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terça-feira, junho 14, 2016

Triatlo Peniche 2016

Este ano infelizmente não tenho conseguido participar em muitas provas, o triatlo de Peniche foi o meu primeiro triatlo da época. O objectivo para esta época é só o Iron Man de Barcelona, tenho andado a treinar bem, não muito tempo, mas bem. Por isso todas as outras provas em que estou a participar têm como único propósito verificar em que forma me encontro, ver se estou com boas sensações.


O segmento de natação foi o que me correu pior, muito quezilento, nunca me consegui afastar muito das confusões e foi uma luta constante para o posicionamento, fartei-me de beber água, e senti que andava a fazer uma natação aos esticões sem nunca conseguir manter um ritmo certo. Inclusivamente fui agarrado num pé na viragem das bóias, ao qual respondi com um pontapé para que me largassem, o pessoal do triatlo é tão mais violento que o pessoal das águas abertas. Enquanto não percebermos todos que quanto mais cacetada, puxões e agarrões dermos uns nos outros, pior será para todos nós, porque estaremos todos a perder tempo e a desgastarmos-nos mais. Acabei por fazer 14m17s, não desilude, mas não foi brilhante, devia ter conseguido fazer muito melhor.

A primeira transição também não foi propriamente rápida, perdi alguns segundos a tirar a parte final do fato, contudo saí num bom  grupo que isso é que é mais importante. Na subida inicial começou-se logo a formar um grupo de 5-6 elementos e durante a primeira volta trabalhámos muito bem e senti-me sempre bastante confortável dentro do grupo apesar do bom ritmo. Na pequena descida que temos no início de cada volta fui para a frente do grupo e dei um esticão para apanharmos um grupo que ia um pouco mais à frente, não consegui que ninguém viesse comigo mas como me sentia confortável consegui chegar sozinho ao grupo da frente. Nessa altura, quando o terreno inclina ligeiramente pus-me em pé e comecei a ter câimbras no gémeo da perna direita, tentei alongar, mas o ritmo ia demasiado elevado e não estava a conseguir seguir e parar aquela dor incomoda. Comecei a perder contacto com o grupo e aquela volta foi estranha, fiquei entre grupos e mesmo que me esforçasse já não voltava ao grupo da frente. No final da 2ª volta voltei a ser apanhado pelo grupo inicial e ali fiquei até ao final do ciclismo, tentando não abusar de modo a não voltar a ter câimbras na última volta. Acabei o ciclismo com 39m34s, ainda não deu para acabar na primeira metade da tabela no segmento de ciclismo, mas para quem acabava o ciclismo nos últimos 20%, tem sido uma evolução que me deixa bastante contente, além disso foi a primeira vez que senti que ultrapassei mais gente do que fui ultrapassado, por isso a sensação é muito boa, e a média de mais de 33km/h diz que foi um bom segmento.

Esta transição sim já foi feita a minha maneira, sempre a andar, colocar a bicicleta rápido, tirar o capacete rápido e deslizar os pés para dentro dos ténis que tinham os atacadores elásticos. Só não foi feita mais rápido porque costumo aproveitar a transição para correr um pouco mais moderadamente, para assim conseguir respirar e acostumar o corpo que o ciclismo acabou e agora é a corrida.


Saí do parque de transições e comecei logo a correr a fundo, a ultrapassar imensos atletas que até iam a bom ritmo, queria fazer média a baixo de 4m10s/km e no primeiro quilómetro fiz inclusivamente abaixo dos 4 minutos. Estava tão concentrado no meu mundo, que só quando estava a chegar ao final da 1ª volta é que me lembrei que eram 2 voltas. Bem, já estava cansado e se calhar não teria ido tão rápido desde o início se me tivesse lembrado que eram 2 voltas. Agora pouco importava, era tentar seguir ao mesmo ritmo até cortar a meta ou até dar o estoiro. Consegui aguentar e o resultado final foi muito bom para mim, acabei o segmento de atletismo com uma média de 4m04s/km e com o tempo final de prova de 1h16m23s.


segunda-feira, março 28, 2016

Duatlo da Amadora 2016

Uma prova no meu dia de anos, alguns diriam que sou parvo, eu digo que é uma boa maneira de passar parte do meu dia de anos, a fazer uma das coisas que me deixa mais feliz estar com amigos e desafiar-me fisicamente.

Depois de ter caído de bicicleta há praticamente 1 mês ainda não tinha voltado a andar, por isso o meu objectivo nesta prova era testar-me a ver se a lesão que tinha já estava debelada ou se me limitava de alguma maneira. Pouco antes da prova começar começa a chover copiosamente, se para o segmento de corrida não é problemático, para o segmento de bicicleta ia dificultar muito o percurso.


O segmento de corrida começou bastante rápido com o 1º km a ser feito a rondar os 3m30, nada de anormal mas tinha de encontrar o meu ritmo no resto do segmento, algo mais confortável para aguentar os 5 kms. Mais ou menos por volta do quilómetro 2 o Clélio chegou-se ao pé de mim, o que foi porreiro porque fomos controlando  o ritmo um do outro e numa ajuda também psicológica até ao final do segmento da corrida. No final desacelerei um bocado, para respirar um pouco antes da transição, mas ainda assim conseguimos um ritmo melhor do que 4min/km, foi um bom segmento.


Como já tinha feito no duatlo de Rio Maior, com bons resultados, voltei a decidir não levar sapatos de encaixe, usando os ténis de corrida na bicicleta. O resultado foi uma transição super rápida ultrapassando bastantes atletas, ainda por cima estando o percurso de ciclismo escorregadio, e tendo voltado de uma queda, sentia-me mais confortável não tendo os pés presos aos pedais de encaixe.

O percurso de bicicleta não era o mesmo do ano anterior, dificilmente poderia ser porque eram muito mais bicicletas e o percurso do ano passado era mais curto e as estradas mais estreitas. Mas o percurso deste ano era uma verdadeira porcaria, agravado pelo facto de estar a chover, imensas curvas em cotovelo já de si perigosas, com menos aderência na bicicleta e os travões menos efectivos tornavam cada curva numa roleta russa. Decidi fazer a primeira volta algo conservador para conhecer melhor o percurso e não arriscar nenhuma queda.

Para agravar ainda mais, a organização devia ter dito para levar bicicletas de BTT, porque eram mais buracos que alcatrão, imensas obras com buracos abertos ao longo de toda a estrada tapados com gravilha, e com carris para atravessar...verdade carris? Quem terá tido a brilhante ideia daquele percurso? No meu grupo furaram 2 atletas logo aos primeiros buracos, e como é óbvio numa prova tão curta ninguém leva material para trocar câmaras de ar. Quando estava quase a acabar a 1ª volta também eu furo, era o fim da prova para mim. Algum dia tinha de acontecer, nunca tinha furado numa prova, e para furar ainda bem que foi numa prova de menos dimensão sem grande importância. Ainda tive sorte porque fiquei ao pé da meta e foi só ir até ao carro e ir-me embora, como não tinha material no parque de transição não tive de ficar à espera do final da prova.


Sim fiquei chateado por não ter conseguido acabar a prova, mas prefiro que tenha sido assim do que com uma queda, porque também houveram muitas. Por acaso tenho alguma curiosidade de saber quantas pessoas abandonaram por furos ou quedas, mas olhando aos resultados finais acredito que tenha sido muita gente, porque as listagem de quem acabou são pequenas para as pessoas que vi na partida, e além disso não disponibilizaram os resultados intermédios das pessoas que não acabaram o que me cheira que tenha sido muita gente e não foi disponibilizado por esse facto. Bem, como treino até ao momento que abandonei estava a correr muito bem, e isso é o mais importante para mim, agora é voltar a conseguir treinar mais a sério e voltar a recuperar a forma física.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Granfondo Algarve

Posso dizer que a prova começou logo bem, à partida tropecei logo no Guilherme que já não via há imenso tempo. Foi giro saber que ele também ia ser pai, o sacaninha teve foi mais sorte, gémeos, menino e menina, isto é quase a mesma coisa que sair o jackpot...acho eu!


Indo directo para a prova, durante a semana estive um bocado engripado por isso quase não treinei, mas também como o meu objectivo para o Granfondo do Algarve era treinar para o Ironman, não estava muito preocupado com o resultado final, apenas queria acabar o mais confortável possível. A primeira hora de prova andou-se muito bem, acabei nem sequer por parar no primeiro posto de abastecimento, apanhei só uma garrafa de água em andamento e segui caminho, nesta hora fiz 33kms, o que dava uma média bastante boa.


Pouco depois virámos em direcção a leste e o vento que tinha estado a ajudar, nessa altura começou a atrapalhar. Foi a única altura que me tentei resguardar no meio de um grupo, como o meu objectivo era treinar para o Ironman tentei propositadamente andar o mínimo possível à boleia dos outros, sei que no fim ia fazer com que o resultado fosse pior mas não era o resultado o mais importante.

