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segunda-feira, dezembro 16, 2019

São Silvestre Almada 2019

No ano passado foi a primeira vez que fiz a São Silvestre de Almada, mas como gostei tanto da passagem por dentro da base naval do Alfeite, decidi este ano repetir a corrida. Infelizmente não reparei antecipadamente no percurso, e este ano a prova não passava dentro do Alfeite, uma pena, contudo a corrida ficou significativamente menos dura. Não esperava fazer grande prova, na noite anterior tinha tido o jantar de natal do trabalho, propício a excessos e não me sentia na minha melhor forma para grandes esforços.

O tempo estava magnífico para correr, ligeiramente fresco mas sem vento e sem chover, perfeito. Arranquei relativamente forte de maneira a conseguir fugir da confusão inicial, e os 2 primeiros quilómetros apesar de ligeiramente a subir foram feitos a bom ritmo, segundo o meu relógio em 7m51s o que é óptimo tendo em consideração que era a subir. Conforme começo a descer tento aumentar ainda mais o ritmo e começo a conseguir ultrapassar corredores, o que não é nada normal eu conseguir fazer em descida. Nessa altura houve outro corredor que veio comigo, o que foi bom para mantermos um ritmo forte, ainda esperei 2 vezes por ele porque sabia que me poderia dar jeito ir com companhia.

Quando cheguei aos 5 quilómetros ia com menos de 19 minutos de prova, excelente, e ao mesmo tempo assustador, apesar dos últimos 3 quilómetros a descer estava muito longe da minha zona de conforto, e tinha a noção que poderia ficar sem "combustível" a qualquer altura, sabia que podia pagar os excessos da noite anterior. Nessa altura ia um pouco mais a frente um atleta a puxar a terceira classificada feminina, era a zona plana do percurso, acelerei um pouco de maneira a conseguir fazer a colagem, rebocando o corredor que já vinha comigo. E ali fiquei a aproveitar a boleia, a recuperar a respiração, mantendo a velocidade e descansando um pouco ao mesmo tempo. Enquanto isso, mais alguns corredores se juntavam a nós, não sei precisar quantos porque não olhei para trás, mas ouvia algumas novas passadas. 

Por volta dos 7 quilómetros o meu companheiro de corrida acelerou, eu fui com ele, e senti que mais alguém continuava atrás de nós. Quando estávamos quase a chegar aos 8 quilómetros de prova a estrada começou a empinar, ai tomei a dianteira e comecei a largar as pessoas que vinham no grupo a pouco e pouco. Devo de admitir que não estava à espera da dureza dos 2 últimos quilómetros, custou-me mesmo muito e o meu ritmo cardíaco nessa altura confirma, ainda por cima ia sozinho e era difícil não ceder à tentação de abrandar um pouco. Um ponto negativo para a organização, o percurso estava mal marcado, e não fossem os espectadores, algumas vezes não saberia qual o lado a tomar nas bifurcações. Na última subida quando só faltava 500 metros parecia que levava o peso do Mundo às minhas costas, não faltasse tão pouco para o final e tinha batido contra o muro. Na recta que dava acesso à meta já em plano passou por mim um atleta que parecia que estava a começar a correr, nem o senti a chegar tal era a velocidade a que vinha. O resultado final para mim foi extraordinário, 39m04s, o que é o meu record em provas de 10 quilómetros, apesar do meu relógio não ter marcado exactamente 10 quilómetros, 5º lugar do meu escalão e 29º lugar na geral em quase 500 atletas que terminaram.

quarta-feira, novembro 13, 2019

Maratona de Atenas

A mítica, a autêntica, a maratona que saí de Maratona e chega a Atenas, percurso percorrido pelo soldado Fidípides no distante ano de 490 AC, e recriada o mais aproximadamente possível nesta actual Maratona de Atenas. Antes demais tenho de agradecer o convite do Sebastião, para que eu fosse com ele e com o fantástico grupo com que treina a esta prova, e pelo esforço na organização da viagem. Desse grupo fomos 8 os que enfrentaram a maratona e a concluíram com sucesso, 2 deles em estreia absoluta, e outros já com muitos quilómetros nas pernas.


O desnível desta prova é algo anormal para uma maratona de estrada, com duas subidas constantes, uma entre os 8 e os 16 kms e outra bastante extensa entre os 18 e 31 kms. Dali até ao final era uma descida constate, por isso sabia que o segredo desta prova estava em chegar inteiro aos 31 kms para poder aproveitar a descida até à meta. Por outro lado, a parte da prova onde normalmente estamos mais debilitados, o chamado "bater contra o muro", a acontecer, acontecia no início da descida. De qualquer forma e dada a dureza da prova, um bom resultado para mim seria fazer abaixo das 3h40m.

A partida foi algo de espectacular, no estádio de Maratona, com quase 18000 participantes, uma bela moldura humana, que fazia o sangue pulsar mais forte. Dois minutos após começar a correr, começa a cair uma copiosa chuvada em modo dilúvio, durou pouco tempo mas serviu logo para refrescar as ideias. Comecei demasiado rápido para o que queria a rondar os 4m40s/km, não me queria desgastar tanto tão precocemente. Ali por volta dos 4 quilómetros reparei num casal já com alguma idade, ele com lenço à pirata e sem t-shirt, por isso facilmente identificáveis, com um ritmo muito certinho e decidi aproveitar a bolei porque achei que era o ritmo certo para não me entusiasmar muito no início. Aos 10kms passei com cerca de 48m30s, ou seja, estava em cima do meu recorde pessoal da maratona, mas o pior estava prestes a começar por isso nem dei muita importância ao tempo, só queria continuar a correr com as boas sensações que estava a sentir.

Uma coisa que me marcou, foi a passagem pelo local dos terríveis incêndios do último ano, onde morreram quase 100 pessoas. Uma coisa é ver na televisão à distância, outra é estar no local, uma visão desoladora a perder de vista, tudo queimado, casas completamente destruídas para onde olhasse, como se tivesse caído uma bomba naquele local. E uma forte mensagem política dos espectadores da prova naquele local, vestidos de pretos, com bandeiras pretas, a mostrarem ao Mundo que se sentiam abandonadas pelo governo e que precisavam de ajuda.

Voltando à corrida, comecei a sentir um desconforto na minha bexiga, e pela primeira vez numa maratona tive de parar para urinar. Aproveitei estar na descida após os 16 kms de prova, para parar, sabia que ia perder a bolei do casal mas não conseguia aguentar até o final da prova, por isso evitava de estar ali desconfortável, e como estava a descer o recomeçar não seria tão custoso. Mesmo assim fiquei com o casal em linha de vista, apesar das muitas pessoas a correr consegui manter a marcação de modo a ter um ritmo constante. À passagem da meia maratona estava com cerca de 1h44m15s, estava a conseguir manter o ritmo até ali, mas continuava a ser uma altura ainda muito precoce de prova. Entre os 25 e 26 kms de prova foi a altura em que mais sofri, perdi o casal de vista, e senti que começava a perder a frescura, não me sentia mais confortável, pensei que seria o princípio do desfalecimento.

Após esse dois quilómetros consegui recompor-me, apesar de estar a perder tempo, o que era normal para a subida, ia conseguindo minimizar as perdas. No fim da subida sabia que faltava cerca de 11 kms para o final, estava com mais ou menos 2h36m30s de prova, contas rápidas de cabeça, e teria de fazer dali até ao final uma média de 4m50s/km para bater o meu recorde. Não sabia como o meu corpo ia reagir, mas tentei acelerar de modo a estar dentro do tempo necessário. A 8 quilómetros do fim estava com 2h50m30s, tinha recuperado em 3 quilómetros 1 minuto de atraso e só me faltava recuperar mais 30 segundos, foi a primeira vez que senti que podia bater o meu recorde. E continuei a tentar manter o ritmo, como era a descer era mais fácil. 

A 4 quilómetros do fim estava com 3h10m, mesmo em cima da média que precisava, bastava-me fazer a 5min/km até ao final para bater o meu recorde e baixar das tão desejadas 3h30m. Na maratona do Porto cometi o erro de sucumbir ao cansaço, e por pensar que estava dentro do tempo aliviei um bocadinho no final o que fez com que não baixasse das 3h30m, desta vez não ia cometer o mesmo erro. Consegui manter o ritmo e quando faltavam 2 quilómetros para o final, o meu gémeo direito começou a dar-me sinal, do género - "Se apertas mais comigo eu prendo." - sangue frio e concentração até ao final. À entrada do último quilómetro apanhei o senhor daquele casal com quem estava no início, era o último quilómetro e a descer, estava na altura de largar e deixar ali tudo o que tinha e não tinha. 

Entrada triunfante de pulso serrado no estádio Panathenaic e o tempo final de 3h29m02s, na posição 1004, tinha batido o meu recorde, tinha baixado das 3h30m, fazendo a segunda meia maratona ao mesmo ritmo da primeira meia maratona, não quebrei, e num percurso tão exigente bater o meu recorde foi algo que não tinha imaginado antes da prova. A cereja no topo do bolo foi a classificação dos meus companheiros, a nível dos portugueses em prova, e ainda éramos 63, no TOP 10 português, conseguimos colocar 5 representantes.

terça-feira, outubro 29, 2019

Lisboa on Top - 2 etapa

Depois do magnífico resultado da 1ª etapa, sabia que seria difícil de repetir, mas não ia deixar de tentar. O percurso desta prova já me era conhecido, já tinha passado pelos sítios algumas vezes em treino, por isso era como correr em casa. Mesmo assim fiz o reconhecimento do percurso, e a sensação que tive na altura foi, tenho uma pequena subida dura logo ao início, uma zona de plano, e uma subida longa de média intensidade.

