora e torci o tornozelo...que mais me podia acontecer, não estava mesmo num bom dia. Estava a correr devagar e não estava a conseguir fazer o que normalmente faço, que são muitas ultrapassagens no segmento da corrida, estava a arrastar-me até ao final. 


No início da 2ª volta chega o João Santos ao pé de mim, ainda estive com ele durante 300-400 metros mas aquele não era o meu ritmo e decidi não ir ao choque e continuar ao meu ritmo e fazer o melhor que conseguisse. Esta volta foi difícil para mim, o calor, o cansaço, o joelho nada me estava a ajudar, só os gritos de incentivo que vinham de fora é que ajudavam a suportar o sofrimento. Até faltar 1 volta e meia para o fim fui sempre a perder tempo, nessa altura estava já a mais de 2 minutos do João Santos e não o pensei mais apanhar, mas tinha outro João Santos, o da minha equipa, à minha frente e a perder tempo para mim.

Nessa altura faltavam 7 quilómetros para o final e achei que ainda era possível ir apanhá-lo, decidi aumentar um pouco o ritmo, as pulsações subiram e fui controlando o meus esforço tentando estar o mais próximo possível do limite e esperar que fisicamente o joelho e os músculos não cedessem. Quando fiz o último retorno, a faltar cerca de 2 quilómetros para o fim estava praticamente encostado ao meu colega João Santos, estiquei e fechei o espaço de 5-10 metros entre nós os 2 e segui com ele. Quando estava a chegar ao final do paredão vi o outro João Santos a arrastar-se na rampa de saída do paredão, decidi dar mais um esticãozinho e encostar nele. Como já faltava menos de 1 quilómetro para o final decidi terminar com ele, tentei puxar por ele para não se ir abaixo e ainda ultrapassámos 2 atletas. Fiquei feliz por terminarmos juntos, para quem sofre durante tanto tempo é bom partilhar aquele sentimento de dever cumprido ao lado de um amigo. O resultado não foi bom, mas daqui a 3 semanas tenho já outra batalha, a maratona de Lisboa, espero conseguir melhorar até lá, esta foi a pior meia maratona que fiz, nunca tinha demorado tanto tempo, mas cada prova é uma prova diferente.



domingo, setembro 13, 2015

Arrábida de dia é para meninos

Já foi há uma semana atrás que fiz mais uma vez a caminhada pela serra da Arrábida, com o objectivo de ir ver o pôr do sol ao marco geodésico, e depois fazer a descida já durante a noite. Como tive uma semana muito agitada no trabalho (se calhar foi alguma vingança pela caminhada), não tive cabeça durante a semana para escrever sobre a caminhada, mas mais vale tarde do que nunca.

Desta vez o desafio foi feito aos meus colegas da Sky, por isso digo que a minha semana complicada foi vingança pela dureza da subida que tivemos de fazer. Chegámos a horas ao campismo dos Picheleiros onde começou a nossa caminhada, tudo bem disposto, tudo super motivado e sorridente. E assim foi até chegarmos à parte da subida da cascalheira. Nessa altura a parte inicial da subida era super íngreme, quase escalada, com cascalho  a rolar encosta a baixo, ou seja, quem ia atrás ia a apanhar com as pedras que os primeiros soltavam. Passado 100 metros de subida olho para o GPS e estávamos fora de trilho, praí 20 metros ao lado. O problema é que estávamos em cima de uma laje e já não era possível voltar ao trilho original. Bem, tinha voltado a enganar-me na subida como já tinha feito uma vez, pensei que algumas das pessoas iam desistir mas lá chegámos os 9 ao topo.


Apesar de alguns olhares que me queriam fulminar por ter dito que a subida não era tão dura como tinha realmente sido, a visão esplendorosa daquele pôr do sol pôs um sorriso na cara de toda a gente. Altura para fazer um chouriço assado a ver se alegrava toda a gente, foi uma boa maneira de os subornar, devo dizer que resultou muito bem. Pôr do sol visto, começar a descida e agora ir com mais atenção para não me voltar a enganar-me no caminho.