Começa um ligeiro sobe e desce quebra pernas até que cheguei ao segundo abastecimento. Nessa altura foi parar, respirar um bocadinho, encher o cantil, comer qualquer coisa e mais dois dedos de conversa com os meus colegas Philippe que já estava parado, e o Vítor que entretanto chegou. Segui caminho com o Vítor durante uns minutos, mas entretanto ele mandou-me seguir e disse que ia pôr o ritmo dele. 

Muito tinha ouvido falar da subida ao alto do Malhão, mas quando vi no mapa pensei - "Ah isto são só 2,5kms, por muito duro que seja é um instante até chegar ao topo" - ena não podia estar mais enganado, devem ter sido das piores rampas que já apanhei, quase que me vinham as lagriminhas aos olhos e foi só por orgulho que não apeei, mesmo assim ainda ultrapassei vários ciclistas, por isso não era o que estava pior. Chegado ao topo, totalmente morto, pensei que ia ter descida para descansar, qual quê, mais sobe e desce de rampas bem agressivas. Cheguei ao 3 posto de abastecimento e foi recuperar, comer e beber. Quando perguntei a um senhor da organização se o pior já tinha passado e ele me diz que já a seguir ia ter uma subida que não era tão má como o Malhão mas que estava perto disso, foi o banho de água fria. 

Mais uma meia dúzia de quilómetros com rampas do pior que já apanhei. Os 100kms estavam ultrapassados e o pior estava agora feito, descidas e mais descidas para recuperar, porque forças para acelerar o andamento já não abundavam. O último abastecimento já foi super rápido, comer meia banana e meter água no cantil e seguir rapidamente. A 10kms do fim apanhei a última subida em que tive de usar a desmultiplicação mais leve, nessa altura já nem precisava para ser sincero, mas também já estava sem vontade de grandes cavalgadas. Os últimos quilómetros até Loulé voltaram a ser bastante rápidos, bom piso ao contrário da maioria do percurso e voltava a ter vento pelas costas. 

Acabei com o tempo oficial de 5h44m09s, acima do que eu esperava, mas também não esperava um percurso tão duro quanto este. Foi um bom  treino para o Ironman, bem sei que a distância será maior, mas duvido que o tempo em cima da bicicleta seja assim tão maior, este percurso era extremamente duro, coisa que não será no Ironman, por isso acredito que as sensações que tive no final sejam idênticas e nunca piores no Ironman, e pensando bem na coisa, se tivesse de fazer uma maratona a seguir estava moído sim, mas acho que ainda a faria, nem que fosse metade a correr e metade a andar.

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

20km Cascais 2016

Corrida obrigatória no meu calendário de provas,até dá para sair de casa a pé e ir até à meta em modo aquecimento. Este já o 6º ano seguido que participo nesta prova e para meu agrado de ano para ano tenho conseguido melhorar o meu resultado. Este ano mais uma vez isso aconteceu, e da primeira participação para esta já quase melhorei o meu tempo em 20 minutos o que dá em média de menos 1 minuto a cada quilómetro.

Pode-se dizer que na corrida ando com a moral totalmente em alta, tenho treinado bem, não tenho tido lesões e os meus resultados nas últimas provas têm sido bastante bons. A minha idea foi ir um bocado "à morte". Logo no início entrei no grupo da bandeira dos 4min/km, onde também estava o Rui Rodrigues, ia tentar aguentar o máximo de tempo naquele grupo, de preferência até ao fim, mas sabia que seria extremamente difícil porque eu tenho aquele ritmo mas não em provas tão longas. Por volta dos 4 quilómetros na pequena subida da Boca do Inferno, descolei um bocado do grupo, deixei um espaço de 10-20 metros. Sabia que ao entrar na estrada do Guincho ia apanhar vento de frente como sempre, e senão tivesse num grupo ia custar-me muito mais, por isso tive de me exceder um bocadinho no esforço nessa altura para conseguir recolar ao grupo.

Até aos 10km fui confortavelmente no meio do grupo, chegámos aos 10km com o tempo certo 40 minutos. Nessa altura havia o abastecimento, e o grupo de 20-30 corredores fragmentou-se e eu não consegui seguir com a bandeira. Consegui-me manter dentro de um grupo mais pequeno, e como faltava pouco mais de 1 quilómetro para retornarmos, era agarrar-me com unhas e dentes aquele grupo para evitar o vento.

Ao virar no Guincho pus o meu ritmo quem viesse vinha, quem fosse embora ia, era fazer a minha corrida até ao final. Apesar de ter diminuído o ritmo, consegui manter-me abaixo de 4m10s/km. Quando cheguei à subida que vai dar à Casa da Guia, custou-me imenso estava mesmo a dar os últimos cartuchos, era aguentar a subida e depois respirar e dar o tudo por tudo nos últimos 2 quilómetros.

Nesta altura o William junta-se a mim, vinha a fazer uma corrida de trás para frente, segui com ele não mais de 200 metros, aquele ritmo estava a matar-me. Reparei que o Ricardo Costa, também vinha logo ali por isso era seguir com ele que estava mais ao meu ritmo. Normalmente cortaria a meta ao lado dele, não me preocuparia muito com o lugar, mas na descida até à meta senti que ele estava a aumentar o ritmo a tentar deixar-me para trás. Pronto, o meu espírito competitivo entrou em acção, esqueci-me que estava cansado, só me lembrei que era o dia que podia chegar à frente do meu treinador. Coloquei-me à frente dele e quando entrei na recta da meta foi disparar com todas as forças que ainda tinha, quando ouvi os passos mais longe e um - "Sacana" - sabia que já não era ultrapassado. Como bónus ainda pus o Ricardo a vomitar depois de ter cortado a meta, é assim quando se metem comigo!



Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h21m12s
  • Tempo médio por quilómetro: 4m04s/km
  • Velocidade média: 14,78km/h

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Duatlo de Rio Maior

Aproveitando a proximidade da terra dos meus avós no sábado passado fui participar no duatlo de Rio Maior, para mim seria a minha primeira prova do ano no contexto do triatlo. Não imaginava que assim fosse, mas quando lá cheguei percebi que a maioria dos melhores triatletas nacionais estava presente, devido a ser uma prova que contava para o campeonato nacional de clubes, obter uma boa classificação não seria fácil, ainda para mais estando num período de carga maior de treino.

O tempo estava um pouco frio antes de começar, mas seria ideal quando começasse a correr, fiz o meu aquecimento e 10 minutos antes da prova comecei a dirigir-me para a zona da partida. Quando foi dada a partida parecia que estava parado, montes de gente a passar por mim, quando acabei o 1º quilómetro vi que era só mesmo uma ilusão, tinha feito o 1º quilómetro em 3m30s, claro que não estava nada confortável. Meti um ritmo certinho tentando-me aliar do que se passava à minha volta. Acabei os 4,7km do 1º segmento com uma média de 3m56s/km, muito bom mesmo, e contudo acabei este segmento apenas no lugar 190 de cerca de 250 triatletas.

Seguia-se a opção mais discutível que tive nesta prova, eu acho que foi uma boa opção, apesar de não ter visto ninguém a tomar a mesma decisão. Como o circuito de bicicleta seria tão curto, decidi não trocar de sapatos e usar os do atletismo na bicicleta, pouparia assim duas trocas de sapatos, de atletismo para bicicleta e na 2ª transição de bicicleta para atletismo. Tirando a parte dos empedrados que sentia os pés a saltar, nunca senti que tivesse assim a perder tanto devido a não estar com sapatos de encaixe. Tive a sorte de entrar no grupo certo com o meu ex-colega de equipa Mário Santos, apanhei um pelotão de mais ou menos 10 unidades, onde consegui ir resguardado e algo confortável, numa velocidade que algumas vezes chegou perto dos 50km/h. 

Quase a meio da última volta estava um grande pelotão a 100 metros de nós, houve um forte esticão no grupo, e eu como estava na parte mais de trás do grupo fiquei num corte, ainda tentei a solo apanhar o grupo mas foi-me impossível. Nessa altura apanhei um miudinho, ainda cadete (dorsal 1188) que tinha descaído desse pelotão grande, dei-lhe um empurrãozinho e disse-lhe para se pôr atrás de mim e abrigar-se. O miúdo lá conseguiu aguentar o meu ritmo nos últimos 5kms, entrando quase junto comigo no parque de transição. Fiquei bastante contente com o segmento de bicicleta, consegui uma média de 36km/h, mais uma vez acima das minhas expectativas.