Arranquei logo na frente com um miúdo de 14 anos que conheci na partida, sim 14 anos, mas da minha altura com um físico impressionante para alguém da sua idade. Na 1ª subida curta e dura ele passou por mim e impôs o ritmo, não fui ao choque porque já me conheço bem e deixei-me ir num ritmo que achei confortável para os 2 kms que ainda faltavam. Quando cheguei ao plano acabei logo por passar para a frente e juntou-se a nós outro corredor. Nessa altura que precisava que alguém impusesse o ritmo fui eu a frente, sabia que o meu calcanhar de Aquiles nesta prova seria essa fase plana, pois é onde não consigo ter tanta potência como os melhores.


Conforme começa a subida continuo a ouvir a respiração e passadas deles atrás de mim, numa curva o miúdo ainda se pôs a meu lado, mas a dada altura começo a sentir que começaram a ficar mais distantes, e depois de uma zona com declive mais acentuado olhei para trás e reparei que me estava a distanciar. Comecei também a ultrapassar corredores que tinham arrancado 10 minutos antes na série anterior à minha, percebi que estava a subir bastante bem apesar de estar com a respiração ao máximo, e de ter dificuldade em perceber se realmente ia rápido ou se devia tentar ainda acelerar um pouco mais. No final cortei a meta em primeiro com 15 segundos de vantagem para o miúdo e pensei que tinha feito um bom resultado. Sim fiz um bom resultado, a verdade é que a minha série até foi das mais lentas, na geral acabei por ficar em 7º lugar, o que não deixa de ser óptimo mas não fiz tão bom resultado como pensei quando cortei a meta em 1º lugar da minha série. Analisando depois o meu percurso no Strava, com outros corredores que ficaram a minha frente nota-se claramente que perdi tempo foi no plano e que apesar de ter ganho muitos segundos na subida não consegui recuperar o que perdi no plano.




segunda-feira, setembro 30, 2019

Trail dos templários

Depois de no dia anterior ter feito uma óptima corrida no Lisboa on Top, estava super confiante para esta prova, apesar do esforço do dia anterior. O objectivo novamente era ficar nos primeiros 10%, o que significava acabar abaixo do 15º lugar, e se me corresse bem quem sabe mesmo o Top 10. Esta já é uma prova com algum nível, inclusivamente o vice-campeão nacional de trail estava presente, por isso seria um belo desafio, e acima de tudo, um belo treino para a maratona de Atenas.

Arranquei bem, vendo agora as coisas, até demasiado bem, fiquei ali por volta da 6ª posição durante os primeiros quilómetros e a correr sozinho. Pouco depois dos 2 quilómetros senti um ardor intenso numa perna, tinha sido picado por algo, provavelmente abelha ou vespa. Fiquei algo apreensivo, apesar de normalmente não fazer reacção intensa a picadas, estava ali com o sangue a bombar a toda a velocidade e em esforço o que poderia potenciar o efeito da picada. Soube uns quilómetros mais a frente que tinham sido vespas e que não tinha sido o único a ser picado.

Ao 6º quilómetro distraí-me e enganei-me no caminho, a minha sorte foi que gritaram por mim e rapidamente voltei ao caminho correcto só sendo ultrapassado por 3 corredores. O último destes corredores foi um senhor que acabou por me acompanhar quase durante toda a prova, umas vezes um na frente outra vez o outro mas quase sempre juntos.

No abastecimento dos 14 kms mais ao menos a meio da prova, estávamos 4 corredores juntos, do 9º ao 12º lugar. Estava tudo a correr bem e era gerir o ritmo. Durante uma subida antes dos 20 kms eu e o senhor que muito me acompanhou, ficámos para trás e continuámos a ajudar-nos. Antes do abastecimento dos 25 kms, tropecei numa pedra e os músculos gémeos agarraram, além de ter ficado com o dedão a doer-me imenso. O senhor mais uma vez ajudou-me, deu-me um pacote de magnésio para eu tentar amenizar as cãibras e disse-lhe para seguir que não estava a aguentar o ritmo.


Quando cheguei ao abastecimento sentia-me totalmente vazio, sem forças nenhumas, estava a pagar também o esforço do dia anterior. Dali até ao final fui ultrapassado praí por 5 corredores, sendo que o último já foi dentro do último quilómetro. Classificação final foi 17º lugar um bocadinho abaixo do que pretendia, mas com um tempo final de 2h50m22s, abaixo das 3h que era também o objectivo. Agora quando vi a classificação por escalões fiquei frustrado, o lugar que perdi no último quilómetro fez com que ficasse em 4º lugar no meu escalão, apenas a 15 segundos do 3º lugar, mais uma vez bati na trave e fiquei com o lugar que ninguém quer. Também ficar no pódio 2 dias seguidos...não querias mais nada Tiago!?!?


domingo, setembro 29, 2019

Lisboa on Top - 1 etapa

Soube desta prova apenas 3-4 dias antes dela acontecer, e acabei-me por inscrever quase por brincadeira porque apesar de curta pareceu-me um belo desafio por ser sempre a subir. Quando cheguei ao local fui fazer o reconhecimento do percurso a trote, e ao chegar à última escadaria apercebi-me que tinha de me conter um bocado durante a parte inicial da subida, porque mesmo a trote, apetecia-me parar e cheguei lá acima ofegante e a suar.

Como só ia partir na 5ª vaga fui ver as vagas iniciais na parte a seguir à primeira escadaria, e o padrão repetia-se, os primeiros no final da primeira escadaria quebravam na subida seguinte. Desta vez comecei a aquecer com alguma antecedência, a prova era curta, intensa e teria de já estar bastante activo quando fosse dada a partida. Um bom resultado para mim seria acabar nos primeiros 10%, apesar de ser uma prova que me favorecia pelas suas características, se acabasse nos 40 primeiros já seria um bom resultado.

Arranquei forte, logo na frente, mas no início da subida não fui ao choque e deixei os primeiros distanciarem-se. Quando terminei a primeira escadaria ia em 5º lugar prai a 10-15 metros do primeiro. Na subida seguinte o padrão repetiu-se, ultrapassei 3 corredores e à entrada da segunda escadaria ia em segundo lugar. Afastei-me do corrimão e consegui ultrapassar a muito custo. Por momentos estive em 1º lugar, mas aqueles instantes que me afastei do corrimão e não o consegui utilizar para auxiliar na subida, do outro lado do corrimão fui ultrapassado por outro corredor que vinha ainda mais detrás. Dali até ao fim já estava no meu limite e só consegui acompanhar naquela dura subida, nem esbocei a ultrapassagem. Tinha acabado em 2º a minha vaga, super contente porque havendo 6 vagas tinha boas hipóteses de ficar no Top 10. Quando dei por isso no final da 6ª vaga tinha ficado em 3º no meu escalão, claro que fiquei super contente. Só não fiquei muito contente quando me apercebi que tinha batido na trave na geral e ficado com o lugar que ninguém quer, o 4º. Tinha perdido o 3º lugar por 1 segundo, e tinha sido contra o corredor que tinha ganho a minha vaga.  Claro que senão fosse ele, eu provavelmente não faria tão bom tempo, porque não era puxado ao meu limite, e assim poderia ser ultrapassado de qualquer modo por corredores de outra vaga, beneficiámos os 2 daquele aperto final. Resultado que não deixa de ser fabuloso, e me deixa super feliz e confiante que os treinos estão a resultar.




quarta-feira, abril 17, 2019

Triatlo longo de Setúbal

Depois da minha última lesão pouco consegui treinar para este triatlo, por isso o objectivo seria simplesmente desfrutar da prova sem grandes metas a cumprir. E tentar não sofrer em demasia, pelo menos no meu optimismo inicial. O meu maior medo era que tivesse vento, felizmente o dia esteve bastante bom para a pratica de desporto, tirando uma pequena chuva ao inicio do dia que tornou o percurso de bicicleta um bocadinho mais perigoso, tudo o resto estava óptimo.

Comecei por fazer uma coisa que nunca se faz, utilizei pela primeira vez o meu novo fato isotérmico, só o tinha experimentado fora de água e nunca tinha feito um único treino com ele. Fiquei logo danado quando reparei que tinha um pequeno corte numa perna, primeira utilização, primeiro dano, que raiva. Bem, o segmento de natação posso dizer  que me correu bastante bem, até à primeira bóia, a favor da corrente, íamos a voar dentro de água. Quando virei a bóia a corrente era claramente forte, a solução era encontrar uns bons pés e poupar forças. Tive sorte e encontrei os pés ideais, fui atrás de outro nadador a poupar forças durante mais de 1 quilómetro, ainda houve uma altura que pensei em passar para a frente porque parecia que o ritmo podia ser superior, mas mal saí de trás dele para o ultrapassar percebi que ia ser um esforço desnecessário para o ganho que teria, e por isso lá me mantive atrás dele. Depois da última viragem, quando voltámos a estar a favor da corrente e faltavam para aí 200-300 metros para o final, acelerei e ultrapassei ainda meia dúzia de nadadores até à praia. Menos de 36 minutos a fazer 2 quilómetros, sendo que grande parte do percurso foi contra a corrente, não poderia pedir melhor, aliás foi o segmento mais conseguido desta prova.