A descida correu bastante bem, tudo divertido e com a excitação de fazer aqueles trilhos fantásticos na penumbra da noite com as poucas luzes das lanternas. Chegados à junção que ou nos levaria até ao Portinho da Arrábida ou de volta ao Campismo dos Picheleiros perguntei o que queriam fazer. Democraticamente decidimos ir até ao Portinho e fazer a caminhada total. Eu gostei da decisão mas tive novamente receio que o orgulho de alguns os tivesse feito tomar aquela decisão, mas que já estivessem fisicamente cansados.

Chegados ao Portinho, uma horinha a descansar no café, tostas e umas bebidas para revitalizar corpo e alma e prontos a voltar. Desta vez decidiu-se voltar pelo alcatrão e não pelos trilhos para simplificar a tarefa. Pareceu-me bem para não levar mais na cabeça que a caminhada estava a ser muito cansativa. Até ao final foi tudo bastante calmo, conversa descontraída, com o sentimento de missão cumprida. Acho que tirando aquela subida o resto correu bastante bem e alguns até estavam com ideia de voltar a repetir, por isso não deve ter sido assim tão mau.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Within Temptation - Vagos

Já tinha sido há quase 4 anos que os Within Temptation tinham vindo a Portugal, da última vez tinha sido no Coliseu e foi um grande concerto. Desta vez, e para minha agradável surpresa, o concerto seria no Vagos Open Air, que para quem conhece é o festival de Metal de Portugal. Já há 2 anos que andava para ir a este festival, mas sou um metaleiro algo contido, e apesar de gostar de algumas bandas que passaram por lá, a maioria nem me agradava, demasiados guturais, demasiado death metal para o meu gosto.

Este ano, com Within Temptation que é das bandas que mais gosto não poderia faltar ao festival, não vou falar das bandas que tocaram naquele dia porque mal as conhecia, apenas digo que houve umas que gostei mais que outras e que acima de tudo, gostei de ver o ambiente que envolvia todos os concertos, a educação, a irmandade de metaleiro que muita gente duvida e que já falei aqui algumas vezes, belíssimo ambiente de convívio.


No final de todos os outros concertos, aí vinham os cabeças de cartaz, os Within Temptation, não sendo uma banda unânime entre o público, que na maioria preferiam sons mais pesados e se interrogavam como podiam os Within Temptation ser cabeças de cartaz. Contudo haviam muitas pessoas como eu que foram ao festival por causa desta banda, e mesmo os que não foram não podem ter saído descontentes com o concerto. Este concerto era a apresentação do novo álbum Hydra, e começou com a música principal "Paradise" que é uma música cantada em parceria com a Tarja Turunen, que foi a melhor voz feminina que já ouvi ao vivo. Infelizmente não se pode ter tudo e as partes da Tarja eram cantadas por ela mas não ao vivo, também não poderia esperar outra coisa.


O concerto continuou a bom ritmo, algumas músicas antigas que até já as tinha ouvido ao vivo, com músicas do Hydra, sendo que algumas delas são parecerias com outros cantores, e nesses casos aí estavam os ecrans com esses cantores, tal e qual como tinha acontecido com a música inicial cantada pela Tarja. Lá mais para o fim do concerto aguardava-me uma das músicas antigas, a música que mais gosto de Within Temptation o "What Have You Done", a segunda vez que a oiço ao vivo e poderiam ser muitas mais.

Houve coisas que gostei mais no concerto do Coliseu, especialmente o som, num ambiente fechado é sempre melhor e a própria banda é mais intimista, mas no que toca a ambiente um festival tem uma moldura de pessoas muito mais poderosa, e sendo um festival só de metal ainda mais isto acontece, nem imagino como será no Wacken, talvez um dia destes dê lá um saltinho para ver como é.

Within Temptation Setlist Vagos Open Air 2015 2015, Hydra World Tour