Pouco antes de ter entrado no parque senti câmbrias na perna direita, que quando saí da bicicleta estava à espera que passassem, mas durante aquele longo percurso de transição (que exagero que era), não passou e começou também na perna esquerda. Saio do parque de transição assim meio torto a pensar - "Bem estes últimos 2,5kms é já para começar a recuperar." - nisto chega o miudinho ao pé de mim e diz - "Vá lá senhor, bora lá!" - o primeiro pensamento que tive foi - "Além de levar rodas de senhor, queres ver que o puto vai deixar-me aqui apeado!" - por uma questão de honra lá tive de cerrar os dentes e ir com ele.


Quando damos a volta o miúdo começa a ficar para trás e digo-lhe - "Vá lá, já falta pouco, vamos juntos até ao fim.".  Nessa altura aparece ao meu lado a 1ª triatleta feminina que tinha partido 4 minutos depois de mim, parecia um homem a correr, tentei seguir com ela, na pequena rampa do percurso ainda consegui mas conforme entro na recta da meta paguei o esforço da subida e não consegui segui-la naquela última centena de metros, e com isto tudo o miúdo também tinha descolado. 
Terminei a prova com uma média de 4m02s/km neste último segmento e com um tempo final de 1h05m48s, somente na posição 173. Mas analisando friamente a posição não foi boa, mas a prestação para mim foi extraordinária, médias muito acima do que podia esperar, e além disso o que para mim foi um bom sinal, foi a primeira prova em que fui mais forte no segmento de ciclismo (posição 167) comparativamente com os segmentos de atletismo (posições 190 e 192). Os treinos estão a resultar.


sábado, janeiro 02, 2016

São Silvestre 2015

O último dia do ano é sempre sinónimo de São Silvestre da Amadora, a melhor prova de estrada do país por toda a sua envolvência e pela altura do ano em que é. Não é à toa que esta prova é uma das mais competitivas do panorama nacional, são sempre grandes tempos os dos vencedores (quase sempre abaixo dos 30 minutos) ainda por cima olhando às dificuldades do percurso, o que torna muito difícil mesmo para os profissionais, a obtenção de bons resultados.

Este ano fomos bafejados pela sorte, foram raras as edições em que participei e que não estava a chover, e além de não chover a temperatura estava bastante amena, melhor não podia pedir. Como disse ao Pre antes da corrida, não tinha grandes objectivos, não tinha treinado especialmente para a prova a seguir à meia maratona dos Descobrimentos, e a época do ano é propicia a abusos, por isso seria uma prova para me divertir.

A prova começou logo com uma queda no início do pelotão, tudo a parar, uma grande confusão, para conseguir fugir aquilo fui para a faixa contrária e acelerei um pouco o passo para me livras da confusão e conseguir correr sem limitações. Como é meu habito estiquei logo um bocado no início, tentando ganhar logo alguma margem de tempo, se rebentasse paciência mas ia tentar dar o máximo. Após o 1º quilómetro começava a grande dificuldade da prova, dois quuilómetros sempre a subir. Com alguma sorte apanhei a lebre certa e consegui manter um ritmo bom subida acima, estava com um bom tempo apesar do desgaste e tentei seguir com a minha lebre, os quilómetros foram passando sempre a um ritmo inferior a 4min/km, está tudo doido, pensei eu na altura.

Por volta do 6º quilómetro, na última parede da prova, não consegui seguir com a lebre, mas tentei ao máximo manter aquele atleta em linha de vista para não quebrar totalmente. À passagem do 8º quilómetro estava com 32 minutos, teria de fazer uma média de 4min/km nos últimos 2 quilómetros para baixar novamente dos 40 minutos numa prova de 10kms. Como sabia que os últimos 500 metros eram em subida, não muito acentuada mas que iriam baixar o ritmo, sabia que até lá tinha de aproveitar a descida para ganhar alguma margem de tempo. Entrei nos últimos 500 metros com 37m30s, tinha 2m30s para fazer aqueles últimos 500 metros, não estava à vontadinha, mas também não era nada do outro mundo.


Consegui acabar com 39m47s, apesar do tempo oficial ser de 40m07s porque a organização não tem sensores de partida e não desconta o tempo entre o tiro de partida e a altura que efectivamente começamos a correr. Óptimo registo e dada a dureza da prova deveria obrigar-me a partir de agora a fazer abaixo de 40 minutos em todas as provas de 10kms. Uma palavra ainda para o Nuno Silva que sem grande treino conseguiu bater o seu record aos 10kms, espero que ele para o ano tenha como objectivo baixar dos 50 minutos, e se ele quiser ofereço-me para fazer de lebre para ele, deixo-te aqui o desafio.


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 39m47s
  • Velocidade média: 15.08 km/h
  • Tempo médio por quilómetros: 3m58s/km

quarta-feira, dezembro 09, 2015

Meia Maratona Descobrimentos 2015

Depois de ter participado na 1ª Meia Maratona dos Descobrimentos, há dois anos atrás, e apesar de não achar que o percurso não é propriamente fácil para bater records, como tinha sido nesta meia maratona que tinha feito o meu melhor tempo, decidi ir correr este ano novamente para tentar baixar da 1h30m. Não achava que tivesse feito uma preparação conveniente, estava com o volume ainda da Maratona de Lisboa, mas não me sentia com velocidade consistente para aguentar tanto tempo a um ritmo tão elevado, aliado a isso só tinha treinado uma vez por semana corrida, o último treino que queria fazer 14kms em 1 hora também tinha saído mal, e a minha asma também me andava a chatear um bocado, não sei se devido à humidade se devido a outro factor.

Os 2 primeiros quilómetros desta prova são os mais complicados, subir ao Restelo e recuperar o folgo custou-me estar atrasado mais ou menos 30 segundos. Na descida até Algés fiz um esforço por recuperar esse tempo, e no quilómetro a descer consegui recuperar esses 30 segundos, mas o meu coração rapidamente disparou para as 150bpm, estava desde muito cedo na minha zona de desconforto. Nesta altura tentei apanhar um grupo ou alguém que tivesse o mesmo ritmo para não começar a ter oscilações, o que acabou por acontecer, segui com outro atleta até que por volta do quilómetro 8 apanhámos um grande grupo onde ia a bandeira de 1h30m. Era aguentar pelo menos naquele grupo até ao final. Como me estava a sentir bem, apesar do meu coração continuar a bater muito rápido, quando um grupo saiu eu tentei ir com eles, pensei que como costumo ter quebra a meio da prova ganhava ali algum tempo para quando tivesse a quebra já ir mais à frente, e depois tentaria seguir novamente com o grupo da 1h30m quando me voltassem a apanhar.

À passagem dos 10kms ia com cerca de 41m30s, sabia que nesta altura teria de ir abaixo de 42m, estava com alguma margem mas não era muita não me podia descuidar. Como continuava naquele grupo com um bom ritmo queria continuar ali pelo menos até aos 14kms, e aí se estivesse abaixo de 1h de prova e se me senti-se bem logo saberia se era possível bater o tempo de 1h30m no final. Os 14kms chegaram por volta dos 58 minutos de prova, o ritmo continuava bastante bom e o grupo tinha crescido, por entre algumas breves conversas havia outro atleta, o de dorsal 1203, que me disse que também queria fazer abaixo de 1h30m, para nos ajudarmos. Claro que era boa ideia, nessa altura como me sentia bem decidi dar um pequeno esticão que partiu aquele grupo, seguimos só eu, o 1203 e mais 2 atletas. Dali até ao último abastecimento reboquei o grupo e tentei manter o ritmo vivo, a partir dali fomos-nos revezando, garantido que o ritmo era estável.

Ao passarmos os 18kms eu disse algo como - "Vamos abaixo de 1h15m, podemos fazer quase 5min/km até ao final e chegamos abaixo de 1h30m." - ao que o atleta 1203 me disse - "Agora que estamos aqui é para fazer abaixo de 1h28m." - este foi o mote dele para dizer que ia acelerar, e que aceleração jeitosa que deu naquele final. Até aos 20,5kms consegui seguir com ele, íamos quase a 4min/km, até que tive de largar a corda, não aguentava mais, pus o meu ritmo e marquei outros atletas que estavam à minha frente, que estavam progressivamente a perder vantagem para mim. Num último esforço acelerei o passo quase num sprint final e ainda ganhei ali uns lugares. O resultado final deu 1h27m23s, não poderia pedir melhor.

(Aos 18m28s)


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h27m23s
  • Velocidade média: 14,49km/h
  • Tempo médio por quilómetro: 4m07s

segunda-feira, outubro 19, 2015

Maratona de Lisboa 2015

Não estava nada confiante para esta prova, na 2ª feira anterior tinha ido treinar e passados 5kms já os joelhos me estavam a matar, ainda mazelas do triatlo longo de Cascais, fiz 15kms com muito sacrifício e com péssimas sensações. Durante o resto da semana foi descansar e esperar que as dores nos joelhos passassem. Uns dias antes da maratona lembrei-me de usar fitas de kinésio, nunca tinha usado anteriormente e devo dizer que até era algo séptico quando aos seus benefícios. O meu problema nos joelhos tem a ver com a minha passada, que provoca que a rótula mova-se para a parte interior comprimindo um tendão. Logo que coloquei as fitas de kinésio notei que tinha o movimento algo limitado e que a rótula parecia menos móvel, quem sabe não poderia dar resultado.