Entro no parque de transição e tenho a bicicleta no pior sítio do parque, logo mesmo à entrada, ou seja, nem tive tempo para despir o fato totalmente, e depois tive de atravessar todo aquele estreito parque a empurrar a bicicleta e a fazer slalons entre os outros atletas que se estavam a equipar. O percurso de bicicleta começa pela avenida Todi, a atravessar todas aquelas malditas lombas e passadeiras em empedrado, escorregadias e destruidoras de bicicletas. A minha bolsa da ferramenta que já não tinha os velcros muito bons, acabou por cair devido à vibração na bicicleta, e isto aconteceu 4 vezes durante o percurso da bicicleta, obrigando-me a parar para recolocar a bolsa, minutos precisos que poderia ter poupado. Na primeira passagem pela Arrábida percebi que o percurso era duro, já há algum tempo que não andava de bicicleta naquela zona e já não tinha bem a noção, mas de qualquer modo o ritmo não foi mau na primeira hora, estava com uma média de 27,2 km/h já depois de ter passado a serra, arriscando um pouco nas descidas.


Nos dois primeiros abastecimentos não consegui apanhar nada, apesar de ter diminuído bastante a velocidade na zona de abastecimento. Acho que a organização tem de escolher melhor as pessoas que põe no abastecimento, pôr uns escuteiros sem experiência nenhuma em abastecimento não é uma boa solução, inclusivamente houve um miúdo que me ia mandando ao chão porque ao tentar dar-me o abastecimento meteu-se quase à frente da bicicleta. A culpa não é dos voluntários que estão lá de muito boa vontade a ajudar, a culpa é de quem os mete lá sem lhes explicar que não é só agarrar numa garrafa e esperar que um ciclista lhes arranque a garrafa da mão.

Na parte mais plana do percurso pouco depois de sairmos de Setúbal em direcção à Mitrena, acabei por parar num ponte de abastecimento para garantir água e alimentação, visto que já tinha acabado tudo o que tinha levado inicialmente por minha conta. Essa era a zona mais rápida do percurso, a única zona onde compensava ir em pelotão e apesar de ser proibido eram só pelotões a passar por mim. Quando estava quase a chegar à Mitrena passam uns ciclistas por mim, e aproveitei para ir na roda deles, se apanhasse algum árbitro agora seria de frente e por isso conseguia descolar rapidamente sem ser penalizado, já que toda a gente o estava a fazer não vou ser mais santo que os Santos. Ainda foram quase 10 quilómetros a descansar na roda, o ritmo não era muito mais elevado que o meu mas ia a descansar. Na segunda hora de prova fiz média de 30,1 km/h, não é espectacular mas estava dentro do que queria.

Quando saio de Setúbal e apanho a primeira subida em direcção à serra da Arrábida senti que levei com a marreta, parecia que tinha perdido as forças. Aquela segunda incursão pela Arrábida foi no mínimo penosa, minimizar percas ao máximo, e sofrer, sofrer, sofrer. Na terceira hora de prova fiz média de somente 22,3 km/h, que empeno que levei. Até à meta ainda consegui não perder muito mais porque aproveitei bem as descidas para atacar as subidas mais curtas que se seguiam. Fiz média de 27,9 km/h nos pouco mais de 10 quilómetros que me faltavam até à meta, acabando o percurso de ciclismo com 3h23m23s, numa média total de 26,8 km/h, e caída do lugar 221 que saí do segmento de natação para o lugar 453.

Estava na hora de recuperar lugares, o tipo de transição que este triatlo possibilita, faz com que seja super rápida porque não nos temos de preocupar com a bicicleta, entregamos a bicicleta a elementos da organização, vamos até o local do nosso saco, tirar capacete e por ténis de corrida, já está. Na altura do primeiro retorno noto que o Frederico vinha em sentido contrário, mais ou menos 1 km atrás de mim, mas a um ritmo muito mais elevado, sabia que era uma questão de tempo até ele me passar, o que veio a acontecer ainda antes do quilómetro 6. Apesar das muitas ultrapassagens que fiz, ali por volta do quilómetro 8 o joelho esquerdo começou a dar sinal, a partir daí tive de controlar um bocado a passada para diminuir o impacto. Por volta dos 14 kms senti que estava a ficar sem forças, olho para o relógio e já levava os batimentos a 170 o que é perto do meu limite real, fiquei algo preocupado porque ainda faltava 1/3 da prova e eu já estava a entrar no vermelho. Passado pouco tempo olho novamente para o relógio e vejo 180 batimentos/minuto, tenho algumas dúvidas da veracidade e precisão deste valor, mas o meu coração estava sem dúvida já no limite, aí baixei bastante o ritmo, aliás até estive quase para começar a andar, acho que só por orgulho não o fiz.


Dali até ao final fui gerindo o esforço, tentando não quebrar muito o ritmo e consegui os mínimos que era acabar abaixo das 6 horas de prova. No segmento de corrida recuperei da posição 436 até à posição 378, não consegui recuperar tudo o que perdi na bicicleta, porque foi muito, mas não deixou de ser uma recuperação bem interessante. Neste triatlo estive bem no segmento de natação, muito mal no ciclismo (sempre o meu calcanhar de Aquiles) e aceitável no segmento de atletismo. Gostei bastante da prova na generalidade e provavelmente irei voltar a fazê-la.


quarta-feira, janeiro 02, 2019

S.Silvestre Amadora 2018

Acabar o ano como sempre, e como é bom, porque não? S. Silvestre da Amadora, a corrida de estrada que mais gosto de fazer devido ao magnífico público da Amadora. Esta corrida tem crescido imenso a nível de participantes nos últimos anos, principalmente depois de começar a ter a imagem da HMS, o que tornou a corrida muito mais comercial, muito mais um negócio, que é o que me tem desagradado mais na corrida. E de ano para ano as partidas estão mais confusas, ao ponto de já não fazer qualquer sentido não ter blocos de partida, numa estrada estreita e com quase 1600 pessoas. As partidas estão caóticas, misturar pessoas que fazem 1h ou mais de prova, com pessoas que como eu tentam chegar abaixo dos 40 minutos de prova, é só parvo, estorvam os mais rápidos e incomodam os mais lentos. Vendo os resultados era tão fácil, com blocos sub-45min tínhamos sensivelmente 400 pessoas, sub-55min mais 600 pessoas e o resto que seriam mais 600 pessoas, e melhoraria imenso a confusão inicial.

Quanto à corrida sei que manter o ritmo é impossível, há muita subida e descida, é muito difícil perceber se estamos no ritmo certo para o nosso objectivo. A melhor referência são os 5km que ia com sensivelmente o mesmo tempo do ano passado, quando fiz 40m30s, logo ali sabia que ia ser muito difícil baixar dos 40 minutos. A temida subida dos comandos para mim nem é a parte mais complicada da corrida e passei com alguma tranquilidade passado alguns atletas inclusivamente. Para mim por exemplo custa-me mais manter o ritmo no plano, e foi o que aconteceu a seguir à subida dos comandos, onde senti claramente que não estava a conseguir impor um ritmo suficientemente forte para seguir com os corredores à minha volta. Tentei aproveitar ao máximo aqueles 2 quilómetros finais sempre a descer, pensava que estava mais perto dos 40 minutos do que efectivamente estava e estava a dar tudo por tudo. No final fiz 40min45s, mais 15 segundos que no ano passado, foi um bom tempo de qualquer maneira. Este ano lá para o final, terei outra hipótese de baixar dos 40 minutos, algo que só consegui em 2015, e num percurso que era ligeiramente mais fácil.


segunda-feira, dezembro 17, 2018

S. Silvestre Almada

Foi a primeira vez que participei nesta São Silvestre, e o que posso dizer é que o percurso de Almada me apanhou totalmente desprevenido, ao ponto de achar que é a corrida de estrada mais dura que já fiz, inclusivamente mais dura que a S. Silvestre da Amadora e a Corrida do Fim da Europa. Não existem momentos de plano, talvez o único plano sejam para aí 300-400 metros junto às fragatas dentro do Alfeite, de resto é uma montanha russa constante, um sobe e desce quebra pernas e que torna quase impossível um ritmo constante.

A temperatura estava maravilhosa para correr, mesmo como gosto, assim um pouco frio antes de começar e que fica perfeita depois de 1 minuto a correr. Como a corrida tem um percurso complicado é difícil ter um grupo constante, o que foi acontecendo é que estava no meio de um grupo de uma dezena de corredores, conforme se subia haviam alguns que se distanciavam, claramente eu subo muito melhor do que desço e nessa altura ganhava sempre espaço, enquanto que outros desciam melhor e eu tinha de penar para não perder muito terreno. Outra coisa chata do percurso é que tem muito empedrado, e estando a chover como era o caso ficava muito escorregadio especialmente a descer. Aliás ao entrar para a recta da meta um corredor que seguia a minha frente estatelou-se, outro corredor ajudou-o a levantar e ambos mantivemos as posições ao cortar a meta, por respeito ao que tinha caído.