Depois disto tudo o meu objectivo não podia ser muito mais que tentar acabar. Comecei a corrida calmamente, tentando acima de tudo desfrutar do percurso. A nível de passada a estratégia era fazer passadas curtas e com uma cadência mais elevada de modo a sacrificar o mínimo os joelhos. Logo no primeiro quilómetro encostei no Rui Rodrigues, não o tinha visto na partida mas antes da corrida tínhamos combinado que ele ia fazer só meia maratona e que ia fazer de lebre para mim. Aos 10kms íamos  com 50m27s, estava mais lento 2 minutos que há 2 anos atrás quando fiz a maratona pela primeira vez, mas uma coisa que aprendi é que a maratona se decide nos últimos 10kms e não nos primeiros 10kms.

Por volta dos 15kms o joelho esquerdo parecia querer começar a chatear, desacelerei um pouco durante um bocado e a coisa acabou por não piorar, e com as dores que já tinha nos pés era fácil abstrair-me daquela moinha no joelho. Aos 21.1km passei com 1h47m36s, estava a perder mais de 4 minutos para o tempo de há 2 anos atrás, mas sentia-me muito bem, estava a desfrutar da corrida, da conversa com o Rui, realmente não estava em esforço ou sofrimento. Chegados aos 23kms, ao pé da estação de Algés, o Rui parou o treino dele e lá segui eu sozinho tentando manter o ritmo, era uma altura complicada porque perdi a minha referência.

Quando cheguei ao Cais do Sodré, onde há 2 anos bati na parede, continuava com muito boas sensações, tinha quebrado ligeiramente mas nada de relevante. Aos 32kms já estava quase com o mesmo tempo que em 2013, já só estava 1 minuto atrás, mas as sensações eram totalmente diferentes, no meu pensamento só ia algo como - "Só falta uma banar corrida de 10kms para chegar ao fim.". Passo aos 33kms com 2h53m07, já 6 minutos melhores que há 2 anos, tinha sido nesta altura que eu tinha quebrado de vez, e agora estava a conseguir manter o ritmo.

Quando eu pensava que já não ia bater contra a parede, aí que ela apareceu aos 34kms. Acho que foi um misto de cansaço físico e de desgaste psicológico, digo isto porque para mim um dos erros da organização foi juntar a maratona com a meia maratona a partir de Santa Apolónia, o pessoal da meia maratona parecia que ia a sprintar ao meu lado e que eu ia a andar, psicologicamente fui um bocado abaixo. Já que estou a falar de erros da organização, o primeiro abastecimento sólido foi só aos 23kms, onde estavam com a cabeça? Ainda bem que levei eu barras minhas, numa prova tão longa no mínimo devemos comer a cada 45 minutos.

Estes últimos quilómetros custaram-me mais que toda a restante corrida, o meu objectivo a partir daqui era não começar a andar e conseguir concluir pela primeira vez a maratona sempre a correr. Mesmo assim aos 40kms cheguei com 3h36m14s, cerca de 15 minutos melhor, ia melhorar imenso o meu tempo final da maratona. Conclui a maratona com 3h50m29s, cheguei bem dos joelhos e restantes articulações, sentia-me fraco e com os músculos a vacilar desta vez não consegui melhor por manifesta incapacidade física, tudo o que normalmente me limita por outro tipo de dores mais lesivas não aconteceram, por isso não poderia pedir melhores condições para fazer um bom resultado. Claro que no final estava contente com o resultado, mas não posso negar que estava algo frustrado por ter quebrado já tão perto do fim e ter perdido 5-10min em apenas 8kms. Agora é descansar, objectivos cumpridos para este ano, e desfrutar agora um pouco das últimas provas do ano que vou ter só em Dezembro sem grandes preocupações com resultados.


Dados da minha prova:
  • Passagem aos 10km ; tempo = 50m27s ; pace = 5:02/km ; velocidade = 11.89km/h
  • Passagem aos 21.1km ; tempo = 1h47m36s ; pace = 5:08/km ; velocidade = 11.65km/h
  • Passagem aos 30km ; tempo = 2h36m06s ; pace = 5:27/km ; velocidade = 11.01km/h
  • Passagem aos 32km ; tempo = 2h47m27s ; pace = 5:40/km ; velocidade = 10,57km/h
  • Passagem aos 33km ; tempo = 2h53m07s ; pace = 5:40/km ; velocidade = 10.57km/h
  • Passagem aos 36km ; tempo = 3h10m57s ; pace = 5:56/km ; velocidade = 10.09km/h
  • Passagem aos 40km ; tempo = 3h36m14s ; pace = 6:19/km ; velocidade = 9.49km/h
  • Final 42,195km ; tempo final = 3h50m29s ; pace = 6:28/km ; velocidade = 9.26km/h
  • Pace total = 5:26/km
  • Velocidade média total = 10,99km/h

segunda-feira, setembro 28, 2015

Triatlo Longo de Cascais

Finalmente foi possível realizar um triatlo longo em Cascais, acho que é óptimo para o concelho que mais uma vez promoveu o desporto e um modo saudável de vida, como também para enumeros triatletas que vivem na zona de Lisboa e normalmente têm de fazer centenas de quilómetros para participar em triatlos longos. Desde já parabéns há organização por ter conseguido montar um evento desta dimensão e logo no 1º ano com a qualidade que teve, sim há espaço a melhorar, mas foi muito bom (espero que o desafio para a organização seja brevemente realizar um Ironman, fica aqui o meu repto).

Indo para a prova, o segmento de natação foi até bastante pacífico, estava à espera de uma grande confusão por serem muitos atletas mas não, claro que houve uns toques mas nada demais, como a primeira bóia estava algo longe deu para nos espalharmos e diminuir a confusão. Mesmo assim ainda me tocaram no relógio o que fez com que o cronómetro pausasse por isso não registei o segmento todo, mas pelo tempo da organização fiz 34m40s. Uma coisa que não gostei foi da quantidade absurda de barcos no meio do percurso, especialmente na zona em que inicializávamos a 2ª volta porque o espaço entre a bóia e um barco estreitava  muito o sítio por onde podíamos passar.


Quando estava a tirar o fato tive a primeira sensação menos boa, uma cãibra no gémeo direito, lá me sentei e acabei de tirar o fato sentado e logo que peguei na bicicleta tentei alongar, e parece que resultou porque não voltei a sentir cãibras. Uma das poucas coisas positivas deste triatlo foram as transições, melhorei imenso neste aspecto, estou mais rápido, mais tranquilo e tudo parece que é muito mais natural.

As 2 primeiras voltas do ciclismo não tiveram grande história, ainda bem que assim foi, andei numa média superior a 30km/h e tudo corrida bem, sentia-me bem e achei que o tempo final até poderia ser bom. Na rotunda à entrada da 3ª volta tive de entrar numa trajectória interior e com alguma velocidade porque ia a ultrapassar uma ciclista. Quando estou a meio da rotunda apercebo-me que ou me deitava mais ou ia contra as pessoas que estavam a ver do lado de fora da rotunda. Ao deitar-me a bicicleta foge-me debaixo do corpo e vou ao alcatrão, resultado, um cotovelo queimado pelo alcatrão, o guiador torto mas ainda bem que as mudanças não ficaram afectadas e o orgulho ferido. Foi a minha primeira queda na bicicleta de estrada, e foi a primeira vez que os meus país foram ver uma prova, e estatelei-me mesmo à frente deles...acho que não os vou convidar mais para irem ver  as minhas provas.

Como senão bastasse a queda, levantou-se o vento habitual da estrada do Guincho, ainda faltavam 2 voltas e o vento que soprava na direcção Serra-Cascais estava a deixar-me esgotado. Ao mesmo tempo começa a doer-me o joelho direito e ainda me faltava metade da prova, só me apetecia largar a bicicleta. Antes do final da terceira volta ainda tive de parar para fazer a necessidade número 1 senão teria de parar mais tarde porque ainda faltava muito para terminar a prova. Esta foi mesmo a volta do ciclismo que mais me custou e mais acidentada foi.

No início da 4ª volta ainda se soltou a minha bolsa de ferramentas e começou a roçar na roda de trás, mais uma vez tive de parar para colocá-la devidamente. Nesta 4ª volta o vento continuou forte, mas não me senti tão mal e fui gerindo o ritmo até ao final do ciclismo. Acabei com o tempo de 3h10m, nada brilhante mas consegui chegar.