E aquela subida, já muito perto do final que começava ao pé da rotunda Centro-Sul e ia até ao centro de Almada, é uma prova de sofrimento, não posso dizer que me tenha saído mal pois ainda ultrapassei alguns corredores, mas a nível de tempo final é totalmente arrebatadora, matando qualquer esperança de um bom tempo. Queria fazer 40 minutos de prova, e aos 5 kms ia com 20m20s, o que aparentemente até era bom, mas pelo que tinha visto até ali percebi logo que seria praticamente impossível, estava a uma cota muito inferior ao que estaria a meta, por isso ainda iria perder muito tempo em subidas. O resultado final foi 41m09s, que dada a dureza da prova não foi nada mau, ainda por cima recuperei 8 lugares na segunda parte da prova.



Uma coisa que me apercebi, foi que o sensor do relógio que mede a frequência cardíaca pode ser bom para repouso, mas para provas é uma grande porcaria, sei perfeitamente que andei sempre muito perto do meu limite, e o que o relógio registou foi quase um ritmo cardíaco de treino, por isso só voltarei a fazer uma prova sem a banda cardíaca se me voltar a esquecer dela.

segunda-feira, novembro 05, 2018

Maratona do Porto

Há atletas que têm malapata com algumas provas, no meu caso a minha malapata é com a maratona, sempre que estou a preparar uma maratona acontece qualquer coisa para me dar cabo do resultado, ou são lesões, ou condições climatéricas adversas, ou percursos desadequados, ou simplesmente um mau dia da minha parte. Desta vez fracturei o cotovelo 5 semanas antes da prova, resultado, 2 semanas sem treinar de braço ao peito, retomo os treinos e faço 3 treinos numa semana sempre com imensas dores de costas, mais uma semana parado a tentar sequer dormir com imensas dores nas costas, e finalmente mais 2 treinos na semana antes da prova. Ou seja, em 5 semanas fiz 5 treinos, em que o somatório de tempo e distância não chegava ao que iria fazer na maratona do Porto. Quando me inscrevi na prova o meu objectivo era bater o meu record pessoal de 3h50m29s que já vinha da maratona de Lisboa de 2015, e de preferência baixar de 3h30m. Com todas estas peripécias, e apesar de alguma pressão familiar para não ir por não estar recuperado, decidi ir e simplesmente aproveitar e desfrutar da prova, sem nenhum objectivo a nível de tempo. Tenho de agradecer à Joana Pico pelas sessões de osteopatia e à Ana pelas sessões de fisioterapia, foram as únicas coisas que me aliviaram as dores nas costas, numa altura que nem dormir conseguia com tantas dores, e sem isso provavelmente não tinha ido à prova.

Numa manhã fria e chuvosa, o tempo de espera para o início da prova foi difícil de se passar, no entanto para mim era o tempo ideal para correr, temperatura fria quanto baste e uma chuva que apesar de não parar era maioritariamente aquela chuvinha dita "molha parvos" ou estando no Porto "molha tolos". Comecei a ver as bandeiras dos pace makers com 3.00, 3.15, 3.30, 3.45, 4.00, 4.30, 4.45, e julguei que aquilo era o ritmo ao quilómetro, ou seja, 3m00s/km, e caraças isto é uma corrida só para homens de barba rija. Só depois quando a corrida começou é que me apercebi que o 3.00 significava acabar a prova em 3h00m. Quando estava a menos de 5 minutos para o arranque da prova, já alinhado para partir, no meio daquele ambiente, daquela música, daquela multidão, pensei para mim - "Sinto-me bem, o que tenho a perder? Vou correr como se a preparação tivesse sido a ideal, provavelmente vou rebentar com grande estilo e mais cedo do que nunca na maratona, mas até quando me sentir confortável vou correr para o meu objectivo".


Mais ou menos por volta dos 3,5 quilómetros de prova chego à bandeira do ritmo de 3h30m de prova, estava a sentir-me bem e passo directamente, era o meu ritmo confortável por isso segui. No retorno em Leixões por volta dos 8 quilómetros reparo que estou mais ou menos entre as bandeiras de 3h15m e de 3h30m, mais do que perfeito, mas a maratona é uma prova longa e enganadora, sabia que isto eram só indicadores e que podia bater contra a parede a qualquer instante. Além disso o percurso era muito mais duro do que pensava inicialmente, pensava que era maioritariamente plano como a maratona de Lisboa, mas não, apesar de não ter subidas duras todo o percurso era muito ondulado.

Quando concluí os 16 quilómetros, e numa altura que o vento de frente me começava a incomodar, sentia que estava a perder ritmo, um grupo de mais ou menos uma dezena de corredores chegou ao pé de mim. O ritmo era mesmo o ideal 4m50s/km, decidi seguir com eles e abrigar-me do vento.Fomos trocando algumas impressões e sensações, na altura lembro-me até de dizer que me sentia bem, mas que até às 3 horas de prova era o aquecimento, dali para a frente é que começava a maratona, que normalmente até aos 32-34 quilómetros o corpo não acusa muito dali para a frente é que se tem de saber lidar com o desgaste. Aos 20 quilómetros o primeiro abastecimento sólido, quanto a mim veio um bocado tarde, e com a preocupação de conseguir agarrar alimento perdi um bocado o contacto, ainda por cima aquelas ruas da Ribeira com pedras escorregadias não me davam muita segurança, por isso tive de me acalmar e recuperar calmamente e só na subida que dava acesso à ponde D. Luís é que consegui recolocar-me novamente. Pouco depois a passagem pelo pórtico da meia maratona, onde estava sensivelmente com 1h43m, ou seja, tinha 2 minutos de margem para acabar a segunda parte da prova o que é uma margem mínima.


Quando damos a volta do lado de Gaia por volta dos 24,5 quilómetros de prova, noto novamente o vento de frente, claramente o vento soprava de Este, e apesar do ritmo naquela altura já não ser confortável para mim, já nem conseguia falar, percebi que era importantíssimo continuar dentro do grupo abrigado, até darmos a volta já do lado do Porto em direcção a Oeste, e passar a ter o vento pelas costas. Por volta dos 26 quilómetros, depois de passarmos por baixo da ponte da Arrábida o grupo começa a perder elementos, eu com algum custo lá me fui aguentando na cauda do grupo. Até que por volta dos 30 quilómetros, durante um abastecimento perdi o contacto, o coração estava demasiado acelerado, e percebi que se me esforçasse mais para apanhar o grupo novamente iria pagar muito caro. Como estava quase a inverter o sentido em direcção a Oeste não me preocupei muito, mesmo assim estive 14 quilómetros com este grupo o que se revelaria fundamental. Uma coisa que faço constantemente quando corro são contas de cabeça, faltavam-me 12 quilómetros para o final, tinha mais ou menos 3 minutos de vantagem para o ritmo que queria no final, o que dava que teria de fazer mais ou menos 5m15s/km até ao final.


Durante os 4 quilómetros seguintes achei que estava em controlo do que se passava, inclusivamente consegui ultrapassar 3 elementos do grupo onde inicialmente estava integrado. Mas tinha chegado a hora do sofrimento, estava com dificuldades em mater o ritmo, só pensava que não podia desperdiçar a oportunidade de fazer 3h30m estando já tão perto do final. Tranquilizei um bocado quando o relógio marcou 39 quilómetros e eu tinha 3h12m de prova, ou seja, para 3,2 quilómetros que me faltavam tinha de fazer um ritmo de mais ou menos 5m40s/km, totalmente controlável. Mas um sentimento de insegurança tomou-me quando o relógio marcou 40kms, mas a placa dos 40kms da organização estava ainda algo distante, seria a placa que estava mal colocada ou o relógio que estava com erro? Decidi acelerar o máximo que pudesse para não ser apanhado desprevenido. Já depois de ter entrado no último quilómetro, sou apanhado pelo pace maker com 3h30m de prova, ele a falar com outro atleta disse que faltavam 5 minutos para as 3h30m, olho para o meu relógio e a mim faltava-me praticamente 6 minutos, fiquei descansadinho da vida, nem preocupei em segui-lo, deixei-o ganhar 40-50 metros quando começámos a entrar nos insufláveis da meta, tinha 3h28m e segundo o meu relógio faltavam 200 metros para o final. Mas os insufláveis nunca mais acabavam, o último que via era branco, que era diferente dos outros assumi que era ali o final, quando lá chego tinha 3h29m50s e apercebo-me que ainda tenho de cortar à esquerda e ainda faltavam praí 100 metros,  desatei a sprintar, mas cortei a meta com 3h30m10s. Alguma frustração por não baixar oficialmente das 3h30m, mas não deixou de ser um tempo muito melhor do que alguma vez imaginei depois de toda a falta de preparação, e finalmente consegui um record já respeitável na maratona.

Agora infelizmente nem tudo foi bom, aliás atrevo-me a dizer que o que se passou a seguir a cortar a meta foi péssimo e imperdoável. Ao me deslocar para a recolha do meu saco deparo-me com filas intermináveis, onde estive mais de 30 minutos ao frio e à chuva, algo totalmente inaceitável e que devia deixar extremamente envergonhado qualquer organizador. Quando chego perto da mesa para a recolha dos sacos depara-me com um cenário onde todos os sacos estavam amontoados, tudo ao molho e fé em Deus, à chuva, e onde quem entregava os sacos pareciam baratas tontas a tentar encontrar cada saco no meio de centenas de sacos, uma falta de profissionalismo e um amadorismo a todos os níveis.

Antes de me entregarem o meu saco ainda, tive de deixar passar um senhor que por se estar a sentir mal, foi-se embora sem sequer recolher o saco dele, isto é o respeito que os organizadores tiveram para com os atletas que encheram a prova, depois de um esforço de correrem mais de 42kms. E no final a cereja no topo do bolo, recebo o meu saco, com a minha roupa que esperava estivesse seca para me trocar e estava toda ensopada porque o saco estava à chuva. Com isto tudo cheguei a um dos hotéis da organização, já eram quase 14h30m, e tinha de fazer o checkout até às 15h, escusado será dizer que mal deu para tomar banho. Para não falar na má imagem pela qual fizeram passar o nosso país, com imensos participantes estrangeiros a reclamarem, e tal como nós, a dizerem que nunca tinham passado por nada idêntico, nas diversas maratonas que já tinham feito por esse Mundo fora. Por isto tudo não voltarei a participar na maratona do Porto e desaconselho outros atletas a participarem.

segunda-feira, julho 09, 2018

Triatlo Longo de Caminha 2018

Caminha foi o primeiro triatlo longo que fiz, e na altura apesar de ter doído imenso fiquei sempre com vontade de voltar pela beleza da prova. Este ano infelizmente o segmento de bicicleta não foi na belíssima Serra D'Arga, mas por outro lado tornou o percurso muito mais fácil, mas já irei a essa parte. O pré prova não foi lá muito bom, no dia anterior fomos jantar rodízio de pizza durante o jogo de Portugal, 2 horas a comer portanto. Escusado será dizer que a meio da noite todas aquelas pizzas não me caíram bem e passei grande parte do tempo agarrado à sanita. Depois de mal ter comido o pequeno almoço lá fomos para a prova. A manhã estava mesmo convidativa, quase sempre a chover e algumas vezes com alguma intensidade, só me perguntava o que estava ali a fazer e que estava sem vontade nenhuma de competir.


Lá fomos nós até o meio do Rio Minho, onde somos largados para os quase 2000 metros do segmento de natação. Os tempos deste segmento não podem ser comparados a nenhum outro segmento de natação, o percurso é feito a favor da corrente o que torna este segmento super rápido e tranquilo. O único ponto onde temos de ter mais cuidado é a chegada ao caís, pois o Rio Coura desagua no Rio Minho o que cria corrente lateral e se não formos o mais junto à margem possível antes da união, facilmente somos arrastados e temos de nadar contra a corrente para chegar ao caís. Fiz 28m20s de tempo de natação, com disse, só mesmo a favor da corrente é possível fazer este tempo canhão.

Seguindo para o segmento de ciclismo, como já tinha dito este ano não tivemos de enfrentar a duríssima Serra D'Arga, o percurso foi muito mais fácil, apesar de não tão fácil como esperava, tem um ondulado chato. O meu objectivo era fazer média de 30km/h, ou seja completar o segmento de ciclismo abaixo das 3h. O percurso consistia em 4 voltas a um circuito e logo na primeira volta reparei que o vento soprava de sul para norte, o que criava discrepâncias grandes na velocidade em que se fazia cada parte do trajecto, por isso teria de analisar a média volta a volta. A chuva continuou a ser uma constante, mas como o percurso era pouco técnico e só de atingia alguma velocidade em pequenas descidas que tínhamos naquele percurso ondulado, os grandes perigos eram só mesmo as rotundas. Ao fim da primeira hora estava com 30,5km/h de média, e quando estava a meio do percurso, com duas voltas completas estava com 1h28m de prova, por isso estava dentro do tempo que desejava.

Na terceira volta tive de parar para a aliviar a bexiga, quase quando estava a chegar à parte mais sul do percurso, e aproveitei para respirar 1 minuto. O vento estava a ficar mais forte o que tornava o segmento que ia para sul cada vez mais difícil. Quando estava quase no fim da 3ª volta passam os primeiros por mim, aquilo pareciam locomotivas, que diferença de andamento. Aos 60kms estava com 1h58m30s, apesar de ter perdido um tempinho com a paragem, ainda estava acima de 30km/h. O problema foram os 10kms finais, depois do esforço do último troço que me levava até a ponta mais a sul do percurso, comecei a sentir que estava a perder gás, e nos últimos 10kms já não consegui manter a média. De qualquer forma o tempo final do ciclismo foi de 3h02m48s, o que me abria boas perspectivas de bater o meu record pessoal no triatlo longo, só precisava de fazer uma corrida abaixo de 1h40m, que é algo que não sendo super fácil depois da tareia que já levava, era perfeitamente alcançável.


O percurso de atletismo apesar de ser plano, tem piso irregular e muito diferente, alcatrão, passadiço, areia, empedrado, o que é uma dificuldade adicional. Comecei a um bom ritmo de 4m30s/km, mas depois de 3kms reduzi ali para 5min/km, sentia-me mais confortável, e já tinha ganho alguma margem para conseguir 1h40m de tempo final se mantivesse o ritmo. Na zona do retorno havia um segmento de empedrado, quando vejo toda a gente a sair da estrada e a correr no passeio que era mais regular, olha que boa ideia pensei eu e fui também para o passeio para não massacrar tanto os pés. Nisto há um árbitro que me manda parar, devo dizer que já ando pelos cabelos com os árbitros do triatlo, por isso o meu nível de tolerância com eles está mesmo no mínimo, assim como o respeito que tenho por eles, porque na sua maioria não o merecem. Então a conversa foi basicamente isto:

-"Não sabes que não podes ir pelo passeio, sai lá aí de cima e para aqui!" - E nisto o triatleta que ia atrás de mim salta do passeio para a estrada e passa por nós.
- "Ok está bem não sabia" - E preparava-me para seguir caminho
- "Onde vais? Já te dei autorização para seguir? Onde viste a última indicação do percurso?"
- "Foi lá atrás, havia uma seta a dizer para cortar à esquerda. Não dizia nada que tínhamos de ir fora do passeio." - E continuavam a passar outros triatletas pelo passeio.
- "Então volta lá atrás até essa seta e faz todo o percurso pela estrada." - Bem nesta altura é que perdi o último pingo de paciência, não tinha feito nada que me tivesse dado vantagem sobre os outros triatletas, todos o estavam a fazer, não tinha cortado caminho, simplesmente estava a ir por um sítio que era mais confortável ao pisar. Estava farto daquele parvalhão, prepotente, que deve de ser um recalcado que não dá ordens a ninguém na vida, e vai para ali descarregar as suas frustrações do dia a dia.
- "Deve de ser verdade! Vai tu lá atrás!" - E viro costas e começo a correr quando oiço.
- "Olha que eu tenho o teu número e vou desclassificar-te." - Nisto eu viro-me para trás e ainda respondo.
- "Faz o que quiseres...ah e já agora... desclassifica também aqueles que vêm ali atrás." - E apontei lá para o fundo, para outro grupo que vinha no passeio. Vamos lá ver, aquelas ameaças de desclassificação até podem assustar a maioria, mas eu sou um atleta do meio da tabela para trás, não luto por pódios, e neste caso até tinha 5 colegas meus à minha frente por isso nem para a classificação por equipas contaria, a minha luta é contra mim e contra o relógio, o que me interessa é o meu tempo final, não é se acabo no lugar 150 em 200 ou se sou desclassificado.

Quando estava a acabar a primeira volta passo por dois colegas meus a Diana (que foi a 3ª classificada feminina) e o Paulo. Nessa altura, a meio do percurso, estava com menos de 50 minutos de corrida, por isso o meu objectivo de bater o meu record estava intacto. No entanto nessa altura começou a doer-me mais o joelho esquerdo, algo que já me vinha a incomodar ligeiramente desde o fim do ciclismo, e quando acaba o quilómetro 13 tive de diminuir um pouco a velocidade. Quando vou a passar pelo pinhal vem o tal árbitro a andar em sentido contrário, ainda pensei eu perguntar-lhe se já me tinha desclassificado, como provocação, mas achei que lhe estaria a dar mais importância do que ele merecia. Dali até ao fim foi gerir, não queria massacrar muito o joelho para não me lesionar, mas queria acabar. Ainda fui ultrapassado por 3-4 corredores, o que não é nada habitual no final de um triatlo, mas acabei. O tempo final foi de 5h21m32s, ainda fiquei algo longe do meu record, mas talvez um dia destes o consiga bater. E ainda acabei por contar para a classificação da equipa, não fui desclassificado, e o Mário que tinha sido o primeiro da equipa foi desclassificado ainda não sabemos porquê, mas pronto deve ter sido mais uma picuinhice da arbitragem.

segunda-feira, junho 11, 2018

Swim challenge Cascais

Que belo dia que poderia estar no dia de Portugal para uma bela prova de natação de águas abertas, poderia, mas não esteve, chuva, água gelada, a única coisa que se aproveitava era o mar estar calmo. Depois da má prova de natação no triatlo de Oeiras estava com algumas expectativas para ver o que iria dar esta prova, quase 200 pessoas à partida para uma prova de 3,8kms a nadar é algo notável, ainda para mais a começar às 8h30m de uma manhã chuvosa e fria.