Conforme começo a correr o joelho direito não me deixava em paz, apeteceu-me andar, apeteceu-me parar apeteceu-me desistir, só pensava que daqui a 3 semanas tenho a maratona de Lisboa e podia estar a por em risco a participação. Ao chegar ao cimo do forte ponho mal o pé no chão, metade em cima de um degrau e metade fora e torci o tornozelo...que mais me podia acontecer, não estava mesmo num bom dia. Estava a correr devagar e não estava a conseguir fazer o que normalmente faço, que são muitas ultrapassagens no segmento da corrida, estava a arrastar-me até ao final. 


No início da 2ª volta chega o João Santos ao pé de mim, ainda estive com ele durante 300-400 metros mas aquele não era o meu ritmo e decidi não ir ao choque e continuar ao meu ritmo e fazer o melhor que conseguisse. Esta volta foi difícil para mim, o calor, o cansaço, o joelho nada me estava a ajudar, só os gritos de incentivo que vinham de fora é que ajudavam a suportar o sofrimento. Até faltar 1 volta e meia para o fim fui sempre a perder tempo, nessa altura estava já a mais de 2 minutos do João Santos e não o pensei mais apanhar, mas tinha outro João Santos, o da minha equipa, à minha frente e a perder tempo para mim.

Nessa altura faltavam 7 quilómetros para o final e achei que ainda era possível ir apanhá-lo, decidi aumentar um pouco o ritmo, as pulsações subiram e fui controlando o meus esforço tentando estar o mais próximo possível do limite e esperar que fisicamente o joelho e os músculos não cedessem. Quando fiz o último retorno, a faltar cerca de 2 quilómetros para o fim estava praticamente encostado ao meu colega João Santos, estiquei e fechei o espaço de 5-10 metros entre nós os 2 e segui com ele. Quando estava a chegar ao final do paredão vi o outro João Santos a arrastar-se na rampa de saída do paredão, decidi dar mais um esticãozinho e encostar nele. Como já faltava menos de 1 quilómetro para o final decidi terminar com ele, tentei puxar por ele para não se ir abaixo e ainda ultrapassámos 2 atletas. Fiquei feliz por terminarmos juntos, para quem sofre durante tanto tempo é bom partilhar aquele sentimento de dever cumprido ao lado de um amigo. O resultado não foi bom, mas daqui a 3 semanas tenho já outra batalha, a maratona de Lisboa, espero conseguir melhorar até lá, esta foi a pior meia maratona que fiz, nunca tinha demorado tanto tempo, mas cada prova é uma prova diferente.



segunda-feira, julho 13, 2015

Bessone Bastos 2015

Foi a 1ª vez que fiz a travessia Bessone Bastos, nos últimos anos não tenho conseguido ir mas deste ano não passou. Ao contrário de alguns anos anteriores, ontem estava um mar espetacular, um dia bonito sem ondulação, a única coisa era a água que estava gelada, ainda bem que levei fato porque senão parece-me que não tinha coragem sequer de começar.


Conforme comecei percebi que o ritmo estava bastante rápido, ao olhar para o relógio até pensei que havia algum engano no GPS tal estava a ser a média a que estava a nadar. Ao olhar para os nadadores à minha esquerda ainda me apercebi que estavam a andar mais rápido, encostei-me o mais à esquerda possível, saído mais para fora de pé, e passando o mais rente possível às bóias. Parecia que tinha apanhado a autoestrada, a corrente era tão forte que quase não era preciso dar aos braços. Acabei os 2,4kms (segundo o meu GPS não cheguei aos 2,5kms que a prova deveria ter) com 29 minutos!!! Obrigadinho querida corrente, estou desconfiado que se a prova fosse no sentido contrário que ainda hoje estava lá a remar contra a corrente.


segunda-feira, junho 22, 2015

Triatlo de Oeiras 2015

Ainda bem que aquelas temperaturas loucas do dia anterior baixaram radicalmente, estava com algum receio daqueles quase 40ºC que estavam às 11h30m do dia anterior, hora da prova. Um dos momentos importantes da prova aconteceu ainda antes dela começar. As mulheres arrancavam 5 minutos antes dos homens, e quando analisava a trajectória que estavam a fazer dentro de água reparei que quando chegavam à primeira bóia eram empurradas pela maré para a direita e que estavam com alguma dificuldade em voltar à trajectória correcta para contornar a bóia. 

Logo que arranquei tentei posicionar-me o mais à esquerda possível, aproveitei a corrente que até puxava para fora naquela altura e desalinhei propositadamente com a bóia, o que foi bom porque consegui rapidamente evitar aquele emaranhado de corpos provocado por um pelotão com cerca de 400 elementos. À minha direita ia um grande pelotão e eu mais meia dúzia de gatos pingados a fazermos uma trajectória que parecia ridícula. Quando chego aí a 100 metros da bóia vejo aquela massa de corpos a tentar aproximar-se de mim vinda da direita, e mesmo eu que vinha numa trajectória bem fora com a força da corrente quase que falhava a bóia, foi mega confusão. Nessa altura reparo no Ricardo Costa de cabeça de fora a olhar para todo o lado (como é possível ter encontrado alguém no meio daquela confusão) parei e perguntei-lhe o que se passava. Ele com o cansaço de ter estado a lutar contra a corrente estava desorientado, não encontrava a bóia apesar de estar pertíssimo dela. Tive 30s-60s com ele, a agarrar-lhe o braço e a tentar ajudá-lo a ir na direcção correcta até que passámos a bóia. 

Nessa altura fiquei algo chateado com a arbitragem, mas percebo agora a decisão que tiveram, eles deram ordem para as pessoas seguirem mesmo não passando a primeira bóia...sim fiquei prejudicado, mas a integridade dos atletas acima de tudo e com aquela corrente os mais fracos no segmento da natação iam ficar ali o resto do dia a lutar com a corrente até ficarem a boiar de cansaço. Escusado será dizer que com isto entre as duas bóia apanhei com o pelotão todo, inclusivamente com nadadores melhores que eu que se tinha atrasado, foi pior que na saída, não via nada, cacetadas por todo o lado. Bem, foi o segmento de natação mais atribulado que já tive, apesar da minha boa decisão inicial, fiz quase 850 metros (mais 100 metros que a distância oficial) em pouco mais de 14 minutos.

Transição sem grandes problemas e desta vez tinha ideia de me rebentar no ciclismo, devido à minha entorse sabia que não ia conseguir andar ao máximo na corrida, por isso era gastar os cartuchos todos no ciclismo. A ida até Algés para mim foi feita a um ritmo louco, 40-45km/h, o João Santos ainda me tentou ajudar nessa fase a seguir no grupo onde ele ia, mas eu estava totalmente sufocado, descaí, fiquei entre grupos e esperei o próximo que vinha num ritmo mais condizente com o meu.

Na viragem de Algés ainda passei pela frente do grupo durante 1-2kms, e tentei ajudar, acabei por pagar na subida do Alto da Boa Viagem, rebentei e fiquei para traz com mais 3-4 atletas. Fomos trabalhando entre nós, mas não viríamos mais a apanhar aquele grupo. No fim da subida de Paço de Arcos o Sérgio apanha-me, com sacrifício consigo seguir na roda dele. Acabei o ciclismo com uma média de 35,2km/h, é verdade que perdi bastante tempo para alguns dos meus colegas, mas para quem queria fazer 33-35km/h de média foi melhor que o esperado.

Chego ao parque de transições e apesar de ter uma referencia em que sítio estava no parque não encontrava o meu cesto, com o cansaço estava desorientado e apesar do cesto estar mesmo à minha frente não o encontrava...bem foram mais uns 30 segundos perdidos estupidamente.

Na corrida estava com algum receio, tinha treinado na 3ª feira passada ao fim de mais de 1 mês sem correr e tinha tido dores no tornozelo lesionado. A dor estava lá mas menos agressiva, e mesmo não fazendo uma corrida brilhante consegui fazer uma média inferior a 4m30s/km, para quem está meio perneta, sem treinar, e com o cansaço acumulado da prova, nada mau, ainda consegui recuperar algumas posições e acabar com um resultado melhor que no ano anterior, ficando no final com 1h12m04s, a meio da tabela classificativa e a meio dos meus colegas de equipa.

segunda-feira, junho 08, 2015

Swim challenge

Há 3 semanas atrás lesionei-me com uma daquelas entorse bastante agressivas, tornozelo e joelho, e devido a isso tive de falhar o triatlo de Caminha, o que me deixou bastante irritado comigo mesmo. Desde que me lesionei só tenho feito natação, vou tentar introduzir a bicicleta esta semana e ver como me sinto e a corrida ainda estou bastante coxo para começar, vamos lá ver quando retomo.