Arranquei rápido para tentar fugir à confusão, até à primeira bóia que estava a cerca de 250m da margem foi a dar forte para chegar à bóia antes da grande confusão, passei a bóia ao lado do Vítor que é um nadador muito melhor, e que acabaria com menos 8 minutos que eu, por isso sabia que estava acima do meu ritmo. O resto desta volta foi a ajustar, fui sendo passado por alguns grupos tentando permanecer o máximo em cada grupo. Quando acabei a primeira volta estava com cerca de 35m30s, o que abria a perspectiva de um óptimo tempo final talvez até abaixo de 1h10m que seria claramente o meu record.


A segunda volta foi mais estável a nível de grupos, consegui ir sempre junto a alguém não havendo grande oscilação de ritmo até à bóia mais distante. O que não estava bem era o meu fato, devido aos imensos remendos que já tem no ombro e axila esquerda, estava a começar a ficar com queimaduras por fricção, se em distâncias mais curtas não me incomodava, agora estava mesmo a tornar-se um problema. Quando iniciei o retorno estava com 55 minutos, sabia que 15 minutos para retornar seria apertado, por isso decidi acelerar um pouco o ritmo e tentar imprimir mais força nas braçadas. Nessa altura estava só com um nadador que ia quase sempre ao meu lado, parecia-me o Rui pela maneira como entrava com a mão na água, mas não tinha a certeza se era ele. Quando estava quase a chegar à última bóia bate a 1h10m, não ia conseguir baixar da barreira de 1h10m, mas como estava com outro nadador à minha frente e o Rui (que eu não tinha a certeza que era ele) não me largava os pés, decidi que era dar tudo por tudo para quando chegasse à areia estar pelo menos ao lado do nadador que estava à minha frente, e depois provavelmente como corro bem e estou habituado às transições seria mais rápido a passar da posição vertical para horizontal e a chegar à meta em corrida. Assim foi, e o Rui também ainda conseguiu ultrapassar o outro nadador, acabei com 1h13m36s na posição 100, com menos 9 segundos que à 2 anos, num percurso tão grande engraçado que foram uns míseros 9 segundos de diferença. A única coisa que correu menos bem foi a distância que fiz, foram quase 4 km, o que me indica que não estive assim tão bem a nível de navegação e não andei tão a direito quanto devia.

terça-feira, maio 29, 2018

Triatlo Oeiras 2018

Este foi o primeiro triatlo do ano, e já estava com algumas saudades de fazer triatlo e reunir-me com a equipa. O dia estava com condições meteorológicas excelentes para a prática de desporto, a temperatura amena, sem vento, e as condições do mar óptimas como eu nunca tinha visto nas últimas 5 edições do triatlo de Oeiras. Em primeiro lugar os meus parabéns à organização, ter partidas divididas por escalões foi uma óptima solução para o problema de ter imensos atletas inscritos, evitou a típica confusão no início do segmento de natação, aliás posso dizer que provavelmente foi o segmento de natação menos confuso que fiz alguma vez num triatlo curto. Pessoalmente não me senti muito bem neste segmento, bastante ofegante sem nenhum motivo aparente e só depois da viragem da primeira bóia senti que a minha natação estava mais fluída. Acabei quase com 14 minutos o segmento.

No segmento de ciclismo formou-se rapidamente um grupo de 5-6 ciclistas onde rodávamos a uma velocidade bastante boa. Mas nunca me senti confortável no grupo, senti sempre que estava em esforço, e quando chegámos à subida do Alto da Boa Viagem, acabei logo por ficar para trás não conseguindo seguir com o grupo e baixando bastante a velocidade. Após a viragem em Algés voltei a conseguir entrar num grupo que me apanhou, mas a história repetiu-se e quando cheguei novamente à subida em sentido inverso do Alto da Boa Viagem fiquei para trás. À chegada a Paços de Arcos vem outro grupo e tento seguir com o grupo, mas não estava a conseguir igualar a velocidade do grupo, já estava muito perto da cauda do grupo e a pensar que não conseguiria seguir com eles, quando o Nélson foi o salvador da pátria e deu-me um ligeiro empurrão que foi o suficiente para eu conseguir seguir com o grupo. A velocidade aumentou e estava mais descansado, só vantagens, e foi a única altura que me senti bem em todo o segmento. Ainda partilhei a minha água com o Nélson, mas a ajuda que ele me tinha dado tinha sido muito superior.

À saída do parque de transições para o segmento de corrida, junto à zona de abastecimento, há um idiota que me dá um toque no calcanhar e eu quase que vou ao chão. Em vez de pedir desculpa como era natural ainda refila que eu não ia a direito, claro, uma estrada tão grande ele queria-me passar junto à mesa de abastecimento quando eu me aproximava para apanhar uma garrafa de água. A pressa era tanta e a velocidade dele era tão grande que passados 200 metros já o estava a ultrapassar e a deixá-lo "apeado". Sem dúvida que este é o meu melhor segmento, sentia-me bem, solto, a ultrapassar imensos atletas. No final da primeira volta o Filipe ainda chega ao pé de mim, passei-lhe a minha garrafa de água que ele não tinha conseguido apanhar nenhuma e incentivei-o para acabar forte. O tempo final não foi grande coisa apesar da óptima recuperação no segmento de atletismo, acabei acima de 1h10m.


AnoTempo finalS1T1S2T2S3
20141h14m51s15m11s2m55s35m09s1m06s20m30s
20151h12m04s13m24s3m03s32m46s1m32s21m32s
20161h02m59s11m08s2m49s28m56s56s19m07s
20171h07m40s11m31s3m04s30m20s1m10s21m34s
20181h10m48s13m54s2m55s33m50s1m03s19m06s

Olhando para a tabela dos meus tempos das minhas participações no triatlo de Oeiras, é claro como água o que se passou na minha prova e claramente há uma relação directa com o tipo de treino que ando a fazer. O atletismo estou tão ou mais forte como quando andei a treinar para o Ironman, o ciclismo está pela hora da morte, quase não consigo treinar e isso reflecte-se claramente, o segmento da natação para mim é um mistério, sinto que tenho treinado bem, as condições do mar estavam propícias a bons tempos, mas não me senti bem dentro de água e o tempo indica que não fiz um bom segmento. A próxima prova que vou ter será o swim challenge, numa distância de 3,8 kms e aí poderei averiguar se realmente foi um mau dia de natação ou se realmente não estou tão bem quanto pensava.

segunda-feira, maio 07, 2018

Eco maratona Lisboa 2018

Desde o Ironman que não tinha voltado a fazer uma maratona, não me tinha sentido suficientemente desafiado para o fazer, mas devido à dificuldade do percurso a Eco Maratona de Lisboa chamou-me a atenção, e vi aqui um desafio interessante e diferente do que estou habituado.

A semana antes da prova não foi propriamente a melhor a nível de preparação, andei durante 2 dias bastante mal disposto, a vomitar, com diarreia, a comer mal e a desidratar, além disso mal consegui treinar. Mas devo de admitir que esta nem era a minha maior preocupação, estava mais preocupado com os meus joelhos, já há muito tempo que não corria mais de 30kms e normalmente quando corro distâncias maiores os joelhos começam a doer. Antes da corrida lá passei o belo do Voltaren nos joelhos e rezei a todos os santinhos para que não me doessem.

O dia estava demasiado quente, a sorte é que a corrida iria decorrer quase inteiramente em Monsanto onde as árvores nos iriam abrigar do calor. Na linha de partida começo a olhar para toda a gente que não era muita, e eram só cromos da corrida, pareciam-me todos super batidos, super bem preparados, ao ponto de pensar para mim que o importante era acabar e tentar não ficar nos 10 últimos. Olho para um rapaz de sandálias e pensei que pelo menos à frente deste devo ficar, quem se lembraria de fazer uma maratona trail de sandálias?

A corrida começou bastante calma a um ritmo que não deveria ser superior a 4m30s/km, ainda pensei em seguir com o grupo da frente, mas aquilo era uma maratona, por isso era melhor conter o meu ímpeto e seguir ao ritmo mais confortável possível e deixar passar quem quisesse passar sem tentar ir atrás. Por volta dos 4 km de corrida passa o rapaz das sandálias por mim e pensei que nem este ia ficar atrás de mim, devo estar mesmo a deixar-me ficar para os últimos lugares. Ainda lhe perguntei como era possível fazer uma maratona de sandálias, ao que ele me respondeu que estava em vantagem porque ia mais leve. Mas pouco depois demos a volta e comecei a ver em sentido contrário os corredores que iam atrás de mim, e ainda eram muitos e alguns já com má cara, por isso pensei que dos últimos lugares me iria livrar.

Durante algum tempo andei a passar alguns corredores nas subidas que posteriormente passavam por mim nas descidas e isto durante algum tempo. Por volta dos 7 kms segui durante algum tempo com o meu primeiro companheiro de corrida o Ulisses Nunes. Partilhámos experiências de corridas antigas, de desafios, e fomos ali na conversa de modo a que a corrida custasse menos. Como estávamos os 2 a gerir a prova, foi uma óptima companhia para ir controlando o ritmo de uma maneira inteligente. Aos 10 km ia com 57 minutos de prova na posição 31 da geral, se conseguisse continuar a este ritmo seria óptimo, pois com a elevada altimetria da prova seria bastante difícil fazer melhor.

Aos 14,5 kms cruzámos com a prova da meia maratona que tinha saído 1h depois de nós, e por sorte o João Maria viu-me e seguimos juntos, visto que o percurso seria o mesmo durante algum tempo. Por volta dos 17 km disse ao Maria para seguir sem mim, estávamos a entrar na subida ao lado da A5, ele tinha menos 11 kms nas pernas e menos 1h de prova que eu, e senti que não devia de ir ao choque com ele, além disso quando ele acabasse para mim ainda me faltaria cerca de 1h de prova, por isso não me podia desgastar tão cedo na prova. Por volta desta altura também perdi o Ulisses, durante a subida ele não conseguiu seguir comigo e ficou para trás.

Aos 20kms estava com 1h51m15s de prova na posição 28, tinha recuperado 3 lugares, muito graças à subida onde sou mais forte que a maioria. Tinha demorado 54m15s nos segundos 10 kms de prova, estava mais rápido, apesar de ser relativo comparar devido à imensa altimetria da prova que era diferente ao longo do percurso. Por volta dos 20,5 kms fiquei com o meu 2º companheiro de corrida, o João Antunes, comentámos entre nós que o facto de termos ido juntos com a meia maratona, mesmo que fosse inconscientemente, tinha feito com que aumentássemos o ritmo. Ao quilómetro 22,5 apanhei o rapaz das sandálias, ainda lhe disse para seguir connosco, mas ele respondeu que não era o dia dele e ficou ao seu ritmo. Por volta dos 24 kms numa descida mais acentuada deixei o João seguir, ele estava bem e preferi seguir no meu ritmo.

Ao quilómetro 26 no 3º posto de controlo, estava na posição 26, tinha conseguido recuperar mais 2 lugares. Ali por volta dos 28 kms foi quando me senti pior, sentia-me cansado e parecia que estava a quebrar o ritmo, apesar de não estar a ser passado por ninguém também não estava a conseguir manter o meu ritmo nem via ninguém. E andei assim para aí durante uns 8 quilómetros, meio em gestão, sem grande motivação porque não via ninguém nem atrás nem à frente. No posto de controlo aos 30 kms estava na posição 25, mesmo quebrando o ritmo tinha recuperado mais uma posição e estava com 2h49m25s de prova, tinha demorado 58m10s nos terceiros 10 kms de prova.

A minha motivação só voltou perto dos 35 kms quando voltei a ver um corredor à minha frente. Comecei a contar o tempo e ele estava cerca de 30 segundos à minha frente, decidi por enquanto não aumentar muito o ritmo e calmamente ir chegando ao pé dele. E logo na subida seguinte ele começa a andar, tarefa facilitada, passei por ele a correr e ele nem tenta vir comigo. Quase a chegar aos 36 kms havia um posto de abastecimento onde vi mais um corredor à minha frente que estava a demorar um pouco a comer e a beber no posto de abastecimento. À saída do posto deveria levar 15s-20s de atraso em relação a ele. O terreno era maioritariamente a descer e estava com alguma dificuldade em fechar o espaço, mesmo tendo aumentado o ritmo, mas lá consegui ir-me aproximando progressivamente. À entrada do quilómetro 37 havia uma pequena subida e decidi que era ali, já faltava muito pouco para o final e era queimar tudo o que tinha ali para o passar e deixar definitivamente para trás, apesar de saber que a subida final até o parque Eduardo VII me iria favorecer mesmo no final preferi cavar logo ali algum tempo para poder gerir no final. Aos 38,5 km olhei para trás e já tinha aberto uma boa distância que me dava algum conforto até ao final, mas como estava com boas sensações continuei a apertar o ritmo. Quando cheguei à última subida junto ao Jardim da Amnistia Internacional, a distância ainda tinha aumentado mais e sabia que poderia fazer a subida final tranquilamente. Acabei com o tempo final de 3h58m33s, ainda abaixo das 4h quando inicialmente queria fazer abaixo das 4h30m para considerar um bom resultado, na posição 21 entre 101 corredores que acabaram. Não posso dizer que é o meu 2º melhor tempo de sempre na maratona porque a prova tinha 41,5 kms, mas não deixou de ser um óptimo tempo final.


Relive 'Lisboa Eco Maratona 2018'


quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Meia maratona de Cascais

Mais uma meia maratona, esta com uma boa preparação feita e com o objectivo de baixar o tempo de 1h25m. Temperatura ideal e incrivelmente quase sem vento, tudo condições óptimas. Como parti do bloco dos menos de 1h45m, ao início ainda tive alguns problemas até meter um ritmo certo, a minha ideia era apanhar bandeira dos 4min/km, mas à entrada da estrada do Guincho desisti da ideia, fiz um quilómetro a 3m50s e parecia que a bandeira estava a fugir. A decisão foi encontrar alguém que puxasse por mim para não ir de peito ao vento, e tentar não perder de vista a bandeira.

Cheguei aos 10kms, no meu GPS, com 40m10s, não estava longe do objectivo, e ia a sentir-me muito bem, por isso tinha esperanças de conseguir baixar da 1h25m. Por volta dessa altura passou um atleta ligeiramente mais rápido, aproveitei a boleia e fui com ele, visto estar-me a sentir bem e já não faltar muito para dar a volta, o que facilitaria porque passávamos a estar a favor do vento.

O problema surgiu por volta do quilómetro 16, comecei a sentir-me imensamente cansado, não eram dores de pés ou pernas, não era o coração descontrolado, simplesmente era falta de força. Durante esse quilómetro ainda consegui seguir com o grupo onde estava, mas fiquei mesmo muito desgastado ao ponto de pensar em parar para recuperar. Consegui seguir mas tive de baixar o ritmo, o meu objectivo de acabar abaixo de 1h25m estava irremediavelmente comprometido, mas queria pelo menos bater o meu record pessoal de 1h27m23s feito já há mais de 2 anos


Durante este período vi o Felício um pouco à minha frente que estava a fazer de guia para a mulher que ia em 2º lugar, a motivação era tentar apanhá-los, assim sabia que não perderia muito tempo. Depois do quilómetro 19 quase que os apanhei a seguir à subida a chegar à casa da Guia, contudo no plano não consegui acompanhar a passada deles, estava mesmo muito cansado, faltava pouco para o fim e era quase sempre a descer, era serrar os dentes e aguentar o sofrimento até ao fim. Cheguei ao fim com 1h26m35s, record batido sim, mas ainda com o objectivo de 1h25m para outra corrida, Não posso dizer que tenha sido mau, bem pelo contrário, mas faltou a cereja no topo do bolo. Os meus parabéns ao Nuno e ao Maria por terem completado a primeira meia maratona, agora já sabem é sempre a subir e o objectivo seguinte é a maratona.


quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Corrida fim da Europa

Foi a primeira vez que fiz esta corrida, todos os meus amigos diziam que era belíssima, que devia fazer, então este ano fui experimentar. A logística da corrida é um bocado chata devido ao facto de começar num sítio e terminar noutro, além disso estacionar o carro é outra complicação, tem de ficar a mais de 2 quilómetros da meta, e ainda levei com uma fitinha da polícia, eu e toda aquela fila de mais de 20 carros que estacionou naquele sítio, espero que não me apareça agora uma multa em casa.

Deixei o carro na Azoia ainda antes da 8h para apanhar o autocarro da organização em direcção a Sintra, onde a corrida só começava para mim às 10h15m. Estava um frio de um raio mas gosto de correr de calções e t-shirt, por isso aproveitei para estar agasalhado o máximo tempo possível e só por volta das 9h30m é que meti a roupa no meu saco que era transportado até à meta. Ainda bem que a organização dividiu a partida em 2 vagas uma às 10h e outra às 10h15m, eu até fiquei muito bem posicionado logo no início da 2ª vaga, mas acho que o ideal seria ainda haver mais vagas, com menos atletas de cada vez, e em intervalos mais curtos.

A primeira parte da corrida foi bastante divertida para mim, adoro fazer subidas e os 4 primeiros quilómetros eram a subir a sério. Aquela subida é uma sucessão de S's onde conseguia ir vendo a cabeça da corrida na laje seguinte à que eu estava. Aos 13 minutos de corrida começo a ultrapassar atletas que tinham partido no grupo das 10h e comecei cada vez a ver mais gente, acabando por perder a noção de onde estavam os primeiros do meu grupo. Aos 5 quilómetros de prova ia com 24m03s na posição 51, a subida mais longa tinha terminado a prova ia tornar-se mais fácil e sabia que sem subida ia começar a ser ultrapassado. Por volta dos 8 quilómetros ainda fiz uma pequena entorse no tornozelo que me fez abrandar um bocadinho o ritmo durante 1 quilómetro, até a dor passar mais. Aos 10 quilómetros a última grande subida, não muito longa mas bastante inclinada.