Como só estou a fazer natação não consigo competir, a não ser em provas de natação por isso este fim de semana foi bom para matar o bichinho da competição e participar no swim challenge de Cascais. A equipa estava lá toda em peso, amigos de outros clubes é sempre uma boa altura para conviver antes e depois da prova, cheguei à praia por volta das 10h e vim por volta das 13h, ou seja, a prova durou cerca de 30 minutos o resto foi convívio...parece-me bem.

Quanto à prova em si, iam participar muitos dos melhores nadadores nacionais, mais de 200 nadadores na linha de partida, ia ser uma enorme máquina de lavar. O meu objectivo era terminar na primeira metade, com o pouco treino que tenho tido não podia pedir mais, em todo caso era uma boa prova para fazer uma natação a fundo visto que quando faço triatlo, a natação costuma ser sempre o segmento que mais poupo e nunca dou o máximo. Até à primeira bóia era quase ir a nadar em cima de corpos, como fico mais ou menos a meio do pelotão é sempre onde há mais confusão. 

A prova consistia num percurso de 2 voltas em que a transição entre voltas era feita num pequeno segmento de corrida na praia. Ao final da primeira volta saio para a areia a correr em passos curtos e a coxear e tentar ignorar a dor mas não agravar a entorse. Ao entrar novamente dentro de água o coração parecia que me queria saltar pela boca, uma sensação terrível de desconforto e descompensação, mas não devo ter sido o único, porque foi nessa altura que ultrapassei mais nadadores.

Acabei a prova no lugar 93 dentro do que pretendia, com o tempo de 34m46s, num percurso que segundo vários GPS contava cerca de 2000m, um pouco mais que a distância de milha (1852m) que deveria ser a distância da prova.

terça-feira, maio 05, 2015

Triatlo Longo Lisboa

Acordar bem cedo, 4h45m, ainda noite cerrada, a temperatura ajudava a que não fosse assim tão mau, a noite estava agradável. Obrigar-me a comer alguma coisa substancial pois o esforço que me esperava não ia ser pêra doce. Cheguei ao Parque das Nação por volta das 6h30m, o sol estava a nascer, era hora dos preparativos finais, preparar os sapatos, os ténis, as comidas, a bebida, última verificação do equipamento e muito importante ir ao WC o mais próximo possível da partida para tentar fazer toda a prova sem ter de parar por causa de necessidades fisiológicas.

Tinha como objectivo acabar a prova abaixo de 5h30m, sentia-me bem, o treino dos últimos meses tinha sido bom, não tinha tido lesões, o tempo aparentava estar bom, sem vento, sem calor excessivo, todas as condições me eram favoráveis para que conseguisse atingir o meu objectivo, numa das provas que no início do ano me propus a estar na minha melhor forma. Segundo as minhas contas o meu desafio seria o ciclismo, teria de fazer o percurso de ciclismo em menos de 3h o que significava andar a pelo menos 30km/h durante os 90kms do percurso, e começar a correr com 3h40m de prova o que me dava uma boa margem para fazer a meia maratona do segmento do atletismo em menos de 1h50m.

A partida do segmento de natação aconteceu como de costume num imenso turbilhão de corpos, o que devo dizer já não me incomoda muito, ao fim de alguns triatlos começo a perceber as manhas, bater forte as pernas quando sinto que alguém me quer agarrar, se alguém me tenta agarrar no ombro rodar rápido o braço para ficar por cima ou mesmo rebolar por cima de quem nos está a tentar puxar para baixo, braçadas amplas quando me sinto empurrado, evitar entrar no espaço de outros nadadores mas saber-me defender se alguém entrar no meu espaço no fundo é essa a regra.

Ao virar a primeira bóia tudo ficou mais calmo, não sei porque a maior parte dos nadadores faziam trajectórias muito abertas, apontei directo para as restantes bóias e deixei-me ir a deslizar o máximo possível, sabia que não valia a pena estar-me a matar para ganhar 3-4 minutos na natação, aproveitei para fazer o aquecimento para o restante de prova que ainda faltava. Na viragem da última bóia senti outra vez um apertozinho, ia num grupo de 6-8 nadadores e com uma viragem a 180º é normal alguns encontrões, mas com uma viragem em rotação que a maior parte dos nadadores não faz, consegui sair à frente e entrar na rampa sem ninguém à minha frente o que me possibilitou tirar o fato tranquilamente sem preocupar-me com algum tipo de empurrão. Acabei a natação com 36m30s, 1m30s acima do que tinha estipulado como o limite máximo que queria fazer, contudo não era preocupante, mesmo com as transições se fizesse o segmento de ciclismo em 3h começaria a correr com 3h40m de prova.


Estava na hora da verdade, o ciclismo, será que os meus treinos curtos fortes seriam suficientes para conseguir manter um ritmo de 30km/h durante 3h? O segmento era composto por 4 voltas o que tornava fácil medir o ritmo bastava ver se a cada volta o tempo que demorava estava a ser superior. A 1ª e 2ª volta correram-me bastante bem, não senti cansaço, o ritmo cardíaco, a respiração estavam bastante estáveis. Apesar de ter perdido um gel e uma barra energética quando saltei para cima da bicicleta, consegui apanhar uma banana e um cantil de água nas duas primeiras passagens pela meta, tinha comido e tinha água para me refrescar, mais o meu cantil com bebida isotónica. Demorei cerca de 40 minutos em cada uma das 2 voltas, estava a conseguir manter o ritmo e apesar de na minha cabeça estar a fazer mal as contas até estava a rodar acima dos 30km/h.


Antes de chegar à subida na 3ª volta passou por mim o número 9, que acabaria por ser o vencedor da prova. Que velocidade impressionante, parecia que ia de mota, certamente ia a mais de 50km/h na altura que passou por mim. Pouco depois ainda passou o número 1 (Bruno Pais), não ia tão rápido mas não deixou de me impressionar na mesma. Na subida desta volta foi a primeira vez durante a prova que me senti claramente desconfortável, não estava a conseguir achar o meu ritmo, sentia dores nas pernas, as sensações começavam a não ser boas. Acabei a volta com 43 minutos, quebrei um pouco mas ainda nada de alarmante.


Nessa altura já não tinha a minha bebida e a minha preocupação era apanhar água, apesar de já não comer à 1 volta era muito mais importante manter-me hidratado. Comecei a sentir indícios de cãibras no meu gémeo da perna direita por isso não podia puxar demais para o músculo não 'agarrar'. A subida custou mas não tanto como a da 3ª vez, pensava que o pior já estava e era rolar até à meta. Aproveitei a descida para alongar um pouco o gémeo e fazer o possível para evitar o aparecimento das cãibras. O pior ainda estava era para vir, começou a fazer imenso vento de frente e aquela última meia volta foi um tortura, foi nessa altura que pensei - "Bolas para fazer a distância Ironman tinha de fazer outra distância igual à que já fiz...não sei se aguentaria!!!".



Cheguei da bicicleta ainda abaixo de 3h30m de prova, estava claramente a tempo para o meu objectivo de 5h30m. Comecei a correr a uma velocidade que me permitia passar as pessoas que estavam à minha volta, contudo o meu coração começou a disparar e não me sentia nada confortável. Durante a 1ª volta da corrida estive sempre a tentar achar o meu ritmo certo, muscularmente até estava bem, as cãibras não apareciam mas o ritmo cardíaco não era nada estável. Começava também a fazer calor, em todos os pontos de abastecimento era apanhar uma garrafa de água para me 'regar' e tentar aliviar a sensação de aquecimento.


À entrada da 2ª volta olhei para o cronómetro e ainda não ia nas 4h de prova, porreiro tinha 1h30m para fazer 15 quilómetros, mais que suficiente, Esta volta foi a mais tranquila consegui manter o ritmo, nessa altura também passei pelo Pre que tinha entrado para a sua 1ª volta, dei-lhe umas palavras de motivação, era o primeiro triatlo longo dele e estava com boa cara para conseguir acabar, e segui ao meu ritmo. Ao início da 3ª volta quando levava pouco mais de 10 quilómetros de prova tropecei naquele maldito empedrado levantado pelas raízes das árvores, consegui-me equilibrar minimamente e com uma cambalhota sobre o ombro levantei-me e continuei a correr.

Estava a perder um bocado a capacidade de raciocínio, sinal que as minhas forças começavam a estar no limite, já só pensava em passar a meta e rir-me do resultado que ia obter. A 1 quilómetro da meta novamente o raio do empedrado, mais um tropeção e desta vez fiz uma à Super Homem...a diferença foi que não aterrei em pé mas sim na horizontal, estatelanço à moda antiga. Cortei a meta com menos de 1h40m de corrida, mas tendo em consideração que o segmento de corrida nem chegava a 20kms não foi mau mas também não foi brilhante.

Ficam aqui os resultados dos diferentes segmentos:

  • Natação: 36m30s
  • T1: 2m02s
  • Bicicleta: 2h51m11s
  • T2: 1m17s
  • Corrida:1h39m45s
  • Tempo final: 5h10m45s

segunda-feira, abril 20, 2015

Meia maratona da areia 2015

A meia maratona da areia foi a última prova de treino antes do Half Ironman de Lisboa, mais uma vez estou numa altura em que estou a dar alguma intensidade de treino por isso não esperava um grande resultado. Esta é uma prova que gosto de fazer, há muito espaço para correr sem acotovelanços, a paisagem é relaxante e em alguns casos até nos faz abstrair do sofrimento, e depois apesar de ser no areal é uma prova bastante rápida em que o areal não faz assim tanta mossa como se julga inicialmente.

Arranquei forte e fiquei integrado num grupo de 10 atletas que seguiam logo a seguir ao pequeno grupo dos primeiros. Ao fim de 2 quilómetros íamos a um ritmo de 4min/km, estava a correr solto e bem mas decidi não continuar naquela loucura, no ano passado paguei bem caro um ritmo idêntico no início e depois fui a arrastar-me nos últimos 5 quilómetros. Fui progressivamente desacelerando até encontrar o meu ritmo de conforto. Cada vez que alguém passava por mim tentava seguir na cola a ver se o meu corpo de sentia à vontade com o ritmo. Até que por volta dos 7km chegou ao pé de mim a 1ª mulher e curiosamente o ritmo era mesmo aquele que eu procurava.

Fomos seguindo juntos a um ritmo que não era totalmente confortável mas era o ritmo certo para seguir, ao darmos a volta para começarmos o retorno íamos com cerca de 46 minutos, se o o ritmo se mantivesse acabaríamos a rondar a 1h32m o que não era nada mau para quem ia fazer um treino. Por volta dos 12km a rapariga vira-se para mim e diz-me - "Não é preciso estar a acompanhar-me, faça a sua corrida" - eu respondi que o ritmo era bom e que não lhe estava a fazer nenhum favor por estar a acompanhá-la, e a pensar para mim - "Vê lá é se não te lembras de dar nenhum esticão senão fico aqui apeado!".

Chegou uma altura em que começámos a ultrapassar outros atletas que estavam em quebra o que soube mesmo bem para o moral. Enquanto isso também começava o efeito miragem, que já tinha presenciado no ano anterior, como aquilo é o areal em linha recta começamos a ver a meta a alguns quilómetros de distância e apesar de parecer que é já ali ainda falta muito. Senão estamos mentalizados para isso o efeito pode ser terrível, como me aconteceu o ano passado que desmoralizei totalmente. 

À entrada do último quilómetro vem um atleta em recuperação que encosta a nós, respira atrás de nós por uns 10 segundos e arranca, nessa altura deixei-me estar com a minha companheira de corrida, foi a única altura que teria feito diferente se fosse um homem o meu companheiro de corrida. Nos últimos 400 metros vem mais um atleta totalmente em esforço e passa por nós e mais uma vez penso - "Vá lá aproveitem hoje que é o meu dia da boa vontade!" -  caso contrário e da maneira que me estava a sentir bem, a minha ponta final era rápida o suficiente para não me deixar ultrapassar por aqueles dois atletas.


Apesar de ter perdido aqueles lugares se calhar teria perdido muito mais tempo senão tivesse aquela excelente companhia durante a prova, por isso achei justo acompanhar a primeira mulher até à meta deixando-a cortar fita da chegada mesmo à minha frente. O resultado final foi de 1h33m06s acabando no 36º lugar em cerca de 200 atletas...nada mau para um treino. Aparentemente para o ano esta prova vai ter a distância maratona também, provavelmente será uma prova que vou inserir no meu calendário, veremos...

Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h33m06s
  • Tempo médio por quilometro: 4m25s/km
  • Velocidade média: 13,6km/h

segunda-feira, março 30, 2015

Duatlo Amadora

Após ter levado uma grande tareia na meia maratona de Lisboa no fim-de-semana anterior, decidi que esta semana tinha de dar menos carga de treino para aferir da minha verdadeira capacidade nesta altura da época, e durante a semana apenas fiz 3 treinos de natação, por isso cheguei fresquinho que nem uma alface a esta prova. Estava algum vento e era algo que me preocupava no segmento de bicicleta, contudo devo dizer que durante a prova raramente senti o seu efeito. Mas comecemos pelo início, o primeiro segmento de corrida. Saí bem logo com os da frente e passado 1km ainda estava com o grupo, olhei para o relógio e marcava 3m30s, apesar de me sentir bem claramente era um ritmo superior ao meu, decidi desacelerar um pouco e ir a um ritmo que sabia que não me iria deixar marcas para o segmento de bicicleta.


Cheguei ao parque de transição com 17m30s na 12ª posição, tinha-me sentido mesmo bem na corrida e só não andei mais depressa porque não quis. Ia começar o meu martírio, a bicicleta. Os treinos que tenho feito de qualquer modo começam a dar resultado, sofri muito menos que é normal, mesmo na parede curta mas agressiva por onde passávamos 4 vezes. Atrás de mim a não a mais de 500 metros estava o Tiago Neto, sabia que mais tarde ou mais cedo iria ser apanhado por ele, o que acabou por acontecer na tal parede na 2ª vez que lá passei.


Até ao final da bicicleta devo ter perdido outros 500 metros para o Neto, o que parece mau mas não foi nada pois o Neto é um ciclista muito mais forte do que eu. Quanto ao Pre arrancou na bicicleta um pouco atrás do Neto e a cada volta reparava que ele perdia muito pouco tempo para mim, acredito que se ele melhorar a técnica de descida, que é essencialmente onde perde tempo, faça um segmento de ciclismo igual ao meu. Ainda em relação ao Pre tenho de lhe tirar o chapéu, tem melhorado imenso na corrida o que faz com que a diferença entre nós seja cada vez menor. Acabei a bicicleta aproximadamente com 38m40s na 22ª posição, só perdi 10 lugares o que para mim é muito bom.

Comecei a corrida ainda algo distante dos atletas que iam à minha, tentei impor um ritmo forte visto só era pouco mais de 2kms, sem pensar no imediato em apanha alguém, tentando fazer o melhor que conseguisse. Quem estava à minha frente também estava a andar bem, era um atleta com um lenço na cabeça e facilmente identificável, tentei ir-me aproximando gradualmente sem me estoirar. Quando faltava 1km para o fim consegui colar e nessa altura ultrapassámos um outro atleta. Ao faltar aproximadamente 600 metros para o fim colámos noutro atleta, nessa altura o corredor de lenço na cabeça acelera o ritmo e diz algo como - "Agora é assim até ao final!" - tendo eu uma ponta final rápida, tinha de aguentar aquele esticão e no final fazer o que normalmente faço.

(Foto cortesia de Unspotdesign | Fotografia Digital)

O que vale é que aquela frase foi só intimidatória, pólvora seca...a aceleração foi curta e precipitada, só mantendo o ritmo deixei os dois para trás e o atleta do lenço acabaria curiosamente atrás do outro do grupo. A 100 metros do final vi que ainda estava um atleta à minha frente agarrado ao abdómen praticamente a arrastar-se, erro crasso, enviou-me um sinal de fraqueza e eu feito tubarão a sentir sangue na água não ia deixar de atacar. Ele de tão cansado que estava nem deu por mim a aproximar-me, já dentro do tapete da meta olha para trás ao sentir a minha presença mas era tarde demais para ele, eu vinha embalado e com a moral em alta por isso não ia perdoar.


No final acabei no que para mim é um brilhante 18º lugar, fiquei contente com o resultado e as sensações ao longo da prova. Uma palavra ainda para o meu colega de equipa o Henrique Coelho que acabou no 8º lugar sendo o 3º do seu escalão.


segunda-feira, março 23, 2015

Meia maratona de Lisboa

Depois de ontem ter descarregado a minha fúria em relação à organização da prova hoje vou falar da prova em si. Esta meia maratona de Lisboa não estava nos meus planos iniciais por isso acabei por chegar à prova com alguma carga de treino, mais do que se recomendaria se quisesse fazer um bom tempo de prova. De qualquer modo a minha ideia era começar a correr a uma velocidade que me desse para bater o meu record e no final logo se veria.

Como no primeiro quilómetro perdi imenso tempo graças à confusão até chegar à avenida de Ceuta apertei um pouco o passo de modo a recuperar o tempo perdido. Consegui recuperar o tempo e aos 7kms (1/3 da prova) estava com 29 minutos, ou seja dava para um tempo final pouco acima de 1h27m. Aos 10kms estava com 42 minutos, ou seja ainda estava 30 segundos abaixo do tempo mas tinha perdido metade da minha margem em 3kms.