A partir dali era sempre a descer até ao final, esta parte do percurso é extremamente bonita, assim como grande parte do percurso, talvez a corrida mais bela de estrada que já fiz, mas nada comparado a corridas de trail. Neste momento tentei-me 'agarrar' a outros 2 corredores de modo a manter um ritmo vivo, como era a descer sabia que senão tivesse alguém para marcar, acabaria por me desleixar pela facilidade e não daria o máximo na descida. Cheguei ao fim com algumas dores nas unhas dos pés devido à descida empurrar os pés dentro dos ténis, mas tirando isso fisicamente estava bastante bem. Ficar na posição 74 entre mais de 2200 atletas foi excelente, estes percursos mais exigentes com mais altimetria favorecem as minhas características. Depois mais 2-3 quilómetros a andar a pé até ao carro, gostei muito da corrida mas não sei se volto a participar devido à logística.



terça-feira, janeiro 02, 2018

São Silvestre 2017

A tradição manteve-se e mais uma vez para terminar o ano nada melhor que a São Silvestre da Amadora. A temperatura estava fria como habitual mas sem chuva, ideal para correr, ao fim de 15-20 minutos de aquecimento já conseguia tirar a camisa de mangas compridas e correr com uma simples t-shirt técnica.

O arranque é sempre a mesma confusão, que aumenta de ano para ano conforme o número de pessoas aumenta, e não havendo partida segmentada por tempos é um bocado difícil começar a correr nos  primeiros 300 metros, onde se perdem segundos preciosos. Sei que a subida inicial de 2,2km é preponderante para o resto da corrida, tem que haver sempre uma gestão entre esforço e perda de tempo, não acelerar demais para não chegar muito desgastado ao topo mas também não abrandar demais e perder segundos irrecuperáveis.

No topo senti-me bem, estava já a perder 30 segundos para a média de 4min/km, mas era recuperável, alarguei passo na descida e comecei a controlar a respiração. Por volta dos 4km há outro corredor que me pergunta se estou a controlar o tempo. Respondi-lhe com a média que estávamos de 4:05min/km, e ele disse que tinha o objectivo de 4:30/km que ia tentar ir comigo. Nas subidas eu tomava a dianteira, mas depois na recuperação ele foi uma excelente ajuda, a seguir a cada subida ele passava para a frente e não deixava o ritmo morrer, especialmente a seguir à subida dos Comandos que eu exagerei um bocadinho e cheguei lá acima mesmo a morrer. 

Ele como não conhecia o percurso ia sempre pedindo indicações, para perceber onde podíamos acelerar ou se ainda tínhamos de poupar alguma coisa. Chegámos ao final juntos com o tempo de chip de 40m30s, o meu segundo melhor tempo na São Silvestre da Amadora e muito graças ao meu parceiro de corrida. Se a corrida não tivesse ligeiramente mais de 10 quilómetros e com um bocadinho mais de treino, teria conseguido baixar da barreira dos 40 minutos novamente, fica para outra ocasião, vamos ver que provas irei fazer em 2018.


terça-feira, setembro 05, 2017

Ironman 70.3 Cascais

Primeiro Half Ironman com a marca da Ironman realizado em Portugal, provavelmente o maior evento de triatlo alguma vez feito em Portugal. Quando me inscrevi há quase um ano atrás, era difícil prever a capacidade física com que chegaria a esta prova, de qualquer modo não queria faltar à primeira prova Ironman realizada em Portugal. Bem, dito isto, depois de ter feito o Ironman o ano passado nunca mais tinha feito 90km seguidos de bicicleta, tinha feito uma vez a meia maratona já em Fevereiro passado, já não nadava praticamente há um mês, uma semana antes da prova caí de bicicleta e fiquei com o ombro a doer-me, ainda tenho dificuldades a elevar o braço acima da cabeça, receita para o sofrimento sem dúvida. 

O dia começou bem cedo, às 5h30m levantei-me para colocar a bicicleta no parque de transições antes das 6h30m, como moro bastante perto da partida não tive de me levantar ainda mais cedo, mas a maior partes dos triatletas teve de madrugar bem mais cedo. Entrada na água por volta das 7h30m, pensei que me ia custar mais, mal fiz aquecimento porque a água estava fria, mas com a adrenalina da prova nem senti o frio da água, isso ou as dores no ombro esquerdo que foram uma constante ao longo de todo o percurso da natação. Gostei da saída da água por volta dos 600m de prova, apesar de ser mais um foco de desgaste e stress acho que para o público que está a ver é óptimo. Acho que até fiz um percurso direitinho, apontei bem às bóias, e mesmo assim fiz 2km em vez dos 1,9km oficiais. A saída da água foi talvez o maior erro da organização. Por acaso já tinha saído ali mas já não me lembrava como era, aquela rampa tem tantos limos agarrados ao cimento que é praticamente impossível manter-nos de pé, e senão fossem os voluntários da organização a ajudar-nos a sair da água acho que ainda hoje lá estava a patinar a tentar sair da água, devo lá ter estado mais de 1 minuto.

Na bicicleta tinha como objectivo fazer abaixo das 3h, ou seja, pelo menos fazer a 30km/h. Os primeiros quilómetros sabia que iam ser fáceis e a dureza ia começar a partir dos 50km de prova. Tentei ir confortável até começar as dificuldades, ia a uma velocidade de 32-33km/h, com imensa gente a passar por mim e eu com vontade de andar mais rápido, mas sabia que não me podia desgastar, tenho treinado muito pouco e ter uma quebra do final seria catastrófico. Também devido a andar a treinar pouco, por volta dos 40 quilómetros comecei a sentir algum desconforto com o selim, teria de aguentar mais um bocadinho porque quando chegasse às subidas já mudaria de posição. Quando estava a chegar a S. João do Estoril, já depois do retorno em Lisboa, passa por mim, muito lentamente um grupo de 5 triatletas que iam na conversa, nessa altura vejo a mota do árbitro no sentido contrário com ele a olhar para nós. Percebi logo que aquilo ia dar confusão, acelero logo para passar pelo grupo. Mesmo assim, passado menos de 1 minuto lá está a árbitro a mostrar-me o cartão azul, realmente o crime compensa, eu tento sempre ser super certinho e nunca andar na roda de ninguém, e critico quem o faz, e irrita-me ver os pelotões a passar por mim, e depois ainda sou penalizado. Se calhar a partir de agora vou ser mais esperto e aproveitar andar na roda, já que é para ser penalizado que seja com razão.

Quando começamos a subir em direcção a Alcabideche começo a ultrapassar imensas pessoas, não é que eu seja um bom trepador, mas não me tinha desgastado tanto, além disso as bicicletas de contra relógio com rodas fechadas e pedaleiras enormes são boas para o plano mas para subir a minha bicicleta é muito melhor. A passagem pelo autódromo do Estoril foi muito fixe, é um sobe e desce chato sim, mas compensou. A seguir à Lagoa Azul foi descer a toda a velocidade, conheço bem aquela estrada e foi encostar-me à esquerda e gritar para se desviarem cada vez passava por alguém. A subida para a Pedra Amarela era ver o pessoal apeado a subir com a bicicleta à mão, e a sorte de muita gente foi a subida acabar ali e não continuarmos a subida para depois para descer a Malveira, senão muita gente teria perdido ali minutos preciosos.

Quando começámos a descer da Malveira para o Guincho ainda apanhei um susto, normalmente não vou na faixa da esquerda a descer porque iria em contra mão, mas na prova podia ir na esquerda, por isso não sabia da existência de uma raiz que fazia uma lomba no alcatrão, quando passo por cima dela a mais de 50km/h. Ainda dei um saltinho valente, aguentei o impacto porque não ia com as mãos nos extensores e lá segui caminho. A estrada do Guincho foi feita a uma boa velocidade, o vento estava forte e pelas costas. Antes da transição ainda parei na penalty box 5 minutos por causa do cartão azul e não fosse isso teria acabado o segmento de ciclismo praticamente com 3h que era o meu objectivo, bem, pelo menos deu para descansar um bocadinho o joelho esquerdo que já me vinha a doer desde a subida para a Pedra Amarela, e que depois só me voltou a doer já na última volta da corrida.


Na corrida comecei soltinho, sentia-me bem e ver a minha família e os meus amigos a apoiarem-me sem dúvida que era um reforço para me esforçar mais. O calor já era muito nesta altura o que começou a dificultar as coisas, e por volta do quilómetro 3 na subida do Estoril veio-me vómito à boca. Tive de acalmar um bocadinho o ritmo, não queria vomitar porque iria desidratar muito mais rápido. Nunca me tinha acontecido, aliás o meu estômago é tão bom que nem me costumo preocupar em experimentar barras e geis novos, esta foi a primeira vez e acho que foi devido às barras da gold nutrition que comi durante o ciclismo, não tinha gostado particularmente do sabor e sempre que me vinha refluxo à boca era o sabor desagradável das barras que sentia. Decidi manter as coisas simples, até ao fim só consumi bananas, coca-cola e água. No final da primeira volta vejo o meu filho, aquilo valeu mais que 10 barras energéticas, foi uma autentica injecção de energia. Além disso o resto da família e os amigos continuavam lá, a gritar, a puxar foi verdadeiramente importante a presença de todos.

Já quando faltavam menos de 6 quilómetros para o fim começa-me a doer mais o joelho esquerdo novamente, e se calhar devido a estar a proteger o joelho, o tornozelo direito também me começou a doer bastante. Até ao final foi um grande sacrifício, queria acabar o segmento abaixo das 2 horas para não ser tão desonroso. No final lá estava a minha família outra vez a gritar por mim, foi bom ver o portico do Ironman, nada que se compare à sensação que tive em Barcelona, mas aquele tapete vermelho com as bancadas dos dois lados é qualquer coisa de especial. O tempo final não foi nada de especial mas tendo em consideração a falta de preparação, não poderia ter pedido melhor.