Se a temperatura estava boa até aí, mais ou menos por volta dessa altura as nuvens começaram a desaparecer e comecei a sentir algum desconforto com o calor, tanto ao nível do tronco como nos próprios pés, os meus ténis novos são bastante quentes e estava a começar a ficar com bolhas. Aos 14kms (2/3 da prova) já estava ligeiramente acima de 1 hora de prova, nessa altura percebi claramente que já não estava com pernas para aumentar o ritmo, que o cansaço acumulado dos treinos tinha deixado as suas marcas.

Nessa altura passou um grupo de corredores do Atibá tentei segurar a corda deles de modo a não morrer até ao final. Lá fui aguentando protegido do vento atrás deles só focado em conseguir seguir aquele ritmo. No último quilometro tentei sair do grupo com um pequeno esticão, mas estava mesmo sem forças, saí mas não me consegui distanciar mais de 5 segundos. Acabei a prova algo amassado ainda distante do meu objectivo, mas nesta altura da época foi o melhor que consegui fazer.


Dados da minha prova:
  • Tempo final: 1h32m45s
  • Tempo médio por quilómetros: 4m23s /km
  • Velocidade média: 13,65 km/h

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

20km Cascais 2015

Como é tradição não há 20km de Cascais sem chuva, e mais um ano, mais uma partida à chuva. Este ano tinha como objectivo fazer menos de 1h25m, já a pensar no outro objectivo que é fazer a meia maratona em menos de 1h30m.

Logo ao princípio do 2º km apanhei o Clélio, o ritmo estava bom e fomos juntos a puxar um pelo outro mais ao menos até ao primeiro abastecimento ao quilómetro 5. Nessa altura estava com 21m39s, precisava de fazer a passagem aos 21m15s por isso já estava algo atrasado, está bem que a parte mais difícil a nível de altimetria já estava passada mas ainda faltava apanhar o vento  de frente no Guincho.

Como é um sítio que costumo treinar e já fiz esta prova várias vezes, sabia que até darmos a volta no Guincho o vento seria praticamente sempre frontal, a estratégia é sempre a mesma, ir atrás de alguém o mais alto possível para não dar o peito ao vento. Aos 10km estava com 43m02s o que significava que ainda estava mais longe uns segundos do meu objectivo, devia estar a passar a 42m30s, se aos 5 quilómetros estava 24s atrasado agora estava 32s.

Já depois da viragem por volta dos 12kms vem o Tiago Neto que vinha a fazer uma corrida de trás para a frente, disse que ao início não tinha ido ao choque mas que tinha estado sempre a 10s-15s de distância de mim. Foi uma altura óptima, até à subida para a Casa da Guia fomos os 2 juntos a um ritmo certinho e sabia que senão perdesse a corda até poderia conseguir chegar abaixo de 1h25m. Na subida para a Casa da Guia tive mesmo de ir ao limite, as minhas pernas estavam a doer por todo o lado mas sabia que era a última dificuldade. Consegui aguentar ao lado do Neto, mas durante o abastecimento frente à Casa da Guia comecei a pagar a factura, deixei o Neto distanciar-se 3-4 metros que nunca mais consegui recuperar. Ainda fiz um forcing no 19º quilómetro mas estava demasiado desgastado e acabei por cortar a meta mesmo no limite das minhas capacidades.


Cortei a meta com 1h25m39s, falhei por pouco o meu objectivo e como calculava se tivesse conseguido ir com o Neto tinha chegado dentro do tempo pois ele fez 1h24m59s, mesmo o tempo que queria fazer. De qualquer modo fiquei contente fiz uma coisa que muito raramente faço, e em provas de mais de 10km foi a primeira vez que fiz, que foi fazer a 2ª metade da corrida mais rápida que a primeira, significa que estou a conseguir manter o ritmo mesmo aumentando a distância das provas.

Este já é o 5º ano que faço esta prova e fazendo aqui uma pequena viagem pelas provas dos anos anteriores constato uma coisa, de ano para ano tenho conseguido melhorar os meus desempenhos, pensar que em 5 anos numa prova de 20km melhorei 15 minutos é algo que me deixa bastante contente.

2011 - 1h40m32s
2012 - 1h36m31s
2013 - 1h32m14s
2014 - 1h27m51s (prova de 21kms em que na passagem aos 20kms ia com este tempo)
2015 - 1h25m39s

De ano para ano tem sido mais difícil retirar tempo, vamos lá ver se para o próximo ano consigo baixar de 1h25m, acho possível mas começo a chegar a um ponto que cada segundo a menos me custa um imenso sacrifício.


Dados da minha prova:

  • Tempo final: 1h25m39s
  • Tempo médio por quilómetros: 4m17s/km
  • Velocidade média: 14,01km/h

sexta-feira, janeiro 02, 2015

S. Silvestre Amadora 2014

A S. Silvestre da Amadora acho que é a prova que eu faço há mais anos, e há-de ser sempre uma prova no meu calendário anual, gosto imenso do ambiente. O ano passado estava de cama por isso não consegui participar, este ano experimentei pela primeira vez o novo percurso, continua bastante duro para uma corrida de estrada, é difícil manter ritmos devido ao constante sobe e desce, mas está mais fácil que no percurso antigo.

Nos 2 dias anteriores à prova fiz uns pequenos treinos que não correram mesmo nada bem, em ambos tive ataques de asma quando treinava as acelerações em rampas, ao ponto de ter quase de parar por não conseguir respirar, por isso a minha confiança para a prova era zero. Como não me sentia bem decidi não arriscar nos primeiros quilómetros como costumo fazer, nada de grandes esticões ao início para ganhar tempo. Disse ao Pre para colar em mim, ele queria fazer abaixo dos 45 minutos (e conseguiu) o que era um bom objectivo para mim, logo era uma boa maneira de controlar o ritmo porque o ritmo do Pre é muito certinho.

Ao final da primeira rotunda olho para trás e deixo de ver o Pre, desacelero um pouco e tento me aperceber onde ele estava mas em mais de 1000 pessoas não estava fácil. Nisto passa o Bruno Martinho por mim, ainda lhe pergunto pelo Pre mas ele também não o tinha visto, decidi então seguir ao ritmo do Bruno.

Ao fim de 3 quilómetros estávamos no ponto mais elevado da corrida, a parte pior tinha terminado e tinha conseguido aguentar o ritmo do Bruno, nessa altura foi quando me senti pior, estava com dificuldades em respirar e o Bruno voltou a dar um esticão como o terreno começava a descer, desliguei o meu sensor de dor, o tentei ir com ele. Aos 4 quilómetros íamos com 17m30s, tendo em consideração que tinha sido quase sempre a subir e eu estar com problemas respiratórios, estar a fazer um ritmo mais rápido que 4m30s/km era bom mas ainda haviam muitos quilómetros para pagar este ritmo. Por volta dos 5,5 quilómetros o Bruno diz-me para seguir, achei estranho porque até ali ele não tinha dado sinal de abrandar, mas lá continuei a minha corrida.

Já não tinha lebre e nesta altura era por minha conta, passei a última rampa sem me desgastar muito guardando alguma coisa para os últimos 3,5 quilómetros. Aos 7 quilómetros ia com 30m10s, tendo em consideração que grande parte do que faltava era a descer, só um grande desfalecimento me impediria de fazer abaixo dos 45 minutos no final. O último quilómetro coincidia com o primeiro, por isso sabia que os últimos 800 metros seriam numa ligeira subida mas que naquela altura poderia fazer estragos. A parte da descida até aos últimos 800 metros controlei um bocado para poupar forças para o sprint final. Logo a seguir a contornar a rotunda que dava início à subida vejo o Bruno a entrar na rotunda, ele apesar de tudo não tinha perdido quase tempo para mim. Estava na altura de começar a bater com os calcanhares no rabo senão ainda era apanhado pelo Bruno. Ainda ultrapassei uma mão de corredores nessa última subida, para acabar com um resultado que não esperava de todo.


Pouco mais de 30 segundos depois chegou o Bruno a quem tenho de agradecer imenso pela ajuda que me deu na primeira metade da corrida, a muito lhe devo o meu tempo final. O Pre acabou por bater em muito o record dele, fez 44m30s, pela primeira vez desceu a barreira dos 45 minutos e logo numa corrida como esta, aqui se prova que o treino regular acaba sempre por trazer resultados. E finalmente o Nuno que há muito estava parado queria fazer abaixo dos 55 minutos e conseguiu 54m40s, todos conseguimos cumprir as nossas metas.

Dados da minha prova:
  • Tempo final: 42m16s
  • Velocidade média: 14,2km/h
  • Tempo médio por quilómetro: 4m14s